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Artigo| Lugar de bandido é na cadeia

27 de março de 2013 3

Investir na
polícia traz
calafrios em
muita gente,
mas nós temos
que decidir de
que lado ficar

ONYX LORENZONI*

Por incrível que possa parecer, essa frase é polêmica no Brasil. Anos e anos de ideário de esquerda construíram na cabeça de muitos brasileiros que bandido é uma “vítima da sociedade”. Que ele somente entrou na criminalidade por falta de oportunidades. Pois bem, façamos uma breve reflexão. De acordo com os dados oficiais, vivemos uma oferta de emprego em patamares elevados. De onde se deveria concluir o seguinte: se há empregos, então há oportunidades, logo a criminalidade no Brasil deveria estar diminuindo. Mas, não é isso que se vê. A criminalidade aumenta. E mais grave. A crueldade aumenta. Isso acontece porque a leitura do problema sempre foi equivocada. Considerar que pobreza e falta de oportunidade levam a criminalidade nos levaria a concluir que todo pobre é bandido. Nada mais absurdo. Um cidadão de bem não admitiria cometer crimes, mesmo frente a grandes dificuldades. Criminalidade tem a ver com questões morais de caráter pessoal.
O problema da segurança pública por certo tem raízes sociais e culturais, mas seu combate diz respeito a como o governo encara o problema e como ele o enfrenta. Se formos movidos pelo sentimento de condescendência em relação ao criminoso, estaremos sendo omissos e impiedosos em relação às verdadeiras vítimas do crime: o cidadão de bem.
Há uma farta quantidade de exemplos de países que venceram a batalha contra sua criminalidade. E nem precisamos recorrer a exemplos norte-americanos como a “Tolerância zero” implantada em Nova York. A Colômbia e o Chile venceram a violência em seus países. E como o fizeram? Fizeram com polícia, bem treinada, bem paga e bem equipada.
Falar em investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar. Ou seremos uma sociedade onde a polícia faz a defesa das pessoas, das propriedades e mantém a ordem. Ou vamos nos acomodar em nossas casas, dando as costas a estes profissionais e apenas nos queixando quando passamos a fazer parte das estatísticas da violência.
Outros pontos são vitais para o combate a violência. O controle das fronteiras para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, diminuindo assim o potencial ofensivo das quadrilhas. O uso da inteligência policial para desarticular as quadrilhas e a construção de presídios. Nenhuma dessas ações vêm sendo tomada de maneira efetiva no Brasil e os governos estaduais lamentavelmente não têm recursos necessários para fazer isso.
Construir presídios é dar condições dignas para que os apenados cumpram suas penas. Investir e treinar a polícia não é apoiar a truculência, é qualificar os profissionais que arriscam suas vidas por nós. Os investimentos em segurança pública são um recado claro e direto para os criminosos de que o Estado garantirá a ordem e que o crime será combatido com rigor. Enquanto o sentimento de impunidade continuar a ser alimentado pela incompetência do Estado a criminalidade continuará a assombrar as famílias brasileiras em todos os cantos do país.

*Deputado federal  (DEM-RS)

Comentários (3)

  • Fabiana diz: 27 de março de 2013

    Muito interessante o ponto de vista do Deputado Onix Lorenzoni quanto a criminalidade no país. Temos que acabar com a visão de que criminoso é fruto de pobreza e falta de oportunidade. Estamos vivendo uma época em que há muita oferta de emprego e diminuição da pobreza. O imortante é frisar que uma polícia bem equipada, treinada e valorizada vai assegurar a ordem e ajudar a colocar os bandidos na cadeia. Decida cidadão de bem: de que lado você está?!

  • Madelaine Martins diz: 27 de março de 2013

    As polícias brasileiras, de um modo geral, são ineficientes na prevenção e na
    repressão qualificada, na investigação e na conquista da indispensável confiança da população. Os profissionais não são apropriadamente qualificados e valorizados e as informações não são ordenadas de acordo com orientação uniforme, que viabilize a cooperação. Há ainda o dramático sucateamento da perícia. Logo, o problema habita no contexto institucional, na esfera da União, caracterizando-se pela fragmentação no campo da segurança pública. O problema maior não é a distância formal, mas a ausência de laços orgânicos, no âmbito de coordenação das políticas públicas. Além disso, os problemas ligados à corrupção e à brutalidade ultrapassam qualquer patamar aceitável. Pobreza e desigualdade são e não são condicionantes da criminalidade, dependendo do tipo de crime, do contexto intersubjetivo e do horizonte cultural a que nos referirmos. Esse quadro complexo exige políticas sensíveis às várias dimensões que o compõem. É tempo de aposentar as visões unilaterais. Políticas que visam prevenir a violência criminal não são políticas estruturais mas, políticas públicas inteligentes, pluridimensionais,
    intersetoriais e sensíveis às especificidades locais, em larga escala, capazes de interceptar as microdinâmicas imediatamente geradoras da criminalidade violenta, sobretudo de natureza letal. Acima de tudo, faz-se necessária a urgente revisão da legislação e sua reestruturação para que finalmente a justiça se cumpra, com bandidos e políticos corruptos na prisão.

  • Ana Santos diz: 27 de março de 2013

    Sinceramente, a criminalidade aumenta porque há impunidade.Muito simples, na Terra Verde e Amarela por muito tempo foi louvado a malandragem, dando um jeitinho pra tudo e agora presenciamos as consequencias. Nos curvamos para cada promessa de soluções e compreendemos com gosto amargo as ditas “falta de recurso” e cada família sofre com assaltos e humilhações de um banditismo diário mais atualizado que a segurança estadual. Direitos Humanos pago pelo o cidadão e o usuário é o bandido. Como d iz a tal canção (…) e sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra se morre, se mata. Na minha opnião bandido não tem solução, é do seu carater ser. ou ter atitude honesta, um pequeno desvio muda toda uma vida e não é à toa que nos sentimos abandonados a cada governo que arrecada mas não cumpre com o mínimo. Mas o cidadão tem que estar em dia com as suas obrigações mesmo que tenha sido assaltado e ficar de cara com o bandido diariamente, já que a lei favorece o último. Deveria ser na cadeia trabalhando,mas a realidade é bem pior. Hoje em dia a notícia não comove mais e isto significa desinteresse total com a situação de um bandido, estamos vivenciando o “salve-se quem puder”, não acreditamos mais em cadeias e,leis ou governo. Infelizmente.

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