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Artigo| Mãos ou cérebros?

30 de outubro de 2012 0

Temos
consciência
de que
precisamos
de mãos,
mas muito
mais de
cérebros

HEITOR JOSÉ MÜLLER*

Nações desenvolvidas nos ensinam que educação e crescimento econômico são indissociáveis. Uma lição importante que o mundo globalizado nos lega é justamente esta: sem uma estrutura de ensino adequada, não há como garantir competitividade, muito menos um ambiente inovador. Se até há algum tempo nossas escolas técnicas formavam “mão de obra”, hoje essa denominação esgotou seu prazo de validade. Por isso, é imprescindível ter presente a nova revolução industrial que estamos vivendo, caracterizada pela sociedade do conhecimento. Cada vez mais, vamos substituir a formação de “mão de obra” pelo investimento em “inteligência inovadora” _ em outras palavras, a atividade meramente manual pela que agrega conhecimento.
A missão é desafiadora. Até 2015, o Rio Grande do Sul precisará formar 554,3 mil trabalhadores, somente entre os profissionais da indústria de nível técnico e os de áreas de média qualificação. A Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), aceitou o desafio proposto no Mapa do Trabalho Industrial 2012, lançado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Soma-se assim ao esforço para compensar o fato de apenas 6,6% dos brasileiros entre 15 e 19 anos estarem em cursos de formação profissional. Na Alemanha, por exemplo, o índice alcança 53%.
São temas como esses que estarão na pauta do 5º Congresso Internacional da Inovação, promovido pelo Sistema Fiergs e que começa nesta terça-feira no Teatro do Sesi. A educação criativa como ferramenta para a elevação da competitividade industrial surge como o caminho do futuro que queremos. É cada vez maior o percentual de organizações com dificuldades para preencher as vagas disponíveis. Executivos da área de recursos humanos insistem em que o problema é um entrave para a expansão das atividades. O que fazer, então, para removê-lo?
Há mais de seis décadas, a Fiergs tem uma atuação destacada na área educacional. O trabalho é desenvolvido em sintonia com as necessidades imediatas do mercado. Segue também as recomendações do Banco Mundial (Bird), que defende a educação profissional e tecnológica sob a responsabilidade de organizações do setor privado. A indústria, por meio de sua instituição máxima, tem melhores condições de avaliar e orientar os recursos humanos dos quais necessita para o seu dia a dia, garantindo formação em áreas que estejam realmente sendo requisitadas pelo mercado.
Tanto no caso da educação básica e continuada oferecida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) quanto no da educação profissional e tecnológica a cargo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), chamam a atenção aspectos como o elevado interesse por parte dos alunos em aprender e a vontade de fazer tudo da melhor forma possível. É uma realidade distinta da registrada com frequência no ensino formal.
Cada vez mais, o perfil do técnico de nível médio é modificado por demandas emergentes. Crescem as exigências por novas habilidades, que levam à preferência por profissionais empreendedores, autônomos e proativos, em condições de atuar num sistema informatizado e dinâmico. Temos consciência de que precisamos de mãos, mas muito mais de cérebros. A indústria, de forma planejada, quer e tem todas as condições de contribuir para essa transição, pois só acredita em desenvolvimento baseado num pressuposto: o pilar educação.

*Presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs)

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