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Justiça inocenta Globo após denúncia de cenas gays em Império

25 de janeiro de 2015 14

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As cenas mais ousadas dos personagens gays de Império foram mostradas apenas nos primeiros capítulos, mas incomodaram algumas pessoas. Por isso, o Ministério Público chegou a receber várias denúncias sobre os momentos da novela considerados “impróprios”.

Meses depois, a Justiça deu um parecer favorável à Rede Globo. Segundo o MP:

No que se refere a conteúdo que envolva sexo e nudez, o documento não faz qualquer distinção entre cenas que envolvam personagens heterossexuais ou homossexuais, em atendimento aos direitos fundamentais a igualdade e a dignidade da população LGBT”

A decisão, de acordo com o Uol, considera que não há nada de errado nas cenas exibidas na trama. Aliás, nem mesmo o beijo entre Cláudio (José Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo) chegou a ser exibido, apenas insinuado.

A única parte da trama considerada imprópria para menores de 12 anos (idade para o qual a novela foi classificada) é o strip-tease de Robertão (Rômulo Netto) para Téo (Paulo Betti). Fora isso, nem há mais casal gay da novela. Pelo contrário, o autor Aguinaldo Silva foi até acusado de ter promovido a “cura gay”, já que Cláudio voltou ao seu casamento monogâmico e heterossexual, Téo continua solteiro, Léo está praticamente namorando Amanda (Adriana Birolli) e até Xana (Ailton Graça) ensaia um relacionamento com Naná (Viviane Araújo).

Resumindo: Império pode ser considerada uma novela mais “careta” do que Em Família e Amor à Vida.

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Comentários (14)

  • Tarso Fernando Cassol diz: 25 de janeiro de 2015

    A questão não é de modo algum só incomodar certas pessoas. A globo sempre tenta colocar os modismos na tela e fazer ibope. poderiam mostrar virtudes ao invés de tanta banalidade. a vida humana é movida somente com banalidades? e os caras que escrevem as novelas, fazem jus à parte XY de seus cromossomos? Quanta frescura e desatino para encher a cabeça desavisada do povo!

  • Conrado Mustafá diz: 25 de janeiro de 2015

    Isto porque a Globo percebeu que seu IBOPE estava caindo e a novela passaria a ser vista, apenas, pela boiolagem explícita ou a enrustida! E disto o autor da mesma, o agnaldo silva entende…Ele sabe que se ficar contra a caretice das velhas que assistem novelas, da sua carreira não restará “pedra sobre pedra”! Mas como não passa de uma novela global, este é um assunto que só interessa aos ignorantes miserentos, pois que esta camada da sociedade só tem a tv aberta como passatempo. Novelas não deixam marcas, tanto que são reexibidas constantemente. O povo que as assiste não tem capacidade para ter memória.

  • FERNANDA MATTOSO diz: 25 de janeiro de 2015

    E a pergunta que não quer calar: “por que os gays incomodam tanto?”. A questão gay em Império, na minha opinião é irrelevante. Me desculpem os queixosos, mas chega a ser fútil essa reclamação. Além do mais, pais atentos não deveriam deixar crianças e pré-adolescentes em frente a TV após às 21h, em nenhuma hipótese. Por que não incentivam os filhos a uma boa leitura antes de dormir? Fica a sugestão.

    Porém, meu espanto acontece quando penso na hipocrisia em torno da questão da pornografia no Brasil. O apelo sexual no país está escancarado há décadas. E não é apenas na TV, que exibe funckeiras e bombadões semi-nus dançando e relando uns nos outros nos programas de auditório de baixa qualidade, nas tardes de fins-de-semana. Crianças são vestidas de divas vulgares (“mini-sex-appeal”) e exibidas em programas de calouros, independente se têm ou não talento para tal, incentivadas pelos próprios pais que vêm nas pequenas vítimas uma chance de ganhar muita grana e sair do aperto. Alguém acha isso obsceno, também? Algum movimento fez queixa no MP com relação à exposição e exploração do trabalho infantil nesses programas? É assustador, mas já vi menininhas de 4 anos nesses programas dançando com uma sensualidade constrangedora.

    Por falar nisso, o Carnaval está chegando. Por acaso alguém vai se habilitar a tirar a festa das ruas? Ou acionar os órgãos competentes para proibir as letras das músicas da temporada? Aliás, quem curte as baladinhas populares ultimamente não deveria se incomodar com o beijo gay de ninguém, muito menos se sentir ofendido com sexo explícito na TV. De pagode a sertanejo universitário é só sexo, traição, pegação e baixaria do começo ao fim. Algumas letras chegam a ser constrangedoras. Esses “artistas” são idolatrados e estão milionários, o que me faz concluir que muita gente gosta do que dizem. Mas os gays é que incomodam?

    Em Império o conteúdo pornográfico, a meu ver, começa na promoção da prostituição e da exploração sexual jovem e adolescente retratada na família de Isis e Robertão. Os pais cafetões se deram muito bem ensinando os filhos o ofício do sexo em troca de mordomia. E os dois fizeram o dever de casa direitinho e, também, conseguiram se dar bem. Maria Isis é uma ninfeta manipuladora perfeita que o autor quer emplacar a qualquer custo de donzelinha ingênua. Robertão conseguiu conhecer gente influente por meio dos seus “favores sexuais” a um gay, e também se resolveu. Agnaldo também força a barra pra pintar o rapaz de bom moço, mas realmente…infame! Ainda me pergunto, por que não vejo nenhum protesto em relação a essa situação. Ao contrário, milhares de jovens e adolescentes sonhadoras e pouco propensas ao trabalho e aos estudos admiram Isis, que alimenta nelas a ilusão de ter um “lobo-mau” bem rico aos seus pés. Não importa se são casados, comprometidos ou as tratem como bicho de estimação. Vale é pagar a conta alta do luxo a qualquer preço. Essa situação sim, deturpa e influencia nossa força produtiva de maneira perniciosa.

    Obsceno é o tratamento destinado às relações de família em Império. Os laços entre pais e filhos na novela foram reduzidos, com leviandade, à completa banalidade. Não se trata os filhos como de estivesse comprando banana na feira, selecionando as melhores e descartando as “frutas podres”. O que o “heróico Comendador” fez com sua família foi IMORAL. E as pessoas se chocam com sexo explícito? Após dar o tombo em quem esteve ao seu lado por mais de 20 anos e incitar o ódio entre os próprios filhos, o malandro elegeu uma oportunista estranha para assistir o circo pegar fogo a seu lado, com direito a lugar VIP na arena. A crueldade e o rigor com que julga os seus só reforça a tese de que Zé Alfredo continua o mesmo aventureiro sem origens que bateu na porta do irmão morto de fome para traí-lo com sua própria esposa. Mas isso, pelo visto, não incomoda ninguém tanto quanto uma cena de carícia gay. Pergunto, quem é IMORAL na estória? Cláudio e Beatriz também abandonaram o filho surtado à própria sorte, em represália a sua reação negativa quanto ao estilo de vida adotado pelos dois. Assim fica cômodo! Filho deu o contra, descarta e pronto. Mais uma forma leviana de tratar a relação pais e filhos. O rapaz foi trocado por um estranho, tiraram-lhe o meio de vida e isolaram-no da família. Não seria mais correto tentar integrá-lo, encaminhá-lo a um tratamento psiquiátrico, enfim, assumi-lo mesmo na dificuldade. Família unida só na hora boa é muito fácil manter. Quando as posições se divergem é que o desafio da compreensão mútua acontece. De mais a mais, quem quer compreensão tem que compreender. Respeito e imposição são coisas diferentes.

    Vulgar foi a forma como Cristina afrontou pessoas que nem conhece, usufruindo de privilégios que, em nenhum momento, fez por merecer. Às custas do sofrimento de uma família inteira, a suburbana despreparada se tornou aliada do poder (que ela passou a chamar de “pai” rapidinho) e escancara um revanchismo clássico em cima dos que tiveram mais que ela durante a vida toda. A personagem se tornou uma bajuladora cínica que exibe seus 15 minutos de fama em cima da carniça alheia. Cristina representa a voz dos que acreditam que passar por cima dos outros como trator é a melhor forma de subir na vida. Seu discurso evoca o rancor entre classes sociais fomentado no Brasil por décadas e que já nos trouxe milhares de prejuízos econômicos e sociais. Cristina cumpre a expectativa dos que defendem a revolta de uns contra os outros, apenas por terem educação e contas bancárias diferentes. É o famoso “subiu no tijolo!”. Triste que num momento em que o país precisa se unir para resolver tantos problemas graves, um personagem como Cristina ainda seja a “mocinha” da estória. Pra mim, isso sim é IMPRÓPRIO.

    Poderia refletir sobre os temas que envolvem MORAL e BONS COSTUMES aqui por horas, mas deixo apenas mais um ponto-de-vista sobre “moralismos banais”. E, para os que registram queixa no MP por causa de cenas gays em novela, um recado: me desculpem, mas assistam mais aos jornais e descubram que o órgão tem questões pornográficas muito mais importantes para resolver. O que me dizem da Petrobrás?

  • Clau diz: 25 de janeiro de 2015

    Os telejornais não são confiáveis visto que grande parte deles é manipulado pelo próprio governo. Há anos isso é assim. É mais fácil procurar outras fontes do que simplesmente assistir a uma TV.

    Quanto ao Enrico, ele não foi destratado e abandonado pela família porque não aceitava a relação do pai com outro homem. Ele foi desunamo com sua noiva que deixou sozinha esperando por ele, já vestida de noiva. Agiu como um fedelho mimadinho com direito a beicinho e tudo mais. Ele não tem nada ver com a vida do pai. Se tal é casado e a esposa o aceita assim, não vejo porque incomoda TANTO a relação de Claudio e Beatriz. Enrico não é um menininho puro e casto pra ficar tão horrorizado da vida dupla do pai. Enrico prejudicou sua própria vida e da família também. A atitude dele perante Clara foi da pior espécie e me admiro muito que ISTO não seja criticado aqui. Claudio fez muito bem em tirar tudo do fedelho mimado pois assim este aprende a crescer. E se não aprender, um dia a vida vai ensinar mais fortemente.
    Também quanto a fazer um tratamento psiquiátrico, hoje até os mais renomados psiquiatras não querem levar à força uma pessoa para se tratar. Se Enrico nunca se achou louco ou doente, por que ele aceitaria se tratar? e tem mais! QUEM DISSE que Enrico é louco? só por que ele não aceita a vida do pai? Ele não é louco, nem precisa de psiquiatra. Precisa é aprender através da dor e sofrimento a ter respeito pelas pessoas. Se ele tem vergonha do pai por ser gay, que tivesse se casado com Clara e vivido a vida dele tranquilamente. Poderia até ter rompido com o pai, mas não fazer tudo o que fez. A atitude que ele teve dando uma surra num travesti na festa de despedida de solteiro, mostra o quanto isso o incomoda e sabe-se lá se no fundo Enrico não sente atração por homens e tenta esconder isso até de si mesmo?

    Concordo que essa mania de criarem polêmica em relação a gays já encheu. Há sim coisas bem piores na trama e em outros programas. Mas em relação a Enrico, desculpe, mas em momento algum ele perdeu o que tinha por causa de sua opinião em relação a vida de seus pais. Aliás, o restaurante é de Claudio e Beatriz. Enrico que faça o dele. Que prove que se tornou um homem e viva sua vida. Ninguém quer que ele aceite gays, mas que respeite os gays. E principalmente, que respeite seu pai que lhe deu tudo. Se não fosse a família lhe dar um restaurante pra comandar, Enrico não teria começado. Então que agora faça o seu. Achei muito bom o castigo. Seria ridículo Claudio e Beatriz passarem a mão na cabeça do filho mimado, perdoar todos insultos, até o fato dele ter deixado a noiva o esperando na cerimônia. O mimadinho se tranca num quarto de hotel e ainda quer adiar o evento? o mundo gira em torno dele? isso é ser “doentinho”? psiquiatra?? Precisa é de uma boa surra de cinta, isso sim. Tudo sempre como ele quer? E diga-se de passagem que Beatriz e Claudio tiveram muita paciência para com esse pirralho em forma de homem.

  • Clau diz: 25 de janeiro de 2015

    No entanto, concordo plenamente com as palavras de Fernanda Mattoso em relação à Ísis e Maria Marta. Fico triste em ler sobre a novela e ver que ainda Aguinaldo coloca Marta pra bater em meio mundo. Esbofeteia o marido, se pega com Cristina, com este e aquele… Não tinha necessidade de fazer isso com uma personagem tão rica em conteúdo. Lamentável perceber que o final da trama o Zé vai ficar mesmo com Ísis. Vai ver que é porque se merecem mesmo.

  • Maycon Jean Berti diz: 25 de janeiro de 2015

    Parabéns pelo comentário Fernanda Matosso.

    Percebo que felizmente ainda existe pessoas sensatas no meio de tanta hipocrisia da qual vivemos.

  • RINALDO COSTA diz: 26 de janeiro de 2015

    EH INCRIVEL QUE ALGUEM USE O PODER JUDICIARIO CONTRA IDIOTICES COMO NOVELAS, TANTA COISA QUE ELES TEM PRA JULGAR.
    SRa FERNANDA MATTOSO FEZ UM BELO RESUMO DA MERDA QUE EH VER NOVELA.
    ASSISTAM FUTEBOL, JORNAL, DOCUMENTARIOS. VAO FAZER SEXO NO HORARIO DA NOVELA , MUITO MAIS PROVEITOSO

  • Nanda diz: 26 de janeiro de 2015

    Concordo com vc Fernanda Mattoso….
    O povo reclama das novelas alegando milhões de “maus exemplos” para os filhos mas eles não tem a capacidade de mandar os filhos mais cedo pra cama. Crianças deveriam estar na cama bem antes das 21:00. Reclamam das novelas desse horário mas e o que as crianças e adolescentes assistem em seriados como Malhação (onde mentir, trapacear, armar planos mirabolantes pra arrancar o namorado ou namorada do “amigo” ou “amiga”? O que as crianças aprenderam vendo o casal infantil em Carrossel? De que crianças com aquela idade namorando é normal?
    E as novelas das outras emissoras? O que elas têm mostrado de diferente? O povo reclama das cenas em novelas de horário nobre mas e o que se passa durante o dia? E o que “suas crianças” estão vendo na internet? Agora com a chegada do Carnaval qtas peladonas e peladões passam na Tv ou são exibidos nas páginas da internet?
    O brasileiro adora colocar a culpa do mal exemplo em cima da tv qdo na verdade nós mesmos servimos de exemplo, tanto bom como mal. Agora se as novelas estão tão ruins e apelativas façam como eu e milhares de outras pessoas: desliguem a tv e vão fazer algo mais produtivo

  • Raimundo Antonio Loch diz: 26 de janeiro de 2015

    Só pode ser homogaybixa. mas é o mesmo que ir ao WC lavar o resto no vaso sanitário e fazer xixi na pia.
    nudez……. Deus tapou a nudez la no jardim, e a capetagem querem tirar as vestes decentes para servir o capeta.

  • Jean diz: 26 de janeiro de 2015

    Essas reclamações são mto sem sentido… Cada vez mais a legislação brasileira tenta igualar os direitos dos casais homo e heterossexuais. Culpar a globo por dar visibilidade similar a ambos os tipos de relacionamento seria um retrocesso…

  • FERNANDA MATTOSO diz: 26 de janeiro de 2015

    Ei, pessoal. Obrigada pelo apoio, mas percebi que um aspecto em especial ficou mal entendido. Muita gente me critica porque compreendo a dor de Enrico. Sinto se desagrado, mas estou apenas sendo honesta e coerente com minha maneira de pensar. Pergunto aos homens, principalmente: qual deles não sentiria (que seja lá no fundo) vergonha do pai se soubesse, da pior forma, que ele tem um amante homem? E mais, que sua mãe divide o seu marido com outro e tá tudo bem? Qual homem no Brasil acharia isso “normal”?

    Consigo entender as atitudes de Enrico, baseado na criação que teve e nos sonhos de heroísmo que alimentou a vida toda. Como querer que um homem haja como tal se os pais sempre o trataram como bibelô. Alimentaram a ilusão da “família modelo das colunas sociais cariocas” e essa realidade caiu por terra de uma hora para outra. Traumático, não? Tentem se colocar no lugar.

    Outra coisa que falo como mãe: SEM ESSA DE FILHO NÃO TEM NADA A VER COM A VIDA DOS PAIS. FILHO TEM SIM!!! QUEM É PAI E MÃE TEM QUE PENSAR NOS FILHOS PRIMEIRO, SIM. NÃO PODE SAIR FAZENDO O QUE QUER, COM QUEM QUER E COMO QUER NÃO! PORQUE OS FILHOS ACABAM SOFRENDO AS CONSEQUENCIAS DISSO. E ENRICO SOFREU POR TABELA. Enrico foi humilhado e ridicularizado em seu ciclo social, seus amigos e seus funcionários, por uma opção de vida sexual que não escolheu.

    Os filhos sofrem e pagam caro pelas atitudes dos pais, essa é a verdade. As escolhas dos pais impactam na vida deles e podem provocar um sofrimento terrível. Acho muito sério que muitas pessoas pensem que filhos não tem nada a ver com a vida dos pais. Vejo que essa mentalidade é o que, em última instância, faz com que padrastos, madrastas, namorados, vizinhos, amigos violentem os filhos dos outros física e psicologicamente com a conivência dos pais. Pensando assim, pais podem deixar filhos sozinhos para fazer o que quiserem, andar com quem quiserem, colocar qualquer um dentro de casa, manter relacionamento duplo e sustentar amante na rua (colocando em risco inclusive o patrimônio da família, no caso do companheiro alegar união instável). Quantas crianças, adolescentes, jovens e até adultos não pagam caro por decisões que não tomaram e que são reflexo dos pais?

    Quando levantei o questionamento sobre a relação pais e filhos em Império, coloquei justamente isso. A novela trata essa relação de modo simplificado, medíocre e irresponsável. Independente se é gay, hetero, o que for, não interessa. Os pais têm responsabilidade de acolher e procurar solucionar os problemas dos filhos como família. Mesmo que pra isso tenham que abrir mão de opções e gostos pessoais. Pra mim, funciona assim.

    Além disso, o rapaz já mostrava sintomas de desequilíbrio emocional desde do início – descontrolado, extremamente ciumento, tendente a violência psicológica e física contra as pessoas. AVISO: PSIQUIATRA NÃO É COISA DE LOUCO! A psiquiatria trata transtornos emocionais corriqueiros, muito mais comuns entre as pessoas que convivemos do que imaginamos. Desde uma depressão leve até transtornos sociais decorrentes de “falta de limite crônica” alimentada pelos próprios pais. Acho que o autor perdeu a chance de mostrar isso e ser construtivo em sua abordagem do caso. A psiquiatria faz-se necessária no caso de Enrico, junto com um bom terapeuta. Essa receita é uma constante nas altas rodas sociais, nas quais os pais de Enrico circulam com frequência. Portanto, a decisão de adotar um tratamento regado a boas viagens é totalmente coerente com o contexto do personagem na novela.

  • Clau diz: 27 de janeiro de 2015

    Sim consultar psiquiatra é comum, isto também não é novidade pra mim. Mas também sei que não se sai por aí arrastando pessoas pelos cabelos para se tratar. Enrico é ADULTO, portanto ele nada tem a ver com a vida do pai e mãe. Não agora. Afinal, por favor! o cara se sentir humilhado?? Que processe quem o humilhou então! Simples assim. Mas como é um menino mimado, mal criado, cheio de problemas, claro que vai fazer o que fez. No entanto, pode uma legião de psicanalistas tentar convencê-lo de fazer um tratamento, que não terão sucesso. Pessoas como Enrico só aprendem com a vida. E sim, chega uma hora na vida de um filho, que ele precisa quebrar a cara para evoluir. Ou passará a vida inteira fazendo terrorismo com a família para defender sua opinião, seu ponto de vista. Não é justo que pais, irmãos ou uma família toda mude sua conduta pessoal e ÍNTIMA por causa de um membro mimado e descontrolado.

    Como eu procuro respeitar o tipo de vida que cada um tem dentro de quatro paredes, consigo entender as razões de Claudio e Beatriz. E não. Meu marido NÃO É gay. Nem eu sou. Somos casado a mais de 30 anos e vivemos muito bem juntos. Mas imagino que existam casais como os da novela. Eu mesma conheci um assim, porém a esposa ou não sabia ou desconfiava, apenas.
    Em relação a pais e filhos, tenho experiência. Tive madrasta. Não foi fácil. Mas aprendi que a vida de meu pai era a vida de meu pai. O que ele fazia com ela e como vivia, não era problema meu. Ele era meu pai e marido dela. E sinceramente, não é hipocrisia minha dizer que SE ele fosse gay, também não me atingira. Contanto que fosse um bom pai. Amigo, parceiro, confidente… Isso que conta nas pessoas. E não com quem elas se deitam ou o que a sociedade pensa. Viver de acordo com os outros, é não viver. Apenas minha opinião.
    E Enrico já um homem feito. Vive numa sociedade onde gays existem e já deveria ter entendido isso. Não vive numa redoma de vidro. O mal de Claudio foi ter ocultado dos filhos sua condição. Mas se a esposa aceitava assim e eles viviam bem assim, ninguém tem nada a ver com isso. Nem seus filhos. Respeito começa assim, cada um respeitando o espaço do outro. Se Enrico não gosta, pois bem! que viva sua vida! Que afirme até num “a pedido” em jornais de circulação, que ele não aceita a condição do pai e pronto. Se não quer escândalo, que ele nem faça tal escândalo. Simples assim. Quantas vezes ele discutiu com sua noiva a respeito disso? quantas vezes Clara viu o tipo de homem que ela teria pra vida? Enrico não tem limites. Tanto que – REPITO AQUI – ele largou a noiva sozinha no dia do casamento. E ainda por cima queria adiar o evento como se TODOS vivessem para satisfazer seus desejos. Isto não tem justificativa alguma! e nem perdão! Achei muito bom o castigo que Claudio e Beatriz deram ao filho e achei maravilhoso o discurso que Clara fez a ele quando foi tirar satisfações por ele tê-la deixado esperando no altar, praticamente.

    No entanto enquanto muitos se preocupam tanto com gay nas novelas, deveria ir contra o racismo que impera nas mesmas novelas. Onde os negros somente ficam nas cozinhas, garagens ou favelas. ISTO SIM, é motivo de discussão e indignação. E já aviso que sou caucasiana, de origem germânica. E acho um absurdo que nos dias de hoje os negros continuem com papéis de serviçais nas tramas da Globo. Mas nunca vi um debate sobre tal assunto. De onde se nota que o Brasil se preocupa mais com quem as pessoas se deitam do que com os tantos outros brasileiros que servem seus patrões por serem negros somente. Lastimo que até nas novelas isso ocorra. Bem poderia criar personagens ricos, bem sucedidos, e negros. Acho que somente uma ou duas novelas abordaram casos assim. As demais, em peso! colocam negros na cozinha, com uniformes de serviçais, atendendo altas horas da noite seus patrões. Ou ainda na favelas, morros e vilas como malandros ou prostitutas. Esta questão social nunca é debatida ou abordada. Mas a vida sexual parece que exerce um fascínio sobre o público. Mesmo aqueles que discursam contra, sãos os primeiros a ficar olhando a trama. E as cenas quentes entre gays.

  • magli diz: 27 de janeiro de 2015

    Eu concordo com os comentarios de Fernanda e Clau. respectivamente
    o caso do enrico foi complicado pq ele ficou sabendo da pior forma possivel, mas justifica ele abandonar a noiva, sabotar o restaurante seja certo pq ele nao aceita a vida q o pai tinha.
    Sinceramente ele ja nao tinha bom carater antes!!! e o restant da novela e uma droga toda vive a cora “virgem” correndo atras do comendador. q idiotice aquilo. os filhos do comendador um bando de interreceiros que nao conseguem aceitar q tem uma irma fora do casamento com quem terao q dividir a herança, filhos mimados tb. a cristina orgulhosa pq passou a vida trabalhando. o orville explorando o maluquinho do salvador pra satisfazer suas proprias necessidades. olha a novela toda e muito sem noçao

  • FERNANDA MATTOSO diz: 29 de janeiro de 2015

    Sim, Clau. Concordo que, no Brasil, a cama tem uma relevância além da conta, infelizmente. E já comentei isso, aqui, várias vezes. Tem toda razão. Mas discordo que o castigo de Cláudio e Beatriz tenha sido adequado, mesmo porque não foi nada eficaz. O garoto Enrico continua aprontando e sua paranóia se mostra cada vez pior, colocando em risco a vida dos outros, inclusive. Na verdade, Cláudio e Beatriz repetiram a mesma fórmula “menino mimado” de sempre: tomaram o brinquedinho caro (o restaurante); boicotaram a mesada; passaram sermão moralista inócuo; estimularam a concorrência afetiva (colocando a irmã de Enrico e Vicente como exemplos de “superioridade”) e no fim, partiram pro tapa. Conclusão: não resolveu! A reação do rapaz, neste caso, é previsível: rebeldia. Incrível como passam-se anos e anos e esse formato nunca muda.

    Continuo acreditando que o caminho para resolver problemas entre adultos é a argumentação lógica e o acordo de respeito mútuo. Não é fácil, mas costuma funcionar. Às vezes, até a própria pessoa passa a ver que precisa de ajuda médica. Pelo menos forçaria o pupilo a reagir diferente. Ajudaria bastante se Cláudio, também, reconhecesse que errou ao se expor agarrando um rapaz em plena calçada, flagrado fazendo juras de amor para ele. Naquela ocasião, deve se lembrar, ele chegou a cogitar se separar da família para ficar com Leonardo. Sinal de que algo está reprimido aí. Ele expôs sua família, sim. E, em nenhum momento, acha que fez errado. Seu estilo de vida, sem julgamentos de valor, provocou sofrimento nos outros. Portanto, também, deveria compreender o filho. Beatriz, a imaculada, optou por ficar em sua redoma, investindo em sua “relação perfeita”. Cercou seu mundo de modo que, só pertence a ele quem o aprova, omite ou aceita. Como assumiu o silêncio e a devoção como formas de suportar a dor de dividir o marido, age como se o filho fosse obrigado a fazer o mesmo. Nem sempre é assim! Nem todo mundo é “dinamarquês”. E nem é obrigado a ser. Em uma família, a boa convivência começa quebrando as fronteiras dos mundos individuais e partindo para uma construção de relações coletivas. Sem mentiras, segredinhos ou disfarces. O respeito MÚTUO é o melhor caminho e só é obtido com a verdade e as cartas na mesa. Às vezes, ouvir o que não quer pode ser a chave para enxergar alternativas melhores de vida ou aprender a conviver com as opções dos outros. O conflito em família nem sempre é ruim. Se por um lado, Enrico perdeu a oportunidade de crescer com a experiência dos pais. Por outro, Beatriz e Cláudio também perderam a chance de se auto avaliarem e perceberem, talvez, que poderiam ter feito diferente. Não só em suas vidas sexuais, mas na própria condução da família e da educação dos filhos. Acredito que essa seja a forma mais adulta de agir.

    Porém, não é interesse do autor caminhar para esse lado, porque não vende. O que rende audiência é a agressão, a intolerância, a violência psicológica e física, o desentendimento entre as famílias e, acima de tudo, os rótulos. Rotular as pessoas virou moda no Brasil. Sinto que vivo num país todo fracionado por grupos que disputam odiosamente seu espaço. No Brasil, a palavra coexistência sumiu do dicionário e vemos reflexo dessa mentalidade a todo momento. As alegações são as mais variadas e tem pra todos os gostos: gays, negros, crianças e adolescentes, gordos, dependentes químicos, presidiários, religiosos, idosos, portadores de necessidades especiais, homens, mulheres e por aí vai uma lista sem fim, até chegar nos direitos dos animais de estimação. Canseira pura!!! Somos todos um só!!!

    Por que se fala tanto em direitos no Brasil e, quase ninguém, se lembra dos DEVERES? Os deveres dos brasileiros estão sufocados pelo excesso de direitos (paternalismo barato) e o resultado está aí: nas ruas violentas, na corrupção nojenta, na sociedade loteada, na perda de valores básicos como respeito e união. Se nos preocupássemos mais em procurar cumprir com o mínimo de nossos direitos civis, talvez estivéssemos bem melhor. No lugar disso, pessoas param seus carros em vagas de idosos e dão a velha desculpa: “é só um minutinho”. O mesmo “minutinho” que serve de desculpa para tudo no Brasil e atrasa a vida de todo mundo.

    Não acho que negros são coitadinhos discriminados, nem que são marginalizados, da mesma forma que não acho que qualquer outro grupo e pessoas o seja. O que marginaliza é a postura de cada um. Certa vez, assisti um documentário sobre adoção de crianças e uma juíza de menores relatou que ficou chocada ao se deparar com um casal de negros que disse, claramente, que queria adotar uma criança branca a qualquer custo. Segundo a juíza, disseram: “de negro lá em casa já basta a gente”. O que esse casal pensa? Que está comprando um troféu na loja de esportes? Se não se amam como seres humanos como podem amar uma criança? Como disse, o que segrega é a postura e essa é individual, assim como os valores. Negros que alegam segregação, segregam. Gays que alegam preconceito, também hostilizam mulheres. Religiosos que alegam blasfêmia, também ofendem o dogma alheio. E por aí vai…Quero passar a discutir DEVERES de agora em diante e deixo meu convite a quem se interessar.

    Estou farta de vitimismo para conseguir as coisas nesse país. Conheço negros, assim como gays, mulheres, homens e jovens de origem muito humilde que são absoluto sucesso, simplesmente porque usaram seu tempo investindo em suas competências no lugar de lamuriar em organizações para conseguir o que quer de modo mais fácil. Qualquer pessoa pode realizar-se usando a educação, o foco e a força de vontade como ferramentas de luta. Pra mim, esse papo de coitadinho não cola. Trato todas as pessoas com o mesmo respeito, sem distinção nenhuma e parto do pressuposto que ninguém deve calar ninguém em prol do discurso do “politicamente correto”. Como falei acima, usando o exemplo da família de Enrico em Império, ouvir o que não quer pode ser útil e despertar oportunidades transformadoras na vida. O diferente não é somar sua voz no clamor coletivo, mas permitir que a voz que destoa na multidão também seja ouvida.

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