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Editorial| Desinteresse pelo social

30 de julho de 2012 0

Pesquisa realizada entre 17 mil estudantes universitários de instituições católicas em 34 países e divulgada pela Federação Internacional de Universidades Católicas (Fiuc) fornece um retrato significativo da mentalidade da geração que comandará o mundo ao longo deste século. Entre os principais motivos declarados pelos entrevistados, com idades entre 16 e 30 anos, para ingressar na universidade, conquistar um trabalho foi citado por 91%, e vontade de obter uma melhor posição social, por 25%, enquanto a intenção de ser útil à sociedade recebeu apenas 18%.
O levantamento sugere que as preocupações sociais entre os estudantes de instituições católicas não são um reflexo automático de melhores condições de vida. Segundo a socióloga espanhola Rosa Aparicio Gómez, responsável pela pesquisa e professora do Instituto Universitário Ortega y Gasset, os alunos dos países desenvolvidos são os que têm menos interesse pela problemática social. Nesse contexto, a América do Sul fica num meio termo entre os países africanos e europeus.
Esse aparente desinteresse pelo social encontra uma correspondência na atitude dos estudantes em relação às instituições. As piores notas foram atribuídas a órgãos comunitários, como polícias (2,8), governos (2,3) e políticos (1,9). A melhor avaliação recaiu sobre as instituições educacionais, com 4,1, seguidas das religiosas, com média 3,7.
É preciso que autoridades, sistemas de ensino e organizações não governamentais encontrem formas de reverter a frieza em relação à temática comunitária, uma vez que disso depende não apenas a governança internacional, mas o próprio conceito de cidadania em escala global. Cidadãos descomprometidos com o social só contribuirão para beneficiar políticos a sua imagem e semelhança, capazes de virar as costas para o eleitorado a partir do momento em que são eleitos. Uma das ferramentas possíveis para melhorar esse quadro é a internet. As redes sociais estão presentes no cotidiano de 94% dos entrevistados. É inadmissível que, no momento em que proliferam esses ambientes, que embutem o social no próprio nome, haja tamanha apatia em relação aos temas que dizem respeito a todos.

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