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Artigo| A dor de uma tragédia humana evitável

30 de janeiro de 2013 0

WALDOMIRO VANELLI PINHEIRO*

O mais trágico de uma catástrofe como o incêndio de Santa Maria é a certeza de que poderia ser evitada. Para isso, bastaria que as leis fossem cumpridas. Mais um horror, fruto da displicência, irmã gêmea da incompetência.
As palavras perdem o sentido. A dor da perda é o que todos sentimos naquela manhã de domingo que tinha tudo para ser igual aos outros, mas foi de tristeza, revolta e dor. A angústia da espera e do desespero traumatizaram milhões de brasileiro. É o sentimento coletivo diante de um fato que foge à nossa compreensão. Santa Maria fez o Brasil chorar.
“Por que acontece isso?”, é a primeira pergunta que muitos se fazem ao ver as imagens dramáticas dos mortos, feridos e das lágrimas que rolavam sem parar. As pessoas, sem entender, olhavam para o alto na busca por uma resposta. As grandes tragédias nos comovem porque nos transportam para dentro delas. E ficamos lá, durante muito tempo.
As sequelas são imensas, sobretudo quando do pânico resultam tantas mortes inesperadas. As pessoas são surpreendidas, em momento, cenário, vestes, atitudes e circunstâncias “impróprios para morrer”, em uma cultura funerária como a nossa, tradicional, que pressupõe a morte em família.
Até o meio daquela madrugada, as vítimas festejavam a vida. Horas depois, quando o sol se erguia sobre a cidade universitária, jaziam no chão. Os pais iam chegando, todos trêmulos, para aguardar a identificação dos corpos, na medida em que eram anunciados os nomes dos seus filhos. Tantos sonhos lindos transformados em pesadelos sem fim.
Quando não é a crueldade do trânsito que trucida é o fogo que asfixia, intoxica e mata, ceifando vidas humanas preciosas. Quem de nós, pais e mães, com filhos estudando ou trabalhando fora não fica de coração apertado? Quem de nós não chora em silêncio de tanto ver aqueles pais chorando a agonia e morte de seus filhos?
Aconteceu em Santa Maria, como também poderia ter acontecido em qualquer outra das tantas casas noturnas que funcionam sem nenhuma fiscalização. Depois da tragédia, então sim, as providências são anunciadas.  Mas, logo chega o Carnaval, vem a Semana Santa, e fica tudo no mesmo.

*Professor de Direito da URI

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