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Artigo| PeTerização da Petrobras

31 de março de 2014 4

 

Não é necessário
ser douto para
compreender a
enormidade
do que foi sendo
feito com a
Petrobras

 

PAULO BROSSARD*

 

Há uma variedade de aspectos relacionados com a aquisição da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, que tem feito correr rios de tinta e ainda fará correr outros. A respeito deste assunto, espero aqui dar apenas uma ideia breve e clara. Em 2005, empresa belga adquiriu a refinaria em causa por US$ 42,5 milhões. Em 2006, a Petrobras veio a adquirir 50% das ações, por US$ 360 milhões. Depois de vários insucessos forenses, à Petrobras foi determinado comprasse os restantes 50%, o que ocorreu incluindo honorários e outros benefícios mediante pagamento de US$ 820,5 milhões. Ao cabo, a Petrobras desembolsou mais de US$ 1 bilhão, cerca de US$ 1,2 bilhão.

Este é o caso que deixou na sombra acontecimentos nacionais e internacionais relevantes, como a mudança de fronteiras pela Rússia e a redução da credibilidade do Brasil. Esse o resumo do resumo de uma refinaria obsoleta, que nunca chegara a funcionar, a história de uma entidade que haveria de transformar-se em monumental e malcheiroso elefante branco.

Isto posto, dizendo o que é notório, estava armado com pompa e circunstância o maior dos escândalos administrativos e políticos da empresa que, em ordem de grandeza, chegou a ser a 12ª em termos mundiais, caindo para o 120º lugar em cinco anos, segundo o jornal Financial Times. Esse dado completa de uma forma visível o perfil daquilo que se poderia chamar de forma melíflua uma insensatez; em verdade, talvez não fosse o maior escândalo, mas adquiriu tais dimensões que, certo ou erradamente, veio a ser proclamado como o maior. Nem foi apenas uma sandice.

Esses números, desidratados, mas objetivos, são de tal significação, que não é necessário ser douto para compreender a enormidade do que foi sendo feito com a Petrobras.

Se eu tivesse de definir o quadro instaurado, poderia dizer que o chão está resvaladio, mas prefiro dizer movediço. Basta registrar que a senhora presidente da República, que é candidata à reeleição, em dias, caiu sete pontos em sua popularidade. Fato a assinalar, se não estou em erro, resulta na progressiva inserção do partido na administração, não apenas em sua vida administrativa, mas em suas entranhas, com a tendência de chegar à intimidade da mancebia; o fenômeno não é bom, nem para a administração nem para o partido. Talvez seja por tratar-se de uma sociedade anônima, ela vem sendo a presa mais cobiçada do apetite dos amigos do governo e dos que o governo quer fazer amigos. A evolução natural no plano dos partidos sempre foi em outro sentido. A verdade é que, hoje, a questão da refinaria se confunde com a Petrobras, e a Petrobras se confunde com a refinaria.  Aliás, esse dado não é de ser estranhado, uma vez que a refinaria desde seu nascimento está ligada à pessoa, nem mais nem menos, que exerce a presidência da República, sem ela a refinaria não teria nascido, sem ela não teria continuado a viver, ainda que viver morrendo e, sem ela, talvez a Petrobras pudesse continuar a ser a 12ª empresa no âmbito mundial.

No período eleitoral, a então candidata ameaçava que seu adversário iria privatizar a Petrobras. Seus companheiros de partido, alguns dos quais hoje estão na penitenciária, criaram o pejorativo de privatização na palavra privataria.

Pois bem, o que o partido da presidente está fazendo na Petrobras enseja a criação de outro neologismo: a PeTerização da empresa, que já foi orgulho nacional.

 

*Jurista, ministro aposentado do STF

 

Comentários (4)

  • Luis diz: 31 de março de 2014

    Como o Mensalão não derrubou o PT nas pesquisas a Imprensa ressuscitou essa história, de 2006, com a intenção de derrubar a Dilma. Não conseguirão. Dilma vence essa eleição no primeiro turno assobiando e com um pé nas costas. Gostaria que o Ministro sabichão me explicasse num próximo artigo porque a Dilma vence as eleições no primeiro turno. A propósito, o senhor continua sendo contra as greves e a favor dos pecuaristas? Abraços para o pessoal da Santa Genoveva, em Bagé.

  • FLAVIO FAGUNDES DA SILVEIRA diz: 31 de março de 2014

    Parabéns o texto é perfeito assim como os fatos.

  • Alceu S Grandi diz: 31 de março de 2014

    Este é um simon2! igual ao ‘outro’, inservível!
    Falava quando os milicos “Militaziraram” A petrobras? QUANDO O PMDB QUADRILHEIRO PMDBostiva? quando Fernandus henricus ffhgagá psdbostiava a PETROBRAS???
    NÃO!!!
    Então: CALLATE HUEVON!!!

  • Rubem Prates diz: 31 de março de 2014

    A verdade é que os petralhas jamais apresentaram um projeto de governo, nesses 12 anos que estão no poder. Limitaram-se apenas a requentar antigos programas assistencialistas, e se aproveitar da estabilidade do Real que tanto criticaram quando de sua implantação. A crise da Petrobras é um reflexo da falta de idéias e de projetos, de quem está interessado apenas em exercer o poder. Às favas a saúde financeira da empresa, o que interessa é sustentar a cumpanherada. O que eu lamento, é que daqui a 4 anos, se os dependentes desses programas assistencialistas reconduzirem essa turma de volta ao poder, a Petrobras irá se transformar naquilo que eles sequer teriam competência em administrar: um posto de gasolina. Parabens pelo artigo.

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