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Galã sem pose

18 de maio de 2008 0

Divulgação, João Miguel Júnior / TV Globo
Marcello Antony anda irritado com a TV. Acha que ela não tem conteúdo.

Se você olha a programação da tarde, está perdido. É só fofoca, um querendo ferrar o outro – reclama.

Esse foi, inclusive, um dos motivos que o levaram a passar uma temporada fora com toda a família, nos Estados Unidos. O ator vai ainda mais longe ao assumir que já pensou em deixar de fazer novelas, cansado do mundo “louco” que ronda o universo dos atores. Mas voltou atrás porque não sabe o que fazer além de atuar.

Já pensei em abandonar tudo isso, mas gosto de ser ator. Só é uma pena que as pessoas não se aprofundem, não leiam.

Atualmente no ar como o correto médico Daniel da novela das seis, Ciranda de Pedra, Antony muda um pouco o tom e se diz contente com mais uma boa oportunidade de trabalho em mãos. Quando foi convidado pela diretora Denise Saraceni, não hesitou em aceitar o papel, em que preza por um trabalho social, atendendo pacientes em comunidades carentes.

Pergunta – Você coleciona mais mocinhos que vilões. Sua imagem funciona mais como herói?
Marcello Antony – Acho que tanto faz. E tendo um bom texto, uma boa direção e uma boa equipe, é satisfatório fazer o mocinho ou o vilão. A partir do momento que tacham um ator como mocinho, ele é visto como o supercorreto. Não faz nenhum mal, não xinga, não cospe, não espirra e não faz nada. É alguém perfeito. E pessoa perfeita assim não existe.

Pergunta – A imagem de mocinho ou de galã incomoda você?
Antony –
A imagem de galã não me incomoda, não. Ou melhor, não difere em nada para mim. É engraçado porque acho que não tenho nada dessa coisa de galã. Mas se as pessoas me vêem assim, tudo bem, é melhor do que me enxergarem como um canalha. É a velha história do rótulo. As pessoas precisam rotular. Mas só veste a camisa quem quer.

Pergunta – Ciranda de Pedra é uma novela de época, e você já fez outros trabalhos do gênero…
Antony –
Adoro fazer novela de época. Se a gente for parar para pensar, em Ciranda de Pedra, que se passa em 1958, o meu personagem tem 43 anos. Isso quer dizer que ele nasceu em 1915. Mas aí com toda a superficialidade do mundo de hoje, as pessoas vão acompanhar a novela das seis e não param para pensar que o personagem nasceu em 1915. É complicado mostrar isso para a dona Maria que mora lá no Acre. É preciso encontrar o meio termo para não ser radical e agradar esse público. Hoje, os pensamentos são outros. O clima é de superficialidade.

Pergunta – Como assim?
Antony –
Se você olha a programação da tarde da TV, está perdido. Quem não tem TV a cabo está sem saída. É só zapear todos os canais do meio-dia às seis da tarde e ver o que eles exibem. Mas não posso querer fugir. É o meu trabalho e tenho de divulgar. Vou continuar freqüentando coletivas de novela por muito tempo, ouvindo as mesmas perguntas e respondendo. Se as pessoas mergulhassem profundamente nas coisas, lessem mais, seria diferente. Só que ninguém lê.

Pergunta – Já cansou de fazer novelas?
Antony –
Já pensei em abandonar, largar todo esse mundo, que é muito louco. Mas gosto de trabalhar como ator e acho que ainda tenho um caminho longo na carreira.

Pergunta – Nunca pensou em fazer outra coisa da vida?
Antony –
Vivo pensando, mas não sei o quê. Eu quero mesmo é trabalhar e ver meus filhos bem cuidados. Isso é o que me leva a buscar tudo isso.

Postado por TV+Show / ZH

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