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Diretora-gerente do FMI defende reestruturação da dívida grega

15 de julho de 2015 0

Christiane Amanpour, âncora da rede de TV CNN, acaba de tuitar que a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, apelou aos países europeus em favor da reestruturação da dívida da Grécia.

Mulheres de Atenas

15 de julho de 2015 1

 

lisistrata011

Exilado em Portugal, em 1977, Augusto Boal escreveu uma adaptação da comédia grega Lisístrata, de Aristófanes, sobre uma greve de sexo das esposas atenienses a fim de obrigar os maridos a fazer a paz com os inimigos de Esparta. Chamou-a Mulheres de Atenas. A trilha sonora continha a canção homônima de Chico Buarque, um irônico hino feminista que muitas e muitos, obviamente, não entenderam.

“Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem por seus maridos
Poder e força de Atenas”

Neste 2015 repleto de ironias, coube a uma mulher de Atenas o gesto mais digno em cinco meses de impasse entre a Grécia e seus eurocredores. A vice-ministra das Finanças, Nadia Valavani, escreveu uma carta ao premier Alexis Tsipras na qual explicou sua posição. E utilizou uma imagem extraída da guerra (analogia por certo muito comum nos debates de seu partido, Syriza, em meio à atual crise) para desmascarar o argumento possibilista do governo.

“Alexis, você bem sabe que, numa guerra, quando as forças inimigas provam-se esmagadoramente superiores, pode-se capitular – com o propósito de reagrupar suas forças e organização outra vez, a resistência permitirá mais tarde alterar as mesmas circunstâncias que levaram à derrota. Esta ‘capitulação’, porém, é tão acachapante que não permitirá reagrupar forças. E a deterioração, com nossa assinatura, da situação de uma população degradada que estava erguendo a cabeça será a lápide, por muitos anos, de qualquer potencial emancipatório”, escreveu Nadia.

Até o momento, nenhum outro ministro mirou-se no exemplo dessa corajosa mulher de Atenas.

Que fique claro: a renúncia de Nadia Valavani não tem o condão de criar uma nova realidade política para os adversários do acordo. Mesmo que perca o apoio da maioria de seu partido, Syriza – e é bastante provável que isso ocorra –, Tsipras poderá contar com os votos dos oposicionistas Nova Democracia, Pasok e To Potami para aprovar os termos de Berlim.

A votação de logo mais no parlamento em Atenas terá um resultado que irá muito além da aprovação do terceiro pacote de resgate da Grécia em seis anos. Será a certidão de óbito do partido europeu que se atreveu a ir mais longe no combate à austeridade da Troika e dos bancos. Trata-se do Syriza de Tsipras e Tsakalotos, agremiação que precisou de apenas cinco meses para tirar a máscara de “amigo do povo” que caiu tão bem ao Pasok de Georgios Papandreu por mais de 40 anos.

A viagem do que restou de Syriza para o reino das sombras será longa e tormentosa. Mas os braços de Nadia Valavani não farão falta em sua barca lotada.

Oops: algo mais além do aniversário do 7X1

08 de julho de 2015 0

É uma quarta-feira estranha, para dizer o mínimo.

Na China, o índice geral da Bolsa de Xangai, indicador de referência no mercado financeiro chinês, registrou uma queda de 5,9%, em meio a medidas anunciadas pelo governo para tentar estabilizar o mercado.

No início da sessão, o índice chegou a cair 8%.

As nuvens sombrias vinham se avolumando nas bolsas chinesas desde 12 de junho, quando o índice de Xangai pontuou a 5.166,35, uma alta recorde de 150% em 12 meses. A performance impressionante tinha sido turbinada por um movimento de pequenos poupadores que compraram US$ 355 bilhões em ações.

Desde então, o índice entrou em movimento descendente e acumula perdas de 29% nas últimas três semanas.

Leia mais: Venda em massa de ações na China derruba bolsas

O porta-voz da Comissão Reguladora da Bolsa de Valores da China, Deng Ge, reconheceu que há “pânico” no mercado e tendência de “vendas não razoáveis” que as autoridades tentam contrarrestar.

Os problemas chineses afetavam os mercados globais, já em estado de alerta em razão da crise na Grécia.

Nos Estados Unidos, para piorar o quadro, problemas técnicos afetaram o mercado de ações e sites de grandes companhias. A Bolsa de Nova York suspendeu o pregão em razão de uma “questão técnica”, segundo nota divulgada por sua direção. Sites da companhia United Airlines e do jornal The Wall Street Journal, ambos dos Estados Unidos, saíram do ar. Na página do Wall Street Journal, um recado dizia: “Oops, 504! Algo não respondeu suficientemente rápido, é tudo que sabemos…” (abaixo).

wallstreet

Ainda não se sabe se há alguma relação entre todos esses incidentes.

Para saber o que significa uma bandeira, veja quem a carrega

02 de julho de 2015 4

maisku

 

O assassinato de nove pessoas no interior de uma igreja metodista afro-americana em Charleston, Estados Unidos, deveria ter servido para reavivar o debate sobre discriminação racial e controle de armas no país e até mesmo sobre a relação íntima entre grupos segregacionistas e a direita republicana.

Mas o fato de o atirador, Dylann Roof, ter aparecido em fotos nas redes sociais com emblemas como a bandeira da Confederação, entre outros, transformou o episódio no estopim de um confronto sobre símbolos.

A Confederação, que reuniu sete Estados do sul dos Estados Unidos, foi responsável pelo início da Guerra de Secessão (1861 – 1865). Tinha uma capital, Richmond (Virgínia), um presidente, Jefferson Davis, um comandante do exército, general Robert E. Lee, e foi reconhecida como parte beligerante pela Grã-Bretanha.

Leia também: O último disparo

A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, que é republicana, e parlamentares estaduais e federais dos dois grandes partidos, Democrata e Republicano, posicionaram-se favoravelmente à retirada da mesma bandeira das proximidades do parlamento, em Columbia, a capital.

A bandeira da Confederação hasteada nas proximidades do parlamento em Columbia, Carolina do Sul (foto Mladen Antonov, AFP)

A bandeira da Confederação hasteada nas proximidades do parlamento em Columbia, Carolina do Sul (foto Mladen Antonov, AFP)

Muitos se perguntam até que ponto a bandeira é um símbolo de racismo ou apenas um produto cultural do “Sul profundo”, como, digamos, o Mardi Gras de New Orleans e A Cabana do Pai Tomás.

Não é tão difícil esclarecer essa dúvida. Quando se quer saber o que uma bandeira significa, é só dar uma espiada naqueles que a exibem.

A Ku Klux Klan, organização racista fundada após a derrota do Sul na Guerra de Secessão (1861 – 1865) e que muitos julgavam extinta, acaba de pedir e obter solicitação para uma manifestação, em meados deste mês, em honra à bandeira da Confederação no centro de Columbia.

A governadora Haley disse que a Klan não é “bem-vinda” na capital.

Leia também: Atirador da igreja de Charleston queria “começar uma guerra racial”

Enquanto esse debate rola nos Estados Unidos, a bandeira da Confederação é cultuada em pelo menos dois municípios brasileiros, Americana e Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo.

As duas localidades foram fundadas por ex-combatentes confederados que, após a derrota de 1865, deixaram seu país à procura de um lugar onde a lei permitisse ter e manter escravos. Viajaram em direção ao Sul e chegaram ao Brasil.

A carta é de ontem, Tsipras não recuou e impasse continua

01 de julho de 2015 1

A carta do premier grego, Alexis Tsipras, às autoridades financeiras da zona do euro e à cúpula do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgada nesta quarta-feira, não é um recuo em relação à posição anterior de Atenas. A correspondência foi enviada nesta terça-feira e, embora ainda não tenha sido analisada pelos ministros das Finanças do euro, nada indica que tenha possibilidade de ser aceita.

Em essência, a carta é um desdobramento da posição manifestada pelos negociadores gregos na sexta-feira, quando o governo de Tsipras decidiu submeter a proposta dos credores a um plebiscito.

É por isso que jornais como o espanhol El País e o americano The New York Times (abaixo) estão desinformando seus leitores ao noticiar que “Tsipras aceita as condições propostas pela União Europeia” ou que “Tsipras sinaliza que Grécia pode aceitar termos de socorro”. Aliás, no primeiro caso, a desinformação é dupla: nem Tsipras aceitou as condições (a não ser parcialmente, e sem que isso tenha produzido novos desdobramentos), nem a União Europeia está envolvida na negociação, que se restringe aos 19 países da zona do euro e ao FMI.

 

Sites como o do jornal El País noticiaram rechaço de Tsipras como se fosse aceitação (reprodução El País)

 

nyt

Os credores exigem a fixação da alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 13% para todo o território da Grécia, incluindo as ilhas gregas, onde a alíquota é de 9% e um aumento teria forte impacto sobre o turismo. Na carta, Tsipras propõe que, nas ilhas, seja mantido o atual desconto de 30% sobre o valor recolhido. Na prática, isso significa a rejeição da proposta de Bruxelas e Berlim.

Leia a íntegra da carta do premier grego aos credores

Os credores querem a redução de gastos militares para 400 milhões de euros em 2016. Tsipras sugere outros patamares, de 200 milhões de euros no próximo ano e 400 milhões somente em 2017.

Os credores pregam o fim do abono para aposentados de baixa renda (cerca da metade dos aposentados gregos têm rendimentos abaixo da linha oficial de pobreza do país) em 2017. Tsipras concorda, mas quer que a medida só seja atingida ao final de 2019, e ainda assim mantendo intocados, neste momento, 20% dos beneficiados mais pobres.

Além disso, e principalmente, a correspondência exige a extensão do acordo de refinanciamento que expirou na terça-feira, e do qual uma parcela de 1,6 bilhão devida ao FMI continua pendente, e a celebração de um novo acordo sob o Mecanismo Europeu de Estabilidade, com vigência de dois anos.

Governo da Grécia aceita parte das propostas dos credores, mas faz exigências

Na realidade, todas as proposições de Tsipras já tinham sido rejeitadas pelas euroautoridades na noite de terça-feira, ao rechaçar o recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade.

A julgar pelas recentes declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, e de autoridades da zona do euro, os credores pretendem prolongar o impasse até que alguém pisque, ou seja, até que Tsipras não seja capaz de fazer nenhuma nova exigência.

Seja porque terá desistido da posição que permitiu sua eleição em janeiro, seja porque terá sido afastado da função de primeiro-ministro.

Falta combinar com os gregos.

Leia a íntegra da carta do premier grego aos credores

01 de julho de 2015 0
Em carta, premier aceita parte de exigências de credores (foto Angelos Tzortzinis, AFP)

Em carta, premier aceita parte de exigências de credores (foto Angelos Tzortzinis, AFP)

 

O premier grego, Alexis Tsipras, disse aos credores do país que está disposto a aceitar as reformas exigidas com modificações.

Abaixo, a íntegra da carta de Tsipras que será debatida na teleconferência desta quarta-feira dos ministros das Finanças da zona do euro. Definições de termos específicos colocadas entre parênteses e em itálico são de responsabilidade do blogueiro.

 

“República Grega
Gabinete do Primeiro-ministro

Atenas, 30 de junho de 2015

Ao Presidente da Comissão Europeia
Sr. Jean-Claude Juncker

Ao Presidente do Banco Central Europeu
Sr. Mario Draghi

À Diretora-gerente do FMI
Srta. Christine Lagarde

Prezada Diretora-gerente, prezados Presidentes

Escrevo-lhes para informar-lhes sobre a posição da República Grega em relação à lista de Ações Prioritárias do Esboço de Acordo como publicado pelo site da Comissão Europeia em 28 de junho de 2015. A República Grega está preparada para aceitar este Esboço de Acordo submetido às seguintes emendas, adições ou clarificações, como parte de uma extensão do programa de EFSF em expiração e do novo Acordo de Financiamento do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) solicitado hoje, terça-feira, 30 de junho de 2015. Como os senhores perceberão, nossas emendas são concretas e respeitam totalmente a robustez e a credibilidade do desenho para o conjunto do programa.

1. Reforma do Imposto sobre Valor Agregado

Manter os 30% de desconto para as ilhas, a serem aplicados a novos tributos.

2. Medidas de estruturação fiscal

Gradualmente incrementar o pagamento antecipado do imposto sobre a receita de pequenas empresas para 100% e eliminar o tratamento tributário preferencial para agricultores (incluindo os subsídios para venda em óleo diesel) no final de 2017.

Reduzir a rubrica para gastos militares de 200 milhões de euros em 2016 e 400 milhões de euros em 2017 por meio de um conjunto específico de ações, incluindo uma redução de efetivo e de aprovisionamento.

3. Aposentadorias

A reforma de 2010 será totalmente implementada mas a reforma de 2012 (fator de sustentabilidade) será adiada até que a nova reforma legislativa seja implementada em outubro de 2015.

EKAS (uma espécie de abono) será gradualmente desativada até o final de 2019, mas sem uma ação imediata no topo de 20% dos beneficiados.

Todos os abonos de fundos de aposentadoria serão gradualmente suspensos até o final de 2017, começando em 31 de outubro de 2015.

4. Relações de trabalho

O novo marco regulatório será aprovado pelo parlamento no outono de 2015.

5. Mercadorias e serviços

Implementação imediata de recomendações específicas do instrumental 1 da OCDE (aluguéis turísticos, ônibus turísticos, licenças de caminhões, código de conduta para culinária tradicional e códigos europeus para materiais de construção), instrumental 2 (bebidas e derivados de petróleo) e abrir as profissões restritas de notários, atuários e oficiais judiciários, liberalizar o mercado para academias de ginástica e eliminar uma parte significativa dos limites de idade de aposentadoria.

Além disso, em cooperação com a OCDE, implementar um ambicioso pacote de reformas que inclua:

- Criar serviços expressos de compras (OSS) para empresas (análises de boas práticas, assim como um cronograma coerente já preparado e completo em cooperação com a OCDE);

- Conduzir imediatamente uma abordagem coerente de competição em setores específicos caracterizados por práticas oligopolísticas (isto é, construção, comércio atacadista, produtos agrícolas, mídia etc) e adotar recomendações apropriadas (projeto e prazos já preparados pela OCDE);

- Implementar imediatamente uma estratégia coerente contra práticas corruptas nos negócios, por exemplo na área de procedimentos de compras públicas (projeto e prazos já preparados pela OCDE).

ADMIE (companhia elétrica estatal) será desmembrada do PPC (produtora e distribuidora de energia) numa entidade legal separada sob controle estatal.

Obrigado antecipadamente por seu apoio. Aguardo sua resposta.

Sinceramente seu,

Alexis Tsipras

Cópia para: Sr. Jeroen Dijsselbloem, diretor da Assembleia de Governadores do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) e presidente do Eurogrupo

Sr. Klaus P. Regling, diretor gerente do Mecanismo Europeu de Estabilidade”

Frase do dia

15 de junho de 2015 0

sigmar

 

“Nós não deixaremos os trabalhadores alemães e suas famílias pagarem pelas promessas eleitorais exageradas de um governo parcialmente comunista.”

 

Sigmar Gabriel (foto), ministro da Economia da Alemanha, a respeito das negociações sobre a dívida grega. O governo “parcialmente comunista” a que se refere Gabriel é o do premier Alexis Tsipras, do partido de extrema esquerda Syriza. O ministro pertence ao SPD (Partido Socialdemocrata da Alemanha, na sigla em alemão).

Nem Drácula, nem Saruman: Lee gostava mesmo era de Jinnah

11 de junho de 2015 1
Na pele do fundador do Paquistão em "Jinnah" (1998)

Na pele do fundador do Paquistão em “Jinnah” (1998)

 

O londrino Christopher Lee (1922 – 2015) tornou-se mundialmente conhecido por encarnar vilões como o Conde Drácula em pelo menos sete filmes e Saruman na trilogia O Senhor dos Anéis.

Seu papel favorito, no entanto, era um personagem histórico.

> Leia mais: aos 93 anos, morre o ator Christopher Lee

Em 1998, aos 76 anos e pouco antes do 11 de Setembro, Lee embarcou num projeto pessoal carregado de controvérsia: encarnar Muhammad Ali Jinnah, o sofisticado advogado que passou à história como fundador do Paquistão.

A impressionante semelhança física entre Lee e Jinnah na idade avançada contribuíram para a decisão.

Mas a própria figura do Qaid-e-Azam (Pai da Nação) continua incomodando o establishment paquistanês.

Ele estava muito longe do nacionalismo militarista e do fundamentalismo religioso que caracterizam o Paquistão contemporâneo.

Nascido numa família muçulmana xiita de Karachi, Jinnah havia praticado advocacia na Grã-Bretanha. Falava inglês sem sotaque.

Era ateu, e consta que apreciava costeletas de porco.

E – horror dos horrores –, apesar das diferenças políticas, permaneceu até o fim amigo de Gandhi (para quem Jinnah era “um grande indiano”) e Nehru, os pais da independência da Índia, com os quais havia lutado lado a lado por toda a vida contra o domínio colonial britânico.

> Assista a vídeo sobre encontro entre Gandhi e Jinnah para discutir o movimento pela independência:

 

 

Em um de seus mais famosos discursos, Jinnah disse, a respeito da liberdade religiosa que considerava intrínseca ao Estado que ajudou a fundar: “Vocês são livres para ir para seus templos e mesquitas”.

No Paquistão, não foram poucos os cenhos franzidos quando circulou a notícia de que o Qaid seria vivido por um ator celebrizado no papel de vampiro.

A cinebiografia Jinnah (1998) foi recebida com discrição no Paquistão e na Grã-Bretanha – no resto do mundo, somente os aficionados tomaram conhecimento dela.

A performance pungente de Lee, porém, acabou se impondo.

O jornal The News, do Paquistão, foi um dos únicos do mundo a noticiar a morte de Lee com o título “O ator Christopher Lee, de ‘Jinnah’, morre aos 93 anos”.

> Leia mais: Paquileaks

Numa entrevista concedida em 2009, 11 anos depois do lançamento do filme, ele disse:

– Eu acredito que se o Qaid-e-Azam, o próprio Jinnah voltasse hoje, ficaria muito desapontado com o que está acontecendo (na região) porque é algo que ele nunca imaginou ou pensou que fosse acontecer, embora no tempo da Partilha (a divisão da antiga Índia britânica entre Índia e Paquistão) tenha havido muitas mortes.

> Veja

O que estou lendo (junho de 2015)

02 de junho de 2015 0

A seguir, alguns dos livros que Olhar Global está degustando e que, em breve, serão resenhados por aqui:

oretrato

O RETRATO – De Osvaldo Peralva. Publicado pela primeira vez em 1960, este avassalador retrato de um insider sobre o Partido Comunista Brasileiro inclui perfis de líderes como Luiz Carlos Prestes e Carlos Marighella. Jornalista e escritor, Peralva foi enviado pelo PCB a Moscou em 1953, ano da morte de Stalin, para estudar. Uma vez na capital soviética, constatou que o regime dos bolcheviques havia se convertido num pesadelo burocrático. Apresentação de Antonio Paim, edição revista pelo autor, Editora Três Estrelas, R$ 59,90.

 

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PARIS: CAPITAL DA MODERNIDADE – De David Harvey. O geógrafo britânico dedica-se neste livro a dissecar a história da Cidade Luz no período em que constituiu, de fato, a capital do século 19: 1848 a 1871. É o período do amadurecimento – e, em certo sentido, do início do apodrecimento – da ordem europeia fundada após a derrota de Napoleão Bonaparte. Estado-nação, indústria, revolução industrial, emergência das “classes perigosas”, comunismo, nacionalismo, frenologia: tudo isso faz parte do caldo de cultura analisado por Harvey a partir do recorte parisiense. Tradução de Magda Lopes, revisão técnica de Artur Renzo, Boitempo Editorial, R$ 69.

 

frutos

 

BRASIL: OS FRUTOS DA GUERRA – De Neill Lochery. A II Guerra Mundial foi um divisor de águas para o Brasil: ao se alinhar com os Aliados, o Estado Novo de Getúlio Vargas garantiu uma inserção privilegiada entre os vizinhos sul-americanos na ordem do pós-guerra, com impulso à industrialização (com apoio americano à criação da Companhia Siderúrgica de Volta Redonda e da Companhia Vale do Rio Doce) e envio de uma força expedicionária de 25 mil homens ao front italiano, com implicações vitais para o futuro político do país. Professor na University College London, Lochery é especialista em história moderna da Europa, do Oriente Médio e do Mediterrâneo. Tradução de Lourdes Sette, revisão técnica de Alexandre Luis Morelli Rocha, Intrínseca, R$ 39,90.

1945

 

ANO ZERO: UMA HISTÓRIA DE 1945 – De Ian Buruma. Neste apanhado histórico largamente inspirado nas recordações de seu pai, cidadão holandês mobilizado para trabalhar na indústria de guerra do III Reich, o autor compõe um retrato multifacetado e incômodo do ano em que a II Guerra Mundial terminou e do quadro nada edificante que se seguiu em toda a Europa. O autor nasceu na Holanda, trabalhou como jornalista e documentarista e é professor do Bard College, Grã-Bretanha. Tradução de Paulo Geiger, Companhia das Letras, R$ 57,90.

"American Pie", versão do compositor

07 de abril de 2015 0

“Você sabe o que foi revelado no dia em que a música morreu?”

Há 43 anos esses e outros versos da canção American Pie, de Don McLean, intrigam fãs.

American Pie é considerada a mais longa música a ter ocupado a lista Hot 100 da revista Billboard, com oito minutos e 33 segundos (para se ter uma ideia, a faixa Revolution #9, do LP Álbum Branco, dos Beatles, também famosa pela duração, tem oito minutos e 12 segundos).

Mas não foi a duração que fez o sucesso de Don McLean ser considerado uma espécie de versão musical do (jamais escrito) Grande Romance Americano. Seus versos, com inúmeras referências à história do rock, deram margem a múltiplas interpretações. Livros foram escritos para explicá-los, sites e blogs pululam na internet com tentativas de interpretação.

“Mas fevereiro me fez tremer / Com cada jornal que entreguei” (“But February make me shiver / With every newspaper I delivered“), “Você escreveu o Livro do Amor? Você acredita em Deus?” (Did you write the Book of Love / Do you have faith in God?), “Bebendo uísque e centeio” (Drinking whisky and rye) e muitos outros trechos continuam a encantar aficionados que não eram nascidos quando a música apareceu num single de McLean, 10 meses depois de John Lennon decretar em entrevista à revista Rolling Stone que “o sonho acabou”.

– Você vai encontrar muitas interpretações de meus versos, mas nenhuma minha. Não é engraçado – brincou certa vez McLean, 69 anos.

Essa importante peça do quebra-cabeças estará disponível hoje quando o manuscrito original da letra de American Pie for a leilão na famosa loja Christie’s, de Nova York. Segundo Tom Lecky, da Christie’s, o documento revela todo o processo de criação dos versos, “do início ao fim”. A loja calcula que o manuscrito seja vendido por cerca de US$ 1,5 milhão (R$ 4,8 milhões).

Há muitas versões da música, incluindo a mais recente, de Madonna, muito criticada por ter deixado de fora a maior parte da letra, e traduções/interpretações em português. Aqui, um clipe de 1989 com o próprio Don McLean que, se não se preocupa com a letra, encarna o espírito de American Pie: