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Artigo| Drogas e ideologia

31 de julho de 2012 1

Trabalhos
científicos
alertam para a
responsabilidade
das drogas
ilícitas em
boa parte
dos acidentes

OSMAR TERRA*

Existe uma grande confusão ideológica no tema das drogas ilícitas. Aí encontramos até ultraliberais de mãos dadas com anarquistas. São pregadores da liberdade individual sem restrições, acima até da responsabilidade com a sociedade. Propõem que o Estado não deve reprimir e se possível, nem existir. Uma de suas expressões mais importantes é o libertarianismo, que tenta substituir o liberalismo nos EUA e no mundo. Inspirados por um coquetel de pensadores que vão de Milton Friedman a Proudhon, pregam a liberdade de cada um em fazer o que quiser, inclusive drogar-se. É bom lembrar que os países socialistas são os que mais reprimem tanto o uso quanto o tráfico de drogas.
Na ZH de domingo, um respeitado articulista fez uma crítica ao “Manifesto Contra a Descriminalização do Uso de Drogas”. Ele acusa-o de impedir o debate e de não citar evidências científicas, e usa o relatório do Instituto Cato sobre drogas em Portugal como sua referência sobre o assunto.
Ora, fizemos um manifesto, como resposta a muitas manifestações na grande mídia, favoráveis à liberação. Não é um compêndio de citações, embora cada frase tenha embasamento em evidências e em publicações internacionais. É bom que se diga, o exemplo dado pelo articulista, do relatório do Instituto Cato, sobre a política de descriminalização das drogas em Portugal, contém forte viés ideológico. De um lado é baseado nos dados do IDT, instituição presidida, na época, pelo Dr. João Goulão, condutor e principal interessado em demonstrar o sucesso da política portuguesa sobre drogas. De outro é feito pelo Instituto Cato, que é o principal promotor e divulgador das ideias libertarianas nos EUA. Portanto, sua isenção fica muito prejudicada.
Para chegar ao texto do manifesto buscamos fontes mais isentas de evidências sobre o assunto, que são: os relatórios da agência da ONU sobre drogas, a Unodoc, sobre a Suécia (fevereiro de 2007), do Espad de 2011, do Centro Europeu de Monitoramento para Drogas (EMCDDA), e do International Narcotics Control Board (ONU), de 2011. Além de outras publicações especializadas.
Em relação às drogas ilícitas como causadoras de acidentes, realmente o Brasil não tem testes, nem dados estatísticos sobre o assunto. Daí o álcool, facilmente detectável pelo bafômetro, aparecer como única droga causadora de acidentes. Mas trabalhos científicos como o de Julio Ponce e Vilma Leyton, http://migre.me/a5YDY, alertam para a responsabilidade das drogas ilícitas em boa parte dos acidentes.
Quanto às ilações feitas pelo articulista, sobre relações de campanha de parlamentares signatários com a indústria da bebida, é a velha tática de desqualificar quem tem opinião contrária. Nunca passou pela minha cabeça, que os defensores da descriminalização do uso de drogas ilícitas estivessem a serviço de grandes indústrias, capazes de produzi-las em grande escala.
Nossa preocupação, como a do articulista, é com a saúde e a vida de milhões de pessoas. Isso exige um debate aprofundado de conteúdo fático do tema, acima das questões ideológicas. É o único caminho para ajudarmos toda a sociedade.
* Deputado federal (PMDB/RS), ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul

Comentários (1)

  • Yuri Bueno Cuiabá diz: 24 de maio de 2013

    Rapaz, faça-se bem provido de idéias. Sabe qual o problema nisso tudo? Sua cabeça. Você deve ter 15 mesmo na cabeça, agora fiquei em dúvida se é o teu apoiado ou a medição da sua massa cefálica (15cm). RSRS

    Boa sorte no teu caminho, é mais da metade do brasil contra tu!

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