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Artigo| Educação e desigualdade de renda

26 de março de 2014 0

Educação é um
caminho importante
para a redução da
desigualdade social

CRISTIANO M. COSTA*

Um artigo recente dos pesquisadores Naércio Menezes (Insper) e Andréa Curi (FGV) teve grande repercussão na área de educação. Em linhas gerais, os resultados do estudo mostram que os estudantes que obtêm melhores notas em português e em matemática no Ensino Médio já recebem salários maiores após apenas cinco anos depois de formados. Os ganhos estimados chegam a 4,6% para um incremento de 10% na pontuação do Enem. Este resultado é conhecido na literatura econômica. Mas verificar que esta relação positiva entre desempenho escolar e rendimento também se aplica ao Brasil é extremamente importante para suscitar o debate sobre o tema no país.
O mercado de trabalho tem se tornado cada vez mais competitivo. Diversas profissões vêm passando por grandes mudanças e demandado cada vez mais habilidades cognitivas e não cognitivas dos trabalhadores. Um contador moderno, por exemplo, deve entender muito de informática e conhecer normas contábeis internacionais complexas, além de entender de finanças, estatística e Direito. Foi-se o tempo em que o contador era apenas um “guarda-livros”.
Diversas profissões estão passando por esse processo de informatização, aumento da complexidade das tarefas e diversificação dos conhecimentos requeridos. A literatura recente nesta área mostra que a desigualdade na aquisição de habilidades, especialmente cognitivas e medidas nestas avaliações de larga escala, é uma das principais causas da desigualdade de renda. Essa desigualdade de habilidades tende ainda a aumentar com o passar dos anos, levando a uma maior desigualdade de renda no futuro.
Políticas de transferência de renda são importantíssimas, mas a educação é certamente um caminho importante para a redução da desigualdade social. Se o Brasil deseja ser um país desenvolvido, é fundamental que o governo invista nos ensinos Fundamental e Médio. Somente assim poderemos pensar em um país com menor desigualdade social no futuro sem gastarmos bilhões com transferências de renda aos que não tiveram oportunidades de frequentar uma escola de qualidade.

*Economista e professor do programa de pós-graduação em Ciências Contábeis da Unisinos

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