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Artigo| E as empresas?

31 de maio de 2012 0

As universidades,
a mídia e o
governo têm
ampliado o
conhecimento
financeiro
no Brasil

ALFREDO MENEGHETTI NETO*

É sabido que a nossa capacidade de raciocínio tem defeitos provocados por forças invisíveis _ emoções, relatividade, expectativas, apego, normas sociais _ que nos induzem a fazer escolhas irracionais. Atualmente, na economia brasileira, existem muitas pressões sobre o cidadão: redução de juros, alíquotas menores de impostos, crédito barato e liquidações. Um fato que agrava ainda mais o problema é o aumento da classe média, que abrange aqueles que possuem renda mensal entre R$ 1.750 e R$ 7,5 mil. Em 2003, eram 65,9 milhões; em 2011, chegaram a 105,4 milhões; e, para 2014, a previsão é de que sejam 118 milhões. Grande parte desses brasileiros não entende nada a respeito de juros e nem se preocupa com o seu futuro, pois gastam mais do que ganham. Existem pesquisas que mostram que 84% dos brasileiros não têm dinheiro guardado porque estão endividados. Essa situação tira o sono, a saúde e o bom humor de qualquer pessoa. O funcionário, preocupado com sua conta corrente, reduz sua atenção para outros assuntos, o que pode levar a falhas, retrabalho, acidentes, dentre outros.
Por outro lado, há casos em que o funcionário provoca a sua demissão a fim de sacar o FGTS para sanar dívidas e antecipar o 13º. Sabe-se que as universidades (com cursos de finanças pessoais), a mídia (que todo dia fala sobre dinheiro) e o governo têm ampliado o conhecimento financeiro no Brasil.
Mas há um agente que está na zona de conforto e tem feito muito pouco sobre esse assunto: as empresas. Na realidade, elas são uma das instituições mais confiáveis por parte dos empregados, pois uma consultoria britânica constatou que 95% dos empregados recorrem ao seu empregador para aconselhamento sobre a sua aposentadoria, porque eles não confiam em companhias de seguros, bancos ou mesmo em consultores financeiros. Entretanto, tanto no Exterior quanto no Brasil, o empregador não quer se envolver na educação financeira de seus funcionários, especialmente no aconselhamento de dívidas, porque não teria retorno algum dessa ação.
Existem alguns casos de empresas que investiram em conhecimento de finanças pessoais e com sucesso. A Volvo do Brasil implantou, em 2003, um programa de educação financeira para seus colaboradores. Isso a colocou no posto de melhor empresa para se trabalhar no Brasil, segundo o Guia Exame. Outro exemplo é o do Grupo Santander, no qual a orientação financeira é tida como valor estratégico que consolida o relacionamento com os seus funcionários, sendo usado o espaço intranet para orientação financeira, indicando sites, livros e artigos.
Concluindo, não resta dúvida de que o cidadão apresenta um comportamento irracional e que esse fato leva ao erro e ao endividamento. Isso, atualmente, está prejudicando a empresa. Portanto, uma ação por parte dela é necessário. Essa atividade deveria ser encaminhada por frentes interdisciplinares, reunindo várias áreas do saber, além da Economia. Caso a empresa não faça nada sobre isso, estará mantendo más atitudes, que trarão dramáticas consequências à sua produtividade.

*Economista da FEE e professor da PUCRS

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