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Artigo| SUS: voto por vaga

29 de setembro de 2012 0

PAULO DE ARGOLLO MENDES*

Mortes decorrentes da falta de leitos no Estado passaram a ser corriqueiras, sugerindo uma inércia dos responsáveis pelo SUS. Esta semana, mais um recém-nascido do Hospital de Canguçu faleceu antes de conseguir uma vaga em UTI neonatal, já que a do estabelecimento está interditada desde janeiro. No começo do mês, um paciente morreu após peregrinar por mais de 900 quilômetros em busca de atendimento especializado. A esses fatos, soma-se a divulgação pelo Conselho Federal de Medicina de levantamento que aponta o fechamento de aproximadamente 2,5 mil leitos no Rio Grande do Sul nos últimos sete anos, isto é, 10% de redução na estrutura disponível. É de se notar que, pelos dados do próprio Ministério da Saúde, o enxugamento de vagas do SUS há chega a 32,2% nos últimos 18 anos, uma média de quase 2% ao ano. Trata-se, portanto, de um processo que se mantém e se agrava ao longo do tempo.
Simultaneamente, noticia-se que a saúde é o problema prioritário a ser resolvido pelo novo prefeito, na opinião de 40% dos eleitores da Capital. Desnecessário apontar a demora em conseguir uma consulta especializada e a triste rotina das centenas de pessoas amontoadas em macas nas emergências dos hospitais. Um grande hospital filantrópico já fez estudo acurado e identificou que, para cada R$ 100 gastos com um paciente do SUS, menos de R$ 70 são ressarcidos. Isto é, num grande hospital, de administração tida como exemplar, cada atendimento gera prejuízo líquido e certo de mais de 30%, que é coberto com as receitas provenientes de convênios privados. Os pequenos estabelecimentos do Interior, no entanto, não dispõem desta alternativa. A única forma de evitar a falência é reduzir o prejuízo diminuindo o número de leitos.
Temos o paradoxo de que a população quer mais do que tudo resolver as deficiências da saúde, todos os candidatos prometem esta solução, o problema se arrasta ao longo das décadas e nada é feito. Ocorre que, na cabeça do eleitor, não está feita a conexão entre o seu voto e a vaga no SUS. Quer-se a solução do problema, mas ela não é levada em conta no momento da eleição. É fundamental que cada um de nós tenha a clara percepção de que ao votar estará determinando o número de leitos e o acesso ao atendimento médico.

*Médico e presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers)

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