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É preciso saber voar com a fantasia de Aguinaldo Silva

11 de dezembro de 2014 13
Divulgação, TV Globo

Divulgação, TV Globo

O assunto mais comentado dos últimos dias foi o “rejuvenescimento” de Cora na novela Império. Após um problema de saúde, Drica Moraes precisou sair da novela e foi substituída por Marjorie Estiano. Os críticos de plantão, é claro, criticaram bastante a solução encontrada por Aguinaldo Silva e o assunto virou piada nas redes sociais.

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Quem falou mal não deve ter vivido a época em que o realismo fantástico era comum nas novelas. Foi o próprio Aguinaldo Silva, aliás, quem criou várias situações inusitadas na telinha, mas não foi o criador do gênero. Antes dele, Dias Gomes criou lobisomens, mulher que explodia, homem que voava e outros tipos estranhos. Tudo isso fazia muito sucesso até o final da década de 90, então, o que foi que mudou?

As tramas ficaram mais realistas, o telespectador está cada vez mais exigente e não engole qualquer coisa. Mudamos nós, por esquecermos que novela é ficção, e na ficção tudo é possível. Como disse sabiamente Gloria Perez, “é preciso saber voar”. Mas o público prefere manter os pés no chão e quer tudo explicadinho, fiel à realidade.

Sou da geração que cresceu vendo novelas com vampiros, fantasmas e outros seres fantásticos, sem estranhar nada disso. Graças a Aguinaldo Silva, minha infância teve a Mulher de Branco, o Cadeirudo, Sérgio Cabeleira voando em direção à lua, Raimundo Flamel transformando ossos humanos em ouro, Emanuel virando anjo em plena praça de Greenville, entre tantos outros momentos inesquecíveis.

A Mulher de Branco aterrorizava os homens em Tieta.

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Já em A Indomada, as vítimas do Cadeirudo eram do sexo feminino.

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Emanuel virou anjo no final de A Indomada.

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Cândido Alegria se transformou em uma estátua de pedra em…Pedra sobre Pedra!

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Ao fazer Cora passar pela fonte da juventude em Império, Aguinaldo Silva está apenas voltando às suas origens. Será que não chegou o momento de nós também voltarmos a ver novela com os olhos de antigamente, aproveitando o entretenimento, sem questionar o realismo das cenas? Vamos voar, gente!

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Comentários (13)

  • Ana diz: 11 de dezembro de 2014

    O problema é que todas essas novelas em que essas coisas surreais aconteceram tinham essa pegada mesmo. Império sempre foi um estilo “normal”, realista, sem nada de muito estranho. Se bem que com aquele diamante cor de rosa que brilha no escuro…

  • Rafael diz: 11 de dezembro de 2014

    Me poupe dessas fantasias. Mas gostei do retorno da marjore. Precisamos de novelas mais realistas, temas atuais. Mas contada de uma forma bem escrita e interpretada. Por exemplo “eu que amo tanto” quadro do fantástico, histórias batidas, mas ao mesmo tempo tão bem escrita, tão bem interpretada que não vejo isso nas novelas atuais.

  • Fabio diz: 11 de dezembro de 2014

    Acontece que isso tipo de situação não combina com o estilo da novela atual, tampouco com o público, muito mais inocente naquela época. Novelas como Vamp, Pedra sobre Pedra, entre outras, eram novelas que tinham esse mito desde o início, o ambiente era cartunesco e fantasioso, o mito não caiu de paraquedas.
    Nesse caso da Cora, era só matar a personagem e pronto. Não faria tanta falta assim.
    Mas, na boa, pior que tudo isso é a “morte” do protagonista. Depois que ele voltar deveria ser preso por falsificação de documentos, pelo tráfico de diamantes, por sonegação fiscal, etc. etc.
    Mas certamente depois do retorno nada disso será aventado e será como se ele não tivesse cometido crime algim.

  • Nina diz: 11 de dezembro de 2014

    Michele, eu concordo contigo quanto ao fato de ser uma ficção e de já ter havido outros inúmeros casos de “fantasia” em novelas (eu amei a última versão de Saramandaia, por exemplo). A diferença é que nessas novelas fantasiosas que tu citaste, nós já começamos a assisti-las sabendo o que está por vir. Ou, no mínimo, que pode acontecer algo do tipo.

    O problema de Império é que ela se mostrou uma novela realista desde o início, de forma que é estranho ocorrer algo quase fantasioso no meio da novela, do nada.
    E quando acompanhamos uma ficção, mesmo sabendo que se trata de ficção, criamos vínculos visuais e sonoros com AQUELES ATORES representando AQUELES PERSONAGENS (quem nunca se referiu a um ator através do nome de um personagem marcante? Até hoje eu vejo a Letícia Spiller e o primeiro nome que me vem à cabeça é Babalu.. hehe)

    Bom.. eu entendo o autor porque ele teve que resolver um problemão em pouquíssimo tempo. Mas mesmo assim, ainda não consegui olhar para a Marjorie e enxergar a Cora. Mesmo a Marjorie sendo uma atriz incrível, pra mim a Cora é aquela que tem os trejeitos, o olhar, a voz da Drica.
    Tá estranho e só vai deixar de ser quando passar um bom tempo e nos acostumarmos com a “nova” Cora.

  • Dafny diz: 11 de dezembro de 2014

    Vamo que vamo,adoraria revê as novelas de iguais as de antigamente.

  • Jana diz: 11 de dezembro de 2014

    Eu já não acho que o povo desaprove novelas com realismo fantástico, desde que a novela seja vendida como tal desde seu começo, uma coisa que a novela Império nunca foi. Aí fica mesmo difícil engolir essa saída fantástica para resolver a situação,

  • Nana diz: 11 de dezembro de 2014

    Fantasia oquê. As 4 novelas que voce citou, podia ter esse tipo de errendo a epoca na novela permetia isso. Agora essa Imperio que é desse tempo ficou ridiculo mesmo. Adoro Marjorie mas não colou. Se Drica voltar, o que eu espero, qual vai ser a desculpa da vez, a operaçao/rejuvenecedor não deu certo, e tive que voltar ao meu antigo eu? Ou uma sobrinha, como Amanda? Deu mancada, mesmo.

  • Eliane diz: 11 de dezembro de 2014

    Já foi o tempo né gente? Pow ninguém merece essa palhaçada não, pra mim perdeu a graça… todos sabem que novela é ficção, mais essa foi demais, tá chato, sem graça, uma ficção sem lógica, como se não bastasse a parte mais forçada e nojenta da novela (Téo Pereira) o ator é excelente, mais o papel dele é uma merda, uma porcaria … A Drica é mara, tava arrebentando como Dona Cobra kkk agora, isso que o autor fez, se perdeu, ficou sem nexo, totalmente sem graça, é uma porcaria, então que tivesse matado o personagem teria sido melhor. Pra mim já deu, não perco mais o meu tempo. Voar sim, mais isso é uma porcariaaaaaaaaa, sem sentido, perdeu totalmente a graça.

  • FERNANDA MATTOSO diz: 11 de dezembro de 2014

    REALISMO FANTÁSTICO???? HAHAHAHAHAHA…Desculpem-me mas não tenho outra coisa a fazer a não ser rir bastante. Quer dizer que não é o autor que foi infeliz, o público que é ignorante! Hahahahahahahahahahaha…adorei! Me parece um comercial antigo de calça jeans que dizia algo mais ou menos assim: “não é a roupa que veste mal, você é que é gorda”. Francamente! Comparar a genialidade de Dias Gomes com a picaretagem de quinta que virou esta novela é quase um sacrilégio. Existe uma pequena diferença (bem sutil, hahahaha) entre Dias Gomes e Agnaldo: um soube fazer e o outro tem que voltar pra escola (com direito a reforço) pra esboçar sequer alguma alusão ao estilo mencionado.

    Os roteiros de Dias Gomes tiveram intenção na fantasia; o compromisso com a ruptura; a habilidade de criar uma perspectiva própria de mundo. O gênio aqui citado explorou não apenas esse estilo literário, mas criou palavras que foram incorporadas em nosso dicionário e expressões eternizadas em nosso vocabulário, elaborou conceitos literários únicos e metaforizou, em seus personagens, pessoas do nosso dia a dia com o nível de refinamento ímpar. O nível crítico bem como a capacidade de síntese e observação do autor Dias Gomes são incomparáveis. Seus roteiros embalaram nossas telenovelas de modo a garantir por décadas um sucesso que, nem de longe, foi repetido nos últimos anos da emissora. Dias Gomes deixou um vácuo na produção cultural popular de nosso país. E não fui eu que disse isso, gente, já li e ouvi de quem sabe bem mais que eu. Leiam tudo sobre sua obra nos melhores livros críticos de arte popular e literatura brasileira disponíveis. Eu apenas sinto saudade…hahahahahahahahaha! Agora, fala a verdade, adoraria saber o que ele acha dessa comparação ridícula.

    Incluir, de última hora, uma situação estapafúrdia isolada no meio de um roteiro não é REALISMO FANTÁSTICO. Entendo que é usar o estilo para tentar justificar um erro gritante do autor, que se mostra perdido como cego em tiroteio. Mais absurdo ainda é culpar o público por não entender o “autor gênio incompreendido”. Não precisa ser professor de literatura para ver que deu errado. Que o roteiro está sem liga, cheio de clichês exaustivos, maniqueísmo barato e furos na evolução da trama. Melhor rever rápido antes que desmorone de vez como foi EM FAMÍLIA, do que procurar criticar quem está do outro lado da tela.

    Portanto, por favor, menos! Império perdeu o rumo há muito tempo. Personagens soltos, diálogos repetitivos, recursos dramáticos apelativos, incoerência e desconexão na construção dos personagens, enfim, uma subestima generalizada com o público e com a concorrência. A indústria da comunicação mudou, gente, acorda. E nesse contexto os imperadores que se cuidem!

  • Nina diz: 11 de dezembro de 2014

    Engraçado que na época de Salve Jorge tudo eram críticas, por quê temos que
    saber voar agora mas na época da novela da Glorinha não? Não defendo nem um nem outro, só acho estranho que agora, só por isso, Aguinaldo é gênio para alguns…

  • Clau diz: 12 de dezembro de 2014

    Concordo com NANA. Muito lúcida tua colocação. AMBAS colocações.
    É que Aguinaldo é “adorado” e Glória não. Entendes? Pra um pode, já pra outro são só críticas.

    Lamento por Marjorie que não merecia pegar carona nesse trem desgovernado. Ela poderia ter feito uma nova novela, como protagonista e não pagar este mico. Se Drica retornar e afirmar que A Corinha é uma sobrinha esquecida, aí serão DUAS sobrinhas com a cara da tia. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… Amanda e Corinha!!!
    Já se for uma filha de Cora Cobra, esquecida, aí precisa-se saber quem é o pai. O cunhado?? Cora se deita com o cunhado, que devia estar podre de bêbado pra não se dar conta do que fez, ou ele era safado mesmo. E depois sumiu pra parir a criatura??

    Vamos voar!!!!!!!!!! eu peguei minha asa delta. Sou das antigas. kkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Beatriz diz: 13 de dezembro de 2014

    Pra quem conseguiu VOAR com os disparates da novela Em Família, a Rainha dos Absurdos, vai conseguir voar com o rejuvenescimento da Cora, agora acho que o autor deveria ter tido um pouquinho mais de criatividade e encontrado uma solução melhor pra essa personagem CORA, porque mesmo sendo ficção, é o trabalho dele que etá em jogo, trabalho este que será vendido para outros países, porque tudo é permissível quando o trama da novela é embasada no humor e na fantasia, como é o caso da maioria das novelas do João Emanoel Carneiro; outra, bem diferente, é criar uma estória até bem feita e arraigada em várias situações da vida real e, de repente…, criar uma situação mal feita com uma personagem que nem faz parte do núcleo de humor da novela. Acaba subestimando não somente os telespectadores, mas os atores também. Como aconteceu na novela Em Família, onde muitos atores bons, acabaram desaparecendo na estória mal feita, mal montada e mal conduzida da novela. Acho que qualquer trabalho, mesmo sendo ficção deve ser bem feito de acordo com o contexto, porque se for pra perder tempo fazendo mal feito, melhor nem fazer.

  • Glaydson diz: 13 de dezembro de 2014

    Por isso é que eu prefiro as novelas fantasiosas como COBRAS E LAGARTOS e outras mais, são divertidas e não irritam o telespectador com tramas que de uma hora pra outra torna-se absurda, prefiro ALTO ASTRAL do que essa Império. Essa estória de VOAR, virou chatice, toda novela que é preciso VOAR não assisto, não sou pássaro e nem gosto de trabalho mal feito.

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