
Foto: Zé Paulo Cardeal, TV Globo
Para ter um mocinho, há que ter um vilão. Essa é uma das regras da ficção mais seguidas pelos autores. O que diferencia um personagem de outro é o perfil do antagonista. No caso de Tempos Modernos, a nova novela das sete da Globo, a caricatura de Albano (Guilherme Weber) é o que mais chama a atenção. Dá medo só de olhar.
- Ele é um personagem que anda alinhado, preocupa-se com a aparência e a postura. Usa ternos bonitos, mas opta por óculos grandes, que destoam. Isso faz os outros o olharem e perceberem que há algo de errado – diz Weber, que contribuiu para a construção do perfil do rapaz após fazer leituras e analisar vilões de filmes e novelas.
– A linguagem visual é muito importante – continua o ator, que havia vivido um psicopata na trama Da Cor do Pecado (2004), também na Globo. Na obra de Bosco Brasil, Albano aproveita o cargo de chefe de segurança do imponente edifício Titã para bisbilhotar a vida de quem passa por lá. Principalmente do rival, Leal (Antônio Fagundes).
– Ele é obcecado pela ideia de assumir a posição de Leal. Só pensa em poder – diz Weber. Por ser cínico e cômico, o personagem não pode figurar na lista de vilões “inocentes’’ – que não percebem suas maldades.
Albano quer poder e, como um psicopata clássico, não conhece o remorso. Porém, o rapaz se diverte infernizando a vida dos moradores do edifício – o que o aproxima de um vilão de HQ.
– Busquei referência no cinema, nos quadrinhos e nos desenhos animados. Meu personagem tem a riqueza de transitar entre os dois universos (o cômico e a vilania). Ele tem consciência de que é um vilão e brinca com essa situação – analisa o ator.
Prova disso é que, após uma substância estranha estourar em seu rosto, Albano se olhará no espelho para checar se suas sobrancelhas foram afetadas, pois “acha impossível existir um grande vilão sem uma sobrancelha expressiva’’, explica Weber.
E já que antagonistas nunca estão sozinhos, Albano conta com uma legião de capachos. Além de Deodora (Grazzi Massafera), com quem tem um caso secreto, o canastrão comanda Raulzão (Paulo Leal de Melo) e Zapata (Antonio Fragoso).
– Eles executam os trabalhos sujos, mas nunca fazem direito – conta Fragoso.
– Zapata quer se aproveitar, mas tem um jeito desajeitado – diz o ator, que também trabalha o visual de seu personagem. – Zapata tenta disfarçar tanto que chama a atenção de todo mundo.
Fonte: TV+Show