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Artigo| O fetiche da "igualdade social"

29 de agosto de 2012 1

FÁBIO OSTERMANN*

Causou certa repercussão na mídia recentemente um estudo da ONU que aponta o Brasil como o quarto país com maior desigualdade de renda na América Latina. Não é algo que chegue a surpreender, dados os fortes contrastes com que  deparamos diariamente. Causa certa estranheza, no entanto, que seja a desigualdade, e não a pobreza em si, o que incomoda tanto a tantos. Impera uma espécie de fetiche quanto a uma utopia de “igualdade social” que só poderia ser alcançada por meio de políticas de “redistribuição de renda” que, como o próprio nome diz, serviriam para corrigir uma distribuição ocorrida previamente _ no caso, aquela resultante das trocas voluntárias no mercado.
Tal solução é problemática, pois ignora o fato de que o Brasil é, antes de mais nada, um país pobre. Temos o sexto maior PIB do planeta, conforme amplamente alardeado recentemente, mas com a quinta maior população e somente o 75º maior PIB per capita. Ou seja, ainda que toda a riqueza do país fosse distribuída igualmente entre cada um de seus habitantes (algo impossível, diga-se de passagem), o Brasil ainda seguiria sendo pobre. Países como Panamá, Botsuana, Gabão, Irã e Costa Rica seriam mais ricos do que nós.
Além disso, a ideia de que os ricos só o são às custas dos pobres é, em geral, equivocada. Excetuados casos em que a renda é obtida por meio do processo político (o chamado rent-seeking), só há uma maneira de enriquecer: oferecendo algo que outras pessoas queiram. Isso vale tanto para o atleta que chuta uma bola de maneira que agrade a seus torcedores quanto para o empresário que oferece um bem ou serviço que torne mais fácil a vida de seus consumidores. Se eu opto por dar meu dinheiro para um time de futebol em troca de duas horas de divertimento, é sinal de que eu valorizo mais esse serviço do que o preço pago por ele. Se não valorizasse, não teria pago. Se a troca é voluntária, as duas partes envolvidas saem ganhando (enriquecem), pois o mercado não é um jogo de soma zero com uma quantidade fixa de riqueza.
O essencial, portanto, é que haja um ambiente de liberdade para investir, empreender e comerciar para que mais e mais riquezas sejam geradas e distribuídas no mercado conforme a preferência dos consumidores. Essa estratégia obteve enorme êxito nas sociedades onde a pobreza relativa (“menos ricos”) aboliu a pobreza absoluta. O outro caminho _ da redistribuição por meio do Estado _ é perigoso, pois incentiva o empreendedorismo político em detrimento do empreendedorismo de mercado.

*Consultor, associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

Comentários (1)

  • Fernanda Luchine diz: 3 de setembro de 2012

    Gostei do op-ed. De vez em quando é bom lembrar aos developmentalists mais radicais, em alguns casos, que os ricos não são necessariamente ricos as custas dos pobres…Na minha opinião, esse argumento alimenta uma hipocrisia desnecessária que só divide ainda mais a sociedade. E sociedade insatisfeita e carente ( e desigual? como queiram chamar…) = terreno fértil para porks e rents, daqueles que levam à corrupção e outros males políticos que afetam a todos nós – independente da renda.

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