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Artigo online| Cultivo humano nos sítios de relacionamentos

07 de agosto de 2012 0

Os políticos já
sabem disso. E,
hoje, ao invés
de beijar
criancinhas
pelas ruas, nos
mandam links
bipolares

DILSO JOSÉ DOS SANTOS*

Os dias de hoje nos trazem novidade, rapidez de informação e praticidade na arte da convivência. Não seria maluco em afirmar ou negar piamente essa lógica, mas, na fuga da alienação, não há como estar fora disso sem cometer o pecado da não existência (pelo menos no âmbito virtual, já que praticamente todos estão por lá e, creio, só é possível existir pelas suas vozes, ou no caso, pelos teclados). Conheço amigos que até tentaram fugir disso. Outros, mais resistentes, ainda insistem em não adentrar por aquelas paragens “inférteis”, em suas opiniões. Contudo, temendo a falta de trânsito humano por não pegar carona no veículo da máquina, o tempo certamente os fará ceder quando não encontrarem mais ninguém nas ruas. Não estou defendendo nenhum “site” de relacionamento ou a extinção de praças e locais de encontros reais, apenas tendo ser razoável ao tratar dos espaços virtuais, uma vez que ando passeando e existindo por alí também e cada vez mais se apagando para os encontros que exigem um pouco mais de interação física do tipo olho no olho.
Não sei se há coerência neste meu trato, o que sei é que não podemos tapar os ouvidos para o “boom” que isso se tornou, visto _ no que temos observado _ a força incrível quando o assunto inclina-se a decisões de algo que, por insistências de links, acabam por vezes no território arriscado do comum acordo. Veja, por exemplo, a quantidade de candidatos que andam nos enviando convites nestes tempos tortos e eleitoreiros; acompanhem as inquietações cada vez mais afuniladas para o pessoal, dá até para saber o ânimo em que se encontra a pessoa do outro lado, até quando ela vai fazer xixi, sabemos; e veja também o quanto os olhares se cruzam ao manifestar pensamentos que minutos depois já são frutos de arrependimentos. Meu medo é que as pessoas caiam nas armadilhas das repetições emocionais de outrora, digo isso de maneira a prever uma espécie de conspiração, pois, nos momentos em que estamos vulneráveis (e vemos muito isso) um simples digitar consolador pode criar uma atmosfera perigosa de interesses que ultrapassam o outro e acaba por proliferar-se. Perigosa essa interação, o que é natural quando muitas ideias se atropelam em um mesmo lugar. Cuidado, os políticos já sabem disso. E, hoje, ao invés de beijar criancinhas pelas ruas, nos mandam links bipolares, perpassando pelos adoráveis onde tudo são gentilezas e colorido, até críticas contundentes à oposição (esta disposta em Maquiavel, O Príncipe. Não é uma ideia nova!).
Enfim, acho que devo parar por aqui para não me comprometer mais. Isso também é perigoso!
* Mestrando em Letras pela Unisc

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