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Colecionando crimes, Flora é a personagem do ano

31 de dezembro de 2008 5

Rafael França, TV Globo

Ela poderia ser filha de Odete Roitman, irmã de Laura Prundente da Costa, sobrinha de Nazaré Tedesco. Mas Flora é tão má, mas tão má, que se fizesse mesmo parte dessa família de cobras televisivas – as três infernizaram os personagens de Vale Tudo, Celebridade e Senhora do Destino, respectivamente – já teria matado as cobras. E “mostrado o pau“, para em seguida dar uma risada diabólica.

O personagem construído por Patricia Pillar em A Favorita é o grande motivo para assistir a trama de João Emanuel Carneiro, que termina no dia 16 de janeiro. A loura de traços angelicais, que começou a novela como alguém que foi vítima de uma armação ardilosa da rival Donatela (Claudia Raia), levou 56 capítulos para mostrar que merece figurar na lista dos maiores vilões da TV: até aqui, matou três pessoas, sequestrou a própria filha, arruinou a vida de muitos – incluindo a aliada Irene (Glória Menezes) – e, se bobear, o marido Dodi (Murílio Benício) e Silveirinha (Ary Fontoura) dançam nas mãos da psicopata.

Mas apesar de Flora ser uma criatura horrível, o público não deixa de sentir certa empatia pelo personagem. Talvez porque a falta de um filtro emocional faz com que as falas da vilã sejam engraçadas de tão absurdas. Exemplo disso é um bate-papo com Silveirinha, no qual ela diz querer dar uns tapas em Lara (Mariana Ximenes). O ex-empresário incentiva:

- Dá mesmo. Eu, se fosse você, sabe o que eu fazia? Dava uns bons tabefes nessa garota folgada.

Ao ouvir o conselho, Flora dá um tapa na cara de Silveirinha.

- Você não fala assim dela. Ela é minha filha, só quem fala assim dela sou eu.

Todo esse zelo para uma filha a quem vive chamando de “purgantezinho“, “pentelha“, “xaropinho“ e “vaquinha“. É ou não é engraçado? A própria Patricia Pillar diz que tem dificuldade em conter o riso em determinadas cenas.

- A gente se diverte muito, apesar de ter um lado pesado. Flora tem um certo humor por ser uma pessoa sem limites. Às vezes, pensamos coisas que não dizemos. Ela é doente, louca e fala tudo. O humor ajudou a personagem e, nas ruas, percebo que os telespectadores falam comigo rindo e não com ódio – disse a atriz, em entrevista recente.

Flora está acrescentado experiência à carreira de Patrícia que, em 24 anos, nunca havia interpretado uma vilã.

- É bom quando os autores e diretores olham para você de uma maneira inesperada, não óbvia. Sou muito grata. A Flora me apresenta um caminho novo, que me fez renovar, um estímulo de ir por um lado que eu nunca fui – diz.

Confira uma entrevista da atriz à Carta Z Notícias:

A Flora já é considerada uma das maiores vilãs da teledramaturgia nacional. Como lida com tamanha repercussão?
Quando recebi o convite, nunca pensei que ela fosse ser tão perversa, tão má e tão complexa. Na verdade, a Flora tenta substituir um vazio existencial profundo, um complexo de inferioridade e um sentimento de rejeição, o que resultou em uma extrema falta de amor. Tudo isso ela transformou em ódio e em uma gana desenfreada pelo poder como forma de aplacar este vazio.

Você já declarou que, apesar de Flora ser má, as pessoas te tratam muito bem nas ruas. A que atribui isso? Acredita que isso se deva, em parte, às várias personagens do bem que já viveu na carreira?
Acho que o público brasileiro está maduro e já separa a personagem de ficção do ator que a interpreta, mas é claro que existem as exceções. De qualquer maneira, a Flora não tem freio, limite ou conveniência. Não há perdão para ela. No fundo todos têm um pitadinha de maldade, mas isso acaba reprimido pela vida social. O público se identifica também com o humor, que surge da falta de pudor dela, ao chamar a filha de purgante ou se referir a Gonçalo como um velho babão. De alguma maneira, traz um pouco de leveza para um universo tão pesado.

Com quais maldades de Flora você mais se surpreendeu até agora?
Com a morte do Gonçalo. Por essa eu não esperava…

Qual o fim que você imagina para ela?
Não consigo imaginar um fim à altura das maldades da Flora. Acho que o João Emanuel sempre foi criativo e deve me surpreender, mais uma vez, no final.

Com tantos papéis importantes e distintos, como avalia sua trajetória? Sente-se realizada?
Tive a sorte de trabalhar com pessoas que eu admiro e que me ensinaram muita coisa. Falo de autores, diretores e atores com quem contracenei e tive o privilégio de conviver às vezes um ano inteiro. Olho para trás e vejo o quanto aprendi e como me orgulho de ter compartilhado alguns momentos com essas pessoas no teatro, no cinema e na televisão. Consegui realizar alguns outros desejos, como produzir o livro do Ciro (o político Ciro Gomes, com quem vive há nove anos), Um Desafio Chamado Brasil, e um CD da cantora Eveline Hecker cantando músicas do compositor Zé Miguel Wisnik. Também dirigi o show, o DVD e um documentário sobre o grande cantor popular Waldick Soriano. Tive a sorte de encontrá-lo e fazer meu primeiro filme tendo ele como personagem. Mas me sentir realizada mesmo, nunca!

 

Postado por Diário de Santa Maria

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Comentários (5)

  • Carlos Meneses diz: 2 de janeiro de 2009

    Agora vem os “bons” dizendo: E quem acredita nela, só um burro pra acredita nas armações dela.

    1 – Engraçado q no inicio qd so mostrava ela fingindo boa parte acreditava nela, hoje se ve q tudo o q a Donatela fez tava certo.

    2 – Floraficou 18 anos presa e não mudou nada, prova q a cadeia não faz bem a nenhum bandido, eles tem q morrer mesmo, afinal ela é uma psicopata!

    Enfim novela MARA, personagem MARA.

    Parabens Globo!

  • Ivone Lemos diz: 1 de janeiro de 2009

    Muitos criticam est5a novela. Dizem que é fora da realidade e Os Mutantes o que é?

  • GAÚCHO diz: 1 de janeiro de 2009

    Essa novela fez apologia ao crime, entretanto, o que mais marca é que tudo nela é ridículo, extrapola as rais do bom senso. Mas deve servir para alguma coisa, por exemplo, certamente os hóspedes das penitenciárias do Brasil afora já tem um novo ícone, isto é, a Flora.

  • aline diz: 1 de janeiro de 2009

    Não é ridículo nada, já ouviu falar em psicopatas? dããã

  • GAÚCHO diz: 2 de janeiro de 2009

    Já ouviu falar em idiota, aquele que é enganado por todos, inclusive pela Flora? Só mesmo um idiota perfeito seria capaz de acreditar que alguém como a Flora fosse capaz de aplicar os golpes que aplicou. Lamentavelmente, idiota é o que não falta. Basta ver a audiência da novela e seus defensores. O autor da novela e a Globo devem estar rindo à toa. Afinal, qualquer besteirol resulta em um imenso ibope.

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