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Artigo|Sobre a tragédia na Boate Kiss em Santa Maria: quem são os responsáveis?

28 de janeiro de 2013 2

LAÉRCIO BARBOSA*

Até o momento em que escrevo são 233 mortos e 170 feridos, muitos gravemente. Mortos e feridos, em sua grande maioria, jovens com idade entre 16 e 30 anos, que buscavam tão somente diversão, e encontraram a morte e muito sofrimento. Frente a uma tragédia dessas dimensões, das autoridades, só se pode esperar toda a atenção, solidariedade e auxílio às vítimas e seus familiares.
Mas, mesmo frente à dor e a tristeza, é preciso preservar nossa indignação frente a uma situação que, sem medo de errar, não tem nada de particular. Todos os finais de semana, em todo o país milhões de jovens buscam os meios de se divertir. Os que dispõem de algum recurso são atraídos para casas do tipo da Boate Kiss ou arapucas do mesmo estilo, sem se dar conta do perigo que correm.
No caso da Boate Kiss, as informações dão muitas pistas do descaso para com as vidas ali presentes: isolamento acústico inadequado (essa espuma que iniciou o incêndio, equivocadamente usada como isolante acústico, mas apenas, no máximo reduz levemente o ruído, é extremamente combustível), extintores que não funcionavam, rota de fuga em número insuficiente e pessoal sem qualquer treinamento para situações de pânico. E há quem ganhe muito dinheiro com isso.
O pano de fundo é a falta de políticas públicas para a juventude, desprovida de acesso à diversão sadia, o que lhes é oferecido são ou as drogas ou as Boates Kiss pelo país a fora.
De outro lado, assistimos o descaso dos responsáveis públicos, principalmente, em primeiro lugar o municipal, que tem o papel de controle e fiscalização dessas arapucas humanas, que é o que dispõem a juventude para ter acesso a alguma diversão. Cabe também ao prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, explicar pôde funcionar a Boate Kiss depois de cinco meses com alvará vencido? E os bombeiros? Será que, em suas inspeções, não viram o material combustível ou os extintores que não funcionam, as saídas insuficientes?
Os jovens que conseguem escapar das drogas, do crack, mal sabem que ao entrar nessas casas noturnas correm o risco de ter um destino similar.
A presidente Dilma esteve em Santa Maria o que é correto. O governador Tarso prometeu até quarta-feira o resultado do inquérito.
De fato, passado o impacto inicial frente à tragédia, o que o povo espera das autoridades é a apuração sem tergiversação com a consequente punição do responsável ou dos responsáveis pela tragédia.

*membro direção Estadual do PT/RS

Comentários (2)

  • Gustavo Mezzomo diz: 29 de janeiro de 2013

    Falando sobre a tragédia da Boate Kiss, após observar diversas notícias que restaram veiculadas pela imprensa, uma em especial me deixou revoltado e enojado. Trata-se da entrevista concedida pelo Comandante Militar dos Bombeiros de Santa Maria/RS, hoje pela manha no Bom Dia Brasil. Quando questionado acerca das obrigações legais de fiscalização atribuída a instituição da qual é o comandante, a resposta concedida ao Chico Pinheiro foi com o intuito de justificar a omissão estatal deste órgão em relação a tragédia que chocou não só aquele comunidade, mas também o Brasil e o Mundo. Se houve tanto falar em investigação severa, mas porque também não investigar a omissão estatal. Parece-me claro que ao invés de pedir PERDÃO aos familiares das vítimas – como muito bem colocado em artigo publicado por um renomado Promotor de Justiça do qual fui estágiário tempos atrás – o objetivo estatal e se posicionar de forma a transferir a sua responsabilidade e justificar a sua omissão. Este próprio cidadão deve ter sido o responsável pela vistoria realizada no local e, portanto, devia ter ciência de que a casa não poderia operar da forma como projetada, onde sequer havia uma saída de emergência, ou seja, aquilo era um verdadeiro labirinto e isso deveria ter sido apontado, porém não o foi. Se não bastasse, poderíamos citar como um exemplo positivo a ser seguido em relação ao caso posto, que foi a tragédia ocorrida em Buenos Aires, quando não somente os proprietários da casa noturna foram responsabilizados, mas também aqueles que tinham a obrigação legal de fiscalizar, como por exemplo, o próprio prefeito. Não há se falar, ao menos por ora, em tornar a legislação mais severa, pois se aqueles que possuem sua atribuição legal de fiscalizar assim não fizer, de nada vai adiantar. Entendo que o momento é oportuno para confortar as famílias enlutadas e que perderam seus entes queridos. Não é hora de politicagem.

  • Luciano Muller Correa da Silva diz: 29 de janeiro de 2013

    Pergunte ao governo, atualmente de seu partido, o que tem feito para a proteção dos jovens em nosso país…Pergunte à presidente porque da demora da regulamentação da lei 12.546/11 de 14 de dezembro de 2011 que estabelece o fim do fumódromo, o fim definitivo do uso do tabaco em recintos fechados e coletivos e a restrição da propaganda em pontos de venda. Após mais de um ano de sua promulgação, a lei ainda não foi regulamentada. Isso significa dizer que nada pode ser definido e nada pode ser fiscalizado. Porque essa demora? Muitas organizações não-governamentais e Sociedades Médicas vem acompanhando esse processo e afirmam, claramente, que o nosso governo tem sido omisso e conivente com a falta de transparência na iniciativa de regulamentação dessa lei, em parte pelo lobby representado pela indústria do tabaco. O que o governo tem feito, realmente, pela proteção dos jovens, se falha em conseguir combater a chaga do tabagismo?

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