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Artigo| Alguma coisa está fora da ordem

31 de janeiro de 2014 0

O aquecimento
global representa
enorme
desafio para
a humanidade

GERVÁSIO PAULUS *

Notícias de eventos climáticos extremos, registrados em diferentes regiões do planeta, têm sido cada vez mais recorrentes e frequentes. Atualmente, as informações dão conta de nevascas fora do comum no hemisfério norte e altas temperaturas no sul.
Segundo o glaciologista Jefferson Cardia Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera e professor do Instituto de Geociências da UFRGS, nunca a concentração de gases que contribuem para a ampliação do efeito estufa foi tão alta quanto no presente. A rigor, como explica Simões, o problema não reside na ocorrência em si do efeito estufa, já que se trata de um fenômeno natural que existe há muitos milhares de anos, e sim na intensificação deste, decorrente da ação humana, principalmente após o início da Revolução Industrial, levando a um aumento de 40% na concentração do CO2 nos últimos 200 anos.
De acordo com informações preliminares do relatório a ser divulgado em abril pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a menos que o mundo aja agora para frear as emissões de gases do efeito estufa (GEEs), os efeitos negativos do aquecimento global representarão enormes desafios para a humanidade ainda neste século, tornando-se cada vez mais caros e difíceis de serem resolvidos.
Até mesmo o sisudo Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, passou a colocar o tema das mudanças climáticas na agenda central do encontro anual. Conforme o Relatório de Riscos Globais divulgado pela entidade, os eventos climáticos extremos são apontados como um dos riscos mais prováveis para o nosso planeta, podendo criar choques sistêmicos em escala global. As mudanças climáticas também foram consideradas como um risco relevante, sendo classificadas como o segundo maior em possíveis impactos. O relatório destaca a grande correlação entre as mudanças climáticas e a frequência dos eventos climáticos extremos, e sugere que os dois juntos talvez sejam o maior risco enfrentado hoje, sob diversos aspectos.
Muitas das medidas anunciadas para frear as mudanças climáticas causadas pela ação humana são paliativas. Frente à gravidade da situação e ao iminente risco de colapso do processo civilizatório, são necessárias ações profundas, que alterem o paradigma do atual modelo de desenvolvimento hegemônico, altamente energívoro e baseado no consumo ilimitado dos bens naturais que são finitos.

* Diretor técnico da Emater/RS

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