O clima é de comoção na cidade de São Pedro do Butiá, distante 74 quilômetros de Santo Ângelo, no Noroeste. O município de 2,8 mil habitantes está abalado com a morte do estudante William Thomas Hoffmann, 8 anos, atingido por uma goleiradurante a aula de educação física na tarde desta terça-feira. O corpo do menino foi sepultado às 16h desta quarta-feira, no Cemitério Municipal. O velório ocorreu durante todo o dia, na Casa Mortuária, e reuniu dezenas de amigos.
Louco por futebol e gremista fanático, William era um menino caseiro. As brincadeiras com os amigos costumavam ser no pátio de casa, ou na residência dos colegas, que eram muitos, segundo a tia, Jacinta Thomas. Quando estava sozinho, o violão era a outra paixão. Recentemente, William passou a fazer aulas para aprender a tocar o instrumento.
— Ele ficava muito em casa. Estava muito dedicado às aulas de violão e gostava também de ler e jogar no computador. Ainda nesta terça tinha comprado umas revistinhas, que vem com joguinhos, pra ler e brincar de noite, quando chegasse da escola — conta a tia.
Conforme a diretora da escola, Celina Lúcia Reisdorfer, a goleira onde ocorreu o acidente estava danificada há pelo menos três anos. Para que pudesse ser utilizada nas aulas de educação física, um cano havia sido improvisado para fixar a estrutura.
— Para as aulas, a goleira não oferecia perigo. Mesmo que improvisada, ela estava bem presa ao chão. Só que os meninos se penduraram pela rede, o que forçou a estrutura. O pé dela cedeu, junto com o piso, que é de tabuão, e a trave acabou caindo — explica a diretora.
Ela acrescenta ainda que solicitações de melhorias nas traves e no piso do ginásio são feitas à Coordenadoria Regional e à Secretaria Estadual de Educação desde 2010.
Primeiras análises da polícia apontam que goleira não estava fixada
Ainda na noite de terça, técnicos do Instituto Geral de Perícias estiveram no local. A Polícia Civil de Cerro Largo também foi até a escola e fez os levantamentos iniciais. Segundo o inspetor Dinorvan Ziemniczak, testemunhas serão ouvidas na manhã e na tarde desta quarta-feira. Não há previsão de quando o laudo final da perícia ficará pronto.
De acordo com as primeiras análises, a polícia acredita que a goleira não estava fixada no chão da quadra e virou sobre o estudante depois que ele se pendurou na trave. Conforme Celina, os alunos que presenciaram a queda informaram que a goleira teria caído sobre os pés de William, e ele teria batido com a cabeça no chão. Ziemniczak acredita que o mais provável é que a estrutura tenha atingido o estudante, pois ele apresentava afundamento craniano.
William estudava no Colégio Estadual Professor Pedro José Scher desde os seis anos. A instituição vai ficar fechada por três dias, em luto.
O acidente
Por volta das 17h desta terça, William estava com os colegas, do terceiro ano do Ensino Fundamental, participando da aula de Educação Física.
O grupo estava concentrado brincando em uma das goleiras, fixada no chão. Ele e outro amigo teriam se afastado do grupo e ido brincar no outro lado, onde a trave estava solta e, por isso, não era utilizada pela escola. Ao se pendurar na goleira, o objeto caiu sobre a cabeça de William.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou o menino até o hospital em Cerro Largo, mas informações passadas ao delegado Rogério Junges, que esteve no local, dão conta de que o menino já estava sem vida quando foi socorrido.
Segundo a diretora, era a última aula do turno da tarde e estava sendo feita a brincadeira de caçador, quando os meninos se afastaram. Nenhuma das goleiras estava sendo utilizada.
Por Roberto Witter
Infelizmente aconteceu essa tragédia, agora pergunto, quando realmente EDUCAÇÃO vai deixar de ser discurso em palanques políticos e realmente se transformar em PRIORIDADE? O sucateamento das escolas continua enquanto milhões são roubados dos cofres público.
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