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Editorial| O papel dos militares

31 de março de 2014 7

Numa democracia, não é preciso fazer uso da força para substituir governantes que desonram seus mandatos.

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Setores das Forças Armadas demonstram desconforto com os registros na imprensa e nas mídias sociais dos 50 anos do golpe de 64. Com a esquerda no poder, incluindo-se aí pessoas que participaram diretamente da luta contra o autoritarismo, entre as quais a própria presidente da República, o clima predominante hoje é de condenação à ação militar que derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura de 21 anos no país. Mas é importante enfatizar que as reportagens jornalísticas responsáveis não estão omitindo em seus relatos o intenso apoio e a participação ativa de setores civis da sociedade no movimento golpista. Pelo contrário, ontem mesmo este jornal, por exemplo, publicou caderno de oito páginas focando exatamente o protagonismo de governadores, religiosos, empresários, estudantes, jornalistas, intelectuais e tradicionalistas na quebra da democracia.
Os militares alegam que foram chamados para impedir a implantação do comunismo no país e que, pelo menos num primeiro momento, cumpriram o dever constitucional de defender a população. Trata-se, evidentemente, de uma falácia. Numa democracia, não é preciso fazer uso da força para substituir governantes que desonram seus mandatos, como os próprios brasileiros demonstraram posteriormente em 1992, no movimento de impeachment que provocou a renúncia de Fernando Collor. Ninguém precisou pegar em armas nem foi preciso colocar tanques nas ruas para mudar o governo em pleno mandato.
Cabe reconhecer, porém, que é injusto atribuir às atuais Forças Armadas qualquer relação direta com os golpistas e os autoritários que se apropriaram do país por duas décadas _ ainda que muitos de seus integrantes relutem em admitir o arbítrio dos comandantes da época. O importante é que os soldados voltaram para os quartéis. E que cumpram o papel que a Constituição lhes atribui, de defender a soberania do país e garantir a estabilidade das instituições, além de, subsidiariamente, contribuir na segurança pública e em operações humanitárias e de cooperação internacional.
Porém, o distanciamento histórico dos acontecimentos de 1964 e do próprio regime de exceção permite que a sociedade brasileira faça hoje uma avaliação mais serena da participação dos militares no golpe. Não se trata de revanchismo, mas, sim, de revisar o passado para que os erros cometidos não se repitam no presente e no futuro. Ainda que protegidos pela Lei da Anistia, os protagonistas daquele episódio, sejam eles civis ou militares, não podem se considerar isentos de críticas, pois o país recuperou suas liberdades exatamente para que o povo, a imprensa e qualquer indivíduo possam se manifestar sobre a realidade nacional.

Comentários (7)

  • Luis diz: 31 de março de 2014

    Zero Hora, Folha, Globo e outros jornais fizeram matérias especiais sobre os cinquenta anos do golpe. Confesso que morri de rir. Qualquer matéria séria que retrate o Golpe tem que falar do papel crucial da mídia. Os jornais construíram um Brasil fantasioso, de mentira, que chancelaria a ação dos militares. Quando penso no papel desempenhado pela imprensa no Golpe sinto vergonha de ser brasileiro.

  • Roberto diz: 31 de março de 2014

    E o que um cidadão que vive em um país pretensamente democrático, mas que presencia todos os dias o seus governantes fazendo lobby, tendo de distribuir cargos e verbas do executivo para que senadores e deputados coadunem seus projetos (sem falar no judiciário). É isso que chamamos democracia? Eu não. Democracia é quando existe oposição e as opiniões destas são respeitadas, pois “representam” os setores da sociedade que os elegeram (lembra? Nosso sistema é representativo). O que fazer nesta circunstância? … O caso Collor, qualquer pessoa bem informada, e politizada, sabe que foi sui generis, pois, por motivos centenas de vezes menor que os escândalos que estamos assistindo na política brasileira, sofreu impeachment, com forte apoio de inúmeros partidos e a mídia mobilizadora das massas e, por fim, estas últimas só serviram para legitimar o que estava por vim – o que está posto. E agora, porque será que não ocorre? … será que o povo se despolitizou ainda mais? De que valeu, então, a democratização se o povo se despolitizou e assiste inerte o sucateamento das instituições democráticas? …quais as causas? …será o predomínio da corrupção que desencanta e nos permite perceber o quanto estamos impotentes diante desses desmandos, nas mãos daqueles que elegemos e não cumprem os desígnios e interesses daqueles? Que rasgam a constituição e ninguém parece estar escandalizado, tudo normal, órgãos de imprensa, partidos de “oposição”? …. Sem certezas, como o autor do texto. Soluções democráticas urgentes por favor, antes que o povo passe a desejar o indesejável. Perguntas, apenas, perguntas,.

  • Rubem Prates diz: 31 de março de 2014

    O jornalista e escritor Flavio Tavares em seu artigo O Legado Perverso, afirma que o único grande jornal que não pedia a derrubada de João Goulart era a Ultima Hora, de Brasilia. Parece me, então, que a ação desencadeada pelo general Mourão Filho, e que levaria a queda de Jango e à consequente ditadura, não foi uma quartelada qualquer, já que contava com as simpatias da maioria da imprensa, da opinião pública e da opinião publicada. A alegação de ZH, quando compara a queda de Jango com o impeachment de Collor, afirmando que não é necessária ação militar para substituir governantes que desonram seus mandatos é totalmente imprópria. Jango foi afastado por uma questão de segurança nacional, Collor por uma questão policial tão comum nos dias de hoje, … corrupção.

  • CARLOS diz: 31 de março de 2014

    Obviamente acabamos de ler um editorial escrito por um jornalista esquerdista hipócrita, algo que é cotidiano em nosso país, apenas gostaria de pronunciar as seguintes palavras : me enganem uma com suas utopias nas grandes mídias, ok fui enganado; tente me enganar outra vez e a conversa será outra jornalistas esquerdistas pútridos!

  • Luis Cláudio Rebouças diz: 2 de abril de 2014

    DEMOCRACIA ou DEMAGOGIA do PT?
    Um país que se diz “democrático” ainda que careça de médicos, não pode se aproveitar do trabalho quase escravo de uma classe explorada por um Governo autoritário, torturador, e anti-democratico como CUBA de Fidel Castro. Como explicar ao povo brasileiro que o médico Cubano prestando serviço em um país democrático como o Brasil, este mesmo Brasil “DEMOCRÁTICO” aceita que esse médico Cubano ganhe menos que um médico brasileiro prestando o mesmo serviço? e ainda, tenha que dar a maior parte desse salário de fome para o governo Cubano, e este médico dentro de um pais democrático seja impedido de frequentar reuniões sociais, e ainda muito pior, que esse médico cubano seja impedido de trazer sua família para o Brasi!.
    É essa a democracia que o PT enche a boca em defender? Essa é a democracia do PT, que se aproveita de gente pobre e indefesa de cuba? é assim que o PT se diz melhor que os militares de 1964? pra mim não, não é essa FALSA DEMOCRACIA perversa e aproveitadora que eu quero para o meu País!

  • Marcelo Noll Prudente diz: 3 de abril de 2014

    O artigo acima demonstra a completa falta de equilíbrio entre história e informação. Para poder entender o presente é preciso estudar o passado, é preciso se colocar no papel das pessoas naquela época. Incentivados pela doutrina comunista que se tentava impôr em vários países, jovens brasileiros se filiavam a grupos armados. Grupos que não pregavam paz e amor. Pregavam assassinatos, assaltos a banco, sequestros e explosões, tudo pela doutrina comunista. Não tinha nada de defender a democracia. Vemos personagens daquela época, hoje nadando em polpudas indenizações vitalícias, o que mostra que acima de tudo, a “ditadura” um investimento.

    Instaurado o regime militar, houve uma guerra entre militares e comunistas. Não foi um protesto de rua que acabou em mortes. Foi uma guerra entre militares e soldados do comunismo.
    Houve abusos de ambas as partes, como toda a guerra. Houve tortura, houve assassinatos, houve justiçamentos e mortes indevidas. De ambas as partes.
    Após décadas do regime militar, foi proposto a anistia, que deixava o placar 0 x 0 e que permitia os ex-militantes voltarem ao Brasil.

    Porém esses ex-militantes não contentes com a anistia, passaram os últimos 30 anos fazendo uma verdadeira lavagem cerebral no povo.
    Os ex-militantes com descursos inflamados pela democracia, chegaram ao poder, anunciando resolver com todos os problemas do Brasil.
    Com planos de distribuição de renda (ao contrário de geração de renda) passaram a transferir de uma área para outra, dinheiro para benemesses populistas.
    A cada escândalo, a culpa era sempre dos governos militares. Se dava certo, eles eram os responsáveis. Se não deram, era tudo culpa dos militares.

    Nota-se que o cofre foi mais arrombado que o cofre do Adhemar de Barros. Roubaram milhões pelo valerioduto, propinodutos, Bancoops e nos alicerces dos estádios da Copa.
    Hoje vemos estatais incompetentes, carregadas de sindicalistas e companheiros da esquerda.
    Nosso governo que bradou “vencer o FMI” e a “auto-suficiência”, mostrou-se um balaio de mentiras. A dívida externa nunca paga, hoje está gigantesca. A Petrobrás nunca atingiu a auto-suficiência e hoje é a empresa com mais dívidas em todo o mundo.
    Financiamos o Minha Casa Minha Vida na Venezuela, reformamos os aeroportos de Cuba, e através dos médicos do Mais Médicos, enviamos alguns milhões para Cuba, de forma “legal”, na qual o regime comunista ganha 80% e o funcionário médico, ganha 20%. Exlente forma de mandar dinheiro para outros países.
    O país ruma à falência. Faltam leitos, saúde, segurança e educação. Mas Cuba vai bem, e nosso estádios serão lindos.

    O governo brasileiro tenta impôr sua ideologia: só existe um caminho – a esquerda. Se você não é esquerdista, é fascista. Se não aceita o homossexualismo, é homofóbico. Se não aceita o MST, é inimigo do campo. Se você é contra as bolsas, é contra o nordeste.
    Vemos uma completa lavagem cerebral onde escolas estão sendo obrigadas a estudar Gramsci e Marx, pensadores do comunismo.

    Enquanto o povo da Venezuela está sendo massacrado pelas tropas de Maduro e tropas vindas de Cuba, o governo brasileiro se cala. Nossos deputados anunciam golpes da direita.
    O povo não tem comida, e a pouca comida é distribuída nos mercados e as pessoas são marcadas como gado para não entrarem na fila duas vezes.
    Toda a população está nas ruas pedindo a saída de Maduro, 30 pessoas já morreram. Uma prova que a democracia está sob falsos alicerces.

    Quando Lugo foi deposto pelo Congresso Nacional, Lula saiu correndo para defendê-lo.
    Quando Zelaya foi deposto pelo Congresso Nacional, Lula saiu correndo e até deu-lhe abrigo na embaixada.
    Mas quando Maduro ordenou seu exército, seus milicianos e a tropa de Fidel matar quem fosse contra, chamaram de golpe da direita.
    Segundo o texto, Collor foi retirado pela voz do povo. E porque Maduro não pode ser retirado? Dois pesos, duas medidas.

    O que liga Lula, Dilma, Lugo, Chavez, Maduro e Fidel? Todos abrigados em um único organismo: O Foro de São Paulo.
    Esperando apenas uma coisa: instaurar o comunismo na américa latina criando um bloco que faça frente ao “imperialismo” dos Estados Unidos.
    Quem acredita que o comunismo morreu, trate de acordar. Ele está bem pertinho.

  • Helcio Rodrigues diz: 3 de abril de 2014

    …somente uma pergunta: por que motivo, os ditos “progressistas e engajados” utilizam o tratamanto ” ditador”, quando se referem aos Generais que ocuparam a Presidencia, mas utilizam “presidente”, “lider” ou “comandante”, para se referir a Raul e Fidel Castro?

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