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Editorial| Extermínio consentido

22 de agosto de 2013 0

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São sírios e egípcios, parecem distantes de nós pela geografia, pelas nacionalidades e até por seus credos religiosos. Por vezes, uma ou outra curiosidade _ o fato de que dois presidentes brasileiros receberam tratamento médico num hospital paulista chamado Sírio-Libanês ou a circunstância de que um ex-presidente egípcio visitou o Palácio do Planalto apenas dois meses antes de ser deposto _ servem para lembrar que, além da distância, existem também afinidades. O maior ponto de contato é que, tanto quanto o brasileiro, esses povos são parte da comunidade humana. Suas vidas são iguais às nossas na duração, nos sentimentos e na humanidade. É por isso que o Ocidente, especialmente os países e as organizações líderes do sistema de governança global, não podem mais silenciar diante da barbárie que ocorre naqueles países da Ásia e da África, mergulhados em sangrentas lutas políticas pelo poder.
Os horrores do século passado deixaram uma amarga lição: a de que qualquer sistema de nações baseado exclusivamente no maquiavelismo, na brutalidade e no domínio dos fracos pelos fortes está fadado a perecer. A noção simples de direitos humanos, que nos foi legada pelo Iluminismo, mas que somente há pouco mais de 60 anos tornou-se inseparável das relações entre países, deve ser mantida a salvo de quaisquer turbulências, ainda que de natureza doméstica.
As evidências de uso de armas químicas na Síria são cada vez mais claras, e as centenas de corpos alinhados, incluindo mulheres e crianças, não deixam dúvidas sobre a existência de um genocídio naquele país. No final do primeiro semestre, o conflito sírio ultrapassou a barreira dos 100 mil mortos, e calcula-se que a soma de refugiados seja superior a 1 milhão. A leniência de organismos como as Nações Unidas diante do massacre é entendida por todas as partes envolvidas _ incluindo a mais numerosa, a das vítimas e seus familiares _ como um sinal inequívoco de que se vive sob a lei da selva. E, como não existe vácuo de poder, outros interessados em resolver seus negócios pela força concluem, a partir dos mesmos presságios, que podem cometer crimes com a certeza da impunidade. É o que parece ter acontecido com o governo e as forças armadas do Egito, que procedem desde a semana passada a um verdadeiro safári humano contra opositores, ex-aliados, ativistas de direitos humanos e jornalistas.
Basta de genocídio. Basta de desconsideração pelos direitos humanos. Basta de sequestros e detenções ilegais, desaparecimentos, atentados contra templos e fechamento de sucursais de jornais e TVs. Que os culpados, desinteressados em fazer segredo de suas intenções e atos, respondam por seus crimes perante o Tribunal Penal Internacional ou qualquer instância pertinente. Que as nações e a ONU se pronunciem em repúdio à selvageria. Que cada indivíduo faça o que estiver ao seu alcance para que 2013 termine sob o signo da paz e da tolerância, e não da barbárie.

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