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Editorial| Freio na crise

31 de maio de 2012 0

Ao governo, compete manter prudente distanciamento dos dois episódios, tanto do que envolveu o ex-presidente quanto do iminente julgamento do escândalo ocorrido na sua administração.

Ainda que o Palácio do Planalto negue que o encontro da última terça-feira entre a presidente Dilma Rousseff e o ministro Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal, tenha sido motivado pelo conflito de versões do episódio protagonizado pelo ex-presidente Lula e pelo ministro Gilmar Mendes, é tranquilizador saber que os dois chefes de poderes conversaram sobre o assunto e traçaram uma estratégia comum para atenuar o estrago institucional. As lideranças do Executivo, do Judiciário e também do Legislativo, que é onde desemboca o debate político, precisam agir com sensatez e maturidade neste momento, para evitar que condutas pessoais de autoridades contaminem as instituições.
Já não parece haver dúvida de que erraram todos os personagens do malfadado encontro no escritório do ministro Nelson Jobim. O ex-presidente Lula, por tudo que representa para o país e pela influência que detém no governo e no partido que está no poder, jamais deveria se expor dessa maneira, protagonizando uma conversa inoportuna e suspeita sobre o julgamento do mensalão _ episódio que manchou sua bem-sucedida administração. O ministro Gilmar Mendes também expôs a instituição que representa, primeiro aceitando um encontro descabido na antevéspera de julgamento tão delicado, depois dando publicidade tardia e demasiada a um diálogo que deveria ter interrompido na primeira insinuação. Também foi constrangedor o papel do anfitrião, por ter patrocinado o infeliz encontro e por ter que desmentir um dos dois amigos quando confrontado com as versões conflitantes.
Agora, enquanto o ex-presidente se diz indignado com as acusações e o ministro esbraveja contra supostos “bandidos” e “gângsteres” que estariam tentando desabonar o Supremo, cabe às lideranças sensatas recolocar ordem na casa, sem interromper os processos democráticos em andamento. A CPI do Cachoeira, que ontem aprovou a convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), tem o dever de apurar as responsabilidades de todos os denunciados, sem se deixar envolver por interesses políticos subalternos. Do Supremo Tribunal Federal se espera que dê andamento célere e constitucional ao julgamento do mensalão, agindo com independência e justiça, sem se submeter a pressões externas nem hiperdimensionar o incidente com um dos membros da Corte. Ao governo, compete manter prudente distanciamento dos dois episódios, tanto do que envolveu o ex-presidente quanto do iminente julgamento do escândalo ocorrido na sua administração.
Quanto ao ex-presidente Lula, o mínimo que a nação espera é que ele não comprometa sua reconhecida biografia na tentativa de defender correligionários e amigos envolvidos em malfeitorias.

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