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Artigo| Omissão generalizada

05 de março de 2014 7

O Rio Grande do Sul
será praticamente
ingovernável no
próximo período
governamental

DARCY FRANCISCO CARVALHO DOS SANTOS*

O governo do Estado enviou à Assembleia Legislativa uma série de projetos que a jornalista Rosane de Oliveira denominou apropriadamente de “enxurrada de projetos”. Tratam da reestruturação de carreiras, criação de cargos e concessão de reajustes para várias categorias de servidores.
Excluindo os casos de reposição da inflação, os demais são extemporâneos, para dizer o mínimo.
Mesmo que representantes do governo façam continuadamente apologia de um Estado que não sei em que planeta fica, a verdade é que o Rio Grande do Sul será praticamente ingovernável no próximo período governamental.
E não será a não repactuação da dívida que levará o Estado a essa situação. Isso porque a repactuação em causa, mesmo tendo o mérito de reduzir o saldo devedor no final do contrato, provocará maior endividamento, porque abrirá espaço para novos empréstimos. O serviço da dívida, o maior problema atual, não será reduzido e, ainda, será acrescido dos encargos das novas operações.
A ingovernabilidade do Estado estará nos altos déficits que ocorrerão no período governamental de 2015 a 2018, que se aproximarão de R$ 4 bilhões anuais, sem que o futuro governo disponha dos meios de financiamento utilizados até então, já que foram esgotados pelo atual governo. Do caixa único terá restado muito pouco. Dos depósitos judiciais foram sacados R$ 5 bilhões, dos quais ainda resta uma parcela, mas que será gasta até o final do governo, contando ainda com o aporte de R$ 1,3 bilhão que virá da CEEE, pelas razões já conhecidas. E depois?
A causa maior desses problemas foram os reajustes salariais concedidos em índices muito superiores ao da inflação, até 2018. Para o magistério, cujo piso nacional não foi cumprido, o maior reajuste ocorrerá em novembro de 2014, com reflexos no período governamental seguinte.
Sem entrar no mérito de todos esses reajustes, que, certamente, são justos, o problema está em transferir despesa para o governo seguinte sem que haja receita para custeá-la.
O mais intrigante disso tudo é que a Assembleia aprova essas proposições, os órgãos de controle as consideram normais, mesmo afrontando a Lei de Responsabilidade Fiscal, e a sociedade é omissa nessas questões.
As diversas entidades que tratam desses assuntos só se manifestam contra os altos gastos quando se trata da dívida pública. É uma omissão generalizada!

* Contador e economista

Comentários (7)

  • FLAVIO FAGUNDES DA SILVEIRA diz: 5 de março de 2014

    Ingovernável por incompetência dos governantes, no atual governo o gasto com pessoal é totalmente desnecessário, inclusive com criação de novas empresas quando já existe um órgão para tratar do assunto,é o caso de DAER/EGR. Este governo meteu a mão nos depósitos de precatórios, quem vai devolver e como? se a coisa fosse séria eles deveriam ser responsabilizados.

  • Joao Batista Wecki diz: 5 de março de 2014

    Há muito tempo o RS vem perdendo espaço para os outros Estados. IPE, EGR, DAER, DETRAN, CAIXA ÚNICO…. Nosso estado tem sido sucateado e espoliado pelos governantes. Pagamos pelos serviços publico mais caros do Brasil (caso do Detran). Criar uma outra estatal (EGR) para acomodar os “amigos do rei”, deveria no mínimo ser questionado ou investigado pelo tribunal de contas. Claro que o Estado vai mal. Desse jeito a situação vai piorar.

  • Gilnei diz: 5 de março de 2014

    Certamente teremos candidatos e partidos políticos com a “formula mágica” para todos os problemas do estado, querendo pegar a “vaguinha” de governador, e não deve ser de graça que “eles” querem “administrar” um estado ingovernável.

  • Luis Paulo diz: 5 de março de 2014

    Por isto o PINOQUIO jah disse que não sabe se serah candidato a reeleição. Nem o Olívio desceu tao baixo.

  • Paulo Armando diz: 5 de março de 2014

    Os maus governantes que tivemos foi obra do voto soberano dos gaúchos. Somos muito superficiais, gostamos da polêmica, nos envolvemos com ideologias e perdemos nosso tempo. Nós jogamos no lixo um belo estado, por pura incompetência, pelo sagrado hábito de polemizar e não fazer. O governo atual foi tão ruim que conseguiu calar o Sr. Pont, que, nessas alturas, deve estar muito deprimido com suas ideologias jurássicas. Tarso não é o maior responsável pela desgraça do RS, mas, como nada fez de bom e por ter ajudado a afundar mais o RS, inscreveu-se na galeria dos governadores inúteis. Ainda podemos buscar recursos vendendo o BANRISUL (R$ 10 bi??), mas precisamos correr pois a “cosa ta feia tche”.

  • Ricardo Baldasso diz: 5 de março de 2014

    O Rs precisa eleger estadistas. Gente que tenha VISÃO de futuro e entenda a realidade. Não devemos nos iludir: a atual composição legislativa, em termos de comprometimento com o desenvolvimento do estado, é inexistente. Via de regra, temos mais semelhanças com nossa vizinha Argentina, que com um Chile, por exemplo. Se olharmos o mapa do Rio Grande, pela ótica da pujança econômica, veremos de onde saem os votos que elegem a corrente política da qual faz parte o atual dirigente estadual. Sem conversa mole : não se pode esperar mais de quem não tem o que oferecer. Este grupo político, atualmente no poder estadual, é assim mesmo. Querem um exemplo : quantas vezes o governador foi à Argentina e aos Estados Unidos? Quantas vezes foi à Alemanha, ao Chile, ao México, à Austrália? Não é sua praia. Ele certamente não estaria confortável. Não adianta chorar. Pensemos na próxima eleição. E tenhamos a certeza, como dizia o governador Antonio Brito, em relação ao próximo governante : a melhor realização do próximo governo será o seu sucessor. Isto, se ele entender o que isto significa.

  • Maurício Andrade diz: 5 de março de 2014

    O maior problema é que a tal “enxurrada de projetos” não passa de uma marolinha. Reajuste pro funcionalismo é o mínimo que um governo deve fazer, mas num ano eleitoral parece ser extremamente conveniente, não? A questão é que o gasto com a folha de pessoal do Estado é pífio, só conferir no Portal da Transparência. O problema está na péssima administração de todo o dinheiro arrecadado. Não existe ingovernabilidade, existe incompetência, coisa que esse governo e os próximos que estão por vir conhecem muito bem.

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