Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Artigo| Pecuária: memória e cenários

30 de janeiro de 2014 0

Costuma-se
observar que
a carne do gado
de origem europeia
é de melhor qualidade

GUILHERME SOCIAS VILLELA*

Há algumas décadas, a pecuária era o setor mais importante da economia do Rio Grande do Sul. Sua cadeia de negócios era predominante no produto interno regional. O seu vigor político e social sobressaía. Até mesmo conseguiu aprovar uma inusual tentativa de integração do tipo produção-consumo de seus produtos. Assim, a carne bovina produzida nas estâncias e fazendas (participação do setor privado) teria sua sequência nos abatedouros e em açougues (participação estatal). O sistema preconizado teve patrocínio do extinto Instituto de Carnes _ uma entidade estatal que patrocinou as desapropriações das chamadas “marchanterias” (abatedouros), além de criar, no início da década de 50, alguns estabelecimentos de varejo estatais (açougues) na região metropolitana de Porto Alegre. O objetivo era a integração total do setor.
Os pecuaristas, até então, mantinham notável posição social _ cujos ícones podem ser lembrados por sua representação política e até mesmo, simplesmente, por conhecidos bons apartamentos, por eles construídos, na área central de Porto Alegre. Fora a era dourada dos produtores rurais do setor em tela.
A realidade de hoje permite algumas observações. O Brasil tem aproximadamente 200 milhões de cabeças de gado bovino. Exporta cerca de 40% das exportações mundiais (inclui todos os países exportadores). Essas exportações brasileiras, neste ano, estão estimadas em quase US$ 8 bilhões. Entretanto, o Rio Grande do Sul participa, nesse comércio exterior nacional, com apenas 3% a 4% do referido total. De outra parte, a absoluta maioria das exportações nacionais _ oriundas do centro-oeste do país _ se refere a rebanhos zebuínos (principalmente às raças nelore, gir e brahman).
A pecuária sul-rio-grandense é diferente. Nela predominam bovinos de raças de origem europeia _ entre outras, aberdeen e red angus, hereford, devon, charolês, durham, além de raças sintéticas, tais como braford e brangus.
Costuma-se observar que a carne do gado de origem europeia é de melhor qualidade _ e sabor. E o é. Ora, o mercado internacional de carnes é voltado para o consumo de massas _ por isso, em geral, não se observam detalhes importantes da qualidade. O que caberia, no entanto, é saber identificar os espaços de excelência de consumo. Vale dizer, o que tem sido solicitado pelos mais requintados centros exigentes em qualidade da carne _ tais quais os dos restaurantes e hotéis top of mind do Primeiro Mundo. Saber, pois, como produzir e exportar _ algo semelhante à conhecida Cota Hilton.
Para a pecuária bovina de corte, no Rio Grande do Sul, é possível identificar cenários. Contudo, é indispensável, para esse propósito, rapidez no que já se conhece como aprimoramento genético, rastreamento e controles dos rebanhos. No caso, áreas destinadas a eventual confinamento de rebanhos (parcial ou não) poderiam ser consorciadas com o plantio de cereais _ tais como a soja, atualmente o produto de maior consumo e melhor preço no mundo.

*Economista

Envie seu Comentário