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Governo Netanyahu responde ao inquérito de Genebra

23 de julho de 2014 0

Em sua página no Facebook, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, postou o seguinte texto sobre a decisão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (CDHNU) de investigar a invasão de Gaza:

“A decisão de hoje pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDHNU) é uma farsa e deveria ser rejeitada pelas pessoas decentes em qualquer lugar. Em vez de investigar o Hamas, que está cometendo um duplo crime de guerra ao lançar foguetes contra civis israelenses enquanto se esconde atrás de civis palestinos, o CDHNU chama uma investigação de Israel, que tomou medidas sem precedentes para manter civis palestinos a salvo, incluindo o lançamento de panfletos, a realização de ligações telefônicas e o envio de mensagens de texto.

O CDHNU deveria estar promovendo uma investigação da decisão do Hamas de transformar hospitais em centros militares de comando, usar escolas como depósitos de armas e posicionar baterias de mísseis perto de playgrounds, casas residenciais e mesquitas.

Ao deixar de condenar o sistemático uso de escudos humanos pelo Hamas e culpar Israel pelas mortes que são causadas por essa grotesca política de escudos humanos, o CDHNU está enviando uma mensagem ao Hamas e às organizações terroristas em todos os lugares de que usar civis como escudos humanos é uma estratégia efetiva.

Como a investigação que levou ao infame relatório Goldstone, um relatório que foi afinal repudiado por seu próprio autor, esta investigação por um tribunal canguru é uma conclusão a priori.

O resultado previsível será a difamação de Israel e um ainda maior uso de escudos humanos no futuro pelo Hamas.

Aqueles que pagarão o preço não serão apenas os israelenses, mas também os palestinos a quem o Hamas redobrará seus esforços para usar como escudos humanos no futuro.”

Bibi: decisão do CDHNU "deveria ser rejeitada pelas pessoas decentes em qualquer lugar" (foto Gali Tibbon, AFP)

Bibi: decisão do CDHNU “deveria ser rejeitada pelas pessoas decentes em qualquer lugar” (foto Gali Tibbon, AFP)

 

Brasil vota a favor de inquérito sobre invasão de Gaza

23 de julho de 2014 0

O Brasil foi um dos países a votar a favor da investigação da invasão israelense da Faixa de Gaza aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, em Genebra, Suíça.

A resolução foi aprovada por 29 votos a favor (incluindo os de outros países latino-americanos, africanos, Rússia e China), um voto contrário (dos Estados Unidos) e 17 abstenções (na maioria, de países europeus).

Confira o placar:

A favor: África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Brasil, Cazaquistão, Chile, China, Congo, Costa Rica, Costa do Marfim, Cuba, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, Kuweit, Ilhas Maldivas, México, Marrocos, Namíbia, Paquistão, Peru, Quênia, Rússia, Serra Leoa, Venezuela, Vietnã

Contra: Estados Unidos

Abstenções: Alemanha, Áustria, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Coreia do Sul, Estônia, França, Gabão, Grã-Bretanha, Irlanda, Itália, Japão, Montenegro, República Checa, Romênia, Macedônia

 

Painel de votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta-feira em Genebra

Painel de votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta-feira em Genebra

Guerra de Gaza, 17º dia

23 de julho de 2014 0

Algumas das últimas notícias sobre a invasão de Gaza pelas forças israelenses:

Cruz Vermelha anuncia trégua para passagem de ajuda humanitária
Israel e o Hamas suspenderam combates nos bairros de Shejaya, no leste da Faixa de Gaza, e de Khuzaa, no sul, para evacuação de feridos e passagem de comboios humanitários.

Segundo Cécilia Goin, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, em Beit Hanun, perto da fronteira israelense.

Crianças palestinas abrigam-se em escola da ONU em Beit Hanoun (foto Marco Longari, AFP)

Crianças palestinas abrigam-se em escola da ONU em Beit Hanoun (foto Marco Longari, AFP)

Comissária da ONU denuncia “alta possibilidade” de violação do direito humanitário
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos por Israel e denunciou os ataques indiscriminados do Hamas contra zonas civis em território israelense em uma reunião extraordinária do Conselho dos Direitos Humanos, em Genebra.

— Existe uma alta possibilidade de que o direito humanitário internacional tenha sido violado, o que pode constituir crimes de guerra — declarou Pillay, citando como exemplo a destruição de casas e os civis mortos, entre eles muitas crianças, como resultado da invasão israelense de Gaza.

Trabalhador estrangeiro morre em Israel atingido por projétil lançado de Gaza
Um trabalhador estrangeiro morreu no sul de Israel pelo impacto de um projétil lançado a partir da Faixa de Gaza, indicou a polícia nesta quarta-feira.

Trata-se do terceiro civil morto em Israel desde o início da ofensiva em Gaza, no dia 8 de julho. A Agence France Presse (AFP) não informou a nacionalidade do trabalhador.

Bloomberg desafia proibição americana e voa para Israel
O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg anunciou nesta terça-feira que voará para Tel Aviv em solidariedade a Israel, depois da decisão do governo americano de proibir companhias dos EUA de operar no Aeroporto Internacional Ben Gurion, na cidade litorânea.

No Twitter, Bloomberg disse que embarcou num voo da companhia israelense El Al “como prova de solidariedade aos israelenses e para mostrar que é seguro voar para Israel”.

Segundo os EUA, a decisão de proibir voos foi tomada por motivos de segurança.

 

França impõe vigilância severa sobre manifestações pró-palestinos
Manifestações pró-palestinas previstas para esta quarta-feira em Paris, Lyon (leste), Toulouse (sul) e Lille (norte) serão submetidas a rigorosa vigilância policial pelo governo francês.

A oposição à ofensiva israelense na França deu margem para a ocorrência de distúrbios de caráter antissemita. Manifestações com slogans antissemitas também ocorreram na Alemanha.

 

 

Trens

22 de julho de 2014 0
O trem que leva restos de 280 passageiros e tripulantes do voo MH17 de Donetsk a Kharkov nesta terça-feira (foto Genya Savilov, AFP)

O trem que leva restos de 280 passageiros e tripulantes do voo MH17 de Donetsk a Kharkov nesta terça-feira (foto Genya Savilov, AFP)

 

O trem em que viajei de Donetsk a Kiev em 7 de março deste ano (foto Marina Yaremenko, arquivo pessoal)

O trem em que viajei de Donetsk a Kiev em 7 de março deste ano (foto Marina Yaremenko, arquivo pessoal)

 

Guerra de Gaza, 16º dia

22 de julho de 2014 0

Algumas das notícias mais recentes sobre a guerra Israel-Gaza:

EUA suspendem voos para Tel Aviv por 24 horas

Segundo a rede CNN, a Administração Federal de Aviação americana (FAA na sigla em inglês, órgão similar à Agência Nacional de Aviação Civil no Brasil) proibiu companhias do país de voar com destino ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, pelas próximas 24 horas. A razão apresentada pela FAA foram riscos oferecidos por foguetes disparados a partir da Faixa de Gaza.

Antes da proibição, companhias com Delta Airlines e United Airlines já haviam anunciado retorno ou cancelamento de voos. A Delta disse que um de seus Boeing 747, que fazia o voo DL468, que partiu do Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, com destino a Tel Aviv (290 pessoas a bordo), foi desviado para o Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, depois de receber informações sobre foguetes na área do Aeroporto Ben Gurion.

 

Israel sugere que soldado supostamente preso pelo Hamas está morto

Israel anunciou nesta terça-feira que o soldado que teve o sequestro reivindicado pelo grupo Hamas no domingo na Faixa de Gaza está morto. “O sargento Oron Shaul, um soldado da brigada Golani, de 21 anos e originário de Proria, é um soldado cujo processo de identificação ainda não terminou”, indicou o exército em um comunicado.

Horas antes, o exército israelense havia indicado que ainda não conseguiu identificar um dos soldados que morreram no domingo em Gaza.

 

Ataques elevam número de mortos palestinos para 593

Vinte palestinos, entre eles nove mulheres – uma delas grávida – e uma menina, morreram nesta terça-feira em bombardeios israelenses na Faixa de Gaza após duas semanas de ofensiva israelense contra o Hamas, anunciaram fontes médicas palestinas.

Com estas mortes, as vítimas palestinas da ofensiva israelense já somam 593 pessoas. Mais dois soldados israelenses foram mortos por militantes palestinos na manhã desta terça-feira, segundo o exército de Israel.

 

Ban e Bibi divergem sobre ofensiva

Em pronunciamento coletivo em Jerusalém, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o premier israelense, Binyamin Netanyahu, adotaram nesta terça-feira posições diferentes sobre a invasão de Israel ao território palestino da Faixa de Gaza.

Ban (E) e Bibi em entrevista coletiva em Jerusalém (foto Gali Tibbon, AFP)

Ban (E) e Bibi em entrevista coletiva em Jerusalém (foto Gali Tibbon, AFP)

Ban disse que “os dois lados devem parar de lutar” e devem “começar a dialogar”. Netanyahu, por sua vez, afirmou que nenhum Estado toleraria o disparo de foguetes sobre seu território e que o cessar-fogo não está na ordem do dia.

Reações

21 de julho de 2014 0
Gaza: nada se repete mais do que os discursos da "comunidade internacional"

Gaza: nada se repete mais do que os discursos da “comunidade internacional”

“A Casa Branca disse que, para acabar com a violência entre Israel e Gaza, é preciso ‘pôr um fim aos constantes ataques com foguetes do Hamas contra Israel’. O papa Bento XVI deplorou: ‘A terra natal de Jesus não pode continuar a ser testemunha de tantas matanças, que se repetem indefinidamente’. O Ministério do Exterior do Irã condenou ‘os amplos ataques do regime sionista contra civis em Gaza’. E o porta-voz de Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, apelou ‘por um fim imediato à violência’.”

Não, leitor, não houve equívoco com o nome de Sua Santidade. O texto que acaba de ser citado é a transcrição do início do Olhar Global publicado em 15 de novembro de 2012. Joseph Ratzinger ainda ocuparia por quase três meses o trono de Pedro. Passaram-se quase quatro anos, portanto, desde que o parágrafo acima veio a público. Mas ele não foi transcrito na íntegra. Faltam as duas últimas frases: “Esse foi o tom da reação internacional provocada pela ofensiva de Israel contra Gaza. Não a que se iniciou na quarta-feira, e sim a deflagrada em 27 de dezembro de 2008″.

Para alguns, o conflito palestino-israelense é “guerra sem fim”, “inimizade eterna” ou até “confronto milenar”. Nesse caso, porém, pouca coisa se mantém mais inalterada do que as advertências, apelos, resoluções e discursos da chamada “comunidade internacional”. Muitas vezes, as mesmas palavras são lidas pelas mesmas pessoas nos mesmos cargos. Olhar Global vai imitá-las e repetir o parágrafo final publicado em novembro de 2012:
“A história no Oriente Médio lembra algumas telenovelas brasileiras, que repetem de tempos em tempos as mesmas situações e personagens. Só não participam dessa pantomima as vítimas civis dos dois lados. Afinal, só se pode morrer uma vez.”

Guerra de Gaza, 15º dia

21 de julho de 2014 2

Aqui estão alguns dos últimos desdobramentos sobre a III Guerra de Gaza:

 

Israel confirma mais sete baixas

Sete soldados israelenses morreram nesta segunda-feira em confronto com militantes palestinos em Gaza, segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI). O número de mortos entre militares israelenses subiu para 25 desde o início do conflito, no dia 7. Esse número ultrapassa as baixas da invasão do Líbano (2006) e da I e da II Guerras de Gaza (2009 e 2012).
As FDI não deram detalhes sobre as mortes desta segunda-feira. No domingo, 13 soldados morreram.
Entre os palestinos, há mais de 500 mortos desde o início da guerra (pelo menos 76 crianças e 36 mulheres), segundo autoridades palestinas. Israel não divulga número de baixas entre palestinos.

 

Palestino do bairro de Shejaya descansa em banco na Escola das Nações Unidas (foto Marco Longari, AFP)

Palestino do bairro de Shejaya descansa em banco na Escola das Nações Unidas (foto Marco Longari, AFP)

 

Netanyahu: “A operação será expandida até que o objetivo seja alcançado”

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, reuniu-se nesta segunda-feira numa base militar no sul do país com o ministro da Defesa, Moshe Yalon, com o chefe do Estado-maior, tenente-general Benny Gantz, e com o comandante das Forças Terrestres do Sul, major-general Sammy Turgeman.

– As Forças de Defesa de Israel estão fazendo progresso no terreno de acordo com o planejado, e a operação será expandida até que o objetivo seja alcançado – restaurando a calma aos cidadãos de Israel por um longo período.

 

Obama diz que é preciso “acabar com a morte de civis inocentes”

O presidente americano Barack Obama disse nesta segunda-feira que a prioridade dos Estados Unidos e da comunidade internacional deve ser o cessar-fogo entre Israel e Gaza a fim de “acabar com a morte de civis inocentes”.
Segundo Obama, o governo israelense “tem o direito de se defender contra os ataques com foguetes”, mas disse ter “sérias preocupações” com a quantidade de civis palestinos mortos.

 

Greve na Cisjordânia em protesto contra ofensiva israelense em Gaza
Uma greve geral em protesto contra a invasão de Gaza obteve adesão de sindicatos e vários movimentos islâmicos nesta segunda-feira na Cisjordânia ocupada. A Organização pela Libertação da Palestina (OLP), do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, convocou manifestações em todo o território depois das 21h (15h de Brasília) e a quebra do jejum do mês sagrado muçulmano do Ramadã. Há 1,4 milhão de árabes em Israel, que somam 20% da população total.

 

Liberman prega boicote a negócios de árabes israelenses em greve
O ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Liberman, do partido Yisrael Beitenu, convocou em sua página no Facebook o boicote a lojas de árabes israelenses que aderirem à greve geral desta segunda-feira em solidariedade a Gaza. Liberman também defendeu o banimento da TV catari Al Jazeera, que qualificou de “ramo de uma organização terrorista”.
Também no Facebook, um grupo de israelenses criou uma página chamada “Vamos Contar os Traidores”, destinada a denunciar os que aderirem à greve. A página recebeu cerca de 9,2 mil “curtidas”.

 

Hamas anuncia captura de soldado israelense, e Israel não confirma

20 de julho de 2014 0

Repórteres na Faixa de Gaza informam que as Brigadas Al-Qassam, do grupo Hamas, que controla a região, informaram pela TV a captura de um soldado israelense.

As Brigadas Al-Qassam são o braço militar do Hamas, que, na prática, está conduzindo a guerra. A ala política do movimento, encabeçada por Khaled Meshal, hoje no exílio no Catar, aparentemente perdeu o controle sobre o que ocorre no território palestino.

> Leia mais: Shejaya, Shujayeh, Shujaiyya: o horror tem novo nome

A captura de prisioneiros israelenses tem sido um dos objetivos fundamentais do Hamas nas guerras travadas desde 2009.

Não há confirmação por parte do governo de Israel.

 

 

 

Jovem repórter cobre guerra em Gaza pela segunda vez

20 de julho de 2014 0

Entre as tantas reportagens de TV sobre o que está ocorrendo em Gaza, decidi compartilhar aqui a que foi produzida por Sherine Tadros, da Sky News. Esta é a segunda guerra em Gaza que a jovem Sherine cobre. A primeira foi em 2012, pela TV Al Jazeera.

sherineClique aqui para ver o vídeo.

Sherine fez o seu relato em inglês. Abaixo, a tradução:

“Aviso: este vídeo começa com imagens de uma criança morta.

OFF DE SHERINE (IMAGENS DE HOSPITAL EM GAZA)

Eles a trouxeram aqui assim que puderam, mas o seu pequeno corpo não foi forte o suficiente. A médica verifica seu pulso, e não há nada mais que possam fazer. Ela se vira para o pai e dá a notícia: sua filha se foi.
Um depois do outro, eles são trazidos: homens, mulheres e crianças, frequentemente do mesmo bairro que o exército de Israel tem bombardeado com artilharia. Do lado de fora, a dor é intensa: irmãos perdendo irmãos numa guerra que parece não ter fim. Dúzias morrem em questão de horas, centenas mais são feridas. Suprimentos médicos são gastos rapidamente, médicos dizem que nunca viram nada como isto.

SHOBHI SKAIK, DIRETOR MÉDICO DO HOSPITAL AL-SHIFA
Nada é suficiente. (…) Não é suficiente para os pacientes, nós temos leitos nos corredores, na realidade. Há muitos pacientes, muitos ferimentos. É um caos. É um caos.

SHERINE
E esta é Shejaya, uma das cidades mais densamente povoadas de Gaza. Os tanques isralenses seguem bombardeando casas, escolas e lojas toda a noite e a manhã. É o ataque mais intenso de Israel em 12 dias. Aqueles que podem escapar o fazem, alguns fogem descalços, deixando para trás todos os seus pertences.
Aqui é o mais longe que podemos ir. As pessoas aqui estão muito, muito apavoradas. Não está claro exatamente onde estão os soldados israelenses, mas podemos ouvir o som de explosões, artilharia pesada, por todo o bairro. E cada uma das pessoas a quem pedimos para descrever o que está acontecendo bem atrás de nós usa a mesma palavra: eles chamam isto de “massacre”.

SHERINE (traduzindo depoimento de homem sentado na calçada)
As pessoas aqui estão furiosas. Eles pensam que o mundo os abandonou. Não sei nem mesmo se minha família está viva, disse este homem para mim. O que você faria se fossem seus filhos, seus pais lá?

OFF DE SHERINE (IMAGENS DE PESSOAS FUGINDO DE SHEJAYA)

Eles estão na estrada de novo. Mas estes não são refugiados cruzando uma fronteira em busca de segurança. Não há saída de Gaza para estas pessoas. Não há segurança. Talvez o que aconteceu aqui seja lembrado como um ponto decisivo nesta guerra, demasiado para ser ignorado pela comunidade internacional. Ou talvez somente outro dia do último ataque a Gaza.”

 

Obs: em versão anterior, o vídeo começava com a própria Sherine dizendo:  “Antes de apresentarmos a você nossa reportagem nesta noite, teremos de alertá-lo de que há imagens perturbadoras”.

Shejaya, Shujayeh, Shujaiyya: o horror tem novo nome

20 de julho de 2014 0

O que ocorreu entre a noite de sábado e a manhã de domingo no bairro de Shejaya, periferia da Cidade de Gaza, é um daqueles acontecimentos que desafiam o jornalismo.

E, no entanto, é preciso escrever, gravar, transmitir. É o que faz Sara Hussein, da AFP:

“As ambulâncias e carros de bombeiros dos serviços de emergência de Gaza se aglomeraram nos limites do bairro de Shejaya à espera de notícias sobre um cessar-fogo humanitário entre Israel e o grupo palestino Hamas.

A confirmação chegou às 10h30min GMT – uma trégua de duas horas para permitir a retirada dos mortos e dos feridos, assim como a evacuação das pessoas aterrorizadas que permaneciam no bairro depois de uma noite de bombardeio incessante dos tanques israelenses.

Um comboio de carros formou-se, avançando lentamente no bairro, com o som da artilharia ainda retumbando no ar.

Era impossível de dizer se o bombardeio ocorria em Shejaya ou num bairro adjacente, e os veículos avançaram de qualquer maneira.

No interior havia cenas de absoluta devastação: edifícios inteiros desabaram ou se esfacelaram sobre as calçadas.

Árvores foram arrancadas, sapatos de crianças – um slipper púrpura de menina, um flip-flop de menino – misturavam-se com os escombros no chão.

Um prédio inteiro de apartamentos de muitos andares ainda estava em chamas, o fogo queimando no andar térreo e cobrindo a fachada com fumaça preta.

E havia corpos caídos nas ruas (…)”

E aqui está Anne Barnard, outra mulher no front, pelo The New York Times:

“(…) Nos limites de Shejaiya, fumaça escura subia sobre os edifícios no domingo e o bombardeio soava e explodia ao redor com nada mais do que segundos de pausa entre os ruídos. Lojas estavam fechadas, e grupos de pessoas emergiam periodicamente das ruas estreitas da vizinhança e corriam colina acima em direção ao centro da cidade.

Uma fila de cinco crianças de mãos dadas avançava, puxada por um adulto – o menino menor, de cerca de três anos, com uma expressão de confusão e de terror. Descalço, ele segurava seus flip-flops na mão. Uma van passou com cinco garotos no capô, o interior apinhado de pessoas e bagagem. Táxis chegavam apenas ao final da rua, onde apanhavam pedestres, tantos de cada vez que alguns tinham de se sentar em carrocerias ou capôs.

Algumas pessoas sentavam-se assim que se colocavam a salvo de perigo imediato, depois de um quarteirão ou mais. Perguntada sobre para onde iria, uma mulher sentada num degrau com seis crianças disse: “Só Deus sabe”. (…)”

E ainda Peter Beaumont, do britânico The Guardian:

“(…) Durante toda a manhã, pessoas aterrorizadas fugiram de suas casas, algumas descalças e quase todas de mãos vazias. Outras se aglomeraram nas carrocerias de caminhões ou nas boleias de carros numa tentativa desesperada de fugir. A Sky News afirmou que alguns descreveram um “massacre” em Shejaiya. Testemunhas disseram ter ouvido fogo de armas portáteis em Gaza, sugerindo que havia batalhas nas ruas. Pesado bombardeio continuou do ar e do mar.

Corpos foram retirados dos destroços resultantes da destruição massiva de edifícios na vizinhança. Havia homens mascarados armados nas ruas. (…)”

Amos Harel, do israelense Haaretz, informa:

“A luta no bairro de Shujaiyeh na zona leste da Cidade de Gaza deve se tornar o mais importante na atual rodada de hostilidades entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. As Forças de Defesa de Israel não têm sido frequentes sobre detalhes, muitos dos quais têm até agora vindo de não inteiramente confiáveis fontes palestinas. Como têm sido usual no último mês, rumores selvagens estão se espalhando pelas redes sociais, preenchendo o vácuo deixado aberto pela mídia noticiosa tradicional.

De relatos da mídia eletrônica árabe, o seguinte quadro aproximado pode ser feito a respeito da situação no início da tarde de domingo: depois de se focar nos últimos dois dias em descobrir e destruir túneis numa relativamente estreita faixa de terra na região oeste de Gaza ao lado da cerca de fronteira, Israel tem outra grande força terrestre na Faixa de Gaza.

Fontes palestinas informaram sobre fortes trocas de tiros em Shujaiyeh. O arranjo defensivo do Hamas está organizado em semicírculos, da fronteira com Israel ao centro de seu domínio no interior de Gaza. Diferentemente dos túneis com os quais o exército lidou previamente, Sajaiya é parte dos arcos defensivos localizados mais ao centro, e um batalhão do Hamas que é considerado relativamente forte tomou posição lá. A Brigada Golani das Forças de Defesa de Israel, que entrou em ação lá durante a Operação Chumbo Derretido, também encontrou mais séria resistência, enquanto os combatentes do Hamas em outras áreas fugiram depois de oferecer quase nenhuma resistência às tropas israelenses. (…)”

Imagem de vídeo da AFP mostra família fugindo de Shejaya (AFP)

Imagem de vídeo da AFP mostra família fugindo de Shejaya (AFP)

E a agência Ma’an, da Autoridade Palestina:

“(…) Fontes médicas identificarm algumas das vítimas em Shujaiyya como Ahmad Ishaq Ramlawi, Marwah Suleiman al-Sirsawi, Raed Mansour Nayfah, Osama Ribhi Ayyad e Ahid Mousa al-Sirsik.

Entre as vítimas estavam o fotojornalista Khalid Hamid e o paramédico Fuad Jabir.

Dezenas de vítimas em Shujaiyya não foram identificadas. (…)”.

Shejaya. Shejaiya. Shujaiyeh. Sajaiya. Shujaiyya. O horror tem um novo nome.

> Leia mais: Treze soldados israelenses são mortos em operação em Gaza