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Ziureka

02 mai14:39

ZIUREKA: A falência da ética

Edna Lautert*

Conta a lenda que, há alguns anos os líderes do céu e do inferno estiveram reunidos para convocar uma assembleia geral. Queriam discutir sobre o futuro de um País de carnaval chamado Brasil. Chegar a um entendimento para promover a ordem. E, caso o tempo permitisse, promover uma mudança de cardápio: queriam trocar a pizza, recheada de gordura trans, para uma dieta mais light. Isso porque estava constatado que o excesso de pizza era a causa do aumento de peso registrado na população. Mas vejam bem, essa comilança de pizza não possuía co-relação com o fato de o País viver inundado em podridão não.

O líder do inferno decidiu impor algumas regras: não queria que nada desse certo, e caprichou nas condições: para existir a assembleia, nesse dia seria proibido mentir, ludibriar, enganar, roubar, desviar dinheiro público, andar com a mulher do vizinho, paquerar a melhor amiga da esposa, roubar doces no caixa do supermercado, enganar criancinhas ou pegar estas no colo para garantir votos, e por ai vai.

O líder do céu preparou a minuta do acordo. Mas, como os funcionários do inferno estavam em greve por falta de pagamento, a assinatura teve que esperar para o dia seguinte. Um amigo do amigo do oficial de despacho acabou comentando o assunto. E os termos do acordo foram parar nas mãos da imprensa. Que lascou a notícia em primeira mão.

E, foi aí que tudo aconteceu: lideranças de todo o Brasil estavam mobilizadas para participar da assembleia. Mas, ao saberem das condições do acordo, resolveram boicotar o evento, antes mesmo de ele começar. Deflagrou-se uma greve geral no País e, a partir deste dia, morreu a ética, a vergonha, o respeito, o caráter, a moral.

Alguns movimentos de resistência sobreviveram. Escondidos, eles se alimentam dos restos, e se contentam com as segundas opções, ou escalões. Devido às condições sub-humanas, alguns desistem com o tempo. Ou, ainda, vão sendo caçados pelas maiorias. Enquanto isso o País lança, a cada dia, uma pizza de novo sabor.

* Edna Lautert é Jornalista, membro da Associação Brasileira dos Jornalistas, membro da Academia Santo-angelense de Letras, colunista do clicRBS.

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01 mai18:01

ZIUREKA: Ainda sobre ontem

Edna Lautert*

Tanta coisa há para dizer sobre o que aconteceu ontem. Tantas palavras que não foram ditas. Mensagens não decodificadas. Atropelos, horas aflitas, palavras não traduzidas.

Lendo os manuscritos de nosso passado, quantas lacunas poderiam ser preenchidas….horas, benditas horas, em que o ser humano, ensimesmado, perde o rumo.

Voltar é sempre uma incógnita. A pressa para cumprir um itinerário auxilia-nos a esquecer o roteiro.

O correto seriam planejamentos. Mas o que planejar em cima de sentimentos?

Agora ficamos assim, sem dizer o que poderia ter sido dito. Sem prometer o que poderia ter sido prometido. Sem cumprir o que poderíamos ter cumprido. Pior é estar sem entender o que não foi cumprido.

Sobre ontem, existem tantas coisas que poderíamos dizer…

Deixa-me falar sobre ontem?

O futuro perde o sentido quando nossos pensamentos ainda estão no passado.

*Jornalista – membro da Associação Brasileira dos Jornalistas, membro da Academia Santo-angelense de Letras, colunista do clicRBS. www.ednalautert.com.br

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11 abr15:37

ZIUREKA: O primo do marido da mãe da minha cunhada ganhou na dupla sena!!!!

Germano Rorato, especial

Edna Lautert*

Porque as pessoas tem uma predisposição por dinheiro? Que fascínio ele exerce sobre nossas vidas? E, porque motivo, quem ganha um milhão, repentinamente, se torna popular? E quem passa a vida economizando, fazendo pequenas fortunas, tem medo de ficar sem dinheiro?

Alguém poderia viver sem pensar em dinheiro – principalmente por estarmos em um mundo em que pagamos até para respirar?

Essas perguntas são feitas a todo momento. Difícil é encontrar quem tenha uma resposta adequada. Lembrando que, como se trata de opinião, todas elas são verídicas.

Quando, na semana passada, alguém ganhou uma “bolada” na dupla sena, em Santo Ângelo, toda a cidade queria saber: quem era? O que ele faria com o dinheiro?

Até eu, que sou da imprensa, corri atrás para saber e poder contar. Simplesmente porque todos que eu conhecia queriam saber.

Passado o momento do êxtase, fiquei a me perguntar que importância teria saber quem serão os beneficiados? Se o dinheiro é dele, nada mais justo que ele dê para quem ele quiser. Ele pode presentear uma tia, por exemplo. Falando nisso, você sabia que eu descobri que sou tia do novo milionário?

Também descobri que ele é primo do marido da mãe da minha cunhada. É parente distante da avó da manicure da minha diarista. E, na infância, ele paquerou o dedo polegar da caroneira do caminhão do meu afilhado-neto. Pois é. Não acredita? Fala sério né!

* Jornalista, membro da Academia Santo-angelense de Letras, membro da Associação Brasileira dos Jornalistas e colunista do clicRBS.

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28 mar16:38

ZIUREKA: Amores que invadem a vida profissional

Edna Lautert

1) Ele (a) não lhe dá sossego. Quando você menos espera aparece para dar um ‘oizinho’ em seu local de trabalho. Ou, se não aparece pessoalmente, dá uma ‘ligadinha’ pelo celular. De hora em hora, ou 15 em 15 minutos, para perguntar se está tudo bem, e pedir um balanço do que está acontecendo ao seu redor?

2) Sua esposa aparece de repente no seu local de trabalho para lembrá-lo que o limite de seu cartão de crédito estourou? Ou, simplesmente para dizer que você é o amor da vida dela.

3) E quando você precisa realizar aquela viagem a negócios, seu parceiro (a) decide, sem te consultar, que vai ser sua companhia. E, durante a viagem, enquanto você precisa se concentrar no planejamento e no tema a serem abordados, seu parceiro (a) decide discutir a relação?

4) Ela telefona para o escritório, bem no meio daquela reunião importante com o chefe?

Haja paciência para aguentar essa invasão desenfreada não é?

Se para você fica difícil, imagina para um colega de trabalho, ou a direção da empresa onde você trabalha? Pior: imagina a situação de um cliente ao ser apresentado para o seu (ou sua) o que mesmo? Assistente pessoal? Ah, ele (a) não é seu assistente pessoal, não entende nada de sua atividade profissional? Então o que está fazendo pendurado a você em horário comercial? Se liga!

Minha parceira (ou meu parceiro) não me dá sossego no trabalho é o tema desta coluna. Que, longe de ser uma banca sentimental, ou um parágrafo de autoajuda, pretende expor apenas o lado formal e protocolar das relações pessoais e de trabalho. Não é preciso lembrar que o local define tudo: meu local de trabalho. Portanto, logo, seu local de trabalho não é sua casa. E, como tal, exige que você se comporte. E o respeite.

E lembre-se: a regra vale para o local em que você esteja trabalhando, seja interno ou externo. Seja em horário comercial, ou fora dele. E, claro, da mesma forma a regra também vale para aquela vontade que você sente de trazer seu parceiro (a) para dentro do seu local de trabalho.

Separar as relações pessoais das relações profissionais é o primeiro requisito na vida de uma pessoa que queira ser lembrada pela ética profissional. E se você não consegue, com o mínimo esforço, impor limites para sua relação, não estaria na hora de trocar as suas relações?

Quem ama deve ser preso pelo coração!

* Edna Lautert é colunista do clicRBS Noroeste Missões

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28 fev08:07

ZIUREKA: Experiência ou estatística?

Edna Lautert

Há muito eu ouço falar de estatísticas. E, como sempre, como jornalista, cada vez que escrevo algo me baseio nas estatísticas. E, cada vez que acompanho uma prova, um acontecimento importante qualquer elas sempre estão lá: as estatísticas são as primeiras. Elas apontam, revelam, exemplificam, esclarecem. Mas, me pergunto até que ponto auxiliam de verdade a elucidar, ou atrapalham as verdadeiras investigações.

Às vezes elas nos passam algumas ‘verdades’ que vão longe de ser, ou se tornar real. Inclusive, em períodos eleitorais, elas costumam ‘derrapar legal’.

Eu comparo as estatísticas a uma moça fofoqueira: poucas são as que repassam a verdade sem aumentar, diminuir, distorcer, esconder, exagerar.

Se alguém esteve lá, viu, analisou, observou as reações, apalpou, sentiu o resultado. Mas desse resultado somar mais um, ou dois, até mesmo cinco – ainda assim continua conhecimento de fato? Se bastasse a análise superficial os cursos superiores, a ‘faculdade’ como se diz no linguajar popular, não exigiria laboratório, práticas, extensão.

Alguém pode confiar a vida a um resultado de amostragem?

As dúvidas e complexidades do cotidiano, reveladas em linhas de pesquisa que, em sua grande maioria, não são confiáveis. Mas é como a parábola: se você não confia que aqui é o meio do mundo, passe a medir. Quem vai fazer?

Edna Lautert – jornalista, membro da Associação Brasileira dos Jornalistas – membro da Academia Santo-angelense de Letras e colunista do clicRBS.

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27 fev12:06

ZIUREKA: ‘Me bateu de cheio no zóio’

Edna Lautert*

Vivemos dias em que a língua portuguesa vem sendo sistematicamente assassinada. Mas, em um país onde para cada 100 mil pessoas, 28 são assassinadas, o extermínio da língua portuguesa não é o pior.

Em nossas andanças, nos deparamos com situações que, por vezes, nos parecem incríveis.

O que me faz lembrar de um fato pitoresco, acontecido poucos dias atrás: estava uns amigos e eu a conversar, discordávamos de alguns números no mapa para onde deveríamos seguir viagem, quando um sujeito aproximou-se de nossa roda de conversa. Ficou a observar o que acontecia e não acrescentava nada. Mal balbuciava algum gesto com a cabeça. Ríamos, debatíamos, e aquele sujeito não participava. Todos começaram a sentirem-se incomodados com a presença do indivíduo, que apesar de bem vestido, sequer esboçava um sorriso.

Alguém, mais atrevido, do grupo, resolveu indagar: como está índio véio, o senhor não diz nada?

A que ele prontamente respondeu: – ‘pois óia, me bateu de cheio no zóio, mas eu tava esperanu que um doceis pudesse contá’.

*Edna Lautert – jornalista, membro da Associação Brasileira dos Jornalistas – membro da Academia Santo-angelense de Letras e colunista do clicRBS.

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