Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Editorial| O que fica dos protestos

19 de junho de 2013 4

A sociedade tem de saudar e acolher esse verdadeiro despertar jovem, zelando para que fortaleça o Estado democrático de direito.

A história está repleta de datas que sintetizam espíritos e épocas, como o 14 de Julho, o Domingo Sangrento e o 11 de Setembro. Sem esperar pelo veredicto da posteridade, já é possível afirmar que o 17 de Junho é o retrato de um novo Brasil. O país que foi para as ruas protestar na segunda-feira reflete um novo estado de ânimo de uma ampla parcela da população: rejeição à corrupção e ao descaso com a coisa pública, desconfiança de governantes e partidos, indignação com a desproporção entre os gastos com grandes eventos, por um lado, e com saúde, educação e transporte, por outro. O país que tomou praças e avenidas sente os efeitos da alta de preços de alimentos e serviços. A nação que tomou a palavra antevê, para além dos sinais incipientes de turbulência econômica, os percalços de um futuro que parece menos auspicioso do que há alguns anos. Sua voz ergue-se também contra governos, parlamentares, corporações e meios de comunicação. Pode-se saudar ou rejeitar a emergência desse Brasil do 17 de Junho. Mas não se pode, sob nenhuma hipótese, ignorá-lo.
É utópico imaginar que dezenas de milhares de pessoas decidam se manifestar por fora dos canais até hoje existentes no interior do Estado de direito, por meio de ida massiva às ruas, sem que isso implique riscos para a segurança e até mesmo distúrbios isolados. É preciso separar a manifestação legítima e democrática da maioria das depredações, incêndios e pichações promovidos por uma ínfima minoria oportunista. Toda sorte de vandalismo pode e deve ser investigada, e os envolvidos, enquadrados criminalmente na forma da lei. O fato de tais atitudes terem prosperado nos primeiros dias do movimento reflete o fato de não haver objetivos, líderes e organização claras.
O mais importante é que a nação seja capaz de refletir e retirar ensinamentos dos acontecimentos da última semana. Em síntese, os jovens nas ruas estão enviando um recado para toda a sociedade, incluindo governantes, políticos, empresários e imprensa. O sentimento da maioria é, como bem sublinhou a presidente Dilma Rousseff ao citar o cartaz “Desculpem o transtorno, estamos mudando o Brasil”, carregado de civismo e boas intenções. É positivo que milhões de pessoas com menos de 30 anos estejam se dispondo a assumir um papel de protagonistas na história. Trata-se de uma geração que mal desperta para a vida pública e que jamais viveu períodos de exceção ou de cerceamento de liberdades. Para o bem do país, esse aprendizado deve ocorrer de forma serena e não traumática. A sociedade tem de saudar e acolher esse verdadeiro despertar jovem, zelando para que fortaleça o Estado democrático de direito. Não resta dúvida de que todos seremos testemunhas dos reflexos concretos do que está acontecendo hoje em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Brasília e outras cidades daqui a pouco mais de um ano, nas eleições presidenciais de 2014. É desejável que a experiência histórica de cada geração se reflita na participação eleitoral por meio do embate entre ideias, programas e concepções. A democracia ainda é a melhor panaceia para os males da vida pública.

Comentários (4)

  • Juliano diz: 19 de junho de 2013

    As vezes fico pensando que só uma pessoa muito burra para não entender o que a sociedade civil esta solicitando.
    Todo mundo sabe que o transporte coletivo no brasil é um caos e se investe muito pouco em educação e saúde.
    Os cartazes são a reinvidicação de cada cidadão brasileiro como eleitor onde cada um escreve o que acha necessário.
    Sendo que a sociedade num todo esta se manifestando pobres e ricos.
    As manifestação não tem nível social para participar participa quem defende uma causa.
    O Brasil não um único problema para se arrumar tem vários.
    O verdadeiro líder é o que houve todos e depois toma as decisões corretas.
    Claro que manifestações com quebra quebra não são bem vindas mas tem muita gente irritadinha por que não foi permitido o uso de bandeiras de partidos.
    O Brasileiro não tem partido tem objetivos e causas a defender.
    Se todos os dinheiros arrecadados fossem bem investidos e os políticos tivessem menores regalias o brasil seria muito mais feliz.
    Na minha opinião acho que os senadores ou os deputados federais poderiam ser extintos. Os dois fazem a mesma coisa.
    Neste caso ia sobrar mais dinheiro para ser investido em educação e saúde que é o principal.
    Abraço.

  • Janaina diz: 19 de junho de 2013

    Finalmente o Brasil acordou. Após longo tempo adormecido chegou o momento de despertar. As manifestações que ocorrem agora é o fruto colhido por uma política corrupta de anos consecutivos de ladroagem. Cansamos de descansar. Pensei eu e creio que a maioria que isso jamais fosse acontecer, mas felizmente a geração coca-cola misturou com o mentos e eis a explosão da indignação brasileira. Sou a favor sim, pela melhoria do país, para que cresçamos de verdade e não cobertos de maquiagem como se vinha fazendo. Mais educação, mais saúde e segurança! Pelos impostos arrecadados, deveríamos ser um país de primeiro mundo. Estádios não salvam vidas, não ensinam o B-A-BA da vida, ainda mais com atletas que ganham milhões sem jogar com a alma. Não precisamos de futebol de primeiro mundo e sim de qualidade de vida de primeiro mundo. Aos manifestos sem violência meu total apoio. Não se deve aproveitar de um momento único na história do Brasil com atitudes mesquinhas de vandalizar nossas cidades, devemos sim mostrar porque estamos aqui, pela mudança de um país, pelo um novo Brasil. Tenham consciência de mostrar para o mundo que somos brasileiros e estimamos um país decente, sem corrupção, sem desvio de verbas, unidos por uma causa nobre e não vândalos que depredam patrimônios públicos e privados muitos construídos com o dinheiro de nosso próprio suor. E que fique bem claro aos governantes de todo o país “Amanhã vai ser maior”.

  • Rubnei Lautert diz: 19 de junho de 2013

    A sociedade brasileira se tomou de um senso generalizado de indignação, porque já suportou demais a folia dos três poderes. Trabalha-se seis meses ao ano para sustentar um Estado ineficiente que não sabe como gerir seus recursos, e por conseguinte sobrecarrega em tributos porque ninguém da máquina pública abre mão das mordomias. Outra coisa possível de notar é que, não se empunham bandeiras de partidos nessas manifestações. Os que se atrevem, logo são reprimidos pelos manifestantes. Os partidos representam mais os interesses reais da população. É a falência das instituições políticas.

  • Milton Simon Pires diz: 19 de junho de 2013

    A PROCURA DO SIGNIFICADO PERFEITO

    Milton Simon Pires

    Começou uma segunda etapa – parece que a grande mídia afinada com os petralhas e a “Unidiversidade Brasileira” se deu conta de que não se trata mais do preço da passagem de ônibus. Alguma coisa está errada, né “intelequituais”??
    A imagem da Avenida Paulista lotada, pessoas de 70 anos dando entrevistas com a cara pintada de verde e amarelo, gente reclamando desde a corrupção, condições dos hospitais, segurança..reclamando “até mesmo” por causa da passagem de ônibus – mostra que são manifestantes em busca de uma causa….qualquer que seja ela..
    A verdade, meus caros amigos, a verdade que ninguém até agora quer dizer é que as pessoas não sabem exatamente por que estão nas ruas! Meu Deus, será que é preciso um médico que não tem noção alguma de Jornalismo, que nunca estudou História, Sociologia ou Direito, dizer isso ??
    Isto posto, começo algumas observações – 100, 200.000 pessoas nas ruas é “sempre” bom? Não, não é não. Significa o povo “acordando” e “cansado com os políticos tradicionais”? Não, não significa não…Quer dizer que estamos fazendo uma “revolução” e “mudando o Brasil”? Não, não estamos! Mas se 190 milhões de pessoas fizerem isso, Milton?? Nem assim, pô ! (para não escrever um palavrão)
    Revoluções não começam com uma multidão nas ruas sem saber por que , revoltadas com “alguma coisa” e dispostas a “mudar um país”. Isso nunca foi assim em parte nenhuma e portanto não vai ser exceção no Brasil. A história toda da humanidade foi feita por elites pensantes. Pessoas que perceberam uma determinada situação como injusta, estudaram taticamente a situação, se preparam muito, conduziram multidões e mudaram o mundo. É patético assistir comentaristas políticos tentando dar uma explicação para algo que não tem. Números nunca substituíram idéias. Camisas amarradas no rosto não superam manifestos escritos. Comunidades no Facebook não são mais importantes que comícios. É isso que a LBB – Legião Brasileiras de Bobalhões, agora com o apoio de Marilena Chauí, não admite. Não há absolutamente nenhum projeto de poder a emergir das ruas. Não há nova cultura sendo construída nem é a democracia se aperfeiçoando!
    Enquanto ninguém percebe isso, o perigo fornecido por uma multidão revoltada sem saber por qual motivo oferece uma nova oportunidade. Uma nova oportunidade sim, mas para as velhas forças de sempre. É a ralé da classe política tradicional, liderada pelo Partido-Religião, quem vai lucrar com isso tudo, meus amigos….
    Parem com a bobagem do Passe Livre, recolham esses cartazes pela Liberação da Maconha, corram com essas feministas histéricas e com a ala gay do PT! Fora daí com os abortistas, os adeptos do casamento gay e com a Marcha das Vadias..Chega dessa palhaçada contra a Copa do Mundo – agora é tarde, pô – Mudem o disco desses charlatões do Aquecimento Global..
    Espera aí, Milton! Espera aí..Assim quem vai sobrar ?? Abaixo eu digo, bobalhões, quem vai “sobrar”.
    Invadam as ruas aos milhares e pacificamente pedindo a renúncia da presidente da República e eleições gerais em todos os níveis e aí sim, juro por Deus e pelos meus filhos, que eu vou para as manifestações com vocês..
    Se não fizerem isso, vão continuar sendo sempre uma grande multidão observadas por sociólogos, historiadores e antropólogos de aluguel..gente que está agora estudando vocês (sorriam, vocês estão na TV, viu?) e dando entrevistas a procura do significado perfeito…

    Porto Alegre, 19 de junho de 2013

Envie seu Comentário