Vanessa Franzosi / vanessa.franzosi@zerohora.com.br
Certificar a soja pelo cuidado em todos os processos da cadeia produtiva ainda é novidade no Estado, assim como a ideia é recente no Brasil e no mundo. A certificação da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) surge, no entanto, como caminho futuro para médios e grandes produtores que vislumbram o mercado europeu exigente.
Ações como cumprir as leis de cada país, ter boas condições de trabalho, relações comunitárias responsáveis, estar de acordo com as exigências ambientais e ter práticas agrícolas adequadas são princípios básicos para garantir o certificado de uma fazenda.
Durante o 27º Seminário Cooplantio, que se encerra nesta quarta-feira em Gramado, produtores gaúchos conheceram detalhes do novo selo, ideal para produções acima de 300 hectares. Implantada pela primeira vez no ano passado em todo o mundo, a certificação foi dada a sete fazendas brasileiras do Cerrado que exportaram pouco mais de 250 mil toneladas do grão com selo RTRS.
Países como Holanda, Bélgica e Suíça têm metas de comprar somente grão com este certificado até 2015.
— Trata-se de uma iniciativa global que cria processos de produção em cadeia para garantir que a soja seja produzida com responsabilidade. Há muita demanda e nos falta produção — garante o representante da RTRS no Brasil, Daniel Meyer.
Ineditismo gera dúvidas
Com os trabalhos iniciados recentemente, ainda faltam ser esclarecidos os benefícios da venda certificada em cifras.
— Não está claro quanto se pode ganhar a mais e como será feito o transporte, com garantia de que a soja certificada não será misturada a demais — diz o produtor Antônio Carlos Nemitz, de Alegrete.
O produtor, que cultiva até 3 mil hectares de soja, se interessa pela certificação, sabe que é o futuro para uma melhor e mais valorizada produção. No entanto, ele terá essas questões respondidas daqui adiante, com esclarecimentos de novas mesas-redondas da associação e com avaliação caso a caso. Meyer explica que, como a certificação envolve a cadeia desde o produtor até a indústria, há garantias de compra do produto e distribuição.
O que sabe também é o custo médio de certificação de cada tonelada de soja, cerca de US$ 0,30, mais os gastos com auditoria. No entanto, a aposta no grão responsável é tanta em países como Holanda, que em alguns casos esses custos têm sido arcados pelas próprias empresas. Em troca, o produtor acumula créditos e garante prêmios pela certificação.
Certificação RTRS
RTRS é a sigla em inglês para Associação Internacional de Soja Responsável, constituída por 150 representantes da indústria, produtores e entidades civis de países da Europa, Américas e Ásia. Por meio de mesas redondas entre os membros chegou-se a acordos de quais seriam as melhores formas de produção responsável da soja, envolvendo mais de 100 critérios em cinco princípios:
1. Cumprimento legal e boas práticas empresariais
2. Condições de trabalhos responsáveis
3. Relações comunitárias responsáveis
4. Responsabilidade ambiental
5. Práticas agrícolas adequadas
Por Roberto Witter