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O rei do povo

30 de maio de 2008 3

Divulgação, Marcio de Souza / TV Globo

O objetivo é o mesmo de seus antecessores – concentrar tanto poder quanto for possível –, mas a forma com que o Juvenal Antena de Antonio Fagundes se movimenta politicamente em Duas Caras é algo novo na história da teledramaturgia.

A novela, que chega ao final amanhã na RBS TV, começou e termina em meio a várias polêmicas, algumas pertinentes – atuação do movimento estudantil, vida a três, beijo gay – e outras tantas vazias – a cabeleira platinada de Susana Vieira, o poste da Alzira. Mas chega ao fim mantendo propositalmente intacta a imagem ambígua do líder comunitário que é rei na favela da Portelinha. Líder comunitário, e não chefe do tráfico; pai dos pobres, e não um legislador nascido das oligarquias, Juvenal é um político moderno. Sobre esse personagem, um dos mais complexos da história das novelas, o ator Antonio Fagundes concedeu entrevista.

A gente pode dizer que o Juvenal Antena é uma evolução do político?
Fagundes - Sim. É uma evolução, já que o político tradicional age ilegalmente de uma forma irresponsável, ou seja, ele rouba. Então, o surgimento de alguém que rouba mas faz, infelizmente, para nós é uma evolução. O Juvenal tem essa vantagem e a vantagem de entender o meio onde ele atua. Ele não está em Brasília, passa no meio do lixo, no meio do esgoto a céu aberto.

Ele pratica uma maneira moderna de política, mas ao mesmo tempo tão feudal.
Fagundes - Essa é uma tradição brasileira, paternalista, que a gente herdou da colonização portuguesa e que veio evoluindo de uma certa forma de séculos pra cá. Mas a gente pulou algumas etapas. Ficamos 21 anos sem exercer a relação democrática de eleição. A gente não entende muito bem disso ainda, que o poder precisa ser alternado. Então, um personagem que fala autoritariamente está falando a nossa linguagem, porque não entendemos ainda o que é democracia.

Pessoalmente, você vê o Juvenal como um vilão ou um herói?
Fagundes -
Eu acho que ele não tem essas duas caras. É um dos personagens mais complexos que eu já vi em teledramaturgia. O Aguinaldo (Silva) montou um personagem absolutamente real, crível, excelente pai de família, sensível. E autoritário, ditador, violento, irascível. É um ser humano complexo e eu diria completo. Tudo era possível dentro daquele “cadinho” ali chamado Juvenal Antena.

A sinceridade o redime, então?
Fagundes -
É. E ao lado da violência, ele tinha um excelente humor, era muito gentil. Foi a primeira vez que eu vi um personagem, digamos, político exercer a sua política. O Aguinaldo fez uma sala onde ele exercia política, atendia à população da favela e respondia às suas necessidades. Mesmo que as respostas dele fossem autoritárias, ele estava lá. Isso faz do Juvenal um personagem brilhante.

Os bordões dele faziam parte do texto ou você criou?
Fagundes -
O “justamente“ é meu, homenagem a um amigo que fala assim. O Aguinaldo coloca às vezes um “epa“ no início das falas dos personagens. Eu só exagerei, transformei o “epa“ dele em três ou quatro. O “muita calma nessa hora“ é do Aguinaldo. Digamos que foi meio a meio.

O Juvenal costuma dizer que nada acontece na Portelinha sem que Juvenal Antena permita. Acha que ele permitiria o beijo gay?
Fagundes -
Se for seguir a coerência, ele não só vai permitir como vai querer que tenha! Ele se portou ao longo da história toda bastante aberto em relação a isso. Ele sabe que essa coisa de mostra ou não mostra é um detalhe.

Postado por Jornal de Santa Catarina

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Comentários (3)

  • Matheus diz: 30 de maio de 2008

    Para quem ainda não percebeu
    o Juvenal Antena é, mais ou menos, um líder de milícia.
    Pois manda na sua comunidade, acorrenta pessoas, expulsa outros tantos e está acima da lei.
    Só que a Globo transformou ele em um personagem bonzinho.

  • Aline diz: 30 de maio de 2008

    Qto a Alzira, não vejo como algo tão vazio assim… Mostra a realidade de muitas mulheres que pra sustentarem sua família procuram trabalhos menos convencionais… Fica o qusetionamento se isso é aceito ou não pela sociedade e até que ponto é válido esse tipo de trabalho.

  • eliane diz: 1 de agosto de 2008

    ALZIRA,E UMA GRANDE ATRIZ MAIS MINHA FORMA DE PENSA E OUTRA VEJO NA VIDA DAS MULHERES BRASILEIRA MUITAS OUTRAS OPORTUNIDADES PARA SUSTENTA SEUS FILHOS QUANDO ESTA E UMA MAE SOLTEIRA OU SEM AJUNDA DO EX MARIDO OU AMANTE OU NAMORADO, PORQUE NAO PEGA UMA TROXA DE ROLPA E VAI LAVAR DOMESTICA E UM TRABALHO TAMBEM ALZIRA TRABALHAVA NO HOSPITAL ATE QUE PONTO DESCEU? ISSO E DESCUPA DE MULHER QUE GOSTA DE AMOSTRA SEU CORPO PARA O MUNDO VER SINTO MUITO ALINI MULHER TEM QUE NASCER COM DIGNA A CIMA DE TUD

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