Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Mísseis de cruzeiro russos podem mudar o jogo

17 de maio de 2013 0

Apesar dos apelos em sentido contrário dos Estados Unidos e de Israel, a Rússia acaba de enviar ao regime de Bashar al-Assad uma remessa de mísseis de cruzeiro supersônicos SS-N-26 Yakhont, capazes de atingir alvos entre 120 e 300 quilômetros. O negócio entre os dois países, sacramentado em 2007 por um valor de US$ 300 milhões, tem sido apontado por especialistas como um fator capaz de desequilibrar a guerra civil em favor de Al-Assad. Uma primeira remessa, supostamente constituída por uma versão antiga do Yakhont, havia sido entregue em dezembro de 2011. O novo modelo, segundo fontes militares ouvidas pelo jornal The New York Times, teria um radar avançado capaz de torná-lo mais efetivo.

– É um verdadeiro matador de navios – disse Nick Brown, editor da revista Jane’s International Defense Review.

Os mísseis Yakhont são destinados ao sistema de defesa da costa mediterrânea da Síria. No passado, Damasco demonstrou disposição de adquirir dois sistemas Bastião, constituído de baterias móveis com capacidade para 36 mísseis cada uma. Se estiverem em condições de operar, essas baterias constituiriam um obstáculo formidável a qualquer embargo naval contra a Síria. A Rússia tem interesses na região, incluindo a base naval de Tartus, construída na era soviética e, atualmente, sua principal cabeça de ponte no Mediterrâneo.
Desde que a compra dos Yakhont se tornou pública, em 2007, Washington e Jerusalém manifestaram preocupação de que esse tipo de armamento pudesse ser transferido a organizações como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. O ataque israelense contra alvos militares nos arredores de Damasco, em janeiro, teria por objetivo destruir carregamentos de mísseis terra-ar SA-17, de fabricação russa, supostamente destinados ao Hezbollah.

Pororoca de escândalos

17 de maio de 2013 0

Obama faz declarações à imprensa ao lado do primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, nesta quinta-feira, na Casa Branca

Apenas 17 dos 44 homens que venceram uma eleição para a presidência dos Estados Unidos repetiram a façanha ao final do primeiro mandato. Desse total, três não concluíram o segundo termo. São eles Abraham Lincoln (assassinado exatos 40 dias depois de tomar posse pela segunda vez), William McKinley (morto 196 dias depois do início do segundo mandato) e Richard Nixon (o único a renunciar, quase dois anos depois da segunda posse).

Mas os riscos de assassinato ou impeachment não são os únicos a rondar os presidentes habilitados a permanecer por oito anos na Casa Branca. Depois de fazer campanha contra o envolvimento dos Estados Unidos em guerras mundiais, os reeleitos Woodrow Wilson e Franklin D. Roosevelt (este, de fato, já no quarto mandato) quebraram as promessas de campanha e enviaram soldados para conflitos no exterior. Desde 1900, sete democratas e seis republicanos conquistaram a reeleição para a presidência, mas apenas metade de cada um dos lados teve o controle simultâneo do Congresso a partir do quinto ano.

Os segundos mandatos são também pródigos em embaraços políticos. O Watergate de Nixon, o caso Irã-Contras de Ronald Reagan, o affair Monica Lewinsky de Bill Clinton e a farsa das armas de destruição em massa de George W. Bush emergiram depois do final do primeiro termo. Antes deles, Dwight Eisenhower tinha sido indiretamente atingido no segundo mandato por suspeitas de corrupção contra seu chefe de gabinete, Sherman Adams. E mesmo o pai fundador George Washington, o primeiro da lista, fora o primeiro a enfrentar a maldição do segundo mandato por conta das negociações de paz com a antiga metrópole britânica.

Agora, uma pororoca de escândalos de tamanhos variados ameaça engolfar o segundo mandato de Barack Obama. Como se não bastasse, há turbulências no front externo com Rússia, China e Síria. Nos Estados Unidos, não vale dizer que o presidente não sabia de nada.

Como em Watergate

16 de maio de 2013 0

Nos bastidores, a administração Barack Obama tem apostado na prevenção de vazamentos de informações oficiais sigilosas que possam comprometer suas políticas, especialmente no terreno diplomático. A intenção é evitar escândalos como os que marcaram o governo George W. Bush e acabaram repercutindo nos primeiros anos do democrata na Casa Branca, como o caso WikiLeaks. O Prêmio Nobel da Paz de 2010 é também o responsável por um considerável esforço de guerra no Afeganistão e pelo uso massivo de aeronaves não tripuladas, os drones, para fazer do alto o que, se fosse levado a cabo em terra, custaria um preço elevado em vidas de soldados americanos. Casos como o do ataque ao consulado americano em Benghazi, em setembro do ano passado, seguido de uma crise sobre falhas de inteligência e segurança que custou a indicação da embaixadora nas Nações Unidas, Susan Rice, para o Departamento de Estado são potencialmente perigosos. Tudo de que Obama não precisa é um novo Garganta Profunda.

Esse foi o motivo que levou o governo a quebrar sigilos telefônicos e eletrônicos de repórteres da mais importante agência de notícias do país, a Associated Press. Os grampos contra a AP seriam intoleráveis se tivessem ocorrido no Irã ou no Paquistão (na realidade, ninguém imagina que nesses países qualquer tipo de comunicação eletrônica esteja a salvo dos serviços secretos). Nos Estados Unidos, dão margem para uma verdadeira comoção nacional, comparável à que tomou conta da esfera pública americana quando vieram à tona os episódios de tortura contra suspeitos de terrorismo nos anos 2000.

Num governo povoado de críticos de Bush filho, a começar pelo próprio presidente, e de ex-jornalistas como o porta-voz da Casa Branca Jay Carney, é inadmissível a existência de um episódio que lembra os piores tempos de Watergate. Há uma sombra sobre a folha corrida do democrata Barack Obama. Se isso vai ou não se transformar num escândalo de proporções indefinidas, depende das atitudes do presidente.

Os espiões não são mais aqueles

16 de maio de 2013 0

O espião com licença para matar

A profissão de James Bond e Mata Hari, que inspirou alguns dos thrillers inesquecíveis da Guerra Fria, hoje renderia no máximo um roteiro para Sacha Baron Cohen. Os russos afirmaram que, em poder do suposto espião Ryan Fogle, estavam “equipamentos para mudar a aparência de uma pessoa”. Poção para converter Dr. Jekyll em Mr. Hyde? Manto da invisibilidade? A julgar pelas fotos divulgadas pelo governo russo, a tecnologia é constituída de um prosaico par de óculos escuros e outro de perucas. Não se fazem mais agentes secretos como antigamente.

O espião que fazia morrer de rir

O que há de surpreendente na prisão de Fogle é que ela ocorre menos de uma semana depois de o secretário de Estado americano, John Kerry, reunir-se com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e com o homólogo Sergei Lavrov. Ou talvez não haja muita surpresa nisso. A Rússia está sob pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para romper a aliança com o ditador sírio Bashar al-Assad. Um ingrediente adicional da crise foi o envolvimento de nada menos do que três cidadãos russos no recente atentado em Boston. Ontem, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu voou a Moscou para tentar fazer Putin desistir de enviar uma última remessa de equipamentos de defesa antiaérea para Al-Assad.

O espião que não fazia nada demais

EUA e Rússia têm uma longa história de espionagem mútua, que não começou nem terminará com as perucas de Ryan Fogle. Muitos dos que se aventuraram nesse campo minado pagaram com a vida, como o casal Julius e Ethel Rosenberg, condenado à cadeira elétrica por repassar segredos do programa nuclear americano aos soviéticos. Outros tiveram fim menos trágico, como Anna Chapman, a bela agente expulsa dos Estados Unidos e privada de cidadania britânica que acabou condecorada na Rússia e posou nua para uma revista masculina.

Três encontros emocionantes

16 de maio de 2013 0

Nestas terça e quarta-feira, tive o privilégio de conversar com estudantes de Comunicação da PUCRS e de Relações Internacionais da ESPM-Sul sobre temas que me apaixonam.

Na Famecos-PUCRS, ao lado do editor Klester Cavalcanti, da revista IstoÉ, autor do instigante livro-reportagem Dias de Inferno na Síria, tratei da guerra civil na Síria e dos limites a serem observados por repórteres em áreas de conflito. A palestra, na terça, e a oficina para 40 estudantes, na quarta, foram oportunidades para falar da profissão, trocar ideias e rever amigos queridos como os professores Fabian Chelkanoff e Denise Avancini Alves. Também tive a chance de conhecer futuros colegas jornalistas cheios de talento, inteligência e energia positiva. Qualquer profissional sai renovado de uma jornada dessas. As fotos são de Guilherme Testa:

Para encerrar esses dois dias de intenso intercâmbio de experiências, na chuvosa noite de quarta estive no Curso de Relações Internacionais da ESPM-Sul falando sobre uma região que estudo desde a adolescência: "A Fronteira Quente – Por que o Cáucaso Assombra as Superpotências". O convite gentil e a sugestão do tema partiram da professora Tatiana Zismann (na foto abaixo), a quem agradeço, assim como ao coordenador do curso, professor Sergio Wollmann, e aos demais docentes e alunos.

E vamos em frente!

Cena dantesca

14 de maio de 2013 0

"A escolha do termo malta para designar essa forma mais antiga e limitada da massa pretende lembrar que também ela deve seu surgimento entre os homens a um modelo animal: aos bandos de animais caçando em conjunto. Os lobos que o homem conhecia bem e educou ao longo de milênios, transformando-os em cães, impressionaram-no desde cedo. Sua presença como animal mítico entre tantos povos; as diversas concepções do lobisomem; as histórias versando sobre homens que, disfarçados de lobos, assaltam e dilaceram outros homens; as lendas sobre a origem de crianças criadas por lobos – tudo isso, e muito mais, demonstra quão próximo o lobo estava do homem." (Elias Canetti, "Massa e Poder", 1960)

Coincidência ou não, o anúncio do presidente Barack Obama e do premier britânico David Cameron de que incrementarão a ajuda à oposição síria “moderada” (entenda-se não alinhada com a Al-Qaeda e outros grupos fundamentalistas) foi seguido da disseminação, pela internet, de um vídeo no qual um suposto combatente rebelde profana o cadáver de um soldado leal ao regime de Damasco.
Nestes tempos de abundância de imagens, vale adotar como medida de cautela a máxima de Ésquilo: “Na guerra, a verdade é sempre a primeira vítima”. Embora não tenham tido condições de verificar a autenticidade do vídeo, a organização de direitos humanos Human Rights Watch e a agência de notícias Reuters trataram-no implicitamente como verdadeiro. “A direção da Coalizão Nacional Síria e do Exército Livre da Síria, de oposição, deveriam adotar todos os passos possíveis para deter os responsáveis por crimes de guerra e prevenir esses abusos por qualquer um sob seu comando”, diz um comunicado da Human Rights Watch.

Conversei por e-mail com Peter N. Bouckaert, diretor de situações de emergência da organização. Eis seu depoimento: “Eu tenho o vídeo original. É autêntico, incluindo a mordida. O que foi excluído da versão do YouTube é o trecho em que ele diz: “Oh,  heróis de Baba Amr (excluído: Vamos massacrar os alauítas) e comer seus corações e órgãos. Não há dúvida a respeito de sua autenticidade”. A Human Rights Watch afirma dispor de outras evidências de que o agressor do vídeo, Abu Sakkar, comandante
da autointitulada Brigada Independente Omar al-Farouq, teria tomado parte em bombardeios indiscriminados contra aldeias xiitas no vizinho Líbano.

Qualquer que seja a conclusão sobre o vídeo, o fato é que ele sinaliza o grau de agressividade do atual conflito na Síria. Embora, como afirma o relatório da comissão das Nações Unidas para a Síria, o regime de Bashar al-Assad seja o maior responsável pela violência, não há por que imaginar que a oposição (ou pelo menos todos os seus segmentos) tenha as mãos limpas.

Aquém da linha vermelha

10 de maio de 2013 0

Você pode acreditar ou não nas frases inspiradas dos representantes dos Estados Unidos, da Rússia, da Grã-Bretanha ou de seus aliados a respeito das vantagens de uma solução política para a guerra civil na Síria. Não se pode duvidar, porém, de que a maioria dos quase 80 mil mortos em 26 meses de conflito foi vítima de armas enviadas direta ou indiretamente por esses mesmos países para os dois lados do conflito.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, esclareceu que seu governo está prestes a enviar mais um carregamento de mísseis terra-ar ao regime de Bashar al-Assad, mas que a operação está prevista em contrato, não fere a lei internacional e se destina a dotar Damasco de armamento defensivo. Ah, bom. Quanto às forças de oposição, o jornal The New York Times afirmou em 24 de março: “Com apoio da CIA, governos árabes e Turquia incrementaram rapidamente sua ajuda militar aos combatentes da oposição em meses recentes, expandindo o abastecimento aéreo secreto de armas e equipamentos ao levante contra o presidente Bashar al-Assad, de acordo com dados de tráfego aéreo, entrevistas com oficiais em vários países e testemunhos de comandantes rebeldes”. O chanceler alemão, Guido Westerwelle, tenta salvar as aparências ao vincular as chances para a paz ao fim do envio internacional de armas ao país.

O debate sobre a “linha vermelha” do presidente Barack Obama – a possível comprovação do uso de armas químicas, que marcaria o começo da fase intolerável da guerra e obrigaria os EUA a intervir – ganha um novo contorno sobre esse pano de fundo. As armas fornecidas até agora pelos aliados dos dois lados, incluindo as entregues aos rebeldes sob a supervisão da CIA, estão aquém da linha vermelha. E são mais do que suficientes para fazer a matança ultrapassar a casa das 100 mil almas.

Queda para o alto?

10 de maio de 2013 0

Comício do Movimento pela Justiça, de Imran Khan, em Islamabad, capital do Paquistão

Imran Khan é o Pelé do Paquistão. Num país em que o críquete é o grande esporte de massas, esse ex-craque da seleção nacional criou alvoroço ao migrar para a política, fundar sua própria agremiação, o Movimento pela Justiça, e boicotar as eleições desde a queda da ditadura do general-presidente Pervez Musharraf, em 2007. Ele não poupa ninguém em sua cruzada pela modernização do sistema político paquistanês: critica o alinhamento do governo paquistanês com os Estados Unidos e a guerra à base de drones contra suspeitos de terrorismo nas áreas tribais do país, ataca as oligarquias dos dois grandes partidos, o PPP do presidente Asif Ali Zardari e a Liga Muçulmana do Paquistão (LMP-N), de Nawaz Sharif, e ataca a pretensão dos mulás de cambiar moeda religiosa por assentos no parlamento.

Dificilmente o Movimento pela Justiça, que não conta atualmente com nenhum parlamentar, terá condições de suplantar seus maiores rivais na eleição de sábado. Pode, no entanto, servir de fiel da balança, especialmente no Punjab, a mais populosa região do país.

O eleitorado de Khan é amplo e disperso. Nascido em Lahore, coração do Punjab, ele vem de uma família patane, etnia com forte presença nas regiões de fronteira e também no Afeganistão. Seu discurso anticorrupção penetra com facilidade nas camadas urbanas que tradicionalmente votam no PPP ou na LMP-N. Em que pese sua distância das correntes fundamentalistas, o candidato do Movimento pela Justiça é capaz de lances de efeito, como o de se retirar de um debate com Salman Rushdie em Nova Délhi em protesto contra o caráter “ofensivo” ao Islã de seu romance Versos Satânicos.

Na terça-feira, Khan foi vítima de um acidente que lhe garantiu atenção nacional: despencou de um palanque, fraturando duas vértebras. Seus partidários esperam que a queda empurre sua votação para cima no pleito.

As razões de Obama

09 de maio de 2013 0

Crianças sírias brincam perto de um ponto de distribuição de água em Aleppo, Síria

É notável o esforço do governo Barack Obama para não se envolver em mais uma guerra no Oriente Médio. Se não tiver outra saída a não ser intervir na Síria por meio de uma coalizão na qual terá um papel chave, por mais discreto que seja, o presidente americano estará diante do primeiro conflito iniciado em seu governo. A seguir, cinco boas razões para Obama ficar fora desta.

A Síria não é o Iraque. O país de Saddam Hussein é constituído de duas etnias (árabes e curdos) e duas religiões amplamente majoritárias (os ramos sunita e xiita do Islã). A Síria é uma colcha de retalhos na qual convivem árabes, curdos, armênios e gregos, além de ser a pátria-mãe de uma ampla diáspora, da qual uma parte está assentada no Brasil.

A Síria não é a Líbia. Com 6 milhões de habitantes espalhados por um território em grande parte desértico, o país de Muamar Kadafi é subpovoado em comparação com a Síria e seus 20,8 milhões de almas.

A Síria não é a Somália. Bashar al-Assad, com seus métodos de extermínio contra seu próprio povo, não é um pária no cenário mundial. Suas relações com a Rússia, o Irã e a China não podem ser desconsideradas.

A Síria não é o Afeganistão. Historicamente, nem os EUA nem seus grandes parceiros europeus, os britânicos, tiveram ingerência sobre território sírio. O país já foi parte do Império Turco Otomano, esteve sob mandato francês e foi considerado zona de influência russa. Desta vez, porém, apenas os americanos dispõem de recursos para dar conta do problema.

A Síria não é o Líbano. Como é comum na região, a Síria tem tradição democrática próxima de zero. Foram cinco décadas de ditadura militar e mais de dois anos de guerra civil. A esfera pública síria lembra os círculos de um alvo para prática de tiro.

Obrigado, amigos do IPA

08 de maio de 2013 0

Palestra fez parte da programação dos 49 anos de ZH. Foto: divulgação, IPA

Tive a honra e o prazer de falar aos estudantes de Jornalismo do IPA (Porto Alegre) sobre Os Desafios de uma Editoria de Mundo na Era do Jornalismo Total. Foi na noite desta terça-feira, no IPA.

Um resumo da palestra feito pelos alunos pode ser conferido no Blog do Editor de Zero Hora.

À coordenadora do curso, professora Mariceia Benetti, e a todos os professores e alunos, o meu agradecimento pela oportunidade de compartilhar ideias e experiências.

O curso de Jornalismo edita o jornal laboratório Universo IPA. Foto: divulgação, IPA