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Editorial| Bafômetro zero

31 de janeiro de 2013 4

Sem concessões. É assim, com o rigor que a questão exige, que devem ser cumpridas as normas agora baixadas pelo Conselho Nacional de Trânsito, disciplinadoras das novas regras da Lei Seca. A tolerância com o álcool ao volante passou a ser zero a partir de ontem. O limite do bafômetro (que é como ficou popularizado o aparelho chamado etilômetro) passa a ser 0,05 miligramas de álcool por litro de ar. Ou seja: qualquer ingestão de bebida alcoólica será registrada e poderá resultar para o motorista flagrado uma multa por infração gravíssima (R$ 1.915,30), além de impedimento de dirigir por um ano. E se o equipamento marcar 0,34 mg/l ou mais, o motorista responderá por crime, podendo ser condenado de seis meses a três anos de prisão. Para completar, a nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito também possibilita que vídeos, depoimentos de testemunhas e relatos dos policiais passem a valer como provas contra os condutores que se recusam a se submeter ao teste do sopro.
Pode parecer rigoroso demais. Mas as estatísticas têm comprovado que a Lei Seca já evitou milhares de mortes desde sua implantação em 2008. Então, o novo arrocho se justifica plenamente, até mesmo porque faltam poucos dias para o Carnaval, período em que as pessoas abusam na ingestão de bebidas alcoólicas. Embora a ingestão de bombons com licores e de certos medicamentos também passe a ser registrada pelo bafômetro zero, as autoridades vêm alertando sobre a extinção de tais efeitos em poucos minutos. Caso ocorra uma dessas improváveis exceções, o condutor poderá esperar alguns minutos e fazer novo teste, para provar que não bebeu.
Não vai resolver tudo, evidentemente. Outros fatores, como o excesso de velocidade, a imprudência, as ultrapassagens indevidas, carros e estradas em más condições, também concorrem para o morticínio que se verifica todos os anos nas estradas brasileiras. Mas o veto total ao consumo de álcool por motoristas é um sinal eloquente de que não haverá mais tolerância com infratores.

Comentários (4)

  • Daniel Wolf diz: 31 de janeiro de 2013

    Essa Tolerância Zero é uma falácia! Um absurdo! Uma tentativa inexplicável de transformar um cidadão comum em criminoso. Essa lei não faz sentido e não tem lógica alguma. O pretexto é acabar com os acidentes por culpa de motoristas bêbados, mas uma pessoa que ingeriu uma latinha de cerveja ou bebeu uma dose de whisky fica bêbada? Eu não conheço ninguém que se embebede com tal quantidade. E mais… cada um sabe de si e da responsabilidade que carrega. Se a lei dissesse ‘prisão perpétua ou pena de morte pra um motorista bêbado’ estaria certa, mas a lei defende que a pessoa que bebeu uma caixa de cerveja é tão criminosa quanto quem tomou um gole de vinho numa degustação no supermercado (O.o ???). Isso é um total absurdo e uma afronta ao cidadão de bem desse país! É uma afronta a inteligência das pessoas. Por que os nossos maravilhosos e ‘santos’ governantes não começam a moralização do transito nos ‘presenteando’ com estradas melhores, carros melhores, sinalizações melhores e outras providencias muito mais úteis para acabar com os acidentes? Essa lei é inútil e criminosa!

  • Paula Tejano diz: 31 de janeiro de 2013

    Lei Seca: Seca meu bolso e molha meus olhos.
    Essa lei é mais inútil do que buzina de avião. Só pra tirar o dinheiro do Zé Povinho.

  • Caio Rolando da Rocha diz: 31 de janeiro de 2013

    A gasolina sobe e a tolerância no bafômetro cai. Vou começar a andar de busão. =]

  • Gabriel Wolf Flores diz: 1 de fevereiro de 2013

    Acredito que os psicotécnicos deveriam ser melhor desenvolvidos para encontrar pessoas com tendência a sociopatia e outros desvios de conduta que se agravam e se acentuam na presença do álcool. A bebida em si, quando em excesso, traz a redução dos reflexos, a sonolência e a dificuldade de concentração, mas o sentimento de super-herói e a burrice diante da própria situação, não. Ainda assim, não discordo totalmente da lei seca, mas se os carros não fossem tão potentes, as estradas estivessem em condições melhores, houvesse mais alternativas de transporte coletivo nos horários em que normalmente as festas terminam, entre outras pequenas coisas, talvez ela fosse menos questionável e mais respeitável. A legislação só funciona de fato quando há estrutura para que ela seja viável.

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