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Artigo| A água da cachoeira no fogo do mensalão

30 de maio de 2012 0

E você, caro
leitor, como
diria o grande
Machado
de Assis, o
bruxo do
Cosme Velho,
acha o quê?

CARLOS CINI MARCHIONATTI*

Milhares de brasileiros não admitem corrupção de espécie alguma e estão esperançosos com a CPI do Cachoeira.
Quem não pensou: “Agora vai, agora sim está indo bem, lugar de corrupto é na cadeia ou fora da política que governa o país”.
Quem não se indignou com os diálogos telefônicos entre um senador e o pivô da CPI, do jeito e do tom lapidados na expressão “fala, professor”, que revolta mulheres e homens de bem.
Mas se até as comadres mudam de assunto, por que não a CPI?
Voltemos um pouco no tempo. As coisas nem sempre são o que aparentam. A verdade pode demorar, mas aparece.
A chamada CPI do Mensalão expôs a existência de inédita corrupção.
No ano passado, revista do centro do país apresentou vistosa e surpreendente matéria, de que o então ministro da Justiça durante a crise do mensalão voltou a advogar e teria tanto prestígio, que indicava nomes dos ministros para os tribunais em Brasília.
Aproxima-se o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e eu, como magistrado, tenho fé inabalável na correção dos julgamentos judiciais. Os juízes julgam baseados em provas. Absolvem ou condenam conforme as provas. Custe o que custar, fora daí é arbítrio inaceitável.
Aproxima-se o julgamento do mensalão no STF e “explode” a CPI do Cachoeira, noticiando fatos ilícitos extremamente graves comprometedores de figuras políticas de renome e que poderia atingir até mesmo o STF, onde os acusados do mensalão estão na iminência de julgamento.
Mas que coincidência, tchê. Parece receita da culinária gaúcha. Água na cozinha gaudéria se bota na panela ou para apagar o fogo. Água da cachoeira serve também.
Mas, talvez, o que era para apagar incendiou. A água da cachoeira ateou fogo ao mensalão.
Dito e feito: primeiro, a imprensa em todo o país noticia que a CPI do Cachoeira fora incentivada, preparada, em seguida, a CPI inicia piruetas e reviravoltas para ir do nada a lugar nenhum em benefício do país e das suas instituições, salvo a algazarra para chamar atenção e mandar recados para causar pânico e propiciar negociações e arreglos.
Concomitantemente, ex-ministro da Justiça, mediante paga milionária de R$ 15 milhões, é contratado para defender o pivô da CPI da acusação que lhe pesa na qualidade de advogado, mas e eu me pergunto, ou o foi para (des)articular a CPI diante do conhecimento que tem de fatos e de pessoas pela grande experiência que tem com a sua passagem pelo Ministério da Justiça?
E, tudo junto, incluído, passou-se a pleitear atraso no julgamento do mensalão para livrar os réus.
E hoje, neste exato momento, a imprensa está amanhecendo e vai anoitecer divulgando o encontro do ex-presidente Lula e do ministro Gilmar Mendes no escritório do ex-ministro Jobim, em situação que o ex-presidente teria tentado “conversar” o ministro, que rugiu firme e forte.
E você, caro leitor, como diria o grande Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho, acha o quê?
A vítima deste furdunço é a nação brasileira e as suas instituições, das quais depende o bom funcionamento do país, além do descrédito acachapante da decência e da honestidade cada vez mais desacreditadas.
Persisto na expectativa do bom resultado da CPI e do julgamento do mensalão no STF, por amor e fé nas instituições do país, as quais, mais do que nunca, estão precisando do apoio e da honestidade do bom e decente povo brasileiro, feito de mulheres e homens de bem.

*Desembargador do Tribunal de Justiça, assessor da presidência da Associação de Magistrados Brasileiros

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