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Artigo| Mãos sujas de sangue

14 de maio de 2013 13

Estamos todos
sob julgamento
sumário, diário e
constante, no qual
a sentença definitiva
é dada por bandidos

ROBERTO RACHEWSKY*

Sempre que há um latrocínio, as pessoas ficam se questionando se houve reação da vítima para ter sido morta. Alguns dizem: “Mas ele morreu porque reagiu”. Outros supõem: “Não tivesse reagido, teria sido poupado e estaria vivo ainda”.
Quando ocorre um estupro, há os que dizem que pode ter havido provocação. “Ah, também, com aquela roupa indecente”, ou “o que fazia uma menina naquele lugar naquela hora? Estava pedindo”.
Se roubaram a carteira de alguém, se escuta: “Tinha que levar no bolso da frente”, ou “deve ter dado sopa”.
Ora, essa discussão é absolutamente irrelevante. Busca transferir a culpa do crime para a vítima. Despreza nosso direito de reagir a um ataque violento, de esboçar um não, de ir e vir por aí, mesmo que isso possa parecer insensatez.
Independentemente do tipo de ação ou reação da vítima, a responsabilidade pelo crime ocorrido é, e sempre será, do agressor que iniciou a ação violenta.
Não somos culpados quando alguém nos rouba porque ostentamos. Não somos culpados quando alguém nos estupra quando ostentamos. Não somos culpados quando alguém nos assassina se ostentamos.
Para crápulas que roubam, estupram ou assassinam, ostentamos o que não possuem, uma vida digna.
Não somos culpados quando reagimos. Há apenas dois culpados pela criminalidade, os que cometem o crime e os que não cumprem com sua função de impedi-lo pela força da polícia ou de remediá-lo pela força da Justiça.
Não se acabará com a criminalidade epidêmica, sem que se apliquem os únicos antídotos que se conhece para tal, desimpedir nossa capacidade de reação, através da garantia do direito de legítima defesa; implementar a proteção ostensiva, através da polícia bem aparelhada e treinada para enfrentar bandidos, ao invés de ser utilizada para impor regras que servem para nos tutelar; e, finalmente, aplicar a punição exemplar, pela qual as penas estabelecidas sejam cumpridas sem redução e progridam, com majorações, em caso de mau comportamento ou falta de cooperação do condenado.
Os que falam em desarmamento e se opõem à pena de morte esquecem que bandidos estão armados até os dentes e que a pena de morte já existe no Brasil. Ela vem sendo aplicada, indistintamente, a cidadãos de bem, crianças, jovens, adultos ou idosos.
Estamos todos sob julgamento sumário, diário e constante, no qual a sentença definitiva é dada por bandidos de todas as idades, e a audiência, composta pela massa passiva do Estado que, suja de sangue, levanta, justifica a perversão, vira as costas, e volta para casa para lavar as mãos.

*Conselheiro do Instituto de Estudos Empresariais e do Instituto Liberdade

Comentários (13)

  • Bruno diz: 14 de maio de 2013

    excelente artigo!

  • Madelaine Martins diz: 14 de maio de 2013

    Excelente colocação. Infelizmente todos nós somos vítimas da “injustiça” bestial que assola este país, comandada por “grupos” altamente especializados de marginais, assassinos, estupradores, ladrões. Apelar para quem? Pedir proteção a quem? Estamos a mercê de nossa própria “sorte” enquanto o governo federal e estadual se calam diante das atrocidades que atingem a população. Apregoam um Brasil fabuloso, imaginário onde, apenas preocupam-se com a “fome-zero” e com a erradicação da pobreza através do “pacote da felicidade”, recheado de “vale-isso” e “bolsa-aquilo”. O legítimo incentivo ao aumento das massas e qualificação da degeneração coletiva. Não obstante, somos obrigados a aturar todo o tipo de barbárie cometida por marginais e menores delinquentes, porque estes sim, tem o privilégio de serem protegidos e amparados por um conjunto de leis que, pelo visto, foi projetada unicamente para beneficiá-los. Nossa constituição é uma piada e, sarcasmo maior seria acreditar que a solução para a violência neste país tem solução.

  • Luiz Antonio Piccoli diz: 14 de maio de 2013

    Excelente, oportuníssimo. Deveria ser levado as autoridades competentes para as devidas mudanças radicais. Assim como está, o CRIME COMPENSA. Há muito tempo estamos na contramão e na mão de “FILÓSOFOS”, “SÁBIOS JURISTAS” – Não há mais tempo a perder. Parabéns pelo artigo. Ele retrata o que a sociedade está exigindo. Vamos liderar uma pesquisa popular? Não seria o caminho? Grato. Um abraço.

  • HUMBERTO diz: 14 de maio de 2013

    A escalada da violência nos torna alvos constantes, vulneráveis e sem perspectiva de dias melhores. Somos reféns de uma atrocidade implacável que ceifa vidas a todo instante. Antigamente , ” apenas ” éramos roubados . Hoje somos mortos de forma banal. Salve-se quem puder…

  • Marta Bortolussi diz: 14 de maio de 2013

    Com certeza. O cidadão de bem e a mesmo a própria Polícia normalmente são mortos, com ou sem reação a uma abordagem de marginal. É revoltante ter q engolir essas Leis brasileiras que são contra tudo e todo q sejam corretos. Leis q contrariam a si mesmas no momento em que põe o policial nas ruas para proteger a população, mas ao mesmo tempo, devolve às ruas delinquentes q os policiais com tanto esforço e arriscando a própria vida prendeu. Leis que estão sempre prontas a defender os direitos, as famílias e outros direitos dos bandidos, mas que em se tratando de um cidadão de bem, trabalhador de qualquer espécie ou policial, deixam imediatamente de existir. A pena de morte já existe sim. Acontece todos os dias diante de nossos olhos, mas, infelizmente, ela condena e contempla apenas os verdadeiros inocentes. Revoltante!!

  • maria vanzan diz: 14 de maio de 2013

    maravilhoso artigo …perfeita concepção

  • Rosane Sbaraini diz: 14 de maio de 2013

    Muito bom. Expressou claramente o meu pensamento e, com certeza, da maioria do povo de bem. Onde estão os nossos Direitos Humanos? Só a bandidagem tem? As vezes, chego a pensar que a mídia é protetora dos bandidos, por implorar para ninguém reagir e entregar tudo que é nosso de direito para outrem, que o único esforço que faz é apontar uma arma e exigir a entrega do que não é seu de direito.

  • Eduardo Pereira diz: 14 de maio de 2013

    Sem palavras para descrever este sensacional artigo.
    Retrato legítimo de um país onde os julgadores e inquisidores das leis não pertencem ao judiciário.

  • Sergio Souza de Almeida diz: 14 de maio de 2013

    Concordo plenamente com a colocação do empresário Roberto Rachewski.Vivemos em uma sociedade acomodada, sem reação, como se tivessem perdido o poder de indignação, mas com a idéia de que só Deus pode tirar a vida de alguém!! Então quem pode tirar a vida das pessoas é Deus e a bandidagem!!Os tempos são outros.
    Para vivermos em paz precisamos urgentemente exterminar a bandidagem, ou manda-la toda para o Rio de Janeiro, onde os “Direitos Humanos” de lá tem uma atuação brilhante, ou seja, um péssimo exemplo!!
    Acho que o Poder Judiciário também foi, e continua sendo o grande responsável pelo caos que se instalou no país! Nunca se ouviu falar que alguma instancia do Poder Judiciário sugeriu alguma alternativa para diminuir a criminalidade no país, como se não tivessem nada a ver com isso!!
    O Governo perdeu o controle da situação há muitos anos!! Isto sem levar em conta os milhares de militares sustentados com dinheiro público e muitos com ótimos salários e que poderiam perfeitamente ajudar na segurança pública, mas que jamais serão utilizados.
    Tenho certeza que o modelo americano para executar a pena de morte seria perfeitamente aceito pelos brasileiros em uma consulta popular. Talvez o medo de muitos políticos a idéia não tenha evoluído mais!!

  • Irma Martins diz: 14 de maio de 2013

    Muito bom esse artigo! Aqui no Brasil tinha que haver pena de morte para esses bandidos que roubam e depois matam.Hoje em dia não soubemos mais como nos defender,se reagirmos matam,se não reagirmos também matam,e os menores de idade estão ai roubando,matando,porque não podem ser presos são menores,eu acho que pra tudo isso têm solução sim,é só no Brasil que é diferente e eu pergunto porquê?

  • VALMIR CARLOS ENDRUWEIT diz: 14 de maio de 2013

    Vinte e tres(23) mil detentos poderão ir para casa em processo no STF.Quem ganha com tudo isso?na desculpa de não haver vagas nos presídios a sociedade poderá conviver com condenados sem noção dos riscos que estarão enfrentando, sim porque dizer que será prisão domiciliar no Brasil é PIADA.Advogados de porta de cadeia é que vão faturar e nós pagaremos a conta com a vida.

  • Alda Oliveira diz: 15 de maio de 2013

    Muito bem colocado. Expressa com certeza a angustia maior de todos nos. Que tipo de estrutura mental tem uma pessoa que friamente assassina outra? Psicopatas? Haveria possibilidade de recuperação? Alguém ainda pensa que sim? Não, nao tem essa possibilidade. E agora? Quem amarra o guizo no rabo do gato??

  • Claudio diz: 17 de maio de 2013

    Vejo que só existe uma explicação pra tudo isso que vem acontecendo desde 2002, uma formação de aliados para um golpe de estado (mesmo que esse estado já esteja dominado) mas com isso mudar tragicamente para uma ditadura bolivariana, 100 vezes pior que uma ditadura militar, juntando forças criminosas como verdadeiros mercenários contra um povo pacifico e desarmado.

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