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Relações delicadas em A Favorita

14 de junho de 2008 0

Donatela e Lara sentem afeto uma pela outra, apesar de terem personalidades tão distintas/Divulgação

As diferentes famílias que compõem a trama global de A Favorita mostram que esta novela pode ser muito interessante pela análise da relação entre pais e filhos. O 11° capítulo, exibido nesta sexta-feira, 13, mostrou pelo menos seis situações conflitantes que chamam a atenção.

A história de Lara (Mariana Ximenes) é uma das mais complexas. A moça é filha biológica de Marcelo (Deco Mansilha) e Flora (Patrícia Pillar), mas tem curiosamente uma relação mais estreita com a madrasta Donatela (Claudia Raia).

Considerando que a jovem não teve contato com Flora em 18 anos, pode ser natural entender a aproximação com a perua da novela, mas o que intriga, na verdade, é o amor de Donatela por Lara. No capítulo desta sexta, a ricaça vai atrás da enteada cheia de mimos, disposta a convencer a jovem a voltar para casa, e, apesar de extravagante, parecia muito sincera em querer o bem da garota.

É difícil acreditar que Donatela tenha esse apego todo só porque o filho dela desapareceu há anos ou porque queira garantir uma herança. A madame tem toda a pinta de vilã, é certo, mas, por trás de toda a arrogância, é possível imaginar uma fragilidade e o medo de perder o afeto da filha.

Outra mãe que mostra insegurança é Catarina (Lilia Cabral). A personagem é gentil e honesta, porém submissa. É destratada pelo marido Leonardo (Jackson Antunes) e não tem autoridade sobre os filhos, como mostrou na briga com Mariana (Clarice Falcão) após a jovem ter passado a noite na rua. Ainda por cima, é a típica mãe que não entrega os filhos ao pai, e, em casos como este, geralmente já se sabe o que acontece: os adolescentes aprontam todas e contam com a mãe para encobri-los.

Temos a difícil relação na família do político Romildo Rosa (Milton Gonçalves), que só pensa em si e não consegue lidar (muito menos educar) dois filhos autodestrutivos: a venenosa Alicia (Taís Araújo) e o beberrão Diduzinho (Fabrício Boliveira).

Complicada também é a relação do adolescente Shiva Lenin (Miguel Rômulo) com os pais Augusto César (José Mayer) e Elias Filho (Leonardo Medeiros), que pensam de forma totalmente diferente e confundem a cabeça do rapaz.

A novela traz ainda a história da mãe solteira Rita (Christine Fernandes), que se esforça para criar a filha Camila (Hanna Romanazzi) e tem que se conformar em viver com a mãe, Dulce (Selma Egrei), que sempre reclama das contas para pagar. Na dureza também estão Edivaldo (Nelson Xavier) e suas filhas Greice (Roberta Gualda) e Maria do Céu (Deborah Seco), que vivem em condições miseráveis num barraco de uma favela.

Todas estas interações foram abordadas em um único dia e de forma bem interessante. Percebe-se, pelo enredo, que não é um “balaio de gato”, com todos no mesmo ambiente, como era o caso da Portelinha, em Duas Caras (2007), mas relações bem distintas que vão se cruzar durante a novela.

Apostar em dramas familiares é uma tática velha e até cansativa, mas é inegável que eles dão o tom da trama e têm tudo para virar boas histórias à parte em A Favorita – como se deu nos sucessos Por Amor (1997) e Laços de Família (2000).

Postado por Juliana Herling

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