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31 mai10:11

Após perder bagagem em incêndio, time de Tuparendi comemora participação em torneio na Argentina

Juliana Gomes / juliana.gomes@zerohora.com.br

Um time de futebol de crianças e adolescentes de Tuparendi, no noroeste gaúcho, enfrentou neste mês o seu pior adversário, e se saiu vitorioso.

O grupo de 54 meninos com idades entre sete e 15 anos viajava para participar de uma competição de futebol em Oberá, na Argentina, na última sexta-feira, quando o ônibus em que estavam pegou fogo, consumido todos os pertencentes pessoais e os uniformes que a equipe usaria no campeonato. Apesar das perdas, ninguém ficou ferido.

Foto: Eduardo Feltraco, Arquivo Pessoal.

Goleiro do time, Eduardo Feltraco, 15 anos, também teve as luvas consumidas pelo fogo, assim como as roupas e calçados que estavam na mochila preparada para enfrentar a previsão de frio do fim de semana. As mãos de Eduardo, acostumadas a evitar gols, foram usadas para socar vidro. Com um chute, a abertura foi ampliada, para que ele e cinco colegas pudessem sair.

— Dias antes, eu havia pedido a um padre para que benzesse minhas mãos e minhas luvas. Não me machuquei, mesmo tendo sido um dos últimos a sair e tendo quebrado os vidros, graças a força de Deus. Ele também nos ajudará a recomeçar — comenta o jovem goleiro.

Outros 45 meninos perderam toda bagagem, que, para muitos, representava boa parte das roupas disponíveis no armário de casa.  Os integrantes do time participam do projeto social Academia Bello Centro, uma iniciativa de voluntários, em sua maioria ex-atletas, que se dedicam à formação esportiva de crianças e adolescentes da comunidade.

No ônibus da prefeitura de Oberá, eles viajavam para participar de uma competição que reuniria equipes da região do município argentino. O time gaúcho foi convidado a participar pelo sexto ano consecutivo. A delegação brasileira era formada por 54 pessoas. Oito viajavam de carro e as demais no coletivo. Por volta das 18h, em Alba Pose, um dos jogadores percebeu que o motor do ônibus estava em chamas. Atletas e equipe técnica saíram pela porta e pelas janelas. O coordenador do projeto, Adilson Gilberto Farias, conta que uma família argentina, moradora das imediações do local do incêndio, acolheu as crianças.

— Eles deram toda assistência aos meninos. Em Oberá, os jogadores foram instalados num alojamento, receberam roupas, calçados e alimentos. Ficamos muito emocionados com esse apoio — diz.

O torneio foi cancelado, mas um amistoso amenizou a tensão provocada pelo incidente. Os meninos de Tuparendi jogaram seis partidas, nas categorias sub-9, sub-12, sub-14 e sub-15. No placar geral, três empates e três vitórias. Uniformes, chuteiras, agasalhos e calçados foram emprestados pelas equipes argentinas. Independentemente do resultado, a organização do evento decidiu que os gaúchos deveriam levar para casa todos os troféus. Sábado, antes do previsto, os meninos retornaram ao município do Noroeste, com o desafio de se preparar para a Copa Sul Brasileira, que ocorre em São Paulo, no mês de julho.

—  Nós, pais dos atletas estamos nos organizando para ir a Oberá em 24 de junho. Queremos agradecer aos pais dos jogadores de lá e a essa família que logo depois do incêndio atendeu as crianças, dando comida e cobertor — diz a professora Melita Cappellari, mãe do goleiro Eduardo.

Para repor uniformes e materiais esportivos bem como auxiliar crianças que tiverem dificuldade para adquirir roupas e calçados perdidos no incêndio, os pais dos atletas já estão se organizando. A idéia é promover jantares e almoços e reverter os recursos em benefício do time. Doações também estão sendo aceitas. O prêmio, porém, todos concordam que já receberam: saírem ilesos de um acidentes que, por pouco, não se transformou em tragédia.

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