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Artigo| A ESCALADA DA SORDIDEZ

22 de novembro de 2014 0

Flávio Tavares

 

 

 

 

FLÁVIO  TAVARES
Jornalista e escritor

 

A roubalheira na Petrobras não é apenas o mais despudorado assalto perpetrado por um trio bizarro _ os próprios diretores, grandes empresas privadas e políticos do PMDB, PP e PT. Além de bilhões de reais, roubaram os sonhos das gerações que lutaram nas ruas, escolas e quartéis pela exploração do petróleo. Milhares foram presos, alguns mortos, por verem no petróleo a redenção econômica que abriria caminho à expansão industrial e tecnológica do país. A cegueira dos anos 1940-50 (em que o petróleo era “subversão comunista”) sucumbiu com a criação da Petrobras em 1952.
Por isto, a empresa é diferente de todas as outras, públicas ou privadas. Até ser transformada em covil de rapina pela politicagem sorrateira, a Petrobras tinha o tom místico de símbolo nacional, como a bandeira ou o Hino. Nos orgulhávamos dela. Nem a ditadura direitista (que estancou nosso desenvolvimento autônomo) se atreveu a feri-la.
Nessa época, o general Ernesto Geisel a dirigiu com honradez, mas (já com ele chefe do governo) surgiram as primeiras suspeitas na gestão de Shigeaki Ueki na empresa labiríntica.
Na era Collor, a autonomia do Ministério Público ainda se estruturava e, assim, a Petrobras ficou fora dos escândalos. Em 1999, com Fernando Henrique, o desconto de 90% na venda de 35% das ações preferenciais da empresa na Bolsa de Nova York rendeu bilhões a George Soros, mas significou um rombo de quase US$ 10 bilhões. Nessa época, Paulo Roberto Costa, núcleo do escândalo atual, é nomeado diretor de Gás por indicação do PFL, hoje denominado DEM, e a empresa perde US$ 6 bilhões ao dar à Enron (em falência nos EUA) a construção do gasoduto à Bolívia.

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O quadro de corrupção cresce no governo Lula da Silva. O ministério de Minas e Energia é dado a Edison Lobão, do PMDB (até hoje no posto), e o então diretor de Gás, Ildo Sauer, é demitido ao apontar irregularidades e roubos. A partir daí, sobrevém a catástrofe. Um roubo leva a outro, como na bandidagem de rua.
Na fotografia (publicada nos jornais) da prisão dos diretores das onze maiores empresas de obra do país, cada um deles tapa o rosto com a mão ou capuz, como marginais. É a prova concreta da culpa! Se fossem vítimas de atropelo ou injustiça, não se esconderiam. Fariam como os presos políticos na ditadura _ mostrariam o rosto, sem envergonhar-se da prisão.
A partir da “compra” da trôpega refinaria de Pasadena, nos EUA, o assalto chega a cifras incalculáveis. Em busca de penas menores, os cinco delatores principais oferecem “devolver” R$ 450 milhões. O ex-gerente Pedro Barusco “devolverá” 100 milhões de dólares. O “doleiro” Alberto Youssef (ponte da lavagem de dinheiro) entregará R$ 50 milhões. Paulo Roberto, uns R$ 80 milhões, parte do que passou ao PP, que o sustentava na empresa.
Quantos milhões (dos bilhões roubados) cada qual guardará para si?

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Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara de Deputados, Henrique Alves, do PMDB, além de outros 30 parlamentares envolvidos no assalto (como o chefe nacional do PP e o tesoureiro do PT) estão fora da investigação. Amparados pelo “foro privilegiado”, só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal após licença do Parlamento…
Num país de privilégios, onde já não há esquerda nem direita, só mesquinhas pequenezes, terá o mundo político se convertido em agente do crime?

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P.S. – O prêmio “Dirigente Cristão de 2014″, que a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), de Porto Alegre, conferiu agora a Antônio D’Amico, homenageou um empreendedor honesto e lúcido.
Meu contemporâneo na Faculdade de Direito da PUC, D’Amico é exemplo de integridade na sordidez dos tempos atuais.

Artigo| FÁBRICAS DE CORRUPTOS

22 de novembro de 2014 2

moises

 

 

 

MOISÉS MENDES
Jornalista
moises.mendes@zeroghora.com.br

 

São raros os corruptos gerados em Brasília. A Capital apenas desperta vocações ou aperfeiçoa corruptos. A imagem de Brasília como reduto das imoralidades, apartado do resto do país, é um consolo para que nos confortemos com a autoindulgência de que somos os bons e de que eles, os do Planalto Central, são os maus.
O corrupto germina e floresce aí perto de onde você mora. Muitos dos desmandos produzidos em Brasília foram inspirados por alguma aberração produzida no Interior. Pelas emendas parlamentares que o “povo” pediu, pela esmola que o prefeito implora aos burocratas do Planalto Central, pela relação quase imperial dos deputados com suas bases.
Um congressista foi, em algum momento, vereador, prefeito ou deputado regional, com as exceções dos meteoros da política, como um Romário ou um Tiririca. O corrupto tem a cara de onde saiu, com as mais variadas feições do Brasil.
A corrupção está bem representada em Brasília, e todo esperto no poder, que estabelece relações com corruptores invisíveis, é algum conhecido de todos nós. O corrupto é geralmente um interiorano.
A série que o Fantástico vem mostrando este ano faz um amplo painel da corrupção paroquial. A pergunta que conduz o programa _ Cadê o dinheiro que estava aqui? _ já levou o repórter Mario Faustino a Pernambuco, Alagoas, Ceará. Prepare-se, porque ele vai desembarcar na sua cidade.
Faustino descreveu como sumiram com mais de R$ 3 bilhões que o governo federal liberou para a reconstrução de dezenas de cidades destruídas pelas cheias de 2010 em Alagoas e Pernambuco. Dinheiro para casas, hospitais, creches, escolas, postos de saúde, Em Santana do Mundaú, Alagoas, uma escola até foi erguida, mas logo depois desabou. Em Rio Largo, um posto de saúde custou R$ 500 mil. Some o dinheiro da merenda, dos remédios, do transporte escolar.
Cidades são saqueadas por empresas, pelo prefeito, pelos vereadores (de todos os partidos), pela mulher do prefeito, pelos filhos, por parentes. Comerciantes simulam a prestação de serviços. As quadrilhas usam os nomes de moradores como laranjas. E as cidades caem aos pedaços.
O que o repórter mostra ajuda na tese do advogado Mario Oliveira Filho, que defende o lobista Fernando Baiano, um dos envolvidos no escândalo da Petrobras.
Oliveira garante que não há obra pública sem propina no Brasil. Ele diz: “Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior. Se não fizer acerto com os políticos, não coloca paralelepípedo no chão”.

***

O que o país descobre, com as reportagens do Fantástico e agora com o caso da Petrobras, é que governos e estatais, ou tudo que é público, foram raptados pelos saqueadores miúdos e graúdos.
Gangues se apoderaram dos municípios, assim como as empreiteiras sequestraram a Petrobras. Mas não seja hipnotizado pela conversa de que o corruptor é sempre vítima de servidores famintos.
A corrupção gestada aí na sua região é a que vai depois se multiplicar em Brasília. Mas o corrupto (quantos você conhece?) que se aperfeiçoa em Brasília é geralmente o primo pobre do esquema, o que vende o Estado por migalhas.
Os corruptos milionários, como esse gerente da Petrobras que devolverá R$ 100 milhões, são os grandes craques. A maioria é pé rapado, que enfia dinheiro vivo nos bolsos, depois abre buracos em pátios e paredes e fica gastando o que pode para não ser flagrado. Poucos conseguirão fazer carreira em Brasília.

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No ano passado, 528 servidores federais foram processados e expulsos do serviço público. Este ano, até junho, mais 272 perderam o emprego. Muitos foram flagrados recebendo propinas.
E quantos corruptores foram condenados? Nenhum. A Operação Lava-Jato pode até aplicar um golpe na impunidade do mundo espetacular dos grandes corruptores. Mas a pilantragem miúda, a série D da corrupção, se alastra e prospera aí ao seu lado.

Artigo| O JUÍZO FINAL

22 de novembro de 2014 1

marcosRolim

 

 

 

MARCOS ROLIM
Jornalista
marcos@rolim.com.br

A sétima fase da “Operação Lava-Jato” da Polícia Federal implicou na prisão de influentes empresários e foi chamada de “Juízo Final”. O fato de termos uma polícia que investiga crimes praticados por ricos é uma novidade histórica no Brasil que merece ser elogiada. Não por acaso, a Polícia Federal é instituição que inspira confiança crescente de uma população que se acostumou com a persecução criminal varejista, via de regra violenta e orientada para os suspeitos de sempre, os pobres e os negros. Nosso país possui um problema muito antigo de impunidade, claro. O que normalmente não se diz é que a impunidade aqui possui endereço fixo e está muito bem situada no andar de cima. O próprio sistema reativo de policiamento que temos não seleciona os crimes praticados na cobertura, porque os ricos não vitimam individualmente, mas socialmente. Não há, por isso, quem registre um BO contra os sonegadores, os que poluem o meio ambiente, os que desmatam ou os que corrompem os agentes públicos, entre outros delitos típicos dos chamados “homens de bem”. Mais uma razão para sublinhar a importância da postura republicana que tem orientado a Polícia Federal.
O nome é ótimo, mas não haverá “Juízo Final” para a corrupção sem um exame atento de como funciona o sistema financeiro. Em síntese: depois dos donos das empreiteiras, seria preciso convidar os bancos para dançar. Quem tiver alguma dúvida sobre a sugestão pode tirá-la lendo o livro A Suíça Lava Mais Branco, de Jean Ziegler (Ed. Inquérito, 178 pág.). Como se sabe, todos os escândalos de corrupção terminam na Suíça ou em algum paraíso fiscal. Estima-se que o total de recursos escondidos em contas “off-shore”, em lugares como as Ilhas Cayman, possa alcançar mais de US$ 20 trilhões. Volumes imensos de dinheiro são assim protegidos de impostos por ricaços de todo o mundo. Quem propicia o esquema lesivo? O sistema financeiro mundial. E as fortunas obtidas com o tráfico de drogas, o jogo ilegal e o tráfico de armas que são legalizadas? Seria possível obter esse resultado sem os serviços de lavanderia de bancos amigos?
Entretanto, sempre que recursos ilícitos são rastreados e se descobrem contas no exterior as investigações são interrompidas. Na melhor das hipóteses, parte dos recursos desviados é repatriada. Nada se faz contra os bancos que receberam os depósitos sem perguntas e que e agiram como consultores de bandidos ricos. Quando alguém se disporá a investigá-los?

Artigo| PRESTES E O MEMORIAL DA INIQUIDADE

22 de novembro de 2014 1

Puggina

 

 

 

 

PERCIVAL PUGGINA
Escritor
puggina@puggina.org

Por todas as razões e evidências sociais e históricas, combater política e culturalmente o comunismo não é fascismo. É dever moral. Aliás, em países submetidos a esse totalitarismo, quem acusasse o regime de homicídio e genocídio era rotulado fascista. E virava prova material da acusação que fazia. Portanto, chamar adversários de “fascistas”, como fazem muitos vermelhos e estrelados por aí, não é novidade. Para completar o antigo ritual, só falta o tiro na nuca.
A Câmara de Porto Alegre, com honrosas exceções, criou condições para que se erguesse um Memorial da Iniquidade, destinado a Luiz Carlos Prestes, o homem símbolo da luta bolchevista no Brasil. Nosso legislativo anda em descompasso com a opinião pública, como se viu nos dias de fúria e baixaria que a Casa tolerou por 10 dias, em 2013, quando um bloco de pelados a ocupou, se drogou e, literalmente, ejaculou no Plenário.
Certas decisões sugerem que o tradicional cafezinho foi substituído pelo chá do Santo Daime. Recentemente, foi alterado o nome da Avenida Castelo Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia. Alegação: Castelo foi um ditador. Como se Deodoro não tivesse dado um golpe militar. Como se Floriano não houvesse feito pior. Como se Júlio de Castilhos não fosse o “homem que inventou a ditadura no Brasil”, seguido à risca pelo discípulo Borges. Como se o ditador Getúlio Vargas fosse um expoente do constitucionalismo democrático. Ou está havendo manipulação da ignorância de alguns edis pelos mais sabidos, ou tem chá no meio dessa alucinação.
Há anos, na gestão de Raul Pont, a cidade doou terreno para um memorial a Luiz Carlos Prestes. Se dependesse da generosidade dos fãs do referido senhor, a obra jamais aconteceria. Mas com recursos alheios, à moda comunista, é pra já. Bastaria que a Câmara aprovasse o que aprovou em 2009: cessão de parte do terreno para a Federação Gaúcha de Futebol, que se comprometeu a construir o Memorial. Terreno público e obra construída com dinheiro dos pagadores de ingressos no futebol. Feito.
O apátrida, símbolo do comunismo, terá o que não parecem merecer gaúchos de imenso valor moral e serviço ao povo e sua cultura, como, entre outros, Dom Vicente, Osvaldo Aranha, Silveira Martins, Flores da Cunha, Pasqualini, Landell de Moura, Erico Verissimo, Simões Lopes Neto, Lupicínio. Pergunto: não são todos maiores e melhores do que o homem que mandou matar a menina Elvira Cupelo Colônio, por mera suspeita de delação? Enquanto, no mundo, somem de vergonha os funestos símbolos do comunismo, edis espetaram esse Memorial da Iniquidade no coração da capital dos gaúchos.

Sentenças| FRASE DA SEMANA

22 de novembro de 2014 0

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Diante disso (o escândalo da Petrobras), o mensalão iria para o Juizado de Pequenas Causas.

GILMAR MENDES
Ministro do Supremo Tribunal

Editorial| OS DESAFIOS DA NOVA EQUIPE ECONÔMICA

22 de novembro de 2014 1

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Embora tenha transferido para a próxima semana o anúncio oficial sobre a nova equipe econômica, o governo deixou escapar indícios de que já definiu os nomes. Depois de receber uma resposta negativa do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, teve que apelar para um plano B, que deve ter o ex-secretário do Tesouro Joaquim Levy como novo ministro da Fazenda, a manutenção de Alexandre Tombini no comando do Banco Central e a nomeação de Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento. Ao que tudo indica, está formada a cúpula da nova equipe econômica para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff _ e o seu primeiro desafio será exatamente conquistar autonomia em relação à mandatária, reconhecida por seu estilo centralizador.
O mercado recebeu bem as indicações, pois identifica na troca de nomes uma perspectiva de mudança na orientação intervencionista do ex-ministro Guido Mantega. Mas os novos dirigentes terão de agir com rapidez e promover medidas eficazes para manter a inflação controlada, evitar o desemprego, elevar a meta do superávit primário, dar mais atenção aos investimentos do que ao consumo e recuperar a confiança dos agentes econômicos para assegurar um período continuado de crescimento.
Joaquim Levy, que atuou com o ex-ministro Antonio Palocci, é atualmente presidente da Bradesco Asset Management, o braço de fundos de investimento do Bradesco. Entra no governo com o respeito do mercado e a simpatia das principais lideranças petistas. Ele é apontado como responsável pela restauração da política fiscal no primeiro governo Lula, quando impôs um controle de gastos públicos mais rigoroso do que na administração Fernando Henrique. Chegou, inclusive, a ter desentendimentos com Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia e, posteriormente, na Casa Civil. Ela se queixava de que o esforço fiscal era maior do que o combinado. Agora, porém, a presidente sabe que o rigor é necessário e inadiável.
Também no Planejamento a mudança de rumo é esperada. Nelson Barbosa, que foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda entre 2011 e 2013, deixou o governo por discordar da orientação de Guido Mantega e, principalmente, por sucessivos conflitos com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Ligado ao Instituto Lula e bem relacionado com o ex-presidente, Barbosa chega ao posto mais importante da economia com cacife para implementar suas próprias ideias, entre as quais a de que o governo deve reabrir imediatamente mais canais de diálogo com o setor privado.

Artigo| HOMOFOBIA X SIMPATIA

22 de novembro de 2014 0

GAIO FONTELLA
Psicólogo de orientação analítica

 

Homofobia foi um termo usado, primeiramente, pelo psicólogo norte-americano George Winberg, nos anos 70, para se referir à aversão aos homossexuais. Num viés psicanalítico, não tem um sentido como se popularizou, linguisticamente falando. Nos casos clássicos de fobias, de Freud, “O pequeno Hans” e “O homem dos lobos”, em nenhum momento  deparamos com o primeiro agredindo cavalos ou o segundo maltratando os canídeos. Os homofóbicos não têm os homossexuais como objetos fóbicos, pois deles não fogem, buscando segura topologia. Ao contrário: enfrentam e agridem, com preconceito!
Felizmente, aumenta a simpatia pelo movimento LGBT na política e na cultura e isto merece reflexões. Fora do identitário com a defesa dos direitos humanos como um todo, me pergunto o que subjetivamente atrai os “simpáticos”? Ouso fazer uma hipótese: conforme Freud, em todos os casos de psiconeuroses por ele tratados observou homossexualidade reprimida. Com isso, não afirma (e nem podemos afirmar) que todos os heterossexuais seriam necessariamente homossexuais reprimidos. Porém, na visão freudiana, as crianças são “perversos polimorfos”, no sentido de experimentarem sexualmente, não patologicamente, os “desvios do meramente reprodutivo”. Então, é possível inferir que nossa cultura heteronormativa tende a forjar a heterossexualidade. Caso isso não acontecesse, qualquer orientação sexual ou questão de gênero poderia estar em jogo, sem o ônus da separabilidade e do sofrimento psíquico. Freud rompeu com o biologissismo da psiquiatria do início do século 19, tirando a homossexualidade do terreno patologizante. São essas questões que abordo no e-book O Muro do Mosteiro e Além, romance homoerótico, histórico e ficcional, reconhecido como um memorial LGBT.
É fundamental que as simpatias cresçam, numa corrente libertária e esteja convergente na 18ª Parada Livre e 8ª Marcha Lésbica, a partir das 14h deste domingo, 23 de novembro, na Redenção. Que o colorido, em diferentes matizes, ilumine novas mentes, acabando com as trevas do preconceito, cedendo espaço ao desejo genuíno.

Artigo| A EDUCAÇÃO ESTÁ FAZENDO SUA PARTE

22 de novembro de 2014 0

SOFIA CAVEDON
Vereadora do PT de Porto Alegre

 

Nesta semana ocorre em Brasília a 2ª Conferência Nacional da Educação, culminância de um processo de debates que aconteceu desde os municípios e Estados durante o ano de 2013, numa mobilização de brasileiros e brasileiras, para a implementação dos planos de educação e indicação de ações e estratégias concretas para as políticas de Estado de educação básica e superior. O desafio central é a construção do Sistema Nacional de Educação e a regulamentação do regime de colaboração entre os entes federados.
Do Rio Grande do Sul, seremos 125 delegados representantes dos segmentos das comunidades escolares das redes pública e privada, das entidades de classe, executivos e parlamentos.
Como delegada pelo segmento Vereadores _ por participar das etapas municipal e estadual, e em muitos lugares como palestrante _, sou testemunha e protagonista da produção coletiva de diretrizes para o Plano Nacional da Educação, aprovado e sancionado neste ano, indicando os rumos da educação brasileira para os próximos 10 anos.
De iniciativa do Executivo federal, que chamou a intensa participação social no Brasil inteiro para sua elaboração, nasceu um plano que estabeleceu metas históricas como a de chegarmos progressivamente aos 10% do PIB para a educação brasileira e a ela destinarmos os recursos do pré-sal; universalizar a obrigatoriedade da educação já em 2016, dos atuais seis a 14 anos para dos quatro aos 17 anos, e expandir as matrículas no Ensino Superior dos atuais 15% para 33% da população de 18 a 24 anos.
“A despeito dos avanços legais, o panorama brasileiro continua apresentando desigualdades no acesso, qualidade e permanência de estudantes, em todos os níveis, etapas e modalidades da educação. Para a efetiva garantia desse direito, fazem-se necessárias políticas e gestões que visem à superação do cenário, requerendo a construção do Sistema Nacional da Educação”, afirma o texto de abertura do documento base para os debates.
Nesses dias, estaremos nos debruçando exatamente sobre como será o regime de colaboração entre Estados, municípios e União para que cheguem os novos recursos em gestões que construam um novo patamar de qualidade da educação brasileira, alterando de fato as condições de professores e estudantes para terem sucesso em seu percurso educativo!
Apesar de a Câmara Federal não concordar, a participação social está acontecendo e mudando o Brasil. Na educação, estamos fazendo nossa parte, acompanhem!

Artigo| "MACONHA MEDICINAL": VAMOS RECEITAR JARARACAS?

22 de novembro de 2014 5

SÉRGIO DE PAULA RAMOS
Psiquiatra

 

A polêmica criada pelo deputado médico Osmar Terra e o cineasta Raphael Erichsen sobre o “uso medicinal de maconha” tem ao menos um lado curioso. O médico afirmando que maconha fumada não tem uso medicinal seguro e indicado pela ciência e o cineasta afirmando que tem, sim. O médico, baseando-se em artigos publicados em revistas científicas da maior relevância, tais como Lancet, Jama e Addictions, o cineasta baseado em algumas entrevistas e reportagens. Ambos protagonistas regionais de um debate colocado internacionalmente.
Maconha faz mal para a saúde, principalmente de adolescentes. Rouba inteligência dos usuários, aumenta a chance deles de terem esquizofrenia, depressão e de tentarem suicídio, bem como diminui suas chances de, aos 25 anos, terem diplomas universitários e estarem numa relação amorosa estável.
Por que, então, esse ativismo todo para legalizar a maconha? Simples, hoje ela movimenta um negócio de US$ 140 bilhões/ano e, se legalizada, dobrando o mercado consumidor (como aconteceu, por exemplo, em Portugal), será capaz de igualmente dobrar a receita da indústria do tabaco. Muito dinheiro, talvez o único macronegócio capaz de atrair o capital feroz; e é esse capital que está orquestrando as manifestações pró-legalização, envolvendo, inclusive, alguns intelectuais bem-intencionados.
No início do século 20, a propaganda do cigarro dizia que ele fazia bem para a garganta, para a bronquite e que as mulheres tinham o direito de fumar. A mesma propaganda informava que esse era indicado inclusive por alguns médicos. Hoje dizem coisas bem parecidas sobre a maconha, mas 70% da opinião pública mantém-se contrária à legalização. Essa, até aqui, pelo menos, não se tem deixado confundir.
Um derradeiro pensamento: uma das mais de 400 substâncias encontradas na maconha, o canabidiol, parece ter alguma utilidade terapêutica se isolado e administrado na forma de comprimidos. A bradicinina, encontrada no veneno de jararaca, da mesma forma, é usada como remédio para baixar a pressão arterial. Vamos receitar que hipertensos durmam com jararacas?

Editorial| CONSULTORIAS DE FACHADA

21 de novembro de 2014 0

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O detalhamento de como eram movimentados os bilhões de reais desviados da Petrobras já deixou claro que um dos caminhos mais usuais eram as consultorias de fachada. Na prática, são empresas contratadas supostamente para prestar serviços à estatal, mas que serviam de fato era para sugar grandes quantias de recursos sob um frágil disfarce de legalidade. Até para que as empresas idôneas não sejam confundidas com as especializadas em falcatruas, esse tipo de contrato precisa ser melhor avaliado e fiscalizado, além de devidamente regulamentado, para estancar vazamentos de recursos públicos sem o controle da sociedade.
No caso envolvendo a maior estatal do país, esse era o tipo de procedimento usado por alguns dos principais réus. Entre eles, estão desde o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa até o doleiro Alberto Youssef, incluindo o lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano. A alternativa costuma ser associada a políticos de diferentes partidos, desde que estejam no poder ou ligados à gestão pública em diferentes instâncias da federação. E é usada reiteradamente em casos rumorosos de corrupção, como o do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS) e as suspeitas de fraudes nas licitações de trens em São Paulo. Uma das empresas acusadas em São Paulo, a multinacional francesa Alstom, chegou a abolir as consultorias, usadas principalmente como forma de intermediar e camuflar o pagamento de propinas.
Dinheiro público não pode ser liberado sem o cumprimento de exigências mínimas como a de licitações, nos casos previstos em lei, além da comprovação efetiva do serviço contratado. Os desvios na Petrobras só atingiram as proporções conhecidas agora porque faltaram cuidados mínimos na liberação de recursos, como os direcionados a empresas fraudulentas. Inaceitável em qualquer caso, esse artifício é ainda menos admissível em empresas que, pelo seu porte, mobilizam uma grande quantidade de fornecedores e de recursos financeiros, como a estatal energética.
O caso Petrobras já serviu para reafirmar que as instituições brasileiras estão aptas a apurar desvios de qualquer porte. Falta agora o setor público se equipar para prevenir internamente ocorrências desse tipo, cujos prejuízos não são unicamente financeiros.