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Entrevista com Manoel Carlos, roteirista de Maysa

05 de janeiro de 2009 1


Divulgação, TV Globo

O autor de novelas e minisséries Manoel Carlos sempre foi um admirador de Maysa. Da cantora e também da mulher atrevida, que ele compara ao ícone Leila Diniz. E foi Maneco o escolhido do filho de Maysa, o diretor Jayme Monjardim, para realizar um antigo projeto seu – uma minissérie inspirada na curta e tumultuada vida da artista, que estreia hoje na RBS TV.

Mas essa parceria jamais implicou patrulhamento ou interferências, como explica Manoel Carlos na entrevista a seguir, concedida por e-mail desde o Rio. Maysa – Quando Fala o Coração foi escrita com total liberdade dentro dos limites naturais que um desafio como esse impõe: ficcionalizar em apenas nove capítulos uma trajetória tão singular.

Pergunta – O senhor contou em entrevistas que conheceu Maysa ainda nos anos 1950, nos corredores da TV Record e que desfrutou de uma noite no apartamento dela, ao som de muita música. O que mais o impressionava em Maysa?
Manoel Carlos -
O talento. Como compositora e cantora. Também como dona de uma voz incomparável, que não teve imitadoras, porque era impossível imitar Maysa. Mas o que sempre nos impressionou, acima de tudo, foi a mulher inteligente, culta, viajada, corajosa, atrevida mesmo, que não tinha vergonha de chorar e de sofrer. Beleza, sensualidade, olhos incríveis, apenas adornavam a mulher maravilhosa que ela era.

Pergunta – O senhor tem caracterizado Maysa como uma mulher à frente do seu tempo, como uma pioneira da afirmação feminina. Fazendo um exercício de imaginação, como seria a vida de Maysa nos dias de hoje?
Manoel Carlos -
Ela se sentiria muito à vontade no mundo de profunda liberalidade em que vivemos hoje. Menos patrulhamento, maior compreensão e tolerância com as diferenças. Esse era o mundo de Maysa há 50 anos. Mas só para ela e algumas poucas pessoas. Maysa nasceu nove anos antes de Leila Diniz e morreu cinco anos depois da morte da atriz. Eram mulheres incríveis, parecidas em muitos aspectos, mas que tiveram uma trajetória de vida bastante diferente: social e economicamente.

Pergunta – O filho de Maysa e diretor da minissérie, Jayme Monjardim, não teria interferido no que deveria ou não entrar no roteiro. Mas as relações amorosas de Maysa, que teria mantido um rápido affair com Roberto Carlos, ainda geram controvérsias. Como o senhor lidou com esse lado da vida da cantora?
Manoel Carlos -
Lidei com total liberdade e jamais fui patrulhado pelo Jayme. Ele lia o que eu escrevia, capítulo após capítulo, emocionando-se sempre. Agora, em nove capítulos eu não poderia incluir todos os acontecimentos, tive que escolher alguns. Quanto ao episódio do Roberto Carlos, isso nunca foi provado. Especulava-se muito sobre a vida da cantora e inventavam-se acontecimentos para gerar manchetes de jornais e revistas. Passei batido.

Pergunta - É sabido do seu gosto pela música. As músicas de Maysa fazem parte da sua memória afetiva? Qual a sua canção favorita de Maysa? Para escrever, o senhor usou as músicas de Maysa como inspiração?
Manoel Carlos -
Conheço todo o repertório da Maysa e gosto de muitas das suas músicas, mas a minha preferida é Ne me quitte pas, de Jacques Brel, que usei na minissérie Presença de Anita.

Pergunta - A minissérie não terá um formato de biografia clássica, com respeito à cronologia. O senhor pode explicar a estrutura de Quando Fala o Coração?
Manoel Carlos -
Não há cronologia. Fiz os nove capítulos com total liberdade de escolha do que usar e do que deixar de fora. E na ordem que optei por usar. O que fiz foi ficcionar os dados reais. Não estou fazendo jornalismo, documentário, mas um ensaio inspirado livremente na vida de Maysa. Esse era o nosso projeto. Assim eu fiz.

Pergunta – Os filhos de Jayme Monjardim, Jayminho e André, interpretam o papel de seu pai na trama. De quem foi a idéia desse aproveitamento?
Manoel Carlos -
A idéia foi minha, e o resultado foi excelente. Ninguém faria melhor esses dois papéis do que eles. Afinal, eles são frutos e parte da história da avó.

Pergunta – A gaúcha Larissa Maciel vive Maysa em cinco etapas da vida da cantora, em desempenho que o senhor elogia. De alguma forma, o senhor colaborou com ela na construção da personagem?
Manoel Carlos -
Não colaborei apenas, mas dei a ela os subsídios fundamentais para que ela interpretasse a Maysa. Eu escrevi a história com clareza, e ela soube entender tudo muito bem. O trabalho da Larissa é a soma dos nossos esforços: meu, do Jayme e dela.


Pergunta – Larissa Maciel e Mateu Solano (que vive Ronaldo Bôscoli) são atores desconhecidos do grande público. Por que essa escolha?
Manoel Carlos -
Esse é um método que sigo há muito tempo: quanto mais desconhecido, melhor. Por isso batalhei para encontrar uma Maysa. E a Larissa foi uma das minhas escolhas mais felizes. Ela não imita a Maysa, mas dá a sua interpretação da cantora. Ela não está fazendo o papel porque é parecida, mas porque é uma excelente atriz.

 

> Veja os horários da minissérie na programação de TV do hagah

Postado por Patrícia Rocha, Zero Hora

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Comentários (1)

  • marina machado diz: 10 de janeiro de 2009

    eu só queria diser que depois que eu conhesi a larissa maciel eu nao paro de pensar nela
    tenho 9 anos e eu amooooo muitooo a larissa
    só penso nela passei 2 horas procurando na web larissa te aaaaaaammmmmmmmoooooooooooooo
    de mais teamo teamo teamo bjs

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