Apesar dos apelos em sentido contrário dos Estados Unidos e de Israel, a Rússia acaba de enviar ao regime de Bashar al-Assad uma remessa de mísseis de cruzeiro supersônicos SS-N-26 Yakhont, capazes de atingir alvos entre 120 e 300 quilômetros. O negócio entre os dois países, sacramentado em 2007 por um valor de US$ 300 milhões, tem sido apontado por especialistas como um fator capaz de desequilibrar a guerra civil em favor de Al-Assad. Uma primeira remessa, supostamente constituída por uma versão antiga do Yakhont, havia sido entregue em dezembro de 2011. O novo modelo, segundo fontes militares ouvidas pelo jornal The New York Times, teria um radar avançado capaz de torná-lo mais efetivo.
– É um verdadeiro matador de navios – disse Nick Brown, editor da revista Jane’s International Defense Review.
Os mísseis Yakhont são destinados ao sistema de defesa da costa mediterrânea da Síria. No passado, Damasco demonstrou disposição de adquirir dois sistemas Bastião, constituído de baterias móveis com capacidade para 36 mísseis cada uma. Se estiverem em condições de operar, essas baterias constituiriam um obstáculo formidável a qualquer embargo naval contra a Síria. A Rússia tem interesses na região, incluindo a base naval de Tartus, construída na era soviética e, atualmente, sua principal cabeça de ponte no Mediterrâneo.
Desde que a compra dos Yakhont se tornou pública, em 2007, Washington e Jerusalém manifestaram preocupação de que esse tipo de armamento pudesse ser transferido a organizações como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. O ataque israelense contra alvos militares nos arredores de Damasco, em janeiro, teria por objetivo destruir carregamentos de mísseis terra-ar SA-17, de fabricação russa, supostamente destinados ao Hezbollah.
















