Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Artigo\ Salve papa Francisco

14 de março de 2013 0

O primeiro
papa jesuíta
da Igreja
carrega consigo
a história dos
novos povos
evangelizados

GERSON SCHMIDT*
A eleição do primeiro papa latino-americano, não europeu, é sem dúvida uma surpresa para todo o planeta, um simbolismo sem igual. A estação da primavera começará logo na Europa e uma nova primavera parece desabrochar na Igreja, semelhante à eleição do papa João XXIII, que deu a grande abertura do Concílio Vaticano II, que fez um novo ar entrar nas janelas das catedrais e igrejas.
Minutos antes, na hora do ângelus, que se atribui ao anúncio do Anjo à Maria, como um sinal do céu, uma pomba pousou em cima da chaminé mais vigiada do mundo. Parecia anunciar a presença do Espírito Santo, como na Arca de Noé e no Batismo de Jesus, já confirmando que o novo papa estava eleito pelo conclave dentro da Capela Sistina. Tão logo ao soar dos sinos, anunciando aquele que vem em nome do Senhor, a chuva em Roma parou. Não se esperava tão cedo a fumaça branca. Diferente do que se proclamava pela mídia de grandes divergências, a eleição do novo papa, em menos de 24 horas, revela que os cardeais chegaram logo a uma unidade, o que será sem dúvida um bem para a Igreja, tendo acontecido tão somente uma votação a mais do conclave da eleição anterior, de Bento XVI. Os cardeais eleitores, cientes de que a Igreja vive um momento difícil e delicado, surpreenderam o mundo elegendo um papa já experiente, não tão novo como se esperava, muito menos italiano, como seria a tendência a voltar a eleger alguém de casa, próximo ao Vaticano.
O primeiro papa jesuíta da Igreja carrega consigo a história dos novos povos evangelizados, conquistados pela Companhia de Jesus (jesuítas), e pelos desbravadores missionários que abriram caminhos da fé na América e em outros continentes. Escolhe como onomástico São Francisco Xavier, que foi cofundador da Companhia de Jesus e que trabalhou no oriente, tornando-se merecidamente o Patrono Universal das Missões, ao lado de Santa Teresinha do Menino Jesus. Foi um grande missionário que avançou na evangelização dos povos que não conheciam Jesus Cristo. Certamente iluminará o novo papa a ter esse vigor para a tão desejada e mencionada Nova Evangelização, para a reevangelização da Europa e, sobretudo, dos países asiáticos, tão secularizados. Ele mesmo convidou os vigilantes e incansáveis fiéis congregados na praça São Pedro “a tomarem o caminho da fraternidade, do amor” e “da evangelização” e pediu num minuto de silêncio: “Rezem por mim e deem-me a vossa bênção”. E a praça vibrante fez um silêncio sepulcral e orou pelo novo Vigário de Cristo. Amor e unidade, palavras essencialmente latentes do Evangelho, ressoaram da boca do novo papa, na sua primeira aparição na janela do Vaticano, “para que haja uma grande fraternidade”. Palavras tranquilas, sereníssimas, num discurso livre e sem leitura, que propõe o tom de seu papado: “Rezemos uns pelos outros, para que haja uma grande irmandade. Este caminho deve dar frutos para a Nova Evangelização”. Francisco tem o apoio da massa dos católicos e a credibilidade que o mundo dá para a Igreja Católica, testificada pelas mais variadas estatísticas atuais.
Jorge Mario Bergoglio, o novo Sumo Pontífice, sempre foi um homem de caráter, de grande espiritualidade, que pode ponderar o divino com o humano. O cardeal tem uma doutrina teológica claríssima, uma eclesiologia sólida, da melhor ortodoxia, mas, por outro lado, transmite o dinamismo que traz o frescor do pedido do povo de Deus, como salientou em seu primeiro discurso, propondo diálogo entre bispo e povo. Seu gesto humilde em brincar com “ser do fim do mundo”, em rezar o Pai-Nosso por Bento XVI e em se inclinar para pedir ao povo que rezasse por ele, para que Deus o abençoasse, antes de ele dar a primeira bênção papal, parece um novo esplendor na Igreja, que não deve ser imperialista ou triunfalista, mas a voltar, sempre de novo, ao humilde gesto de Cristo do lava-pés. Mais do que belas palavras, o mundo precisa de gestos singulares. Que Deus abençoe o nosso pastor, pai e guia.

Envie seu Comentário