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Marina Silva: "O Brasil tem de se colocar como potência ambiental"

05 de dezembro de 2011 0

 



Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente. Foto: Antonio Cruz, Agência Brasil.



Ex-ministra do Meio Ambiente e responsável pela onda verde nas eleições presidenciais de 2010, Marina Silva espera que a Rio+20, em junho do próximo ano, defina uma agenda para implementar de vez o desenvolvimento sustentável. Ela está na reportagem de capa da edição desta segunda-feira do Nosso Mundo Sustentável. Aqui no blog, você confere a primeira parte da entrevista da ambientalista ao repórter Guilherme Mazui:

Nosso Mundo – Qual o principal desafio da Rio+20?
Marina Silva – O principal é avaliar corretamente esses 20 anos (depois da Eco 92) e assumir os compromissos necessários do ponto de vista efetivo para enfrentar o agravamento das mudanças climáticas. É preciso encarar a questão corretamente do ponto de vista da governança. O Brasil já se comprometeu em 2007, quando eu era ministra e o Celso Amorim estava na pasta das Relações Exteriores, em apoiar a França para criar no âmbito nas Nações Unidas um órgão semelhante à Organização Mundial do Comércio (OMC) com foco no meio ambiente. Infelizmente, o Brasil retrocedeu. A questão da implementação de uma agenda pós Rio+20 vai ficar à deriva. O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) não tem estrutura financeira nem política para implementar essa agenda. É fundamental o Brasil ter posição firme na criação de um organismo social forte para agenda de meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

NM _ Qual a expectativa da senhora sobre a atuação do Brasil?
Marina _ O Brasil não pode permitir retrocessos nas conquistas que tivemos nos últimos anos, e precisa batalhar para negociar na Rio+20 em cima de avanços. Espero que o país tenha protagonismo maior no âmbito da convenção, se distanciando das posições retrógadas do G-7 e, ao mesmo tempo, uma posição mais ousada dentro do G-20. O G-20 é responsável por 80% do PIB global. Esses países podem fazer a diferença, ainda que o acordo seja multilateral. Não se pode abrir mão dessas expectativas se o Brasil quiser fazer jus à potencia ambiental que é e ao que ele conquistou ao longo desses anos. Se ele é o anfitrião, tem a obrigação de se colocar como potência ambiental, país negociador e país importante entre os emergentes.

NM _ Passados 20 anos, o que foi implementado dos acordos da Eco 92?
Marina _ Houve baixa implementação dos acordos assumidos. Tivemos avanços significativos, houve toda uma agenda política e institucional no âmbito da ONU dos Estados nacionais, que serviu de base para medidas internas e no âmbito das convenções de desertificação, de clima e de biodiversidade. No entanto, ficou aquém do ponto de vista prático.

NM _ A senhora concorda com o foco da Rio+20 na economia verde e governança?
Marina _ Prefiro trabalhar com ideia de desenvolvimento sustentável. Suponhamos que economia verde esteja nesse contexto. Com a crise, países estão com a política de baixar as expectativas da Rio+20, o que não é aceitável. A realidade continua dramática e com o sentido de urgência que sempre teve. Só é possível enfrentar os problemas graves da mudança climática e da perda da biodiversidade pela mudança. Integrar economia e ecologia, fazer um esforço para passar no teste em vez de mudar o teste. Buscar a partir de uma nova visão novos processos, novas estruturas, novos produtos, novos materiais, uma nova base, novos conhecimentos. Assim poderemos ter uma economia próspera, que mude a vida das pessoas. Mas pelos caminhos da sustentabilidade, e não por esse modelos predatórios que vão inviabilizar no longo prazo a vida do planeta.

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