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Amanhã em ZH e no Santa

16 de janeiro de 2011 1

O Nosso Mundo Sustentável, que circula encartado em Zero Hora e no Jornal de Santa Catarina nesta segunda-feira, traz como reportagem especial os movimentos que o setor da pecuária está fazendo em direção a uma relação mais equilibrada com o planeta.

Na página central do caderno, detalhamos os impactos que a criação de gado tem no ambiente, mostramos as vantagens e desvantagens das pecuárias confinada e extensiva e ainda apresentamos as iniciativas positivas dos pecuaristas.

Ainda nesta edição, você conhecerá a história de um francês que saiu de casa em 2007 com uma ideia bem legal em mente: viajar o mundo de carona. E tem dado certo, ele já passou por dezenas de países e conseguiu lugar em um barco para atravessar o Atlântico.

Tudo isso você encontra no Nosso Mundo de amanhã. Boa leitura!


Um ranking verde das cidades

14 de dezembro de 2010 0


Até 2050, acredita-se que 70% da população mundial viverá em cidades. Embora representem pouco menos de 1% da superfície terrestre, os aglomerados urbanos são responsáveis por consumir até 75% da energia do planeta e por produzir até 80% das emissões de gases de efeito estufa.
Por esses e outros motivos, a Siemens, uma das líderes mundiais em engenharia, decidiu descobrir como está o desenvolvimento ambiental de grandes metrópoles ao redor do mundo. Em 2009, o foco do estudo, realizado pela consultoria Economist Intelligence Unit, foram as grandes cidades europeias. Este ano, as da América Latina.
Dezessete capitais, incluindo as brasileiras São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília, foram avaliadas. O resultado deu origem ao Latin American Green Index (Índice de Cidades Verdes da América Latina, em tradução livre).
O objetivo principal é mapear as ações das cidades a partir de diferentes critérios: energia e CO2, uso da terra e construções, transporte, resíduos, água, saneamento básico, qualidade do ar e governança ambiental.
Ao examinar o relatório, uma das surpresas é que não parece existir uma relação clara entre o desempenho ambiental e a renda per capita das cidades.
- Pensar que apenas cidades ricas podem ser verdes é um grande mito – garantiu Peter Löscher, CEO mundial da Siemens.
A grande cidade verde apontada pelo índice latino é a paranaense Curitiba, que alcançou uma classificação considerada muito superior à média. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília estão acima da média, enquanto Porto Alegre encaixa-se um pouco abaixo, na média estabelecida.
Ainda assim, as políticas ambientais da capital gaúcha foram destaque ao lado do sistema de captação e tratamento de água, considerado um exemplo a ser seguido. Nenhuma das cidades brasileiras foi considerada bem abaixo da média ou abaixo da média, diferentemente das vizinhas Buenos Aires e Montevidéu.
Onde funciona melhor
Qualidade do ar
Quito, Belo Horizonte, Porto Alegre e Cidade do México
Uso da terra e construções
Buenos Aires e Quito
Resíduos
Puebla e Belo Horizonte
Boas ideias
Em São Paulo, uma iniciativa tenta impedir o acúmulo de lixo nas ruas. A cidade criou centrais de coleta para os resíduos que são grandes demais para as lixeiras convencionais, como móveis velhos, restos de construção e galhos de árvores. Já Santiago, no Chile, está trabalhando com instituições de caridade para incentivar a participação da comunidade na reciclagem.
Saneamento
Não tem destaques
Governança ambiental
Não tem destaques
Transporte
Curitiba, Bogotá e Buenos Aires
Boas ideias
Nos finais de semana, Quito limita a entrada de pedestres e bicicletas no Centro. Medellín usa teleféricos para integrar áreas empobrecidas da cidade.
A Cidade do México criou um sistema de transporte escolar obrigatório para reduzir o número de viagens dos pais em carros particulares.
Água
Porto Alegre
Energia e CO2
São Paulo
Boas ideias
Belo Horizonte é líder em energia solar. São 12 vezes mais coletores por pessoa em relação ao resto país.
Curitiba estuda uma taxa de absorção de carbono em suas áreas verdes para limitar as emissões da cidade.
Na Colômbia, o maior projeto hidrelétrico do país, perto de Medellín, deve começar a operar com oito geradores em 2018.
Por que Curitiba é destaque
Única cidade bem acima da média entre as avaliadas na América Latina, Curitiba é destaque na categoria resíduos e qualidade do ar. Parte dos resultados positivos se deve a ações que começaram na década de 60.
Com o rápido crescimento urbano e populacional, o município tentou conter a expansão urbana com investimentos em transporte público de baixo custo e alta qualidade. Já na década de 80, os esforços focaram a criação de novas áreas verdes, saneamento básico, reciclagem e gestão de resíduos.
Além da qualidade do ar e do transporte público de sucesso, Curitiba fica acima da média por, segundo os avaliadores, encarar o tema de forma holística.
As avaliadas
Curitiba
Belo Horizonte
Medellín
Buenos Aires
Guadalajara
Bogotá
Cidade do México
Montevidéu
Lima
Brasília
Monterrey
Rio de Janeiro
Porto Alegre
São Paulo
Puebla
Quito
Santiago


O melhor fornecedor

14 de dezembro de 2010 0

Para muita gente, inclusive para o Nosso Mundo, falar de futuro e ações sustentáveis implica, obrigatoriamente, em falar de consumo. As mudanças que o planeta passa exigem uma nova forma de pensar e, na sequência, adquirir. Por isso, os valores que repassamos às crianças quando o tema é a relação entre desejo e compras foi discutido em uma grande reportagem em junho deste ano.

Em um momento marcado pela ascensão da economia brasileira e, assim, do poder de compra das pessoas, os especialistas são unânimes ao dizer que, antes de qualquer coisa, o tema consumo exige cautela. Outra opinião compartilhada é de que a conscientização é o grande passo para novas atitudes.
Pensar além do custo financeiro é pensar no planeta. Sabendo disso e confiando na força do exemplo, uma movimentação deseja usar o poder de compra do governo federal para apresentar ao país uma nova forma de consumir.
A partir de uma norma de janeiro deste ano, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão criou a possibilidade de critérios verdes serem inseridos em licitações públicas. Com eles, será possível adquirir de forma mais racional, inteligente e, ainda, multiplicar as mudanças Brasil afora.
- A capacidade de compra do poder público pode alcançar 16% do PIB brasileiro. Mudanças desse porte afetam toda a sociedade – lembra Ana Maria Vieira Neto, gerente de projetos do Ministério.
Escolher produtos que acumulem qualidades como maior rendimento, eficiência energética, durabilidade e menor impacto pode não ser uma tarefa simples. Identificar que danos sociais e ambientais podem ser evitados também é algo complicado, mesmo para quem trabalha com o assunto.
Em um evento em Porto Alegre no final de outubro, o presidente do Santander Brasil Fábio C. Barbosa, referência quando o tema é qualidade socioambiental, usou os motoboys de São Paulo para falar de impacto. Contou, em sua palestra, que houve no banco a proposta de contratar, pagando um pouco mais, uma empresa de motoboys que havia investido na orientação dos funcionários e reduzido significativamente o número de acidentes. Alguns resistiram com o argumento único do custo. Ao que Barbosa argumentou:
- Isso não é sustentável. Se os motoboys continuarem se acidentando e morrendo, uma hora eles vão acabar.
O caminho da melhor compra
Em vez de escolher o produto mais barato em uma concorrência, a proposta da nova norma criada em janeiro deste ano pelo Ministério do Planejamento é averiguar a extração ou a fabricação, a utilização e o descarte dos produtos.
Com novos critérios, o dinheiro federal pode ser usado de forma mais inteligente. Segundo Ana Maria Vieira Neto, gerente de projetos do ministério, o caminho é a soma entre normas e treinamento.
- De que adianta comprarmos a caneta mais barata se ela não dura mais do que uma semana? – questiona Laura Valente de Macedo, diretora do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade, associação internacional responsável por parte da elaboração dos cursos de treinamento que iniciaram neste ano.
O Iclei é um dos muitos parceiros do Ministério do Planejamento na capacitação de servidores e envolvidos na compra, multiplicadores da causa. A Advocacia-Geral da União e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) também apoiam a ação que, até o final deste mês, deve capacitar 1,3 mil pessoas em diferentes Estados, em cursos presenciais e à distância. Em 2011,pelo menos mais 3 mil devem se aperfeiçoar.
Advogado-geral da União, Marcos Weiss Bliacheris trabalhou na realização do Seminário Contratações Públicas Sustentáveis, no final de novembro, em Porto Alegre. Para ele,fomentar o mercado que produz com menos impacto é uma das consequências mais interessantes do projeto.
Expandir o olhar de quem decide, incentivar novas tecnologias e fomentar os produtos com menos impacto estão entre os objetivos que devem ser alcançados com o uso de licitações verdes na esfera federal. Agora, para que algo mude nas compras estaduais, cada um deve fazer a sua parte.
São Paulo e Minas na frente
A norma interna de administração pública lançada em janeiro atinge apenas as compras feitas pelo governo federal. Para colocar critérios verdes em licitações estaduais, é preciso esforço dos próprios Estados.
E isso já está ocorrendo em Minas Gerais, onde a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão encabeçou a questão. Em São Paulo, Denize Cavalcanti, coordenadora de planejamento ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, órgão responsável no Estado, conta que o trabalho ainda é incipiente, mas já colocou um selo verde em torno de 350 itens do catálogo de compras.
- No futuro, nossa ideia é excluir do catálogo itens considerados “insustentáveis” – antecipa.
Projeto pela ética nas decisões
Mais do que levantar a bandeira de critérios verdes, como eficiência energética e alto rendimento, o Instituto Ethos entende que as licitações precisam ser transparentes. Por isso, na sexta-feira passada, dia 10, um projeto extenso foi lançado para monitorar as licitações de obras feitas para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Para não se repetir o que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 2008, também sediados no Brasil, que tiveram obras com suspeita de superfaturamento, o projeto luta pela ética. O Jogos Limpos, dentro e fora dos estádios, deve começar em janeiro do ano que vem e se estender pelos próximos cinco anos. Uma parceria com a empresa Siemens deve possibilitar um investimento que gira em torno de US$ 3 milhões.
A ideia é levar informação e movimentar a sociedade para que haja transparência e credibilidade nas práticas de mercado e nos investimentos. Além de exigir uma postura ética de empresas e governos, o instituto deve elaborar mecanismos, como publicações e sites, para que a causa possa ser abraçada por organizações e pela sociedade civil.
- Queremos aumentar o nível de controle social sobre os gastos públicos – garante Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos.
Com um conjunto de ações, o projeto quer engajar a sociedade para um novo posicionamento quando se fala em licitações públicas. Por isso, o Ethos também deve trabalhar em prol da aprovação de três marcos regulatórios: o projeto de lei de acesso às informações públicas, a regulamentação do lobby e a responsabilização de pessoas jurídicas pelo ato de corrupção.