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Artigo| Luz de Alerta

31 de janeiro de 2013 0

EDUARDO FUHRMEISTER*

A tragédia ocorrida em Santa Maria neste final de semana nos acende uma luz de alerta para a falta de preocupação e fiscalização no Brasil, no que diz respeito a planos de contingência de emergências. O brasileiro tende a achar que tudo vai dar certo, conta com o melhor dos cenários, deixando para trás um planejamento que, bem estruturado, poderia salvar vidas.
Peguemos o exemplo da Austrália _ país com altíssimos números de incêndio e baixo número de mortes. O país estruturou um código de construção civil que exige medidas preventivas para todo e qualquer imóvel, referindo-se não somente a materiais utilizados na construção e decoração, como também um plano de evacuação, sinalizações, portas de saída, limites de ocupação do prédio, extintores, hidrantes, sprinklers (chuveiros automáticos), exaustores de calor e fumaça e por aí vai. O proprietário que não cumpre com essas regras está sujeito a severas punições.
A figura do bombeiro australiano é vista como um verdadeiro herói. Além de combater incêndios, dão treinamentos de evacuação em escolas e fiscalizam obras para avaliar a aplicação das regras citadas acima. Eles são devidamente treinados, possuem equipamentos, veículos e ferramentas modernas e fundamentais para o exercício de sua profissão e, acima de tudo, são bem remunerados. Inclusive com a adoção de bônus para os que se destacam, utilizando a meritocracia para se obter melhores profissionais. O trabalho desses homens é visto pela sociedade com tamanha importância que qualquer cidade, por menor que seja, possui um pequeno corpo de bombeiros. Isso tudo é pago com um valor de impostos estimados em 30% do PIB _ considerado alto dentre os países livres, porém muito bem aplicado.
Em comparação, o que temos no Brasil? Pagamos uma das mais altas cargas tributárias do mundo, e faltam-nos equipamentos, veículos, ferramentas, treinamento, para citar alguns. Dependemos de doações de outros países e ainda assim a Receita Federal impõe restrições para que essas doações entrem aqui. Nossos bombeiros são mal remunerados e em muitas cidades dependemos de um voluntariado. A fiscalização é falha e a impunidade reina.
Seria a hora de o Estado cessar preocupações supérfluas e realmente cuidar do essencial? Para que tragédias como essa não mais ocorram, é necessário que o Brasil aprenda _ e é papel da sociedade cobrar _ a importância da prevenção, fiscalização e punição.

* Empresário e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

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