Hospital, frigorífico, fábrica, lojas e muitas casas desapareceram debaixo da água em 1971, quando foi construída a barragem do Passo Real, na época divisa dos municípios de Cruz Alta e Ibirubá.
Barragem sem água expõe as ruínas do antigo chafariz de uma residência e uma caixa d'água (ao fundo). Foto: Ismael Horbach / Divulgação— Estamos vendo os aspectos geográficos, os rios que passavam por aqui antes, os afluentes e também o lado histórico, já que muitos dos alunos tem parentes que moravam em Passo do Lagoão — explica Lúcia de Fátima Horbach, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Clara.
Ernani Bohn, 80 anos, era morador de Passo do Lagoão e lembra com nostalgia da agitada rotina na vila. Hoje, Bohn vive em Ibirubá e não gosta de visitar o local onde morava:
— Me dá muito tristeza ver todas aquelas ruínas e lembrar como era grande a vila. Era praticamente uma cidade.
Vereador de Ibirubá na época em que o local foi alagado, Lothário Tiemann, 75 anos, também visitou as ruínas.
— Mesmo hoje, quando baixa a água, o local continua sendo bonito.
Atualmente, o Rio Lajeado da Cruz, que abastece os município, está cerca de 1 metro abaixo do nível normal. Cruz Alta está em situação de emergência por causa da seca.
— Na maioria das localidades choveu apenas um dia. Em Passo Fundo e Rio Grande, foram apenas 0,1 mm e 0,4 mm, respectivamente, volume que pode ser resultado de um nevoeiro - observa Estael.
Somente entre os dias 23 e 31 de maio a passagem de uma nova frente fria deve produzir acumulados superiores a 65 mm, no Noroeste, e a 50 mm, no Sul e em trechos do Vale do Paranhana e do Litoral Norte.
Por Roberto Witter