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Artigo| Ainda sem motivos para comemorar

20 de setembro de 2013 0

Antes de
comemorar o
PIB, cabe dizer
que precisamos
de uma nova
revolução

HEITOR JOSÉ MÜLLER*

Enquanto foi amplamente divulgado o crescimento de 15% do PIB do Rio Grande do Sul no segundo trimestre de 2013, frente ao mesmo período de 2012, a indústria de transformação se expandiu apenas 3,9%. Portanto, a realidade setorial é bem diferente do que a generalização estatística.
O resultado positivo não transforma a conjuntura, que é de baixo crescimento. A recuperação da nossa economia está em curso, porém, temos que ter claro que o “Pibão” só aconteceu porque a base de comparação no ano passado é extremamente deprimida, por conta da estiagem, e pelo recente e extraordinário desempenho da soja e do milho, que puxaram o índice, podendo levar a uma percepção errada de que estamos vivendo uma retomada repentina, robusta, e sustentada.
Nos últimos 10 anos, crescemos, em média, um ponto percentual a menos do que o país. O Estado avançou 28,3% entre 2003 e 2012, enquanto o Brasil se expandiu 42,1%. Deste modo, é perceptível a perda de participação do Rio Grande do Sul na economia brasileira, refletida pela representatividade no PIB nacional, de apenas 6,7%.
A economia gaúcha tem passado por diversos desafios, que vão desde as perdas de safras até os impactos das crises externas e as atribuladas relações comerciais com a Argentina. Somadas a esses fatores, que são exógenos e, portanto, pouco dependem da qualidade das decisões de política econômica tomadas por nossos formuladores, o Rio Grande do Sul vem sofrendo, há muitos anos, com a sucessão de escolhas que o tornaram um Estado caro para a produção, especialmente no que diz respeito aos custos de mão de obra, elevada burocracia, e deficiência de infraestrutura.
Desta forma, ainda não vemos muitos motivos para comemoração. Estamos ficando para trás e, se não forem alterados os rumos atuais, há poucas perspectivas de melhora. Boa parte da solução dos problemas enfrentados exige um esforço de investimentos e modernização no ambiente de negócios, de modo a aumentar a competitividade para reter, expandir, e atrair empresas.
A gestão efetiva das contas públicas também se faz urgente. Os baixos investimentos do Estado e a elevada carga tributária pavimentaram o caminho dessa perda de importância da nossa economia. Neste 20 de Setembro, antes de comemorar o PIB, cabe dizer que precisamos de uma nova revolução, cujas armas sejam a modernidade, a eficiência e a produtividade, tendo como objetivo o desenvolvimento sustentado.

*Presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul

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