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Lembre dessa festa

13 de julho de 2008 0

Wilson Alves, AG, Divulgação – 29/11/79

Há 30 anos, o Brasil começava o processo de abertura política simbolizado pelo término do AI-5, o ato institucional que havia entrado em vigor em 1968 inaugurando o período mais duro da repressão da ditadura militar. Neste cenário de transição no país estreava a frenética e multicolorida novela Dancin’ Days, exibida pela Globo de 10 de julho de 1978 a 27 de janeiro de 1979.

O ritmo eletrizante da discoteca, inspirado no filme Os Embalos de Sábado à Noite, estrelado por John Travolta, e a nova linguagem dramatúrgica proposta por Gilberto Braga, com diálogos cada vez mais naturalistas, revolucionou o cenário das telenovelas no país. Apoiado por Janete Clair, o autor deixava para trás sua carreira como adaptador de obras alheias, como Escrava Isaura e Senhora, para estrear no horário nobre da Globo. A emissora, temendo um grande fracasso, só concordou com a promoção de Braga ao primeiro time de autores porque Janete garantiu que, em caso de eventual fracasso, ela própria assumiria a novela.

A trama tinha como protagonistas as irmãs Júlia Matos e Yolanda Pratini, vividas por Sônia Braga e Joana Fomm. Júlia, uma ex-presidiária, tentava reconquistar o amor da filha, Marisa (a então estreante Glória Pires), criada por Yolanda na alta sociedade carioca.

Esse tema surgiu quando a Janete assistiu a um Globo Repórter sobre mulheres no presídio e me ligou sugerindo que eu fizesse alguma coisa sobre uma mulher que saía da prisão – lembra Gilberto Braga.

Com uma abertura dançante, embalada pela canção Dancin’ Days, das Frenéticas, a novela dirigida por Daniel Filho nos primeiros 26 capítulos lançou modismos da era disco. Entre eles, a famosa meia de lurex usada com salto alto e as blusas coloridíssimas de Júlia. A personagem se destacava na pista de dança da Frenetic Dancin’ Days, boate que era um dos principais cenários da história – inspirada na discoteca homônima de Nelson Motta, no Rio.
 
Desde essa época a TV não viu nada mais revolucionário. Tudo na história virava modismo – ressalta a figurinista da trama, Marília Carneiro.

As personagens Júlia e Yolanda, que rivalizaram toda a história pelo amor de Marisa, protagonizaram uma das cenas mais marcantes da história da dramaturgia nacional: uma longa  briga no último capítulo, com direito a tapas e puxões de cabelo.

Essa cena foi um fenômeno. No início da novela, o Daniel Filho deu todo o tom da história, ajustou uma luz impecável e enfatizou cada detalhe. Todos tinham muita química – recorda Sônia Braga.

Gilberto Braga afirma ter se surpreendido com o sucesso da trama:

Virei uma celebridade na época. Vivia em estado catatônico.

A Favorita, a atual trama global das oito, de João Emanuel Carneiro, usa o mesmo argumento da briga entre duas mulheres por uma filha, sendo que uma também é ex-presidiária.

Percebo semelhanças e até acho natural. Isso sempre acontece com novelas – minimiza Braga.

Postado por TV+Show, ZH

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