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Vilã complexa em Império: Cora é má ou é apenas "prática"?

24 de julho de 2014 3
Paulo Belote, TV Globo

Paulo Belote, TV Globo

Novela que se preze tem que ter um bom (ou mau, no caso) vilão. Se Em Família se arrastava pela falta de vilanias, Império já começou com uma megera que amaremos odiar.

Cora (Marjorie Estiano) é uma daquelas personagens complexas que só Aguinaldo Silva sabe criar. Nas primeiras cenas da novela, ela se defendeu das acusações da irmã, alegando: “não sou má, sou prática”.

E analisando friamente as atitudes dela, quase nos convencemos de que foi melhor para Eliane (Vanessa Giácomo) e José Alfredo (Chay Suede) ficarem separados. Afinal, o rapaz construiu seu “Império” após a desilusão amorosa. O que seria dele e da amada se os dois tivessem fugido juntos? Provavelmente teriam uma vida simples e sem grandes feitos, vivendo de “um amor e uma cabana”.

A praticidade de Cora acabou levando Zé Alfredo ao Monte Roraima, onde teve início sua fortuna com os diamantes contrabandeados. Na viagem à Suíça, ele ainda conheceu Maria Marta (Adriana Birolli), uma jovem tão ambiciosa quanto ele. Como José Alfredo mesmo disse, ela era a rainha perfeita para o Império que estava sendo construído. Ou alguém imagina a humilde Eliane cumprindo esse papel?

Ainda é difícil saber o que move Cora, se ela realmente ama a irmã e os sobrinhos, se fez tudo por inveja da felicidade alheia ou apenas estava sendo… prática. Em alguns momentos, ela parece realmente se preocupar com a família. Com a morte de Evaldo (Thiago Martins), Cora novamente foi prática e incentivou a irmã a batalhar para sustentar os filhos pequenos. Mais do que isso, se ofereceu para cuidar das crianças e da casa, o que nos faz questionar se há mesmo apenas um jogo de interesses ou se ela é realmente apegada à família…

Os melhores vilões são aqueles que têm seus motivos para fazerem maldades. São humanos, possuem fraquezas e chegam a comover o público em alguns momentos. Na vida real ou na ficção, ninguém é completamente malvado ou irritantemente bonzinho. Vilões caricatos demais ou mocinhos ingênuos em excesso não costumam ter identificação com o público.

Será que Cora é má ou está apenas sendo prática?

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Comentários (3)

  • Clau diz: 25 de julho de 2014

    Até o momento ela está sendo prática. Ok, egoísta também, mas prática. Pelo o que deu pra notar, ela ama o sobrinhos, cuida deles com carinho e cuida da casa. Na vejo aí uma maldade. Pelo menos até agora… Não sei se daqui pra frente ela será ruinzinha.
    Só lamento por Eliane, que ficou sem José Alfredo e sem Evaldo. Ralando ainda por cima, pra sustentar a família. Mas também, se ela tivesse ido com Zé, será que ainda estariam juntos e apaixonados?

  • Fabio diz: 25 de julho de 2014

    Clau, se ela tivesse ido junto, já teriam se separado. As atitudes dele não combinam com as dela.
    Além disso, ela é o tipo e mulher que “dá azar”. É melhor ter ela bem longe heheehe

  • FERNANDA MATTOSO diz: 30 de julho de 2014

    Parabéns, em primeiro lugar, para as atrizes que incorporaram a Cora. Fabulosas! Polêmica e muito complexa, a personagem ganhou corpo na atuação competente de Marjore Estiano e Drica Moraes.

    Bem, esperei para ver um pouco mais da personalidade de Cora, pois não gostaria de escrever nenhum comentário preconceituoso. Contudo, nos dois últimos capítulos da novela, consegui formular minha opinião a respeito. Cora é daquelas pessoas que pautam a sua vida no tripé da manipulação: a posse, a culpa e o medo. A posse da vida das pessoas, da irmã no caso, da felicidade, das escolhas, da família, por fim dos bens (direta e indiretamente). A culpa como forma de terror psicológico, na tentativa de manter o outro sobre controle. Alimentada pela malévola durante anos, a culpa pela traição interiorizada pela irmã Eliane, em momento de sua fragilidade emocional, foi a matéria-prima principal para que essa assumisse a chefia da família e mantivesse (sobretudo financeiramente) o lar estável. Enfim, o medo. No caso de Eliane, de perder a respeitabilidade dos filhos, da família e da sociedade. E de Cora, de perder o conforto de um lar que, embora simples, é seguro e certo. Bravo para o escritor que criou esta manipuladora maquiavélica (em referência a Maquiavel), conseguindo expressar em poucas linhas a natureza humana mais primitiva – o instinto de sobrevivência – em sua pior forma: a parasitária. Pessoas como Cora sugam os outros, muitas vezes a vida inteira. São extremamente destrutivas e cobram das pessoas o ônus das experiências que não viveram por puro recalque, comodismo ou covardia. Total inversão de valor. Se acham merecedoras de reconhecimento, quando se autodenominam “práticas”. Com certeza o são. Mas, para quem? Eis a questão.

    O fato é que a autodefesa, ali, tomou lugar da ética, do respeito e do amor próprio. Sozinhas, as duas irmãs, sem qualificação profissional, dependentes de um marido ignorante e com recursos financeiros, intelectuais e emocionais limitados, a mais “esperta” aprendeu a sobreviver na sombra da outra. Identificando seus pontos fracos e jogando com eles para se garantir. Muito triste quando alguém chega a este ponto para conseguir o que quer ou simplesmente se manter-se em sua zona de conforto. Pior ainda é saber que existem tantas Coras disfarçadas por aí.

    Mais uma vez parabéns ao autor. Terei prazer de acompanhar esta personagem.

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