Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Artigo| Rebeldia com causa

28 de junho de 2013 1

O caminho para
mudar “isso tudo
que está aí” é longo
e bem mais tedioso
e menos romântico
do que sair às ruas
com amigos

FÁBIO OSTERMANN*

Inicialmente motivada pelo aumento no preço das passagens, a onda de protestos que vem tomando as ruas das maiores cidades brasileiras tornou-se algo maior. Chegamos a um cenário interessante, onde as manifestações não parecem ter mais uma única causa ou reivindicação específica.
Fica clara a insatisfação generalizada em relação ao atual cenário do Brasil. Este país tão cheio de potencial, do qual o mundo todo sempre esperou muito, é líder em violência, corrupção e descaso na prestação de serviços essenciais à população. Motivos para protestarmos não faltam.
O problema é que sair à rua para protestar “contra tudo isso que está aí” não muda nada. Traz aos manifestantes, é claro, a vã sensação de estarem “fazendo história”, de estarem “mudando o mundo”. Em meio ao clamor público, pode-se até substituir o político A pelo político B, mas, ao fim do dia, as mesmas instituições reprodutoras de injustiça, iniquidade e opressão seguirão lá. Isso porque apesar da energia e das boas intenções, a grande maioria dos manifestantes não parece se importar em compreender os fenômenos políticos e econômicos responsáveis pelo estado de crise permanente que vive o país.
Modificar isso passa obrigatoriamente por uma mudança de atitude. Como podem os brasileiros desprezarem tanto seus políticos e, ainda assim, seguirem demandando uma presença cada vez maior do Estado em suas vidas?! Quanto maior a atuação do Estado e da “sociedade política”, menos sobra para as pessoas.
O caminho para mudar “isso tudo que está aí” é longo e bem mais tedioso e menos romântico do que sair às ruas com amigos gritando palavras de ordem sob a sensação de se estar “mudando o país”. A mudança passa, necessariamente, por uma compreensão mais clara da lógica da política. Queremos realmente que pessoas que não nos conhecem e claramente não têm tanto interesse por nossos problemas decidam tantas coisas em nosso lugar? E conosco pagando seus (altos) salários ainda por cima?!
As manifestações têm o grande mérito de tirar nossa classe política da sua zona de conforto. Uma sociedade livre deve ter controle sobre seus representantes, não permitindo nunca o contrário. Mas para que alcancemos mudanças realmente significativas e duradouras, é fundamental a mudança no clima de ideias predominante em nossa sociedade. Enquanto a maior parte da população seguir aceitando passivamente a ampliação da abrangência do Estado sobre a sociedade, nossas esperanças seguirão nas mãos da classe política. E seguiremos sendo o “país do futuro”.

*Cientista político

Comentários (1)

  • Carlos Zanchin diz: 28 de junho de 2013

    Creio que há uma única causa que poderia reunir todas as manifestações. Ela poderia dar sentido a um plebiscito com uma única pergunta.

    “Você quer que o Brasil seja um país capitalista ou comunista?”

    Seis Meses de programação de tv para cada lado contar suas vantagens, divididos em 2 apresentações de 15 minutos para cada, semelhante ao do “desarmamento”. Durante este período seriam cancelados os atuais programas “gratuitos” de propaganda dos partidos.

    Capitalista = Estado mínimo (talvez 10 ministérios e 100 cargos no total)
    Comunista = Estado máximo (mais de 40 ministério com mais de 25.000 cargos atuais)

Envie seu Comentário