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Editorial| Ódio online

13 de maio de 2014 1

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O episódio do linchamento de uma dona de casa paulista, supostamente por ser confundida com o retrato falado de uma sequestradora de crianças divulgado pela internet, reacendeu o debate em torno de informações e opiniões irresponsáveis postadas na rede mundial de computadores. De acordo com a ONG Safernet, nos últimos três anos houve um aumento de 203% de páginas denunciadas por divulgar conteúdos de intolerância racial, religiosa, neonazistas, xenófobos e homofóbicos, ou por fazer apologia e incitação a crimes contra a vida. Só no ano passado, foram registradas 21.205 páginas com mensagens agressivas ou ofensivas, 11.004 no Facebook.
As redes sociais multiplicaram vertiginosamente a comunicação entre pessoas e facilitaram o acesso a informações, mas também se transformaram em vitrines de maus instintos. Há muita bravata, é verdade, pois as pessoas sentem-se encorajadas a manifestar na rede posições que normalmente não assumiriam em público. Mas há, também, preocupantes incitações ao ódio, notadamente por parte de grupos neonazistas, misóginos ou que apregoam o justiçamento. Essa visão autoritária não chega a ser uma novidade digital. Sempre existiu. Só que agora o risco de contágio é maior, porque as mensagens se propagam rapidamente e atingem pessoas sem preparo psicológico e intelectual para repeli-las.
A legislação é insuficiente para proteger os cidadãos. Como ofensas, ameaças e invasão de privacidade são considerados delitos de pequeno potencial ofensivo, as penas preveem no máximo dois anos de reclusão e podem facilmente ser substituídas por multas ou prestação de serviço à comunidade. E às vezes os danos causados por postagens maldosas são irreparáveis, como no caso do linchamento referido ou de suicídios de adolescentes que tiveram imagens íntimas divulgadas.
Mas a questão não pode ser resolvida apenas com uma legislação mais rigorosa. A internet nada mais é do que a imagem da sociedade, potencializada pela exposição das ideias dos internautas. Por isso, o ódio online também nada mais é do que uma deformação cultural, que precisa ser combatida com educação e cidadania. A intolerância, a xenofobia, o racismo e a homofobia têm que ser combatidos nos lares e nas escolas. Os preconceitos e as opiniões agressivas precisam ser desestimulados no ambiente de trabalho, nas rodas de amigos, nos meios de comunicação e nas atividades recreativas. Com cidadãos mais conscientes e mais tolerantes certamente teremos também internautas mais civilizados.

Comentários (1)

  • Patty diz: 13 de maio de 2014

    Interessante que a Safernet não menciona nada sobre páginas com conteúdo de ódio por mulheres, o que é infelizmente muito comum.

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