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Posts na categoria "Duas Caras"

Ator Dalton Vigh fala sobre vilão Marconi Ferraço

25 de junho de 2008 37

Dalton Vigh e Marília Gabriela/Divulgação

O ator Dalton Vigh participou neste domingo, dia 22, do programa Marília Gabriela Entrevista e contou detalhes de sua carreira e da construção do personagem Marconi Ferraço na novela Duas Caras. O bate-papo foi ótimo, o ator revelou várias curiosidades e deixou o público com saudades da última novela global.

Para o ator, seu primeiro protagonista veio graças à sua experiência como outro vilão, Clóvis, de O Profeta, e também como o antagonista Said, em O Clone. Dalton se preparou com a ajuda de sua professora e analista Kátia Aschar para estudar o texto e criar o vilão Marconi Ferraço.

Para compor o grande sucesso de sua carreira, Dalton se inspirou em sua vida pessoal e se comoveu com a história de Ferraço. Filho de pais separados, o ator usou suas expectativas da época em que era criança para interpretar suas últimas cenas na novela.

— Me dei conta de que eu, como Ferraço, achava que fazia o que meu pai poderia ter feito com minha mãe.

Dalton duvidava que Ferraço fosse cair nas graças do público devido à trajetória na novela e diz que foi um desafio trabalhar a redenção do personagem. Ficou muito surpreso com a ousadia do autor Aguinaldo Silva de transformar o vilão em galã com final feliz ao lado da mocinha e diz que não sabe se perdoaria Ferraço caso fosse Maria Paula (Marjorie Estiano).

Sobre seu par romântico, o ator considera que viveu com Marjorie Estiano a cena mais bonita de sua carreira.

— A transa no hospital, para mim, foi a cena mais linda que já fiz na minha vida. Tinha entrega, naquele momento eu amava a Maria Paula. E você usa o que tem dentro de você para compor a cena, quem já se apaixonou, já amou alguém, sabe como é.

O ator comenta que beijava de verdade, com paixão e até tesão, mas diz que não faz isso em todas as novelas. Depende do personagem. Na trama O Profeta, Dalton fazia um vilão austero, que não sabia o que era amor. Até por ser uma novela de época, o ator dava um beijo mais contido. Ferraço, porém, era mais sensual.

— O nome Ferraço tem uma coisa de escorpião no ar. Eu o achava um cara sedutor porque ele tem pegada e sabe tratar uma mulher. Ele foi educado por uma prostituta que ensinou tudo para ele, e até a relação entre Ferraço e Bárbara tinha uma paixão no passado.

Sobre a reação do público, o ator conta que se sentiu muito exposto e enfrentou situações até engraçadas, como uma vez que foi pegar um táxi e percebeu que o motorista ficou nervoso por achar que estava com o Ferraço no carro.

— Acho que ele estava com medo de tomar um esculacho — brinca o ator.

Carioca de 43 anos e formado em publicidade, Dalton começou a carreira na televisão aos 31 anos. Apesar da estréia tardia, teve vontade de ser ator desde criança e sempre foi fascinado por cinema. Chegava a se colocar no lugar dos personagens e repetia, sozinho, as falas. Mesmo gostando da arte, diz que não enxergava isso como uma profissão e achava na época que precisava ter uma carreira séria. A morte de seu padrasto foi um dos fatores que fez o ator decidir arriscar no teatro e na TV. Dalton conta que enfrentou várias dificuldades, como a própria beleza, que nem sempre ajuda.

— Não são todos os papéis que poderei fazer. Não tenho cara nem tipo físico de brasileiro. Não tenho nem nome de brasileiro. Tem um personagem, o João Grilo, de O Auto da Compadecida, que é maravilhoso, mas sei que nunca poderei fazê-lo. Tenho que me conformar com isso — explica.

Pelo menos na vida pessoal a beleza conta pontos – e muitos! O ator, que já teve várias namoradas, agora está solteiríssimo e diz que se sente bem sozinho. Ele nega o romance com a atriz Alinne Moraes e atribui as fofocas às cenas de intimidade. 

Dalton nunca foi casado, mas já morou com ex-namoradas e considera-se um amigo fiel, também um pouco saudosista. É do signo de câncer, adora rock and roll e torce para o Fluminense. Apesar de não ter filhos, ainda gostaria de ser pai. O ator não encontrou a mulher ideal, mas, com a beleza e o sucesso, candidatas não devem faltar.

Assista ao começo da entrevista:

 

Quem perdeu a entrevista pode conferir a íntegra na internet ou ainda ver a reprise na GNT, confira os horários (sujeitos à programação):

Quarta – dia 25, às 10h
Sábado – dia 28, às 10h30 e 15h
Terça – dia 08, às 22h30min

Postado por Juliana Herling

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Beijo gay não pode

01 de junho de 2008 2

Não foi desta vez/TV GLOBO / Márcio de Souza

Aguinaldo Silva tinha tudo para entrar para a história da teledramaturgia brasileira com a exibição do primeiro beijo gay em uma novela, mas resolveu evitar a polêmica e não mostrou nem um selinho no casamento entre os personagens Bernardinho (Thiago Mendonça) e Carlão (Lugui Palhares) no último capítulo de Duas Caras.

A pressão pode ter vindo da própria TV Globo, que, para justificar o veto, apóia-se em um documento interno chamado “Princípios de Qualidade da TV Globo”, que não contempla “carícias e beijos entre homossexuais”, segundo a Folha.

A emissora não mudou de idéia nem com manifestação popular. Na última quinta-feira, 29 de maio, teve até uma Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT divulgando apoio oficial ao novelista da Globo em sua idéia de exibir o beijo gay.

A ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) também enviou uma carta aberta à direção da TV Globo pedindo a cena. Não adiantou.

A proposta já tinha surgido no ano passado. Na época, o autor Aguinaldo Silva desconversou e declarou que o beijo gay continuava sendo um tabu e, portanto, muito distante de ser exibido em uma cena na TV. “Pode até ficar sem roupa na cama, mas beijo não pode”, disse ele ao site O Fuxico.

Esta posição não é do autor, mas da emissora. Divulgamos aqui no blog uma declaração de Aguinaldo Silva dizendo que “Os contrários ao beijo gay são hipócritas“.

Não é de hoje a polêmica na Globo. Na novela América, de 2005, Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro chegaram a gravar o beijo, mas a cena não foi ao ar no final da trama. Em 1990, na minissérie Boca Do Lixo, os personagens de Alexandre Frota e Reginaldo Faria apareceram juntos e nús em uma cama, mas sem troca de carícias. Poderíamos citar inúmeras cenas que mostram o homossexualismo nas tramas da TV Globo.

Além disso, o beijo na minissérie Queridos Amigos, de 2008, entre Benny (Guilherme Weber) em Pedro Novais (Bruno Garcia) não causou nenhuma revolução. Foi comentado como qualquer outra cena polêmica.

Se pensarmos em todos os programas, em 2007 Jô Soares exibiu cenas de garotos e garotas gays se beijando durante entrevista com a apresentadora Daniella Cicarelli sobre a atração Beija Sapo, da MTV Brasil. Isto não foi tão questionado na época. 

Personagens gays existem há tempos nas novelas brasileiras. Se eles estão lá, porque não podem se beijar? Não seria tolice achar que os mais conservadores já não se incomodam com a simples existência do casal na novela?

Mostrar um casal, seu cotidiano e até carícias entre eles já é, em si, bastante polêmico. Não divulgar o beijo é como tapar o sol com a peneira e fingir que nada está sendo discutido.

Sem falar do personagem Jojô (Wilson de Santos) em Duas Caras. Ué, ter um o dono de bar afetado que escondia ser heterossexual pode, mas ter beijo gay não pode? Que lógica é essa?

Além disso, será que os “Princípios de Qualidade da TV Globo” incorporam cenas de sexo explícito, vulgaridade e violência, mostradas intensamente na trama?

É uma pena, se pensarmos que a TV Globo encabeçou várias polêmicas sociais. Uma das mais lembradas é o caso da novela Escalada, de 1975, que fez estourar a polêmica do divórcio, o qual virou lei no ano seguinte.

O que provavelmente vai acontecer é que a concorrência vai apostar na polêmica para conquistar o público gay. Não seria de admirar que a Record, por exemplo, exibisse o primeiro beijo homossexual. Se não ficar atenta às mudanças, a TV Globo pode ter surpresas desagradáveis, como já tem sentido na audiência.

Postado por Juliana Herling

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Felizes, mas só após a vingança

01 de junho de 2008 12

Enfim, juntos/TV Globo, Divulgação

Depois de passar a novela toda jurando que ia se vingar de seu maior rival (e maior amor), Maria Paula (Marjorie Estiano) manteve a promessa e castigou Marconi Ferraço (Dalton Vigh) no final da Novela Duas Caras.

Foram duas humilhações. Na primeira, a mocinha obrigou seu malfeitor a amargar dois anos na cadeia. Ele, por orgulho, pediu para não receber visitas, e teve um bom tempo para se arrepender de tudo o que fez. Já deve ter sofrido um bocado.

Mas isso não foi suficiente para Maria Paula. Ela queria que Ferraço sentisse o que é confiar e ser abandonado. Para isso, transou com ele no hospital e disse que o amava. Depois prometeu que iria esperá-lo após os dois anos na prisão. Em seguida, roubou todos os pertences do marido e foi para o Caribe com o filho Renato (Gabriel Sequeira).

Para quem tinha uma pinta de songamonga, até que ela foi bastante cruel. É certo que o Ferraço merecia uma lição, mas será que valia mesmo a pena ter ido até o fim com a vingança?

Não bastou para Maria Paula que ele reconhecesse os erros. Ela queria que Ferraço sofresse. Pode apostar que ele sofreu mesmo. Deu dó vê-lo sair da prisão e constatar que ninguém o estava esperando.

Depois, foi humilhado pelo ex-advogado Barreto (Stênio Garcia), que contou o golpe que Maria Paula havia dado e jogou-lhe na cara que não iria ajudá-lo porque Ferraço não tinha condições de pagar os honorários. Barreto sugeriu ainda que Ferraço procurasse um abrigo de indigentes e pediu que se retirasse, pois estava de saída.

Nada restou para o vilão regenerado senão ir à praia chorar e pensar:

− Maria Paula… Eu te amava de verdade. Pela primeira vez na vida eu estava sendo sincero… E você me enganou.

De repente, o celular toca. É um número não identificado, mas ele atende e descobre que é a amada. Ela debocha, diz que ligou para saber como ele estava se sentindo após ter sido roubado. Ele apenas diz que não merecia isso, que confiou nela e foi sincero.

− Então agora você realmente sabe qual é a sensação de ser enganado. Foi assim que me senti quando você me deixou, Adalberto − diz Maria Paula, com o gostinho da vingança.

− Eu fui um vigarista, sim, um safado. Mas mudei por sua causa e você me apunhalou. Eu nunca poderia imaginar…

− Na agência de turismo no prédio da sua antiga firma tem uma passagem aérea em seu nome. Vai lá e pega o primeiro avião. Eu e seu filho estamos esperando por você! − corta Maria Paula.

E o final é digno dos filmes românticos, um pôr-do-sol maravilhoso, pai e filho vendo-se ao longe e correndo para se encontrar na praia, ao som de um piano. Eles se abraçam, se beijam, olham um para o outro, depois de tanta saudade e de tanto tempo afastados.

Então surge a triunfal Maria Paula. Linda. Nem de longe parece aquela menina do começo da novela. Está mais mulher, mais madura. Enfim, satisfeita. Ela tira os óculos de sol e encara o marido. Ele não consegue desgrudar os olhos dela, fica meio hipnotizado e caminha em sua direção. Só consegue perguntar:

− E quanto a nós?

− Agora estamos quites − ela responde.

Ele nada diz, apenas sorri e faz uma cara de “precisava tudo isso?”. Ela não agüenta e fala, com os olhos úmidos:

− Pára de perder tempo e me beija logo… Estúpido.

E eles se beijam apaixonados, com Renato observando ao fundo ao som de Same Mistake, de James Blunt, o tema do casal. Veja como foi:

 

 

Os dois tiveram um final feliz, é verdade, mas creio que isso só foi possível porque ele realmente apaixonou-se por ela. Se tivesse um pouquinho só de orgulho, ele não iria aceitar o que ela fez.

Afinal, ele a enganou no começo da trama e deixou a mocinha com uma mão na frente e outra atrás. Mas ela não fez por menos. Em todas as ocasiões que pode, judiou dele. Desmascarou Ferraço na frente de todos. Usou o filho para magoá-lo. Arrumou um namorado oxigenado para abater a carência e também para esfregá-lo na cara do ex. Impôs um contrato de casamento absurdo.

Ok, ela tinha motivos para estar muito magoada, mas até mesmo quando ele tomou um tiro para salvar a vida dela, Maria Paula não demonstrou nenhum afeto, e só horas mais tarde, no hospital, mostrou que gostava dele.

Talvez ela tenha sido malvada demais, porém, provavelmente pessoas como o Ferraço só mudariam mediante um troco desta natureza. A postura forte de Maria Paula pode ter sido o motivo que despertou a paixão de Ferraço. E aí a vingança passa ser o elemento de admiração dele por ela.

No começo, Maria Paula era impulsiva e até descontrolada, mas depois ganhou um ar maquiavélico que eu não me lembro de ter visto em nenhuma protagonista boazinha de novela. Isso foi o mais interessante no final de Duas Caras, essa reviravolta do personagem, mostrando que até as mocinhas podem ser um pouco maldosas.

Postado por Juliana Herling

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Duas Caras termina com final feliz para Ferraço

31 de maio de 2008 8

Cena do hospital é prenúncio de final feliz/Divulgação

O último capítulo de Duas Caras – a novela das oito que começa às nove na Globo – não apresentou grandes surpresas dentro do que se previa nas últimas semanas, tanto nas revistas especializadas, como também nos sites e blogs – incluindo o do próprio autor, Aguinaldo Silva.
A primeira cena desta noite de sábado resgatou o dia anterior, com a perseguição policial para a captura de Silvia (Alinne Moraes). E então o capítulo passou a ser constantemente recortado por trocas de seqüências explorando os finais das tramas paralelas de diversos personagens importantes – além de muitos e longos intervalos comerciais. Confira abaixo o fim escolhido por Aguinaldo Silva (e desde já eu pergunto – o que vocês acharam? deixem seus comentários…):

Ferraço feliz: Liberto da cadeia, Marconi Ferraço (Dalton Vigh) recebe mesmo o trote de Maria Paula (Marjorie Estiano), que diz ter fugido com toda sua fortuna para o advogado Barreto. Mas depois da decpeção, ele recebe o telefonema da amada, pega uma passagem de avião e a encontra no Cariba, onde se beijam apaixonadamente na última cena. Ricos, casados, e com Renato (Gabriel Sequeira) a tira colo.

O diretor-sufocador: A surpresa da noite foi a aparição de Geraldo Peixeiro (Wolf Maya) como o Sufocador. O diretor da novela estava entre os cotados para ser o “cadeirudo de Duas Caras”, mas não liderava as bolsas de apostas. Ele retira a máscara para as câmeras após atacar a beata Edivânia (Susana Ribeiro) na mata da Portelinha. Ele consegue escapar livre.

Não teve beijo gay: Bernardinho (Thiago Mendonça) e Carlão (Lugui Palhares) se casam. Mas não se beijam. Aguinaldo Silva evita a polêmica. Os dois apenas se deram as mãos no altar, nada mais. Nem um selinho.

Fuga bem sucedida: A maluca Silvia é deixada por João Batista (Júlio Rocha) durante a fuga e desiste de matar Renato depois de ser enfrentada em uma discussão pelo menino. Ela abandona o carro com o qual seqüestrou Renato e fuge pela mata, deixando o filho de Maria Paula para trás. Em seguida, Silvia é atropelada por uma caminhonete, e recebe ajuda do motorista – com quem foge para Paris, levando JB a tira colo. Ela encerra a participação sorridente e envia uma carta para a mãe, relatando seu sucesso.

Alegria no BacalhauBernardinho, Dália (Leona Cavali) e Heraldo (Alexandre Slaviero) recebem um telefonema do advogado Barreto (Stênio Garcia) avisando que a Justiça autoriza o registro da menina Ana Rosa Maria com dois pais e uma mãe. O trio delira.

Fim do racismo: Barreto vai buscar o filho, a nora e o neto no Aeroporto, quando sofre um ataque racista do motorista do táxi. Ele revida, mas é espancado pelos taxistas do ponto. Barreto dá um fim ao racismo surgindo todo enfaixado para uma foto com a família inteira – a nora e o genro negros, mais a foto da avó, antes retirada do álbum da família.

Alzira vai para Ibiza: Alzira (Flávia Alessandra) se despede de Juvenal Antena (Antônio Fagundes) com um beijo apaixonado, dizendo que vai dançar em um famoso night club de Ibiza.

Juvenal fica na mão: O final do chefão da favela da Portelinha, o Justamente Bazuca, ou Juvenal Antena, foi bastante simplório. Depois de levar um pé de Alzira, Guigui (Marília Gabriela) pergunta se ele não vai se casar. E ele responde que “vai se casar com o povo dele”. Pronto. Ficou sozinho.

No Senado: Gioconda (Marília Pêra) mal aparece, mas Barreto passa aos telespectadores a informação. Ela se elegeu senadora, e está em Brasília.

Amara volta: Depois de bastante tempo afastada devido a problemas de saúde da atriz, Amara (Mara Manzan) retorna. A vidende Amora (Fafy Siqueira) – sua irmã – aponta o paradeiro dela a Bernardo (Nuno Leal Maia), que procura Amara e pede perdão de joelhos. O casal se abraça e sela a reconciliação com um caloroso beijo.
- Biju assume o lugar no centro de religião africana de Mãe Bina

Mais acontecimentos: Houve casamento coletivo, a eleição de Evilásio, a confirmação do Oscar para o filme Batalha da Portelinha, a ida de Petrus para um Intercâmbio na Suíça, e a reabertura do centro de religião africana da Portelinha, nas mãos de Biju.

*Post atualizado às 22h30min de 31 de maio de 2008.

Postado por Eduardo Cecconi

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Duas caras de uma novela

31 de maio de 2008 4

Divulgação, João Miguel Júnior / TV Globo

Prestes a se despedir do horário nobre, Duas Caras termina hoje com um saldo positivo, depois de conseguir contornar a crise do início – o folhetim estreou com a pior audiência de uma novela das oito da década, recuperando-se a partir do reencontro dos protagonistas Maria Paula (Marjorie Estiano) e Ferraço (Dalton Vigh).

A mudança na personalidade de Ferraço, aliás, de vilão inescrupuloso a um cara finalmente humanizado pelo amor ao filho (e à mocinha também, claro), foi o que movimentou a história, criou interesse e aumentou a audiência de Duas Caras. Especialista em teledramaturgia, Eurico Neiva aponta os relacionamentos inter-raciais do folhetim como outro ponto positivo:

Acho que nunca vimos tantos negros inseridos na história. Essa realidade sempre foi um pouco sonegada pelas novelas, mas teve papel marcante na trama de Silva.

Outro fator importante apontado por especialistas foi o fato de a novela, no decorrer dos meses, ter apostado em diferentes protagonistas para a história. Isso fez com que Maria Paula, considerada “chatinha“ pelo público no início, saísse um pouco de foco.

Mas nem só de acertos viveu Duas Caras. A caricatura dos evangélicos do núcleo religioso da favela da Portelinha e o triângulo amoroso formado por Célia Mara (Renata Sorrah), Branca (Susana Vieira) e Macieira (José Wilker) foram alguns dos pontos baixos.

A personagem da Renata foi a que mais decepcionou. Mais uma vez, a atriz acabou dando vida a uma maluca que nada acrescentou à história – afirma o crítico Marcos Petrucelli.

FOI BEM
* A mudança da personalidade de Ferraço (Dalton Vigh)
* Alinne Moraes, como a vilã psicopata Sílvia
* Os relacionamentos inter-raciais, tratados com bom humor e sem cair no clichê
* Jojô (Wilson de Santos), o dono de bar afetado que escondia ser heterossexual
* A onipresente Lenir (Guida Viana) e a afetada, porém socialmente consciente Gioconda (Marília Pêra)
* Antonio Fagundes chegou ao limite do caricato com seu Juvenal Antena, mas imortalizou seus bordões “justamente“ e “epa, epa, epa!“

FOI MAL
* Marjorie Estiano, a mocinha chata que só cativou o público (ou parte dele) no fim da trama
* Renata Sorrah em mais um papel de desequilibrada, quando a história de Célia Mara prometia muito mais
* As várias histórias paralelas que foram do nada para lugar nenhum, como as de Zé da Feira (Eri Johnson)
* O romance para lá de forçado entre Juvenal e Alzira (Flávia Alessandra), sem química alguma
* Lucimar (Cristina Galvão), que passou a novela inteira zanzando com sua bicicleta-camelô pela Portelinha e ninguém entendeu que personagem era aquela

Postado por Segundo Caderno / ZH

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O rei do povo

30 de maio de 2008 3

Divulgação, Marcio de Souza / TV Globo

O objetivo é o mesmo de seus antecessores – concentrar tanto poder quanto for possível –, mas a forma com que o Juvenal Antena de Antonio Fagundes se movimenta politicamente em Duas Caras é algo novo na história da teledramaturgia.

A novela, que chega ao final amanhã na RBS TV, começou e termina em meio a várias polêmicas, algumas pertinentes – atuação do movimento estudantil, vida a três, beijo gay – e outras tantas vazias – a cabeleira platinada de Susana Vieira, o poste da Alzira. Mas chega ao fim mantendo propositalmente intacta a imagem ambígua do líder comunitário que é rei na favela da Portelinha. Líder comunitário, e não chefe do tráfico; pai dos pobres, e não um legislador nascido das oligarquias, Juvenal é um político moderno. Sobre esse personagem, um dos mais complexos da história das novelas, o ator Antonio Fagundes concedeu entrevista.

A gente pode dizer que o Juvenal Antena é uma evolução do político?
Fagundes - Sim. É uma evolução, já que o político tradicional age ilegalmente de uma forma irresponsável, ou seja, ele rouba. Então, o surgimento de alguém que rouba mas faz, infelizmente, para nós é uma evolução. O Juvenal tem essa vantagem e a vantagem de entender o meio onde ele atua. Ele não está em Brasília, passa no meio do lixo, no meio do esgoto a céu aberto.

Ele pratica uma maneira moderna de política, mas ao mesmo tempo tão feudal.
Fagundes - Essa é uma tradição brasileira, paternalista, que a gente herdou da colonização portuguesa e que veio evoluindo de uma certa forma de séculos pra cá. Mas a gente pulou algumas etapas. Ficamos 21 anos sem exercer a relação democrática de eleição. A gente não entende muito bem disso ainda, que o poder precisa ser alternado. Então, um personagem que fala autoritariamente está falando a nossa linguagem, porque não entendemos ainda o que é democracia.

Pessoalmente, você vê o Juvenal como um vilão ou um herói?
Fagundes -
Eu acho que ele não tem essas duas caras. É um dos personagens mais complexos que eu já vi em teledramaturgia. O Aguinaldo (Silva) montou um personagem absolutamente real, crível, excelente pai de família, sensível. E autoritário, ditador, violento, irascível. É um ser humano complexo e eu diria completo. Tudo era possível dentro daquele “cadinho” ali chamado Juvenal Antena.

A sinceridade o redime, então?
Fagundes -
É. E ao lado da violência, ele tinha um excelente humor, era muito gentil. Foi a primeira vez que eu vi um personagem, digamos, político exercer a sua política. O Aguinaldo fez uma sala onde ele exercia política, atendia à população da favela e respondia às suas necessidades. Mesmo que as respostas dele fossem autoritárias, ele estava lá. Isso faz do Juvenal um personagem brilhante.

Os bordões dele faziam parte do texto ou você criou?
Fagundes -
O “justamente“ é meu, homenagem a um amigo que fala assim. O Aguinaldo coloca às vezes um “epa“ no início das falas dos personagens. Eu só exagerei, transformei o “epa“ dele em três ou quatro. O “muita calma nessa hora“ é do Aguinaldo. Digamos que foi meio a meio.

O Juvenal costuma dizer que nada acontece na Portelinha sem que Juvenal Antena permita. Acha que ele permitiria o beijo gay?
Fagundes -
Se for seguir a coerência, ele não só vai permitir como vai querer que tenha! Ele se portou ao longo da história toda bastante aberto em relação a isso. Ele sabe que essa coisa de mostra ou não mostra é um detalhe.

Postado por Jornal de Santa Catarina

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Final feliz para Sílvia

29 de maio de 2008 4

Reprodução, Globo

Sílvia (Alinne Moraes), a vilã gritona de Duas Caras, terá um final feliz e glamouroso no final da trama. No último capítulo da novela, a morena aparecerá livre, leve e solta em Paris, curtindo a vida nos braços de um novo amor.


Nos momentos finais da história,
Sílvia novamente tenta matar o menino Renato (Gabriel Serqueira), após fugir da clínica onde está internada. Depois de uma intensa perseguição policial, o menino escapa sem um arranhão, mas a malvada consegue fugir e nunca mais dá notícias.

Algum tempo depois, a vilã escreve uma carta para a mãe, Branca (Suzana Vieira), contando que está muito bem, obrigada, e que nunca mais quer ser encontrada. Sílvia escreve diretamente de Paris, onde conseguiu fisgar um bonitão rico. E mais, adivinhem quem é o motorista da madame? Ninguém menos do que João Batista (Júlio Rocha), que continua sendo amante da patroa.

Esse final é bem a cara de Aguinaldo Silva, que desde o início prometeu uma trama fora dos padrões. Não que seja novidade um vilão escapar sem punição no final. Recentemente, em Belíssima, a cruel Bia Falcão (Fernanda Montenegro) teve um belo final ao lado do garotão Mateus (Cauã Reymond). Onde? Em Paris, é claro. Parece que a Cidade-Luz é o destino perfeito para os grandes malvadões da teledramaturgia.

Postado por Michele Vaz Pradella

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Os contrários ao beijo gay são hipócritas

29 de maio de 2008 10

Aguinaldo afirma que cena de beijo gay foi gravada/Divulgação, globo.com

A frase acima é do autor Aguinaldo Silva que soltou o verbo em seu blog sobre os que são contrários ao beijo entre pessoas de mesmo no sexo na TV. O novelista ainda lembrou que leu jornal há duas semanas sobre o caso de uma mulher que foi assassinada e teve o corpo incinerado, no Rio de Janeiro

” Li a notícia, fiquei horrorizado, e no dia seguinte tratei de procurar no jornal mas não se falou mais no caso.” O autor prossegue com indignação:

“Então eu vos pergunto: Um povo capaz de passar por uma cena dessas – um tronco de mulher sendo incinerado em praça pública – e depois esquecê-la no dia seguinte, pode ter o desplante, a desfaçatez, de afirmar que ficará chocado caso veja dois homens se beijando?”

O autor de Duas Caras ainda  disse que o  Brasil é “dos países mais estressados em relação a este assunto. Basta ver como resultaram inúteis todas as tentativas de satanizar Ronaldo Fenômeno”, e ainda completou afirmando que “A corrupção, a ladroeira, a hipocrisia, a sacanagem, as mentiras de perna curta, tudo isso pode ser suportado pelos brasileiros sem que eles se sintam mal. Mas um beijo entre dois homens? Ai, minha Nossa Senhora, isso não pode!”.

No capítulo de ontem da novela das sete Beleza Pura,  quase foi ao ar um pseudo beijo gay.  O personagem  de Humberto Martins, Renato, beijaria Mateus, interpretado por Mônica Martelli. No instante em que o beijo aconteceria (a cena  foi gravada com os dois personagens em uma boate) as luzes que piscavam, se apagaram.

Aguinaldo garante em seu blog que a cena do beijo entre os personagens Bernardinho (Thiago Mendonça) e Carlão (Lugui Palhares) foi gravada. “ O beijo foi gravado, sim. Mas se ele vai ser mostrado, aí é outro departamento”, falou.

>>>>Leia também:

Beijo gay de Duas Caras não será gravado

Globo autoriza gravação de beijo gay

Postado por Equipe Noveleiros

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Os furos de Duas Caras

29 de maio de 2008 13

Toda novela deixa furos. É normal, afinal, o autor e os co-autores precisam lidar com centenas de personagens, encaminhar destinos, cruzar fatos. Não há na história da teledramaturgia uma trama sequer que não tenha derrapado em algum capítulo. Mas o problema se agrava quando as novelas assumem a responsabilidade de, mesmo sendo ficção, aproximar-se da realidade.

Duas Caras - a novela das oito que começa às nove na Globo – é uma novela real. Por mais cadeirudos e sufocadores, a trama apresenta personagens comuns a qualquer cidadão brasileiro. Acentuadas as características boas ou más, mas ainda assim pessoas normais. E aí é necessário tomar ainda mais cuidado para, em uma narrativa real, a ficção não atravessar o enredo.

Separei aqui alguns furos de Duas Caras. Concordam? Alguém lembra de outros?

- Cirurgia ou barbearia: Adalberto Rangel se submete a uma cirurgia plástica drástica. Sai da sala de operação com o rosto recoberto de bandagens e ataduras. A revelação do novo rosto do agora Marconi Ferraço foi dramática, misteriosa. E, pasmem: retiradas as faixas, o personagem tinha apenas perdido o bigode e cortado o cabelo. Não seria melhor Dalton Vigh ter vivido um Adalberto com recursos de maquiagem, “voltando ao normal” com mais diferenças além de uma aparada na barbearia?

- Juvenal Anterminator: Ele manda em uma favela carioca, mas não trafica, nem é bicheiro. Juvenal Justamente Antena é um homem do bem. Vive apenas da administração imobiliária da Portelinha, que lhe pertence. Aí eu pergunto: de onde saiu aquele mostruário bélico escondido sob um alçapão nos capítulos da “Batalha da Portelinha”? Mais: em meio ao Arsenal, Justamente saca uma bazuca. Bazuca? Ele não é criminoso, a Portelinha não é comandada por uma quadrilha, e Justamente tem um armamento de dar inveja ao Stalone e ao Schwarzeneger juntos. Menos, Justamente.

- Nem na creche: conheço poucas creches com menos de 5 professores. Mas na Universidade Pessoa de Moraes (UPM), da intragável dupla Suzana Vieira-Renata Sorrah, existem apenas 4 professores. Os três opositores, liderados pelo Paulo Goulart; e o boa-gente que sempre tenta abafar os motins. São estes únicos 4 professores que dão aulas em todos os cursos, participam de todas as reuniões de cúpula da UPM, envolvem-se em todas as rebeliões estudantis, escutam todas as fofocas atrás das portas, e tomam café na sala dos professores. Bem, em uma universidade com apenas 20 alunos, acho que 4 professores bastam.

Postado por Eduardo Cecconi

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Onze casamentos na Portelinha!

29 de maio de 2008 0

Divulgação, TV Globo

Não é brincadeira! No último capítulo, 11 casamentos acontecerão simultaneamente na novela Duas Caras. A Portelinha mais animada do Brasil estará em festa, toda enfeitada e orgulhosa dos belos casais. Incrível que praticamente todo o elenco da trama estará no casamento. Com algumas exceções, é claro, como Maria Paula, Silvia, Ferraço… O local escolhido será a quadra da escola de samba Unidos da Portelinha.

O chefe da favela, Juvenal Antena, será o mais nervoso, o mais entusiasmado e o que mais vai casar alguém importante para si. Sim, porque sua filha, seu afilhado, seu compadre, seus amigos… Ufa! É um mundaréu de gente, o que só traz alegria a ele.

E como todo bom casamento, tem festa regada a muita felicidade, comida e samba. No final, o tão esperado buquê será jogado pelas noivas. Débora (Juliana Knust), que está grávida de Antônio (Otávio Augusto), será a primeira. Em seguida, as outras dez. Bom, não restaram muitas mulheres no evento, mas o bom é que as que sobraram poderão escolher qual o melhor buquê para pegar!

Enfim, essa foi a ordem dos belos casais que atravessaram o tapete vermelho:

- Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella) = Casal que quebrou o preconceito e virou melação;

- Gislaine (Juliana Alves) e Zidane (Guilherme Duarte) = Casal tudo de bom e divertido; perfeitos!

- Solange (Sheron Menezes) e Claudius (Caco Ciocler) = Casal seriedade, feitos para casar mesmo!

- Misael (Ivan de Almeida) e Claudine (Thaís de Campos) = Casal do amor sem fronteiras e que provou que não há tempo certo para amar novamente…

- Apolo (Antônio Firmino) e Condessa (Adriana Alves) = Casal que encaixou bem no final, porque se não, ficariam sozinhos.

- Antônio (Otávio Augusto) e Débora (Juliana Knust) = Casal moderno, provou que a diferença de idade não importa enquanto se tem o amor verdadeiro da outra pessoa!

- Duda (Guilherme Gorski) e Clarissa (Bárbara Borges) = Casal jovem, com o qual a juventude está acostumada.

- Benoliel (Armando Babaioff) e Fernanda (Julia Almeida) = Casal mudança. Ele era um vagabundo, ela uma menina bem de vida. O “golpe” virou amor e ela mudou o “eu interior” dele.

- Dagmar (Alexandre Liuzzi) e Vesga (Laura Proença) = Casal louco; um mecânico tatuado com uma vesga dançarina.

- Feliz (Humberto Guerra) e Socorro (Marilice Cosenza) = Casal soltura; ele um dos anões, ela uma das dançarinas do Texas Bar. Apaixonaram-se em função do cárcere…

- Marcha Lenta (Adriano Dória) e Priscila (Luciana Barbosa) = Casal sem graça, que está unido porque ele não poderia terminar sozinho na novela.

Ah! Não posso deixar de dizer aquela frase bem manjada: “O amor é lindo…”

Postado por Marjoriê Silva

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