
Com uma trama descontraída e bem-humorada, mas sem deixar de lado as cenas pesadas da vingança de Nina (Débora Falabella), Avenida Brasil conquistou o país. A audiência atingiu picos e destacou o trabalho da diretora, Amora Mautner. O autor da trama, João Emanuel Carneiro, faz uma análise da novela, que chega ao fim na próxima sexta-feira. Ele revela se o personagem de Roni (Daniel Rocha) é gay, analisa o trabalho de Débora Falabella e observa que Carminha (Adriana Esteves) é a alma da novela.
Confira a entrevista de João Emanuel ao jornal O Globo:
Você escreveu a novela que queria?
Tive uma antena boa de sacar o momento do Brasil. A ascensão da nova classe média que está dando uma cara diferente ao país. A novela é sobre a classe C, mas não só para a classe C. São coisas diferentes.
Acredita que a sua novela renovou o gênero?
Não posso dizer que renovei senão vou me "achar" muito. Não tinha essa ambição. Só pensei em fazer um trabalho do meu jeito.
Você se preocupou em aliviar a trama central, que trata de uma vingança?
Consegui lidar com material muito pesado, dramático. Mesmo assim tirei um lado de humor, de crônica, que deu um colorido mais humorado ao folhetim. A história é pesada, uma tragédia, mas mesmo assim até a Carminha e o Tufão tiveram um humor. O elenco entendeu o texto. Se não, poderia ter caído num dramalhão mexicano.

Algumas pessoas falam "vou ver a Carminha" em vez de dizer "Avenida Brasil". Essa é a novela da Carminha?
Vou sistematizar a Adriana Esteves e fazer um altar na minha casa para ela (risos). Ela foi a alma dessa novela, é um animal da atuação. As caras que ela faz... É muito carismática e humanizou essa vilã. E nem era a minha primeira escolha para o papel. Mas, depois, fui eu quem a escolhi. Graças a Deus.
A novela tem muitos personagens ambíguos. Suelen é uma que ganhou a simpatia do público apesar de não ter escrúpulos... Ela é a vagabunda mais querida do Brasil. É mesmo um paradoxo o caso da Suelen. Ela é ambivalente, sem escrúpulos, a messalina errática. Por isso, a fiz se envolver com o gay, para ela ganhar definitivamente a simpatia do público.

Por que não deixou claro que o Roni era gay?
Não sei se ele sabe que é. Roni parece mais um enrustido. Mas no final você vai ver!
Roni poderá ficar com a Suelen e o Leandro? Mas o Leandro teria que se descobrir bissexual, não é?
Tem essa possibilidade de os três terminarem juntos no final. Mas ficará uma coisa subentendida.
Como avalia o trabalho da Débora Falabella?
Eu não posso imaginar outra atriz neste papel, que é muito difícil. Nina tinha que ser uma pessoa com o Max, outra com o Jorginho. Tinha que ser vingativa e passar seu conflito.
Afinal, por que a Nina não armazenou as fotos do flagra do Max e da Carminha em um pen drive?
Eu sou um analfabeto virtual. Tenho que mudar. Não sei comprar nada, nem pagar conta, nem baixar música pela internet. Achava que era uma pessoa normal, mas não sou (risos). Eu sou uma ave rara realmente. Na minha próxima novela vou ter um hacker como personagem. Mas, apesar de tudo, “Avenida Brasil” é uma ficção, e a ficção te compra de tal maneira que você embarca.
O que podemos esperar nesta última semana?
O último capítulo terá 70 minutos de duração a pedido da emissora. Teremos o "quem matou?" do Max e muita coisa ainda vai acontecer.
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