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21 mai11:00

"Foi uma atitude de coragem que merece respeito", diz Maria do Rosário sobre revelação de Xuxa

Ministra à frente da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário conversou por telefone com ZH sobre a importância que o depoimento da apresentadora Xuxa, veiculado ontem no Fantástico, na RBS TV, tem para a causa.

Foto: Salmo Duarte, Agência RBS, BD, 10/07/2011.

— Foi uma atitude de coragem, que merece muito respeito — disse. Ressaltou que há estudos que mostram que a violência sexual produz dores muito fortes, marcas além da dimensão física. São dores psicológicas e as pessoas guardam muitas vezes para si essa situação pela vida inteira. Citou, então, três prinicpais pontos da revelação da apresentadora.

— Em primeiro lugar, representou o que muitas pessoas já sofreram e nunca tiveram coragem de falar. Faz um alerta para essa realidade, que pode ser muito maior que se imagina. Em segundo lugar: chama a atenção para o fato de esse problema acontecer muitas vezes dentro da própria família ou na comunodade na qual a criança está inserida. E em terceiro, acredito que o que ela pediu foi que as pessoas acreditem no que as crianças dizem. Isso é fundamental. Ela disse que não contou porque achava que não iriam acreditar nela e achariam ela culpada. As crianças precisam ter certeza que que os adultos vão acreditar nelas. Precisam confiar neles.

Maria do Rosário se disse ainda muito sensibilizada com a revelação.

— Eu e Xuxa trabalhamos juntas há muito tempo, ela é uma das principais colaboradoras do Disque 100. Ela representou muito bem as pessoas que ainda não tiveram coragem de falar. Gosto ainda mais dela por isso.

Nesse sentido, Maria do Rosário salientou a importância do Projeto de Lei PL Nº 6719/2009, de autoria do Senado Federal – CPI da Pedofilia, que ficou conhecido como Lei Joana Maranhão. O texto, garante às vítimas de abuso sexual mais tempo para denunciar o agressor.

Pela nova lei, o tempo de prescrição passa a contar a partir da data em que a vítima de crime sexual completar 18 anos. Hoje, o Código Penal estabelece que a contagem do prazo começa na data do crime. O entendimento é que, alcançando a maioridade, a vítima ganha condições de agir por conta própria. Com a prorrogação do prazo, ela poderá levar o caso à Justiça. No momento, há o pedido de tramitação em caráter de urgência.

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21 mai10:51

Preços da soja atingem novos recordes no Brasil, aponta Cepea

Rural BR

As cotações da soja seguem em alta no mercado interno, apesar das quedas internacionais, conforme especialistas do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada (Cepea). A demanda internacional e a maior taxa de câmbio se mantêm como os fatores de sustentação de preços no Brasil. Na semana passada, o indicador Esalq/BM&FBovespa registrou novo recorde nominal, com alta de 3,66% entre os dias 11 e 18, finalizando em R$ 65,11 a saca de 60 quilos.

Ao ser convertido para dólar, o indicador fechou a US$ 32,23 a de 60 quilos. O valor representa elevação de 0,16%.

Segundo o Cepea, as filas no porto de Paranaguá têm limitado as exportações e agentes optam por negociar para entrega nos próximos meses. A média ponderada das regiões paranaenses, refletida no indicador Cepea/Esalq, teve avanço de 1,46% entre 11 e 18 de maio, indo para R$ 61,76 a saca de 60 quilos e registrando também recorde nominal.

>>> Acesse o site de cotações do RuralBR

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21 mai10:39

Em entrevista à TV, Xuxa conta que sofreu abusos sexuais na infância

Uma Xuxa Meneghel visivelmente emocionada e fazendo confissões a respeito de antigos episódios de sua vida. No domingo à noite, o programa Fantástico exibiu uma entrevista em que a apresentadora gaúcha fez grandes declarações, como o fato de ter sido abusada na infância (leia abaixo).

A entrevista foi ao ar no quadro O que Vi da Vida, Xuxa, do Fantástico, exibido pela RBS TV. A Rainha dos Baixinhos falou por cerca de 20 minutos. Ela começou lembrando da origem em Santa Rosa e da família, ressaltando a figura distante do pai militar e o carinho da mãe. Xuxa, 49 anos, relembrou suas primeiras experiências como modelo e o começo na televisão: “(…) com 16, 17 anos, eu já sustentava a minha família”.

Apresentadora esteve no quadro “O que vi da vida”, do Fantástico, dirigido por Cláudio Manoel (dir.)Foto: Matheus Cabral,TV Globo / Divulgação

Leia a íntegra do depoimento de Xuxa no programa:

Eu tenho orgulho de dizer que eu sou suburbana, mas até do que ser do interior, eu sou do subúrbio. Quando eu me lembro de Bento Ribeiro , me vem o trem, me vem eu tomando banho de sol na laje. São coisas que não saem da minha cabeça, eu adoro!

Dos cinco irmãos, a minha irmã Sola era um pouco distante de mim, a Mara era muito mandona, o Cira quase não falava comigo. Blad que cuidava de mim o tempo todo.

Eu tenho essas coisas: mãe muito presente, pai não presente. A mãe dando muito carinho. A gente recebia beijo do pai só no Natal e Ano Novo. E o meu pai, que era uma pessoa militar, distante, a gente tinha que chamar de Seu Meneghel. A gente nunca falava ‘pai’, era sempre ‘o senhor quer isso, o senhor quer aquilo’. Faltava quase bater continência para ele.

Quando estava voltando da ginástica olímpica, um garoto estava sentado do meu lado no trem, ele estava com bastante revista, e eu fiquei olhando. Chegou uma hora e eu falei: ‘Posso olhar uma?’. E minha irmã me olhou com uma cara do tipo: ‘Você vai puxar assunto com um cara que tu nem conhece no trem?’. E aí eu pedi desculpa, mas o cara me mostrou um monte de revista. E eu fiquei lá olhando as revistas, adorei. E aí ele chegou e falou: ‘Você gostaria de ser modelo?’. Eu tinha 15 anos. Eu falei: ‘Não. Não sou bonita. Não sou fotogênica’. Eu desci em Bento Ribeiro e ele me seguiu. Aí fui até em casa e depois de um tempo ele bateu na porta. Ele mostrou a identidade e disse: ‘Eu trabalho na editora Bloch, mas eu trabalho no arquivo, arquivando revista. ‘Você não tem nenhuma foto que você possa me dar?’. Eu chamei minha mãe e ela disse: ‘Não, ela não quer isso’. E eu falei: ‘Ah, mãe, eu não quero porque todo mundo acha que eu sou feia, mas eu acho que eu quero’. Aí ela perguntou: ‘Você quer?’. Eu sempre gostei de aparecer.

Quando eu comecei a fotografar com 16 anos, foi uma coisa estrondosa. As pessoas começaram a me chamar demais para fazer fotografia. Então com 16, 17 anos eu já sustentava a minha família.

Uma vez, também falar de um trabalho que eu estava fazendo, veio o Maurício Sherman, olhou pra mim e falou: ‘Quer trabalhar em televisão?’. Eu falei: ‘Caraca, como assim trabalhar em televisão?’. ‘Você tem uma coisa de Peter Pan, você tem uma coisa da Marilyn Monroe, tem o sorriso da Doris Day. Eu acho que criança vai gostar’. Eu falei: ‘Mas tem certeza?’.

Nunca fui muito namoradeira. Me arrependo hoje. Acho que eu deveria ter aproveitado mais. Mas eu chamava atenção mais de homens, dos maiores. E isso me deu muito problema.

Eu tinha 17, fui fazer a capa de uma revista e era ‘Minha liberdade vale ouro’. E ele mandou chamar uma morena, uma loira, uma negra e uma ruiva. Todas vestidas de dourado. A morena era a Luiza (Brunet), a loira era eu. Só que na foto ele (Pelé) virou um pouco mais pra mim, então ele saiu com a mão mais me tocando. E as pessoas queriam saber quem era essa pessoa que ele saiu mais virado. E começaram a falar que a gente estava namorando, e eu não estava namorando ele.

Ele tinha convidado todo mundo para sair depois dessa foto. Na realidade ele gostou foi da Luiza. Mas a Luiza era casada. Aí ele começou a conversa comigo, ligava bastante, queria falar com a minha mãe, mandava flores para minha mãe. E as pessoas começaram a falar cada vez mais. E um dia ele me deu um beijo. Me deu um frio na barriga, aí eu achei que estava gostando dele. E ele foi uma pessoa muito importante pra mim, eu gostei muito dele. Aprendi muita coisa boa, muita coisa ruim. Eu fiquei seis anos com ele. Ouvia muita gente falar que era porque ele era conhecido, ser famoso. Esse foi um dos motivos que eu quis me separar dele logo no início quando eu vi que estava gostando de verdade dele. Pena que eu era muito nova e ele muito conhecido e bem mais velho e não deu valor a isso.

Um dia eu olhei uma revista e estava o Senna numa fazenda. E eu pensei: ‘Olha só, um cara que gosta de bicho que nem eu, um cara com grana que não vai querer minha grana, um cara conhecido que não vai querer se aproveitar de mim, mas já tem namorada’.

E aí demorou uma semana, dez dias, ele ligou para a Globo, para tudo que era lugar, para me procurar. Atendi o telefone e ele disse: ‘Eu quero te conhecer’. E eu não podia falar: ‘Não, não quero’, porque eu tinha falado há pouco tempo, para todo mundo ouvir, que eu queria conhecer o cara. Aí eu falei: ‘Mas eu tenho um show para fazer’. E ele disse: ‘Mas eu vou mandar o meu aviãozinho te buscar’. E eu disse: ‘Eu não ando de aviãozinho porque eu passo mal’. E ele disse: ‘Não fica chateada não, mas eu tenho um avião um pouquinho maior’.

A gente se olhou, em vez de se cumprimentar a gente se tocou. A gente em vez de se beijar, a gente meio que se cheirava. Ele tinha um astral muito diferente. A gente ficou conversando horas e ele falou pra mim: ‘O que você vai fazer amanhã?’. E eu disse: ‘Vou ver minha avó’. Aí ele falou: ‘Vou conhecer a sua avó então’. Ele era muito rápido nessas coisas, mas a gente ficou se falando por uns 15 dias. Falando mesmo, não teve beijo, não teve nada, se conhecendo. Até achei esquisito: ‘Gente, será que ele não está interessado?’ Porque eu já estava muito interessada.

Mas quando a gente ficou junto, a gente não se largou, foi um negócio muito doido. Era como se tivesse uma coisa que encaixa de uma maneira tal. Ele gostava das coisas que eu gostava, das mesmas cores, não gostava das frutas que eu também não gostava. Eu sempre gostei de correr e eles sempre gostou de criança. Então se eu fosse homem eu queria ser corredor e ele dizia que se ele fosse mulher ele gostaria de ter a profissão que eu tinha. Então parecia que a gente se completava de uma maneira. Eu estava trabalhando muito e ele trabalhando muito também. Aí eu me separei dele, a gente se separou. A única pessoa que eu pensei realmente em me casar foi com ele. E eu achei que iria reencontrá-lo e que a gente ia ficar junto.

Ele morreu num domingo. No sábado, eu falei assim: ‘Onde é que ele vai correr?, por que eu vou atrás dele’. Aí todo mundo: ‘Mas ele tá namorando’. Eu disse: ‘Eu sei, mas eu vou atrás dele, vou olhar pra ele e vou ver se eu sinto tudo isso que eu acho que eu sinto e se ele ainda sente alguma coisa por mim e a gente vai ficar junto’. Aí no domingo ele foi embora. Tem muita gente que passa nessa vida sem conhecer uma pessoa que se encaixa desse jeito. Se existe a palavra alma gêmea, a minha alma gêmea estava ali na minha frente. Ele tinha tudo que eu queria, até eu desconfiava. ‘Não pode ser, esse cara deve ter lido o que eu gosto de alguém assim’, porque ele fazia tudo que eu queria, ele tinha o cheiro que eu queria. Não pode ter tudo numa pessoa só. Tem que ter defeito, e eu não conseguia. A gente ficou dois anos juntos, um ano e oito meses. Depois a gente se separou e ficou mais dois anos se vendo quase sempre. Um dia a gente vai se encontrar de novo.

Eu não tinha liberdade nenhuma, eu não tive privacidade nenhuma por um bom tempo. Antes de eu entrar em qualquer lugar as pessoas tinham que entrar na frente pra ver se tinha gente embaixo da cama, dentro dos armários e muitas vezes encontravam gente no armário, gente embaixo da cama. Até hoje eu acho que o preço mais alto é isso. Eu não tenho liberdade pra fazer as coisas que eu gostaria de fazer às vezes. Eu não me privo de ir a um shopping, eu não me privo de fazer compras, mas é meio que quase um evento. Às vezes eu atrapalho as pessoas, às vezes as pessoas nas lojas se sentem mal porque muita gente começa a querer entrar, quebrar, arrebentar. Então eu me sinto muito mal com tudo isso. Se eu vou num lugar público, eu acabo atrapalhando, seja o que for. Uma vez o Mickey veio falar comigo, falou que me amava, escreveu, porque eles não podem falar. E foi correndo chamar a Minnie. E minha filha do lado: ‘Pô, mãe, até o Mickey e a Minnie’. ‘Pô, Sasha, desculpa’.

Esse é o preço que eu pago. As pessoas que têm a liberdade de ir e vir e fazer as coisas que eu não posso fazer, não podem viver o que eu vivo, não podem ter o que eu tenho. Então eu aprendi que isso é o preço. Alto, mas eu tenho muita coisa. Porque eu estou exposta a isso, eu vivo isso. Não só aceito, como gosto, como quero. O dia que eu sair e uma criança não olhar pra mim, não quiser falar comigo, eu vou dizer: ‘Opa, tem alguma coisa errada’.

A assessoria do Michael Jackson estava querendo que ele casasse, tivesse filhos. E eles estavam buscando uma pessoa. Nessa época eu estava trabalhando na Espanha. Fui chamada para o show dele. E eu, obviamente como fã dele, era louca por ele, falei: ‘Eu vou ver!’. Tirei foto com ele, essas coisas todas. Ele estava chupando pirulito, eu peguei o pirulito que ele estava chupando e levei que nem fã.

Mas logo depois me chamaram pra ir pra Neverland, as pessoas queriam que eu falasse com ele. Ele sabia tudo da minha vida, ele leu tudo sobre mim. Cheguei lá, fui jantar com ele, a gente viu filme juntos, essas coisas todas.

E depois veio uma proposta do empresário dele: se eu não pensava em de repente ficar com ele. Eu falei: ‘Como assim?’. É porque ele gostaria de ter filhos, casar. E eles achavam muito legal ter essa junção. Uma pessoa que trabalha com criança na América do Sul e ele que gosta de criança. Ele me mostrou só as coisas de criança. Todos os clipes dele. Chorei, obviamente que eu ia chorar. Do lado do Michael Jackson, sentada no cinema, na casa dele. Como eu não ia chorar. Chorei, me debulhei. Ele pegava na minha mão, e quanto mais ele pegava na minha mão mais eu chorava. Pra mim é um ídolo, mas de ídolo pra outra coisa era muito diferente. Então não rolou. Minha resposta, obviamente, foi não. Eu fico com a pessoa que eu me apaixono.

A coisa mais difícil é o cara me aceitar do jeito que eu sou. Eu sou complicada pra caraca. Eu sou muito independente, eu gosto de fechar a porta do meu carro, gosto de dirigir, não gosto que ninguém pague as minhas contas, eu gosto de liberdade, já que eu tenho tão pouco.

Não abro mão de ficar perto da minha filha por homem nenhum. Meu trabalho está na frente porque também é uma coisa que eu preciso pra poder ajudar todo mundo. Minha fundação depende de mim, minha família depende de mim, minha filha. E eu preciso disso pra me sentir viva, me sentir melhor. Aí eu vou deixando porque talvez um dia esse homem vá aparecer na minha frente, bater na minha porta, como já aconteceu e rolar. E não rola assim. Não existe isso. Não vai ter essa segunda vez. Esse alguém batendo na minha porta e dizendo: ‘Eu sou tudo isso que você quer, estou aqui para você’. Então eu não estou procurando.

Mas às vezes, posso te dizer na boa, corre sangue aqui dentro e hormônio. Isso que é o pior. Esses hormônios é que matam a gente. Eu estava crente que quando eu chegasse aos 50 ia chegar calminha. Que nada! Aí se você me perguntar, eu vou dizer: ‘Faz falta, faz muita falta’. Em quatro paredes, eu dependo muito do cara. Mas até chegar em quatro paredes é que a coisa complica. Quando chega nas quatro paredes, eu e ele, ele e eu, aí eu não penso em mais nada. Não penso em trabalho, não penso em nada, não penso em ninguém. Aí as poucas pessoas que me conhecem dizem assim: ‘Nossa, mas eu não achava que você era assim!’ Por quê? Como eu ia ser? Queria muito saber o que passa na cabeça das pessoas.

O tempo, pra gente que trabalha em televisão, é um pouco cruel. Porque eu canso de falar isso: ‘Nossa como aquela mulher era bonita e ela agora está horrível’. E o tempo faz com a gente, as coisas caem, vão embora, descem. Eu já falei: às vezes dá vontade de dar uma puxadinha, fazer igual minha chuquinha, puxar tudinho, cortar e costurar, mas não dá pra fazer isso. E eu entendo que as pessoas ficam afoitas porque a televisão agora mostra os poros, mostra os detalhes todos. Então as pessoas querem puxar aqui, puxar ali. Fica todo mundo com a mesma cara. Fica todo mundo igual. E eu não quero ter essa cara de tamanco. Então eu vou ficar velhinha e todo mundo vai dizer: ‘Nossa, como ela era e agora olha como ela ficou’.

Quando me chamaram pra fazer a campanha do ‘Não bata, eduque”, que seria tentar mudar a cabeça das pessoas. E descobri que as crianças que estão na rua, 80% das pessoas que estão nas ruas se prostituindo – a palavra nem seria essa, porque elas não sabem o que estão fazendo-, roubando, se drogando, sofreram algum tipo de abuso dentro de casa. Algum tipo de violência dentro de casa que fez com que ela saísse.

E quando as pessoas começam a me falar sobre as histórias dessas crianças, que muitas vezes isso acontece dentro de casa, ou com o pai, ou com a mãe, ou com o tio ou com o melhor amigo do pai, ou padrasto. Ou seja: alguém muito conhecido dentro de casa que acabou abusando sexualmente dessa criança e ela resolve sair de casa. Mas para ela poder comer ela acaba fazendo isso nas ruas.

Isso me dá um embrulho no estômago porque eu consigo não só me colocar no lugar delas, como eu abracei essas causas todas porque eu vivi isso. Na minha infância até a minha adolescência, até os meus 13 anos de idade foi a última vez.

Pelo fato de eu ser muito grande, chamar a atenção, eu fui abusada, então eu sei o que é. Eu sei o que uma criança sente. A gente sente vergonha, a gente não quer falar sobre isso. A gente acha que a gente é culpada. Eu sempre achei que eu estava fazendo alguma coisa: ou era minha roupa ou era o que eu fazia que chamava a atenção, porque não foi uma pessoa, foram algumas pessoas que fizeram isso. E em situações diferentes, em momentos diferentes da minha vida. Então ao invés de eu falar para as pessoas, eu tinha vergonha, me calava, me sentia mal, me sentia suja, me sentia errada. E se eu não tivesse uma mãe, se eu não tivesse o amor da minha mãe, eu teria ido embora, porque o medo de você ter aquelas sensações de novo, passar por tudo isso, é muito grande. Só que eu não falei pra minha mãe, eu não tinha essa coragem de falar com ela. E a maioria das crianças, dos adolescentes passa por isso.

Eu não me lembro direito porque eu era muito nova, eu me lembro do cheiro. Tinha cheiro de álcool, tinha cheiro de alguma coisa e eu não sei quem foi. E depois aconteceram muitas vezes. Parou aos 13 anos, quando eu consegui fugir. Agora tem essas coisas que pra mim doem, me machucam, me dá vontade de vomitar. Quando eu lembro que tudo isso aconteceu e eu não pude fazer nada porque eu não sabia, eu não tinha experiência. O que uma criança pode fazer? Eu tinha medo de falar pro meu pai e meu pai achar que era eu que estava fazendo isso. Porque uma das vezes que aconteceu foi com o melhor amigo dele, que queria ser meu padrinho. Eu não podia falar pra minha mãe, porque uma das vezes também foi com um cara que ia casar com a minha avó, mãe dela. Então, a errada era eu. Eu não tinha experiência, não sabia o que era. Professores. Um professor chegou pra mim e disse: ‘Não adianta você falar porque entre a palavra de um professor e de um aluno eles vão acreditar no professor, não no aluno. E até hoje, se você me perguntar por que aconteceu comigo, eu ainda acho que foi por minha culpa. E a gente não pode pensar assim. Porque a criança não tem culpa, a criança não sabe. O cara, o adulto, o homem, a mulher, a pessoa que faz isso com uma criança sabe, mas a criança não.

Talvez eles deveriam ter notado que quando eu não estava falando muito, eu que sou de falar demais, é porque estava acontecendo alguma coisa comigo. Mas na inocência da minha mãe, que casou tão nova e com cinco filhos, ela não reparou que eu que falava muito, em alguns momentos eu me calava. Por que você acha que eu não consigo casar e ficar muito tempo com uma pessoa? Deve ter uma explicação. Quem sabe não deve ser tudo isso que eu vivi? O fato de eu me achar horrível, me achar feia, e as pessoas falarem: ‘Não, é bonita’. E eu falar: ‘Não, não sou’. Deve ter a ferida ali.

Eu nunca falei pra ninguém porque eu achava que as pessoas vão me olhar diferente. Ou talvez não vão entender. Ou vão entender da maneira delas. Mas eu só queria dizer que eu não entendo muitas vezes porque aconteceu comigo. E porque eu não falei. E por que eu não soube dizer não, eu não sei. Talvez eu tivesse que passar por tudo isso pra hoje eu chegar e dizer: ‘Eu quero lutar por elas’. Eu tenho um sonho de um dia nenhuma criança sofrer nada porque criança é um anjo. Aquele cheiro, que eu gosto de cheirar o pescoço, que tem…

Eu vi o que poucas pessoas puderam ver. Eu senti o que poucas pessoas puderam sentir. Eu vivi o que pouquíssimas pessoas puderam viver. Eu vi o amor verdadeiro através da minha mãe. Eu vi o amor verdadeiro através das crianças. Eu acho que poucas pessoas viram ou viveram isso. E eu vivi um grande amor na minha vida que foi rápido. Porque tudo pra ele era muito rápido, e que poucas pessoas puderam viver e sentir, tão rápido e tão forte. E as outras coisas que eu vi que eu não gostei, parece que eu vi um filme, parece que eu não vivi. Então eu deixo só as coisas boas.

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18 mai10:53

Primeiras aulas do Agrocurso Manejo de Bovinos vão ao ar neste final de semana

Começa neste sábado, dia 19, o Agrocurso Manejo de Bovinos, um curso a distância promovido pelo Canal Rural em parceria com a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) e ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). As aulas inéditas serão transmitidas das 6h às 7h, sempre aos sábados e domingos, pelo Canal Rural, com reprises às terças e quintas, às 9h.

O curso de estreia, Manejo de Bovinos, visa à capacitação de pessoas para a área. A avaliação busca a melhoria da eficiência na atividade pecuária por meio de ações pautadas em manejo racional, sanidade, reprodução, alimentação e cuidados no preparo de animais para o trabalho, exposições e leilões, assim como o transporte dos mesmos.

As aulas serão ministradas pelo zootecnista Alexandre Lúcio Bizinoto, mestre em produção animal, área de manejo de animais, construções rurais e ambiência.

Os vídeos exibidos pela TV podem assistidos por todos os telespectadores do
Canal Rural, mas para ter acesso ao diploma de conclusão, o interessado deve realizar a matrícula pelo site da FAZU. Caso o aluno inscrito não possa acompanhar as aulas pela TV ou tenha perdido algum episódio, poderá acessar o site oficial do Agrocurso para rever todos os vídeos, acessar materiais complementares e enviar dúvidas e comentários para colegas e professores.

A inscrição no curso pode ser efetuada pelo site do Agrocurso a qualquer momento. A aula inaugural terá abordagem técnica em temas como pasto maternidade, cuidados no pré-parto, pastos assistidos, edema de úbere e tipos de partos.

Assista às aulas pelo Canal Rural nos canais 135 da Net, 105 da Sky, 112 da Claro TV ou pela antena parabólica, frequência 4171 Mhz Banda L 0980 Mhz, polarização horizontal, StaroneC2, ou emwww.ruralbr.com.br/canalrural. Para rever os vídeos, acesse www.agrocurso.com.br (apenas para alunos inscritos).

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16 mai15:31

Seca revela vila alagada há 40 anos no noroeste do Estado


A seca que assola o Estado há seis meses revelou as ruínas de uma antiga vila submersa há mais de 40 anos em Quinze de Novembro, no noroeste do Estado. Da próspera Passo do Lagoão restam apenas resquícios.

Hospital, frigorífico, fábrica, lojas e muitas casas desapareceram debaixo da água em 1971, quando foi construída a barragem do Passo Real, na época divisa dos municípios de Cruz Alta e Ibirubá.

Barragem sem água expõe as ruínas do antigo chafariz de uma residência e uma caixa d’água (ao fundo). Foto: Ismael Horbach / Divulgação
A seca fez a barragem (maior lago artificial do Estado) baixar mais de 12 metros. A vila submersa causa curiosidade entre os moradores. O chafariz que ficava no pátio da casa de um médico, a cisterna, a caixa d’água e o alicerce do antigo hospital estão a vista, assim como o gerador que fornecia a energia elétrica aos moradores. Segundo a prefeitura de Quinze de Novembro, é o menor nível que a barragem já atingiu.Várias escolas do município estão aproveitando a estiagem para levar os alunos até o local para estudos.

— Estamos vendo os aspectos geográficos, os rios que passavam por aqui antes, os afluentes e também o lado histórico, já que muitos dos alunos tem parentes que moravam em Passo do Lagoão — explica Lúcia de Fátima Horbach, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Clara.

Ernani Bohn, 80 anos, era morador de Passo do Lagoão e lembra com nostalgia da agitada rotina na vila. Hoje, Bohn vive em Ibirubá e não gosta de visitar o local onde morava:

— Me dá muito tristeza ver todas aquelas ruínas e lembrar como era grande a vila. Era praticamente uma cidade.

Vereador de Ibirubá na época em que o local foi alagado, Lothário Tiemann, 75 anos, também visitou as ruínas.

— Mesmo hoje, quando baixa a água, o local continua sendo bonito.

Sem chuva nos próximos dias

Em Cruz Alta, no noroeste do Estado, a partir de hoje o abastecimento de água será complementado por três caminhões-pipa. O volume será colocado diariamente na estação de tratamento de água da Corsan.

Atualmente, o Rio Lajeado da Cruz, que abastece os município, está cerca de 1 metro abaixo do nível normal. Cruz Alta está em situação de emergência por causa da seca.

A falta de chuva no Estado se agravou nos últimos 15 dias, segundo levantamento feito pela meteorologista Estael Sias, da Central RBS, com base nos dados das estações oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Estado.

— Na maioria das localidades choveu apenas um dia. Em Passo Fundo e Rio Grande, foram apenas 0,1 mm e 0,4 mm, respectivamente, volume que pode ser resultado de um nevoeiro – observa Estael.

Somente entre os dias 23 e 31 de maio a passagem de uma nova frente fria deve produzir acumulados superiores a 65 mm, no Noroeste, e a 50 mm, no Sul e em trechos do Vale do Paranhana e do Litoral Norte.

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16 mai09:58

Goleira cai e mata menino durante aula de educação física em São Pedro do Butiá

Letícia Costa / leticia.costa@zerohora.com.br

Por volta das 17h desta terça-feira, a aula de Educação Física em uma escola de São Pedro do Butiá, no noroeste do Estado, foi interrompida por uma tragédia. Uma goleira, que não estava fixada no piso da quadra do ginásio de esportes, matou o estudante William Thomas Hoffmann, de 8 anos.

Foto: Polícia Civil, divulgação.

A atividade esportiva que envolvia alunos do terceiro ano do Ensino Fundamental no Colégio Estadual Professor Pedro José Scher era realizada em apenas uma das goleiras da quadra que estaria fixada. Segundo relato das duas professoras que acompanhavam a turma, ao delegado Rogério Junges, dois meninos foram até a outra estrutura que estava desativada e se penduraram na trave, foi quando ela veio na direção deles, e acertou a cabeça de William.

— Um conseguiu saltar para longe da goleira, o outro não. O Samu foi acionado e levou ele até o hospital em Cerro Largo, porque não tem hospital em São Pedro do Butiá — explica Junges.

No entanto, de acordo com informações passadas ao delegado, o menino já estaria sem vida quando foi socorrido. A goleira em que aconteceu o acidente estava sem o suporte que a fixa no piso, e, por isso, não era usada na aula.

A diretora da escola, Celina Lúcia Reisdorfer, disse que toda comunidade está muito abalada com o que aconteceu. O colégio vai ficar fechado por três dias, em luto.

Segundo Celina, os alunos que presenciaram a queda da goleira informaram que ela teria caído sobre os pés de William, e ele teria batido com a cabeça no chão.

— Não estava na escola hoje de tarde e não sei os detalhes, mas a vice-diretora tomou todas as providências necessárias no momento. O William era um ótimo aluno, muito querido, estamos muito tristes. Nossos alunos são que nem nossos filhos, conhecemos toda família — lamenta Celina.

Conforme a diretora, era a última aula do turno da tarde e estava sendo feita a brincadeira de caçador, quando os meninos se afastaram. Com isso, nenhuma das goleiras estava sendo utilizada. O menino estudava no local desde há seis anos e tem um irmão menor.

— Sempre alertamos as crianças para caminharem devagar, para terem cuidado. Eles são muito ativos, correm muito, tem muita energia. Um tempo atrás falamos que não podiam subir nas goleiras — afirma a diretora.

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil de Cerro Largo abrirá um inquérito para apurar a responsabilidade do fato. O corpo do menino foi levado ao Instituto Médico Legal de Santo Ângelo aguardando pela necropsia.

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14 mai17:54

Estiagens contínuas em lavouras do Rio Grande do Sul preocupam pesquisadores

Os reflexos de secas e estiagens nas lavouras do Rio Grande do Sul desde o início do século preocupam os pesquisadores. Eles constataram que o rendimento do milho, por exemplo, é menor e mais instável no Rio Grande do Sul do que em outros Estados produtores, como Paraná e Goiás. Em 2012, a seca deixou 337 municípios do Estado em situação de emergência.

Rendimento do milho é menor e mais instável no Rio Grande do Sul do que em outros Estados, como Paraná e Goiás. foto: Roberto Witter, Agência RBS.

No município de Venâncio Aires, na região central do Estado, a falta de chuvas fez a prefeitura do município estender o trabalho de retirada de pedras do rio Taquari. Normalmente, o serviço é feito apenas nos meses de janeiro e fevereiro. Desde o início de 2012 já saíram do rio que corta a cidade mais de oito mil toneladas de cascalho.

— As últimas cheias trouxeram bastante cascalho, a recarga do Taquari é muito grande. Nós estamos tendo problema não só o nível baixo dos rios, mas o pior de tudo é o nível do lençol freático — explica Fernando Heissler, secretário da Agricultura de Venâncio Aires.

Segundo o agrometeorologista Homero Bergamaschi, todas as culturas de sequeiro se transformaram em plantações de alto risco na região. É preciso buscar maneiras de diminuir os prejuízos para conviver, principalmente com as estiagens curtas, que são as mais frequentes.

— Práticas de manejo conseguem reduzir significativamente o impacto destas estiagens curtas. Agora, nas estiagens longas, elas não são suficientes. Não é com plantio direto, somente, não é com diversificação de culturas somente. Tem que entrar práticas tipo irrigação que vai ter que crescer cada vez mais, enfim, prática de investimento mais pesado, tecnologia mais avançada — afirma.

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14 mai11:08

A rotina dos policiais das Missões enviados para a Região Metropolitana

Alvorada, 1h de sábado, 12 de maio. Na cidade com a mais alta taxa de homicídios deste ano no Rio Grande do Sul – 14 assassinatos por 100 mil habitantes –, uma garoa recai sobre o corpo do rapaz estendido no asfalto.

Cristiano Schütz, o Tiano, está deitado como morreu, com os braços para cima, tentando proteger o rosto, olhos vidrados fitando o céu enevoado. Ao lado, sobre uma pilastra de cimento, uma lata de cerveja que ele não conseguiu terminar de beber.

Integrante do pelotão de São Miguel, soldado Márcio Monteiro não estava habituado com a escopeta calibre 12 que carregava.

Foto: Jean Schwarz / Agencia RBS

O sargento PM João Maria Moura, 48 anos, observa de perto a cena, olhos atentos. Não é algo a que esteja acostumado. Ele é integrante de um pelotão de policiais militares de São Miguel das Missões, cidade com 8 mil habitantes situada no noroeste do Estado e conhecida por ter as mais imponentes ruínas jesuíticas do Brasil.

Em 25 anos de Brigada Militar, esta é a primeira noite de Moura patrulhando uma cidade de 195 mil habitantes, Alvorada – lugar que ele nunca tinha pisado, até dois dias atrás. É a primeira vez que vem a serviço à Grande Porto Alegre. Foi deslocado do Interior para atuar na força-tarefa com 200 policiais militares que tenta conter o avanço dos homicídios – os assassinatos deram um salto no primeiro trimestre deste ano, especialmente na Região Metropolitana.

Logo Moura e o seu chefe, o tenente Luís Carlos Lemes – também integrante da guarnição de São Miguel –, e outro veterano, com 30 anos de serviço, assistem a uma cena incomum na região de onde eles vêm. Uma loira bonita e bem vestida chega correndo, aos gritos.

— O que vocês fizeram com ele? O quê??? — pergunta a jovem, empurrando os PMs.

O capitão Fábio Kuhn, chefe dos policiais que isolam o local, avisa logo.

— Não fomos nós, dona.

Inconformada, a jovem tenta furar o bloqueio, mas é contida por amigas e pelos PMs.

— Leva ele para o hospital, ainda dá tempo — grita a garota, sem notar que o corpo de Tiano já está rígido, sem vida, em decorrência de mais de sete tiros.

Atentos, como alunos aplicados

Bandos de jovens adolescentes, tênis caros e casacos com capuz, começam a se juntar perto do corpo, sussurrando “vamos pegar esses caras”. São impedidos de chegar mais perto por um cordão plástico estendido pelos policiais ao redor do cadáver. É preciso preservar o local, juncado de cápsulas de pistola, para a perícia fazer seu serviço. Não que os motivos do crime sejam surpreendentes: Tiano, segundo os agentes do serviço reservado da PM, tem antecedentes por tráfico e responde a inquéritos por homicídio. É figura conhecida na Vila Americana, onde morreu, um dos lugares marcados pelas guerras do tráfico em Alvorada.

Moura e Lemes observam tudo, atentos. Apesar das quase três décadas de BM, portam-se como alunos aplicados. Tudo é novidade. Homicídio, em São Miguel, é raridade, menos de um por ano. Via de regra, crime passional ou briga de bar, pondera o tenente Lemes. Assalto, com bandido de arma na mão, idem, coisa de filme.

— Tráfico também quase não se vê. Não com gente armada, pelo menos — compara o oficial, ressaltando que a maior parte do serviço diz respeito a arrombamentos.

Ah, e abigeato. Esse, sim, é o grande problema em São Miguel. Há cerca de um mês, Lemos ajudou a Polícia Civil a prender uma quadrilha com 10 ladrões de gado. Foram pegos no Interior, em ranchos no campo.

— Outro planeta, se comparado com as favelas e edifícios daqui — comenta o tenente.

Não que prender ladrões de gado seja atividade imune a sobressaltos. Na hora de uma dessas prisões recentes aconteceu tiroteio. Ninguém se feriu, os ladrões atiraram para tentar fugir, mas se deram mal. Disparar arma é algo incomum, muito incomum, em São Miguel das Missões.

Tanto que o sargento Moura, o outro veterano desta força-tarefa deslocada para Alvorada, usa apenas um revólver. Faz as abordagens usando essa arma concebida há cerca de 150 anos, que dispara tiro a tiro. Um risco na Região Metropolitana, onde a maioria das quadrilhas usa pistolas. Algumas, até fuzis.

Uma letalidade que não intimidou Moura, que sacou do velho “trezoitão” (o Taurus calibre .38) mais de uma dúzia de vezes nas primeiras oito horas de patrulhamento.

— Homem por homem, a gente também é — avisa Moura.

Patrulha diferente, com uma escopeta

Apesar da firmeza, há preocupação em não posar de herói. Com outros 50 colegas das Missões, Moura recebeu aulas de Direitos Humanos e controle de distúrbios na Academia da PM, em Porto Alegre. Além disso, todos fizeram um “city tour” por Alvorada, de ônibus, na sexta-feira. O veículo circulou pelas principais vilas: Americana, Regina, Umbu e outras menores, também perigosas.

A cada duas quadras, os PMs localizavam alvos suspeitos: bares cheios, danceterias, grupos de jovens fumando e bebendo nas esquinas. Como é de praxe, puseram todo mundo de frente para a parede, mãos na cabeça, bolsos esvaziados. Nas abordagens presenciadas por ZH, ninguém reclamou, é procedimento de rotina na noite alvoradense.

E assim se passaram oito horas: suspeitos de tráfico revistados. Jovens flagrados com droga, detidos. Supostos assaltantes, igualmente detidos. Carros velhos e com documentação irregular, apreendidos. Os veículos foram guinchados. As pessoas, conduzidas a uma delegacia da Polícia Civil, para identificação e possível autuação. Só em Alvorada, mais de 15 ficaram presos, todos com pequenas quantias de drogas ou em posse de veículos roubados.

E como os PMs das Missões conseguiam se locomover por uma cidade onde nunca estiveram? Cada viatura tinha como motorista um policial do 24º Batalhão de Polícia Militar, o que patrulha Alvorada. Não tem beco por ali que o soldado Naelson César de Mesquita, por exemplo, não conheça. Ele serviu de motorista na viatura do sargento Moura. E também de alerta para malandragens dos suspeitos.

— E essa maconha? — questionou Naelson, ao ver um jovem jogar um pacotinho no chão.

O rapaz disse que não era dele.

— Então é minha? Que é isso, rapaz, querendo enganar quem? — retrucou o PM.

E o adolescente foi levado no camburão.

Naelson sorriu ao ver que os PMs interioranos reclamavam do peso do colete à prova de balas. Afinal, em São Miguel não há a proteção para todos e nem sempre se usa. Naelson não tira o seu.

— Há duas semanas, na Vila Americana, fomos abordar uns caras numa moto. Eles viraram e dispararam com pistola. Foi quase… — recorda, evitando usar a palavra “morte”.

Naelson e os colegas alcançaram a dupla da moto. O veículo tinha 6 mil multas, conta.

— 6 mil? — questiona o repórter.

— Sim, 6 mil. Há anos ela é revendida entre malandros, que sequer têm carteira. É a chamada “moto de estouro”, com prestações acumuladas e multas vencidas. O pessoal usa para fazer assaltos — diz Naelson.

Mais uma para a lista de novidades dessa noite interminável para Moura e Lemes. Um terceiro integrante do pelotão de São Miguel, o soldado Márcio Monteiro, foi na janela da caminhonete com a escopeta calibre 12. Uma patrulha bem diferente da que está acostumado, em que espingardas de repetição não são usadas.

Lemes diz que esses dois meses na Grande Porto Alegre (prazo estimado para a força-tarefa contra homicídios atuar) devem ser os últimos da carreira dele. Só lamenta não deixar herdeiro na profissão.

— Tentei convencer meu guri a ser policial. Não quis. Ganha mais como advogado —sorri Lemes.

A noite terminou com mais um homicídio em Alvorada. Uma mulher foi morta em casa, em circunstâncias misteriosas. Emoções mais do que suficientes para uma primeira madrugada, das muitas que virão.

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12 mai14:03

Corsan apresenta nova proposta para concessão de serviços em São Luiz Gonzaga

A Corsan apresentou na tarde desta sexta-feira, no salão nobre da prefeitura de São Luiz Gonzaga, a nova proposta para concessão dos serviços de água e esgoto no município. A reunião envolveu o prefeito Mário Meira (PP), além de vereadores e deputados. Meira assumiu o cargo em abril, após o afastamento de Vicente Diel (PSDB) e, ao tomar posse, suspendeu o processo de licitação que estava em tramitação.

A proposta foi apresentada pelo Superintendente de Assuntos Institucionais da Corsan, André Finamor. Pelo documento, R$ 60 milhões deverão ser investidos em saneamento no município.

Quanto à questão do Fundo Municipal de Gestão Compartilhada (FMGC), o valor anual a ser revertido seria de R$ 1,5 milhão. Parte do montante poderá ser aplicada em projetos ligados ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável, como resíduos sólidos, drenagem urbana entre ouros. A proposta agora será analisada pela prefeitura.

Fonte: assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores de São Luiz Gonzaga

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12 mai13:35