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Posts de maio 2013

Editorial |Sensação de impunidade

31 de maio de 2013 2

Boate Kiss: equivocam-se os juízes se pensam que o período de tempo transcorrido já cicatrizou as feridas dos familiares e amigos dos mortos. Essa dor é eterna. Mas só se tornará insuportável se as pessoas que já perderam tanto também se sentirem desamparadas pela Justiça.

SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE

Foi tão hediondo o crime que provocou a morte de 242 pessoas no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que a decisão judicial de libertar os quatro suspeitos presos só podia mesmo provocar indignação e sensação de impunidade. É verdade que nenhum dos quatro _ dois sócios-proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda causadora do sinistro _ pode ser apontado como autor deliberado da ocorrência. Mas todos eles e outros apontados pela investigação policial concorreram de alguma forma para o acontecido, seja pela ganância de lucrar com uma casa lotada, seja por atrair os jovens para uma verdadeira armadilha ou ainda pela irresponsabilidade de promover um show pirotécnico em local inseguro.
Não foi uma tragédia gerada pelo acaso, esta verdade precisa ser reafirmada. Foi, isto sim, um delito praticado por pessoas que não cumpriram suas obrigações e desconsideraram os direitos alheios, entre os quais o sagrado direito à vida. Além dos quatro suspeitos referidos, outros indiciados pela Polícia também precisam ser devidamente responsabilizados.
A decisão sobre a soltura dos detidos deve ser acatada, evidentemente, mas não pode ficar isenta de questionamentos. São frágeis os argumentos da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de que, passados quatro meses, já não existe o clamor público pela punição dos culpados. Existe, sim. Os familiares das vítimas, em primeiríssimo lugar, os santa-marienses e toda a população gaúcha continuam exigindo uma reparação moral para a imensa dor provocada em tantas famílias.
Neste contexto, a liberdade provisória de pessoas que tiveram participação direta no evento, como demonstrou a investigação policial, só pode causar revolta e desolação. Temem os promotores públicos e os familiares dos mortos que um ou outro acusado possa aproveitar-se da liberdade provisória para evadir-se do país. A retenção dos passaportes parece cautela insuficiente para evitar tal possibilidade.
A responsabilidade, portanto, está com a Justiça. E o que se espera dela é que aja com celeridade e firmeza para julgar todos os envolvidos, inclusive as autoridades e servidores relapsos que se omitiram de suas obrigações de fiscalizar, contribuindo significativamente para o infortúnio. O país inteiro acompanha atentamente esse episódio que causou comoção nacional. Por isso, é muito importante que tenha um desfecho exemplar.
Equivocam-se os juízes se pensam que o curto período de tempo transcorrido já cicatrizou as feridas dos familiares e amigos dos mortos. Essa dor é eterna. Mas só se tornará insuportável se as pessoas que já perderam tanto também se sentirem desamparadas pela Justiça.

Editorial| A retomada dos pedágios

31 de maio de 2013 0

O governo dará solenidade à retomada dos polos rodoviários de Caxias do Sul e Lajeado, em meio a embates jurídicos com as concessionárias, mas o ato simbólico marcado para hoje não pode ser visto como o desfecho das expectativas criadas em torno da questão. O evento desta sexta-feira, que deve marcar a extinção da cobrança na praça de Farroupilha, é emblemático para definir a posição do Estado como novo gestor de rodovias antes administradas por empresas privadas. A cerimônia oficial foi decidida depois da decisão judicial emitida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e atende aos anseios dos moradores da região.
Há, no entanto, muito mais a ser feito para que o setor público ofereça as compensações prometidas aos usuários, desde a explicitação do conflito de interesses com as concessionárias. O primeiro compromisso, com repercussão imediata, é o que mexe, positivamente, no bolso dos usuários, se de fato ocorrer a redução de até 30% nas tarifas. O impacto nos custos de transportadores, de prestadores de todo tipo de serviço e também das pessoas físicas provoca reações de aplauso à gestão estatal das estradas, mas não basta para a resolução de um problema bem mais complexo. Reduzir ou eliminar pedágios é apenas parte da solução.
Para questionar as concessões, o governo recorreu ao argumento de que havia um desequilíbrio entre custos e benefícios. O Estado precisa comprovar que tem condições de administrar as praças retomadas, com investimentos compatíveis com as necessidades de cada rodovia e de cada região. A partir de agora, a Empresa Gaúcha de Rodovias será testada como nova gestora capaz de oferecer preço e qualidade na manutenção e na melhoria de estradas que, em muitos casos, dependem de obras de duplicação.

Artigo| Teimando pela educação

31 de maio de 2013 1

A ideia é garantir
a igualdade na
distribuição e a
destinação da
sua totalidade
para os gastos
com a educação

JULIANA BRIZOLA*

Ambientada num partido político que sempre teve a educação como prioridade e ela própria convencida de que o pleno desenvolvimento passa pelo investimento nessa área, a presidenta Dilma Rousseff enviou ao Congresso, no início de maio, projeto que destina 100% dos recursos dos royalties do petróleo à educação. Com regime de urgência, a matéria ainda está no prazo de 45 dias de tramitação. Na segunda metade de junho, o PL 5.500/2013 trancará a pauta do Congresso.
Apenas para recapitular, os royalties vêm a ser uma compensação a ser paga pela extração de petróleo. O destino desse recurso responde a uma lógica desigual, pois Estados e municípios que não extraem esse importante recurso natural não vinham recebendo os mesmos percentuais. A ideia é garantir a igualdade na distribuição e a destinação da sua totalidade para os gastos com a educação.
Enquanto aguardamos os debates e a votação dos congressistas, acreditando que todos têm a mesma prioridade com a educação, surgem movimentos nos Estados apoiando a iniciativa. A prefeitura de Macapá, através de projeto de lei, já se comprometeu em destinar a totalidade dos recursos para a educação municipal. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também alinhou-se à causa e, estimulado pelo exemplo do projeto federal, foi o primeiro a garantir através de lei a destinação de todos os recursos advindos dos royalties para educação, ciência, tecnologia e inovação em um Estado brasileiro. A UNE, que vem liderando essa bandeira no meio estudantil, no segundo semestre do ano passado cravou sua reivindicação no Palácio do Planalto, garantindo apoio do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e da própria presidenta Dilma.
Alinhando nosso Estado ao pleito nacional, 44 deputados estaduais assinaram a moção que apresentei, prevendo a destinação desse recurso à educação. Da mesma forma, a Comissão de Educação está mobilizada para sensibilizar a comunidade estudantil por essa causa.
“Vamos teimar nessa ideia”, disse a presidenta Dilma ao apresentar o projeto. Já estamos teimando.

*Deputada estadual (PDT)

Artigo| A janela demográfica brasileira

31 de maio de 2013 2

O Brasil precisa
investir em dois
eixos fundamentais:
educação dos jovens
e qualificação
da população
em idade adulta

IGOR MOREIRA*

A maioria das pessoas desconhece que estamos no limiar de um fenômeno singular e de suma importância para os brasileiros, especialmente para o futuro da nação. Estamos nos referindo à janela demográfica que o Brasil já começou a dispor. Mas o que é isso e por que é importante?
Trata-se de um lapso de tempo em que a parcela da população dependente, formada por crianças/adolescentes e idosos, torna-se numericamente bem inferior ao segmento da população em idade adulta, em condições de exercer atividade econômica. É um período em que diminui substancialmente o ônus da dependência pesando sobre os ombros dos que sustentam a sociedade. Por isso, esse período também é chamado de bônus demográfico ou janela de oportunidade.
Tecnicamente, a janela demográfica começa quando a percentagem de população em idade ativa (PIA), de 15 a 64 anos, supera a chamada razão de dependência (RD), que é obtida pela soma de crianças/adolescentes e idosos dividida pela população em idade ativa (PIA). Para que se tenha uma ideia, em meados dos anos 1960, a RD no país era de 90, o que significa que cada grupo de cem pessoas em idade ativa tinha que sustentar 90 dependentes.
A janela demográfica brasileira teve início em 1995 e haverá de se fechar por volta de 2055. Atualmente, a RD é de 50 e continua em leve queda, chegando próximo a 40 entre 2020 e 2025, quando ocorrerá o máximo de abertura.
Portanto, nosso país está diante de uma chance de avançar para o rol dos países ricos. Os europeus aproveitaram muito bem o bônus demográfico que tiveram ainda no século 19, de maneira que o envelhecimento da população aconteceu após o enriquecimento da nação.
Para usar o bônus de que dispõe, o Brasil precisa investir basicamente em dois eixos fundamentais: educação dos jovens e qualificação da população em idade adulta, que constitui a força de trabalho do país. Nessas áreas, diversas ações têm sido empreendidas e alguns bons resultados já foram obtidos. Mas ainda há muito por fazer, como a melhoria da qualidade do ensino e, muito especialmente, da assistência à saúde pública, cujas carências têm sido persistentes.
O envelhecimento da população tem agravado um problema crucial da sociedade brasileira, tanto civil quanto estatal, que radica na questão previdenciária. Por mais forte que seja a reação corporativista, não há como evitar o que já era para ter sido feito: o aumento da idade de aposentadoria e do tempo de contribuição previdenciária, tanto privada quanto pública.
Se o Brasil desperdiçar a oportunidade de que ora dispõe, certamente colherá as mazelas de possuir uma população envelhecida sem que a nação tenha enriquecido.

*Geógrafo

Artigo| Federalismo cooperativo

31 de maio de 2013 0

É pela ampliação
do federalismo
cooperativo que a
conquista da política
pública terá
mais efetividade

AFONSO MOTTA*

O atual sistema federativo brasileiro é, na sua formulação, cooperativo, pelas diversas relações entre os entes federados para alcançar resultados qualificados em todas as áreas de atuação junto à população, como é o caso da educação, segurança e saúde. Esta combinação de esforços, todos sabemos, é insuficiente para alterar a injusta distribuição de recursos, o que penaliza sobremaneira os municípios. Por mais que a sociedade proclame a necessidade de um novo pacto federativo e da reforma tributária, falta vontade política e articulação para que isto venha realmente acontecer. Ao contrário, depois da Constituição de 1988, cada vez mais, obrigações têm sido atribuídas aos municípios, sem os correspondentes fundos. Esta circunstância, que muitas vezes limita o dever de prestação material pela falta do lastro de recursos, agride a razão de ser do município federado, comprometendo a sua autonomia por não poder entregar ao cidadão o serviço de que ele precisa.
Como é nas cidades onde tudo acontece, tem sido vontade dos últimos governos a concepção de programas, projetos e fontes de crédito que possam se traduzir em obras e ações sociais para beneficiar as diferentes regiões do território brasileiro, compensando em parte o desequilíbrio federativo. Para obter resultados nesse espaço, é necessário, em primeiro lugar, compreender esta dinâmica e o conjunto de oportunidades que ela alcança. Em segundo, se habilitar para a conquista da política pública, desenvolvendo projetos e articulando para sua implementação. É, sem dúvida, um processo que exige cooperação, mesmo que continue ocorrendo concorrência para obter os recursos, pois todos disputam a política pública no espaço nacional. As ações coletivas ou consorciadas tendem a ter mais efetividade. É fácil alcançar esta realidade visualizando a cooperação entre a União e os municípios no programa Minha Casa, Minha Vida. Tanto a gestão quanto a execução na construção de moradias para os de baixa renda têm a participação material e social dos municípios e do governo federal. É só um exemplo, mas existem outros vários, em saneamento, rodovias, asfaltamento e demandas essenciais relativas à vida das pessoas, da saúde, segurança e educação.
É de notar ainda que esta política pública não só garante distribuição alternativa de recursos mas consagra uma nova relação política com a população. Não mais o clientelismo e o benefício para poucos sem critérios, fundado apenas na vontade do ocupante do espaço público. Mas, através de programas de longo alcance com regras e regulamentos acessíveis a todos os iguais, indistintamente. Esta concepção política evita o populismo e valoriza as relações republicanas. É, portanto, pela ampliação do federalismo cooperativo que a conquista da política pública terá mais efetividade.

*Advogado, produtor rural e secretário de Estado

Editorial interativo: Editorial critica parlamentares que tentam abrandar a Lei da Ficha Limpa. Você apoia a crítica?

30 de maio de 2013 10

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para participar, clique aqui.

PROJETO SUSPEITO

A Lei da Ficha Limpa é uma conquista da sociedade brasileira e um instrumento poderoso para combater a corrupção e a inépcia na administração pública. Foi promulgada a partir de um projeto de iniciativa popular, que expressa a inconformidade dos cidadãos com o exercício do poder político por pessoas ímprobas. Mas ainda enfrenta resistências: agora mesmo, a Câmara Federal debate um projeto de lei complementar que abranda alguns artigos da legislação moralizadora e livra da inelegibilidade prefeitos, governadores e presidentes cujas contas tenham sido rejeitadas pelos tribunais de contas de suas respectivas unidades federativas.
A manobra partiu do grupo de trabalho encarregado de propor alterações na legislação eleitoral. Sob o pretexto de que cabe às Câmaras e Assembleias Legislativas dar a palavra final sobre a regularidade das contas do Executivo, os parlamentares querem tirar das cortes de contas o poder de reprovação das administrações. Atualmente, os chefes de Executivo que têm suas contas rejeitadas são declarados inelegíveis pela Justiça Eleitoral pelo prazo de oito anos, a contar da condenação definitiva. Porém, desde a condenação em segunda instância, os políticos rejeitados já não podem mais pedir votos. A ideia dos revisores é descontar da pena final o período que separa a condenação provisória do julgamento definitivo.
Trata-se de um golpe na Lei da Ficha Limpa, pois bastaria ao governante ter maioria no respectivo parlamento para derrubar a rejeição de contas e continuar apto a disputar um novo mandato. E este golpe está prestes a ser deflagrado, pois o grupo de trabalho constituído pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, e coordenado pelo deputado petista Cândido Vaccarezza conta com líderes e vice-líderes partidários que têm grande interesse em limpar a ficha de seus correligionários. Os parlamentares estão trabalhando a toque de caixa, pois precisam aprovar as mudanças até setembro para que tenham validade nas eleições de 2014.
Evidentemente, uma iniciativa dessas não pode prosperar. Da mesma maneira como se organizaram para apresentar o abaixo-assinado com mais de 1 milhão de assinaturas que resultou no projeto da Lei da Ficha Limpa, os cidadãos precisam se mobilizar novamente para evitar o retrocesso. Os tribunais de contas, ainda que contaminados por eventuais indicações políticas, têm muito mais isenção para julgar os administradores públicos do que a maioria dos Legislativos _ especialmente aqueles que, por conveniência, renunciaram à sua atribuição constitucional de fiscalizar os governos.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Editorial| Alerta na largada

30 de maio de 2013 1

O frustrante desempenho da atividade econômica, mesmo com os excepcionais resultados da safra, serve de alerta para o quanto o país precisa atacar gargalos como os da infraestrutura.

 

Sob qualquer ângulo que seja examinada, a expansão de apenas 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de janeiro a março deste ano, em relação ao último trimestre de 2012, só pode ser vista como decepcionante. É que, mesmo com a expansão excepcional da agropecuária, de 9,7% no período, o desempenho da largada do ano, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou longe do percentual próximo a até 1% aguardado nos meios oficiais. E torna ainda mais difícil a perspectiva de o conjunto de bens e serviços produzidos no país registrar uma expansão de até 2,9%, bem abaixo da estimada inicialmente, de 3,5%. Com exceção do desempenho do setor primário, único com potencial de virar o jogo até dezembro, e de uma retomada consistente dos investimentos, que precisa ser reforçada para ajudar a dissipar o pessimismo, os demais números são decepcionantes e exigem providências por parte do poder público.
Só agora, como admitiu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a equipe econômica começa a se dar conta de que não bastam apenas medidas pontuais para estimular o crescimento. Mais preocupado em manter a inflação em níveis próximos à meta fixada para o ano, de 6,5%, o governo prefere apostar nesse momento numa retomada efetiva dos investimentos como o principal combustível da economia neste ano. Os investimentos, que, depois de um forte crescimento em 2010, despencaram até atingir taxas negativas, registraram de fato um crescimento importante de janeiro a março, tanto em relação ao primeiro quanto ao último trimestre do ano passado. Precisam, por isso, ser devidamente estimulados para que possam favorecer uma resposta à altura das necessidades do país.
O frustrante desempenho da atividade econômica, mesmo com os excepcionais resultados da safra, serve de alerta para o quanto o país precisa atacar gargalos como os da infraestrutura. O incentivo ao crédito é fundamental e os resultados começam a aparecer. Ainda assim, é preciso assegurar mais produtividade sobretudo para a agropecuária, que enfrenta problemas sérios para escoar a produção. A estimativa é de que 19,23% do PIB equivale ao gasto apenas com custo logístico brasileiro. No agronegócio, o percentual oscila entre 8,5% a 9% do PIB. Em ambos os casos, o custo é insuportável.
Assim como as reformas estruturais, sempre postergadas, ações na área de infraestrutura exigem um período mais longo para dar resultados. Por isso, o país precisa agir logo para evitar que o crescimento econômico continue sendo adiado indefinidamente.

Editorial| Novas árvores

30 de maio de 2013 1

A sociedade foi ouvida, as instituições foram consultadas, a Justiça se pronunciou e as manifestações contrárias foram respeitadas até o limite da sensatez: este foi o preâmbulo democrático para a execução do corte das árvores da Avenida Beira-Rio, que dificultavam a conclusão de uma obra essencial para a Copa do Mundo de 2014. Apesar do uso de força policial, não se pode dizer que houve autoritarismo. É assim que uma sociedade civilizada funciona. Porém, excluindo-se radicalismos e motivações políticas, é preciso reconhecer que os defensores da natureza lutam pelo patrimônio de todos. Até por isso, é imprescindível que o poder público municipal execute com igual presteza a compensação vegetal prometida à cidade.
O episódio das árvores oferece mais uma chance de aprendizado a todos, a partir da análise respeitosa dos pontos de vista explicitados. O poder público aprendeu com o fato de que poderia ter ampliado as consultas à comunidade antes de anunciar os cortes. Os críticos da medida exerceram o direito de contestar uma decisão de governo, porque a discordância é da essência da democracia, desde que não ultrapasse os limites do confronto de ideias. O que prevaleceu, com o desfecho do caso na Justiça, foi o pragmatismo.
O porto-alegrense mora em uma das cidades mais arborizadas do país. É compreensível, no cenário mundial de crescimento da consciência ambientalista, que expressiva parcela da população se mobilize em defesa de uma cultura ecológica tão cara aos gaúchos. Mas que se compreenda igualmente o direito da Capital de dispor de obras que têm, sim, entre seus custos, o impacto ambiental. O que se deseja é que projetos como esse sejam definidos, debatidos e levados adiante com um mínimo de desgaste, para que o setor público cumpra com a obrigação de realizar melhorias urbanas e a comunidade tenha as compensações que exige e merece.

Artigos| Conquista dos gaúchos

30 de maio de 2013 0

Esta é a hora de
o Estado construir
um novo modelo
de gestão das rodovias
em sintonia com
os anseios dos
usuários de estradas

CARLOS PESTANA *
 
Com a decisão do Tribunal Federal Regional da 4ª Região, divulgada ontem, o governo Tarso Genro, enfim, dará cumprimento a um dos principais pontos do seu programa de governo: a retomada da gestão das estradas gaúchas, que desde 1998 eram exploradas pela iniciativa privada. Honrando nossa promessa, estamos extinguindo a praça de pedágios de Farroupilha e levantando as cancelas nas praças situadas nas rodovias federais dos polos de Caxias do Sul e de Lajeado, que voltarão à responsabilidade da União. Já as outras rodovias estaduais situadas nestes polos passarão a ser administradas pelo próprio Estado, com a participação efetiva da sociedade gaúcha.
Estas ações marcam o início de um novo tempo para os gaúchos. Um tempo em que se pagará o preço justo para trafegar em rodovias conservadas com a certeza de que o dinheiro será revertido em melhorias para a própria estrada. Um tempo que, graças a um novo modelo público de gestão, será marcado pela transparência e pela participação dos próprios cidadãos no gerenciamento das rodovias.
Sempre afirmamos que o modelo de exploração das rodovias, que durante 15 anos impôs aos gaúchos altas tarifas e estradas mal conservadas, era prejudicial aos interesses públicos e, especialmente, ao bolso dos usuários. Para se ter uma ideia, somente em 2012, a empresa que explorava o polo de Caxias do Sul gastou, com a manutenção das estradas pedagiadas, apenas 29% do montante recolhido nas cancelas.
É por tudo isso que, com o apoio da maioria dos deputados da Assembleia Legislativa, criamos a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), órgão público com controle social, que passará a ser responsável pela administração das estradas retomadas. Esta é uma decisão que contou com a participação da sociedade gaúcha. Através Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), realizamos uma série de audiências públicas nos municípios que abrigam as praças de pedágios. Nestes encontros, a população manifestou claramente o seu descontentamento com a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias e pleiteou modelos adaptados a cada caso e mecanismos de transparência e fiscalização. É o que estamos fazendo agora.
Enfim, esta é a hora de o Estado construir um novo modelo de gestão das rodovias em sintonia com os anseios dos usuários de estradas. Assumimos, agora, um novo compromisso com os gaúchos: implantar um modelo mais barato, mais eficiente e mais transparente. Cumpriremos. 

* Chefe da Casa Civil

Artigo| Porto Triste

30 de maio de 2013 3

Perdemos! Trocamos
115 produtoras de
ar puro por mais
espaço para nem
sei quantos
produtores de
monóxido de carbono!
BIBIANA BARRIOS SIMIONATTO*

Ontem à noite assisti a um programa sobre reciclagem. Mostrava ideias inovadoras sobre geração de energia a partir de incineração de lixo seco, compostagem de lixo orgânico, reaproveitamento de lixo eletrônico e até de lixo nuclear.
Usinas extraem o gás metano, produzido pela fermentação do esterco de animais, e o utilizam como fonte de energia. Outros cientistas utilizam dejetos humanos para fins de produção de adubos para o solo.
Em outras palavras, com boas intenções até o seu cocô é bem vindo para o mundo sustentável!
São esses tipos de iniciativas que enchem meu peito de esperança!
Apesar da falta de educação que ainda é muito comum nas grandes cidades, como ruas emporcalhadas, bueiros entupidos, poluição de rios, povo que não separa seu lixo etc. me tranquiliza saber que existem muitos cientistas que estão realmente engajados, trabalhando para um futuro mais limpo!
“Nem tudo está perdido” é o consolo que sinto nessas horas!
Entretanto, hoje posso dizer que a música que não me sai da cabeça é aquela, da nossa infância: “Tão alegre que vim, e tão triste voltarei”.
Acordo com a notícia de que as árvores já haviam sido cortadas para a duplicação da Avenida Beira-Rio em Porto Alegre. Uma luta que se estendeu por meses, com manifestações, vigília e acampamento de pessoas com a nobre intenção de defender a vida de 115 árvores acabou nesta madrugada de maneira muito, muito triste! Os manifestantes acampados foram dispersados pela polícia e o corte iniciou ainda na madrugada!
Perdemos! Trocamos 115 produtoras de ar puro por mais espaço para nem sei quantos produtores de monóxido de carbono! Isso é inadmissível, um crime, uma chacina eu diria!
Em abril deste mesmo ano, estive em Buenos Aires com meu marido. A cidade está um verdadeiro canteiro de obras e meio caótica por conta disso. Quem passa pela Avenida 9 de Julho observa que ela está sendo (ainda mais) alargada para dar vazão ao fluxo crescente de carros e para a instalação de uma linha de ônibus levando passageiros do início ao fim da avenida.
Questionamos a guia que nos conduzia sobre as árvores, e sua resposta foi instantânea:
“Serão transplantadas para um parque aqui nos arredores. Nem se cogitou a hipótese de derrubá-las!”
Perdemos, também, por não termos um prefeito com a mesma consciência…

* Cirurgiã dentista